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Rádio Observador, Desporto. É um fim difícil de gerir a saída de Cristiano Ronaldo da seleção de forma atribulada, a abandonar o estágio a meio, em véspera de um jogo e num clima de tensão com o treinador e também com a Federação Portuguesa de Futebol. Cristiano Ronaldo promete vir a terreno e contar a verdade, pelo menos a sua versão dos fatos, uma vez que já escutamos Jorge Jesus, continuaremos a escutar nas conferências de imprensa associadas aos jogos e estamos à espera da posição de Pedro Proença, para já apenas um comunicado curto de três parágrafos a confirmar o abandono de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção Nacional. Ora, vamos analisar esta situação e contamos com algumas figuras ligadas ao desporto. Dias Ferreira, antigo dirigente do Sporting, Guilherme Aguiar, antigo vice-presidente do Futebol Clube do Porto e Bruno Batista, especialista em comunicação, comentador desportivo, já fez parte também de uma candidatura a vice-presidente à corrida eleitoral do Sport Lisboa e Benfica. Ora, vamos perceber como se chega a este ponto. Dias Ferreira, pela sua experiência no dirigismo desportivo, consegue encontrar aqui detalhes que levem a este desfecho ou a esta situação de atrito?

Ora bom dia a todos, em especial ao Bruno Batista e ao Zé Guilherme Aguiar. É sempre um prazer estar com eles. Eu diria que a minha experiência desportiva terá pouco a ver com isso. Eu acho que tem mais a ver com a minha experiência profissional de 54 anos, em que para julgar ou para ver em que posição é que estou, uma coisa que para mim é fundamental é o contraditório, ou seja, ouvir a versão de um e ouvir a versão de outro. Antes disso, tenho alguma dificuldade em me pronunciar sobre os assuntos, não conhecendo a versão do lado do Cristiano Ronaldo, como não a conhecemos. E no fundo, também não conhecendo bem, portanto, a versão do Jorge Jesus, que me pareceu desvalorizar o caso, que não me parece assim tão desvalorizável quanto isso. E essa é a primeira observação que eu poderia fazer, conhecendo o feitio de um e de outro, tanto dele como do Cristiano Ronaldo, tanto é uma análise, se calhar, superficial. Acho que não, mas se calhar é superficial, para poder realmente verificar o que é. Uma coisa tenho eu quase a certeza absoluta, é que ninguém andou bem. Isso tenho quase a certeza absoluta. Talvez o Ronaldo terá tomado uma posição drástica demais, sobretudo antes de se esclarecer realmente o que é que se tinha passado. E, por outro lado, se calhar temos uma posição que o Jorge Jesus vez ou muitas já nos habitou, e eu resumiria numa frase que é um problema importante, que eu acho que resume pelo menos o meu pensamento: é um conflito entre egos. Portanto, ambos têm bastante egos, bastante coerente, se calhar com razões ou não razões, e portanto, eles chocaram-se nitidamente. E agora resta-nos saber qual foi o ego menos culpado.

Mas pegando na situação de ego e naturalmente poder haver um mais culpado do que outro, e pela experiência que tem, vê neste caso uma situação de não retorno?

Não, isso por acaso acho que não.

Acha que há possibilidade de Ronaldo voltar?

Talvez alguém chegue ao ponto de ter a certeza que faltou. Porque eu acho que realmente, mas isto eu estou um bocado a adivinhar, mas aquilo que eu acho que despoletou isto foi a situação do aquecimento durante meia hora, 20 minutos ou lá o que foi, sem entrada no coisa. É uma coisa que toda a gente, mais ou menos de uma forma unânime, entende que não devia ter sido feita. E se essa foi realmente a grande razão e a seguir o não pedido de desculpas público, eu acho que isso nessa altura tem emenda e com possibilidades de sair ambos, todos com dignidade deste assunto. Vamos lá ver se imperará o bom senso e vamos lá ver quem são as pessoas que intervieram numa tentativa de conciliação, que não façam pior ou não sejam ainda mais insensatas do que eu acho que os dois foram.

Guilherme Aguiar, certo é que temos o capitão da seleção nacional, a figura desta equipa, o maior jogador de sempre desta seleção, alguém que representa esta camisola há 23 anos e que é capitão desde 2008, a abandonar o estágio da seleção. O que terá acontecido ou aquilo que se sabe do que terá acontecido, parece-lhe razão suficiente para manchar todo este currículo desta forma?

