Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Junta-se agora em direto nesta emissão especial João Pinto. É adepto do Benfica e também comentador do painel do "E o Campeão É", da Rádio Observador. João Pinto, bom dia.
Bom dia.
Este divórcio entre Jorge Jesus e os adeptos já estava consumado há muito tempo. Qual foi a gota d'água, João Pinto?
Aparentemente, foi esta questão do Pizzi, mas estou convencido que aquela má exibição no Dragão e o resultado final foi decisivo. Ainda existe a possibilidade dos jogadores do Benfica estarem a fazer teletrabalho. Partindo do princípio que não, em princípio é mesmo o fim da linha, o Jorge Jesus já vem sair.
João Pinto, esta forma como está a falar mostra que, de facto, é melhor para o Benfica que Jorge Jesus deixe de ser treinador dos encarnados.
É melhor para o Benfica, já era uma situação que se arrastava há muito tempo. Jorge Jesus já parecia não ter o apoio da estrutura, dos próprios jogadores, como se viu neste episódio do Pizzi, que acabou por ser decisivo. Mas estava na hora dele já há algum tempo. Acho que isto já só Jorge Jesus é que aguentava Jorge Jesus. Luís Filipe Vieira já não estava lá e agora está na altura da dupla de Rui chegar à frente e começar finalmente a gerir o Benfica e a tomar decisões no que toca ao futebol.
Mas como é que se explica que este regresso de Jesus à luz não tenha tido os resultados que se esperavam? Havia pelo menos condições, havia esse apoio dos dirigentes do Benfica. O que é que faltou?
O Jorge Jesus não teve sucesso e tem algumas atenuantes para isso. Todos os casos à volta do Luís Filipe Vieira, toda a turbulência à volta do COVID, servem de atenuantes. O Benfica teve realmente alguns episódios que trouxeram alguma instabilidade. Agora também há algumas agravantes. O Benfica gastou tudo o que tinha e o que não tinha em jogadores para compor o plantel que Jorge Jesus idealizava. Jorge Jesus já tinha neste momento entre oito e nove laterais-direitos e, portanto, este tipo de pedidos especiais de Jorge Jesus foram todos atendidos, mas o futebol não aparecia e o Benfica o ano passado não ganhou a ninguém, fez um futebol miserável e este ano, mesmo tendo conseguido algumas coisas boas, o apuramento para a Liga dos Campeões, o apuramento para as oitavas de final, depois quando chega a altura decisiva, o Benfica nunca diz presente. Perdeu de uma forma muito triste com o Sporting, com o Porto foi igual, com o Bayern de Munique nunca mostrámos capacidade para nos bater. Portanto, a ideia que dá é que Jorge Jesus nunca conseguiu transformar aquele conjunto de jogadores numa equipa de futebol. E depois, quando é comparado internamente com Rúben Amorim, que com menos faz mais, com Sérgio Conceição, que com menos faz mais, os adeptos do Benfica não gostam e o Jorge Jesus acabou por sair.
Já está preparado para que esta seja também uma época sem feitos por parte do Benfica, se se confirmar mesmo a saída de Jorge Jesus? Este vai ser mais um ano de transição para o Benfica?
Acho que não, até porque acho que Nelson Veríssimo ou qualquer outro treinador que venha para o Benfica, basta fazer fácil. Basta meter os da direita a jogar à direita, os da esquerda a jogar à esquerda, os médios a jogar a médio, os defesas a defender e os jogadores vão ficar com muito menos instruções na cabeça. Vão poder jogar de uma forma muito mais liberta, muito mais solta e o futebol vai aparecer naturalmente, porque eles têm qualidade. Portanto, acho que o Benfica pode e deve ambicionar a ganhar títulos este ano. A Taça da Liga está perfeitamente ao nosso alcance. Chegar aos quartos de final da Liga dos Campeões também. O Benfica pode continuar a lutar para ser campeão. O Porto, o Sporting e o Benfica estiveram a oito pontos muito recentemente, mesmo assim, depois foram campeões. O Benfica pode ambicionar a isso. E mais do que tudo, pode e deve ambicionar a promover os miúdos que têm na equipa B e a ter, desde já, o Tomás Araújo, o Embaló, o Paulo Bernardo, na primeira equipa e de outra forma, a poder, já nesta janela de janeiro, dispensar todo aquele joio que lá está, que realmente não acrescenta.
Mas é uma pressão muito grande, porque estamos a falar dessa janela de janeiro, que é já daqui a pouco. Como é que se vai arrumar a casa em tão pouco tempo? É preciso escolher um novo treinador ou será que admite que Veríssimo passe a aguentar a equipa até o final da época?
Eu admito e gostava que ele ficasse, já para não causar essa tal entropia do treinador de-
De segunda opção.
É, exatamente. Essa janela foi curta. Abra-se a janela, abra-se a porta, abra-se a portada e deixe-se sair realmente tudo o que são Lázaros, Maités, que lá estão e que realmente não acrescentam, a não ser que, agora com este novo treinador, o treinador também consiga pegar nesses jogadores que também de certeza têm qualidade e metê-los a jogar na posição certa, metê-los a jogar como querem e depois, no fundo, acabem por dar rendimento.
Mas o que é que tem Nelson Veríssimo que Jorge Jesus não tem? É porque parece ser um bocadinho a marca do Benfica ir buscar treinadores que já estão no clube para substituir os principais e conseguir até, às vezes, melhores resultados do que os treinadores que são entretanto dispensados. O que é que há em Nelson Veríssimo?
O Nelson Veríssimo não tem nada que o Jorge Jesus não tenha. A única coisa que Nelson Veríssimo tem neste momento é o Benfica B em primeiro na segunda divisão, e um esquema que é um 4-3-3 que assenta em premissas muito simples de ir à linha centrar e estarem dois homens na área marcar gol. Portanto, uma coisa muito simples, muito básica, que todos os jogadores compreendem. Portanto, neste momento, o que interessa no Benfica não é complicar, não é trazer mais um génio da tática, é trazer alguém que muito simplesmente olhe para os jogadores e os meta a jogar nas posições certas. O que Nelson Veríssimo pode trazer é essa simplicidade. Depois do ponto de vista da mística, do ser benfiquista, eu não sou muito crente nisso. Acho que competência é o primeiro critério. Agora, naturalmente que se percebe que o treinador, numa ótica mais moderna, numa coisa mais simples, se der o mérito aos jogadores quando se ganha, se assumir as derrotas quando se perde, se assumir as fragilidades quando as coisas não correrem bem, aí já Nelson Veríssimo terá qualquer coisa que o Jorge Jesus não tinha. E, portanto, acho que aquilo que Nelson Veríssimo pode fazer é simplificar e aí vai se diferenciar logo do Jorge Jesus.
João Pinto, não deita a toalha ao chão, já percebemos, mas que expectativas é que tem para o jogo que é já daqui a dois dias e é só com o Futebol Clube do Porto? É um jogo para lamber as feridas?
Não. Acho que temos mais possibilidade de ganhar até do que tínhamos com o Jorge Jesus. Acho que o Benfica, se o Nelson Veríssimo pode mandar fora todos os pressupostos que o jogo tinha, pode surpreender. Espero que o faça e mesmo que o Benfica não ganhe, que pelo menos mostre em campo uma coisa diferente do que aquela que se viu no último jogo contra o Porto e já no jogo contra o Sporting. Que o Benfica jogue como equipa, jogue unido, corra do princípio ao fim, entre concentrado do princípio ao fim. Quando digo do princípio, é mesmo desde o princípio, senão aos 30 segundos a coisa corre mal. E desde que essa marca d'água fique, é um jogo de possível vitória moral, mas que vai contar muito.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.