Bom dia também a todos e aos meus colegas de comentário. Ao Zé Eugénio, em particular, de quem sou amigo há muitos anos. Exatamente. Uma questão prévia. Eu sempre gostei do Cristiano Ronaldo. Acho o Cristiano Ronaldo, como atleta, foi de facto um dos melhores jogadores sempre do mundo. E em Portugal, para mim, não tem paralelo É alguém que subiu a pulso toda a sua carreira. Agora, há uma coisa que eu terei que dizer depois deste ponto prévio: o futebol é um desporto coletivo. Eu pratiquei futebol a brincar, mas joguei uma modalidade a sério mesmo, de alto rendimento, que foi o rugby, onde somos 15. E às vezes dizemos assim: "Só com 14? Não faz problema nenhum". Não fazem ideia da falta que faz alguém, porque aquilo é uma equipa. E por isso, uma equipa é uma equipa e há que ter espírito de equipa e, sobretudo, capitão de equipa. O Cristiano Ronaldo foi capitão de equipa, não pela maneira de estar junto da equipa, mas pelo fato de ter o maior número de internacionalizações, que é o critério que se usa nas seleções nacionais. Agora, o Cristiano Ronaldo foi sempre, não direi sempre, porque eu conheci o Cristiano Ronaldo ainda muito jovem, mas a partir de determinada altura, o Cristiano Ronaldo foi o one-man-show. Isto é, ele era, como sempre foi, um fantástico jogador. Fantástico jogador esse que tinha uma forma muito individual, uma visão muito individual em si próprio. Ele é que era a estrela da companhia, a companhia tinha que trabalhar pra ele. Isso passou-se não só na seleção nacional. Passou-se no Real Madrid, passou-se no Manchester United, passou-se em todas as equipes onde ele jogou. Ora bem, à medida que o Cristiano Ronaldo foi envelhecendo, e naturalmente, como todos nós vamos perdendo qualidades físicas, não direi mentais, mas vamos perdendo capacidade física, o Cristiano Ronaldo foi perdendo a influência que tinha nas equipes. Quando o Cristiano Ronaldo jogava no Real Madrid, toda gente sabia que o Cristiano Ronaldo não defendia, não marcava, não fazia nada, porque ele quando pegava na bola, o mais certo era que fosse gol. No Manchester United e daí em diante. Na Seleção Nacional, foi exatamente a mesma coisa. O Cristiano Ronaldo, por si, resolvia às vezes problemas que a equipa não conseguia, mas não deixa de ser uma equipa, não deixa de ser um coletivo. E por isso, eu acho que esta atitude, e estou completamente de acordo com o Dias Ferreira, quando diz: "É preciso saber o contraditório pra sabermos as razões". Por isso eu não vou dar aqui razão nem ao Cristiano, nem ao Jorge Jesus, nem a ninguém. Só vou dizer é que esta atitude, num dia em que há jogo contra a Dinamarca, num dia em que está em causa uma equipa, num dia em que está em causa um coletivo, num dia em que estão em causa 23 jogadores e, sobretudo, num dia em que está em causa um país todo que parou. Aliás, hoje dizia-me alguém com uma certa graça: "A partir de hoje, orçamento de Estado, guerra na Ucrânia, guerra no Irã, preço da gasolina e do gasóleo. Inflação, já foi. Já acabou tudo". Aliás, dizia-me: "O primeiro-ministro, se for fino, aumenta os impostos na gasolina, que ninguém liga, toda gente só quer saber do Ronaldo". Quando o que está em causa não é o Ronaldo, o que está em causa é a seleção nacional.

O Observador noticiou há minutos que Luís Montenegro já falou com Pedro Proença, com Jorge Jesus.

Isso são affaires. São affaires pro primeiro-ministro ficar muito preocupado porque o Cristiano Ronaldo saiu. Não, eu estou preocupado porque a Seleção Nacional e os jogadores que estão lá na Seleção Nacional e vão fazer o melhor que podem fazer, estão debaixo de uma tensão nervosa. Isto que ninguém negue, porque quem esteve num coletivo, quem sabe qual é a noção do coletivo, sabe exatamente isto. E o que provocou Ronaldo? O fato de Ronaldo perder as suas, não perdeu tudo, até porque o Ronaldo é um profissional fantástico, mas com 41 anos já se vai tendo menos capacidades. E por isso, a determinada altura, os treinadores, não aquele treinador, o anterior treinador, que fazia o que o Ronaldo queria, por isso o Ronaldo era o dono da seleção. Aliás, não foi só com o anterior treinador, foi com vários treinadores e teve sempre uma postura de dizer assim: "Quem, eu? Eu sou a estrela da companhia". Indiscutivelmente, era a estrela, mas era a estrela de uma companhia, não era a estrela individual. Isto não é um jogo individual, não é tênis, não é outra coisa qualquer, não. Não é automobilismo, isto é um jogo de equipa onde 11 são fundamentais, sete são fundamentais no andebol, seis no voleibol, 15 no rugby. Indiscutivelmente, é um jogo de coletivo e por isso eu tenho sérias dificuldades em perceber a atitude e em compreender a atitude do Cristiano Ronaldo, independentemente de dar a razão toda ao Dias Ferreira quando diz: "É preciso ler o contraditório". Eu acho que o Ronaldo tomou a decisão definitiva de sair da seleção, porque foi uma forma de Ronaldo dizer: "Eu saí da seleção não porque quisesse eu sair, mas porque me puseram fora". É fantástico. É uma desculpa fantástica. É engraçado que os jornais espanhóis falam de forma emocional. O jornal alemão diz: "Isto é um escândalo. É um escândalo em Portugal. É um escândalo quando o capitão de equipa sai da equipa". E eu admitia que Cristiano Ronaldo, amanhã, depois do jogo da Dinamarca, dissesse: "Eu vou-me embora, eu não aturo isto, eu não quero saber destas coisas. O Jorge Jesus prometeu-me coisas que se calhar falhou. O outro também fez exatamente." Agora, nunca antes do jogo com a Dinamarca. Logo, se por acaso tivermos o azar de perder o jogo, não faltará quem diga: "A culpa é deste". Não. Grande parte da culpa é do Cristiano Ronaldo. Não porque não tivesse jogado, mas fundamentalmente porque criou um espírito, criou uma tensão nervosa na equipe. Não estamos a falar de jogadores que tenham a experiência de 50 anos ou 60 anos. Não. Nós, os mais velhos, estamos perfeitamente à vontade. Agora, os jovenzinhos que estão ali de 24, 25, 26 anos, por muita experiência que tenham, quando estão dentro do campo, ninguém sabe o que é que ela está. Principalmente em jogos desta natureza. Agora, vamos ver. Eu desejo muito boa sorte a Portugal. Ao Cristiano Ronaldo, desejo a melhor das sortes. Eu, como disse no início, e é assim que eu vou acabar, sempre gostei muito do Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo é um profissional de mão cheia, alguém que vive a sua profissão e a sua atividade profissional de uma forma como eu nunca vi. Agora, tem um ego do tamanho do seu prestígio e da sua qualidade como futebolista.

Bruno Batista, fala-se, pelo menos temos essa versão, e tudo aponta para isso, se juntarmos, de facto, todos os pontos, algo que leva Ronaldo a falar em traição. Provavelmente, quereria-se pedir desculpas publicamente, um pedido de desculpas que terá acontecido internamente. Ronaldo gostava que fosse público e que isso não terá acontecido. No final do dia, estamos perante um problema de comunicação entre todas as partes?

Bem, boa tarde aos ouvintes, Miguel Cordeiro, Carlos Dias Ferreira e José Guilherme Aguiar. Começar aqui, e já vou tocar nesse ponto, por concordar com grande parte daquilo que for dito, senão tudo. Apenas discordar ou complementar aquilo que disse o José Guilherme Aguiar sobre se, por acaso, hoje Portugal perde, vão dizer que a culpa foi da destabilização do Ronaldo, e eu acredito que isto tenha destabilizado muito todo o grupo de trabalho, mas este tema é fraturante na sociedade e haverá sempre quem diga: "Estão a ver que o Ronaldo fazia falta lá, portanto, se o têm mantido, talvez o resultado fosse outro". Mas isso é completamente acessório. Pois, Miguel, sim, eu acho que acima de tudo estamos a falar de liderança. Depois podemos ir aqui às questões da comunicação interna e externa que levaram a isto. Mas concordando, principalmente com o Dias Ferreira, que disse que isto é mais um campo profissional. Sim, isto acontece nas empresas todos os dias. Quem gere equipes nas organizações, instituições, nas empresas, sabe que estes temas da liderança são postos em causa praticamente diariamente por todas as equipes e é por isso que é preciso respeitar uma hierarquia e tem que ter lideranças bem definidas. Quando Pedro Proença troca Martinez por Jorge Jesus, criou aqui um problema, que são dois galos na mesma capoeira, citando aqui um bocadinho da sabedoria popular. É que são dois egos fortes e duas lideranças que se contestavam. Houve uma paz podre aparente na conferência de imprensa de há oito dias, eu não lhe quero chamar problema. A decisão de Jorge Jesus de colocar Ronaldo no banco e de não entrar no jogo frente à Noruega, é verdade que tinham combinado inicialmente que Ronaldo só jogava. É verdade, porque Jorge Jesus já o disse, que tinham combinado que ele jogava nos dois jogos em casa, mas que depois lhe disse que provavelmente entraria frente à Noruega, mas a leitura de Jorge Jesus, e está correta porque ganhou o jogo, é que Ronaldo não ia acrescentar nada naquela partida que estava difícil e disputada até o final. E Ronaldo tem que assumir e tem que respeitar esta liderança. E foi isto que não aconteceu. Depois, e pondo sempre aqui, supostamente com aquilo que fomos sabendo. Houve uma conversa privada entre os dois, onde Jorge Jesus lhe terá pedido desculpa por ter tido a aquecer durante tanto tempo sem entrar e um suposto compromisso de o fazer publicamente. Mas é aqui que entram os problemas da comunicação. Se internamente entre os dois, efetivamente este pedido de desculpas ou este reconhecimento, agora podemos discutir semântica de como é que devia ter sido a conversa. Mas se houve este reconhecimento de Jorge Jesus, que efetivamente aqueceu tempo demais, não o devia ter feito. Se há uma necessidade de Ronaldo ouvir um pedido de desculpas público, pois é que está errado, Ronaldo, porque Jorge Jesus ou qualquer treinador não tem que pedir desculpas publicamente de coisas que são da sua responsabilidade, escolher jogar este jogador ou jogar o outro. E, portanto, aqui criou-se um problema de liderança, onde Ronaldo sentiu-se afetado por ver que a sua imagem pública de liderança estava a ser posta em causa. E a partir daqui, para mim, perde a razão quando decide desertar deste estágio e quando põe em causa uma estabilidade de uma seleção. É verdade, eu também respeito muito tudo o que Ronaldo fez. Eu também acho que Ronaldo é o português mais global de todos os tempos. Ele ultrapassa o futebol, é uma figura global, está ao nível de uma popstar da música ou do cinema e é toda esta figura. Mas ali faz parte de um grupo, do qual grupo ele tem responsabilidade extra, porque é capitão. E esse exemplo tinha que ser dado por Cristiano Ronaldo, que eu, e vou fazer agora aqui o contraditório de mim próprio para evitar os haters. Eu compreendo que Ronaldo está a passar por um momento delicado da sua vida profissional e até da sua vida como homem, porque está ali a chegar à meia-idade, onde até pode causar aqui alguns problemas quando vê que o seu desempenho nas quatro linhas já não é igual. Ele treina muito, quer muito, tem aquela vontade toda, aquela fome de ganhar, de bater recordes, mas a coisa já não corresponde em campo. E é perfeitamente normal que não. Ronaldo merecia uma outra despedida, mas Ronaldo também tinha que ter um bocadinho mais de humildade a saber lidar com a liderança da qual está agora mesmo dependente, que é a liderança de um treinador como Jorge Jesus, que ele conhecia bem, trabalharam juntos no último ano, que há oito dias disse à frente de uma plateia de jornalistas, e até não jornalistas, porque foi uma conferência de imprensa peculiar, em que foram apresentados ali quase Não lhe quero chamar circo, mas quase num evento onde Ronaldo e Jorge Jesus falaram para uma enorme plateia para parecer que estava tudo bem e Ronaldo diz que está para o que o mister quiser, se quer que ele jogue, joga, se quer que fique no banco, fica no banco. Afinal não está, porque a preparação que Ronaldo achava que tinha para viver este momento de que já não é o preferido. Ele está habituado a ter as câmaras todas sobre ele, sempre lidou muito bem com isso, sempre tirou partido disso e serve para o bom e para o mau. Eu não acho que isto está a manchar toda a sua carreira. Ronaldo reagiu por impulso ontem e acho que vai ter tempo de pensar sobre isto. O impulso já teve vários na carreira.

Ronaldo que disse no mundial e nessa conferência de imprensa que já não toma decisões a quente.

Mas não conseguiu. E aqui é a parte emocional que eu falava do momento frágil da sua carreira que Ronaldo está a viver. Isso são emoções novas. Ronaldo já lidou com muita coisa, já teve o mundo aos seus pés, já ganhou o que havia para ganhar e isto não lhe tira mérito, nem sequer põe em causa toda a sua carreira. Agora, saber sair também é uma arte e é preciso preparar-se mentalmente. E é por isso que muitos jogadores de alta performance, habituados aos resultados que Ronaldo teve ao longo da carreira, optam por sair de determinados palcos, nomeadamente das seleções, numa fase da carreira em que entendem que já não conseguem dar tudo, talvez para não se sujeitarem a estas coisas. E portanto, é um momento difícil que Ronaldo tem que aceitar e tem que saber gerir. Não soube, a gestão de crise foi péssima. Ontem, Rúben Dias e Jorge Jesus tentaram naquela conferência de imprensa dar a ideia que não havia problema nenhum, que estava tudo muito bem, mas só o facto de vir Rúben Dias, que é apontado e que vai sempre dar a cara em momentos de crise da seleção, já queria dizer alguma coisa. Se Ronaldo quisesse gerir bem esta crise ou se tivesse sido, não sei se foi aconselhado, se não foi, mas aquilo que eu diria que era uma boa solução era que Ronaldo ontem viesse ao lado de Jorge Jesus dizer: "Ontem eu estava chateado e fui-me embora do campo. É verdade. Eu gosto de jogar, gosto de ganhar, sou muito competitivo, queria fazer mais uma internacionalização, queria marcar mais um gol e não tive a oportunidade de jogar. Estava chateado. Hoje é um novo dia, aqui estou para continuar a trabalhar". Ponto final, parágrafo, e não havia história. E desta forma aconteceu o caso que estamos todos hoje aqui a comentar e é um final triste. Eu acho que é um final também. Acho que depois disto, Pedro Proença tem aqui uma granada que lhe rebentou nas mãos e um caso difícil de lidar, que é a federação pós-Ronaldo desta forma, pode perder muito valor de marca, valor institucional, relevância por todo o mundo, porque Ronaldo faz falta à Federação Portuguesa de Futebol, mesmo que não seja como jogador. E agora tem que resolver aqui um problema diplomático, mas tem que apoiar a decisão do seu treinador contratado há três meses e portanto, Jorge Jesus é uma escolha de Pedro Proença até 2030 para levar a seleção às competições e acima de tudo para o mundial e portanto tem que lhe dar força e tem que estar ao seu lado. Tem um problema para gerir.

Vamos perceber o que acontece nos próximos episódios e se, de facto, como falamos aqui, há ou não margem para um regresso, se é um adeus definitivo e naturalmente teremos de aguardar por essa posição de Cristiano Ronaldo, que ontem ficou prometida nas redes sociais. Bruno Batista, José Guilherme Magalhães, Dias Ferreira, muito obrigado por esta participação na Rádio Observador.

Posso dar só 30 segundos?

30 segundos? Claro. Sempre a terminar.

30 segundos. É só para dar os parabéns ao Bruno Batista e ao Eugénio Dias Ferreira, porque eu acho que este comentário desta meia hora sintetizou tudo aquilo que os portugueses têm necessidade de compreender. Isto é, que tiveram um craque fantástico, do qual todos nós nos orgulhamos, mas que acima do craque, acima de tudo, está uma equipa e acima disso está um país. E por isso eu felicito os meus colegas e é um gosto estar com eles a fazer estes comentários.

José Guilherme Magalhães, obrigado também pela sua participação. Obrigado a todos os que participaram na Rádio Observador a analisar esta situação em torno da saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional.

Rádio Observador. Desporto.