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Rádio Observador, o nosso Explicador num novo modelo que inauguramos esta segunda-feira. Explicador das manhãs 360 a partir de hoje, sempre depois das 9h. Hoje destacamos o início do ensino à distância, um regresso ao ensino à distância. Vamos ver como é que está a ser recebido por professores, alunos e também pelas famílias. Daqui a pouco temos um mini fact check a este propósito e o Paulo Ferreira ainda nos vai levar numa viagem pela história das promessas políticas relativas a este ensino à distância. Mas Carla, para discutir este assunto, temos alguns convidados.
Temos conosco esta manhã Miguel Costa Matos, deputado e líder da Juventude Socialista, Hélder Sousa, ex-diretor do IAVE, Instituto de Avaliação Educativa, e também Maria João Oliveira, que é proprietária do Externato Luso-Britânico. Muito bom dia a todos. Obrigada por terem aceitado o convite de estar aqui neste Explicador da Rádio Observador. Miguel Costa Matos, começo por si. Hoje temos já notícias de vários atrasos na tarifa social da internet, na entrega de computadores, até na relação com as operadoras para o ensino à distância no secundário. Houve falta de planeamento para este momento?
Nós temos um desafio, de facto, grande, que foi prepararmos um ano letivo diferente. Tivemos um primeiro período que correu, regra geral, bem, com poucos surtos nas escolas, e temos agora um segundo período em que houve a necessidade, de facto, de alterar o calendário escolar, em que temos os fornecedores dos computadores atrasados na entrega dos computadores. No entanto, já foram 100 mil entregues para aqueles que são os alunos mais carenciados. E temos agora a necessidade de adotar um modelo de ensino não presencial, que naturalmente não é a mesma coisa que o ensino presencial. E não é só a questão dos computadores, há questões muito maiores. É redutor olhar apenas para a questão do computador. Temos a questão do apoio que se dá, a relação que existe entre professor e aluno, e qualquer pessoa que já foi aluno e, sobretudo, qualquer pessoa que seja professor, compreende bem que essas diferenças vão muito para além das questões dos computadores. Nós tivemos um ano letivo que foi preparado dentro do possível, desde 15 de março do ano passado, que muitos estão a trabalhar para que seja possível não só concretizar a escola digital, como também planear outros aspetos deste ano letivo, e continuaremos a fazê-lo para que as desigualdades sejam reduzidas, mitigadas, e para que os alunos possam aprender o mais possível.
Maria João Oliveira, agora para si. Qual sentiu que seja a maior dificuldade neste regresso às aulas à distância?
Da nossa parte, eu acho que estamos aqui a lidar com famílias com um bocadinho de estresse pós-traumático da quarentena do ano passado.
Acredito.
Eu acho que correu bem, mas apesar de tudo, correu bem para custo de muitas famílias e de muita coisa dentro de casa, para não falar dos professores e de tudo o resto. Portanto, acho que nós agora, o que sentimos do lado de lá, é que a disponibilidade para colaborar e para fazer uma coisa que foi feita em cima do joelho o ano passado, ou que foi feita porque estávamos todos com uma disposição de: "Vamos superar isto juntos."
É menor agora.
Neste momento, essa disponibilidade é um bocadinho menor, e porque as pessoas, cada caso é uma casa, os trabalhos não estão a ser facilitados, o teletrabalho é uma coisa muito invasiva e muito perturbadora do funcionamento de uma família, e porque, no nosso caso, o meu externato tem até o quarto ano, portanto, estamos a falar de pré-escolar e primeiro ciclo, são alunos que não têm autonomia suficiente e que também não é producente estar a pô-los o dia inteiro frente ao computador em aulas on-line com a professora, porque isso não é ensino à distância e, portanto, este equilíbrio está a ser muito difícil de alcançar este ano.
E já vamos olhar, Maria João Oliveira, com mais detalhe para as estratégias que escolas e famílias podem ter nesta situação de estresse pós-traumático, como lhe chamou. Mas Hélder Sousa, queria também ouvi-lo, na sequência do que acabamos de ouvir. Há razões para pensar que estamos mais bem preparados desta vez para o ensino à distância?
Eu penso que a experiência que se conseguiu adquirir em março foi excelente, no sentido de resolver os improvisos e de encontrar soluções que permitam, de alguma maneira, mitigar uma circunstância que obviamente é complicada, é difícil, e é difícil, sobretudo, porque nós não estávamos preparados para enfrentar. Talvez, recuperando aqui um pouco o passado, esta questão do ensino digital, que agora vem fundamentalmente à pressa por causa da pandemia, é algo para o qual eu já chamei a atenção há muitos anos, há pelo menos cinco anos, e de facto não houve nenhum investimento na educação desse ponto de vista, continuamos muito numa perspectiva tradicional. Nós somos um país hoje na ponta dos dedos, num toque de telemóvel, na nossa relação com a administração pública, para a grande parte das interações que temos que estabelecer, e na educação há esse atraso. Dito isto, vamos, de facto, agora tentar mitigar as situações. Vamos continuar a ter alunos com problemas de acesso, exatamente por causa disso, porque há aqui situações muito diversificadas. Nós não temos situações iguais, não podemos ter medidas iguais para algo que é profundamente diferente. Há aspetos do ensino remoto, mesmo com as circunstâncias em que ele foi implementado, que não deixam de ser positivas. Os alunos desenvolveram outras estratégias, mais autonomia, mais responsabilização, repensar métodos de avaliação. Há todo um conjunto de oportunidades que, para já, é importante que nós as consigamos manter e alavancar depois da pandemia. Inclusive, já que agora estamos no plano digital, que depois ele seja verdadeiramente utilizado para trazer mais valias para a educação.
Mas eu, construtivamente, gostaria de ver algo que ainda não vi, que é as linhas de um plano de ação, que já deveria estar a ser pensado para este ano letivo, de apoio efetivo aos alunos, àqueles alunos que nós vamos identificar como em dificuldade, gizado na escola, diagnosticado pelos professores, com o reforço generoso do crédito horário às escolas para poder gerir, de facto, esta situação. Algo que tem que funcionar um, dois anos para efetivamente minimizarmos de forma séria, não apenas na retórica, aquilo que são os problemas que vão decorrer desta pandemia.
E para que esta crise possa ser, de facto, uma oportunidade. Já nos deixaram aqui muitas linhas para continuarmos a conversar. Eu peço que fiquem um pouco mais conosco, até para recordar a história da professora que no primeiro confinamento teve de dar aulas no carro porque não tinha internet em casa. Quase um ano depois, falámos com Silvia São Miguel. Ela acredita que os professores já estão mais preparados para o ensino à distância.
A adaptação dos professores ao primeiro ensino à distância pode não ter sido fácil para muitos, mas para Silvia São Miguel, foi particularmente difícil.
Montei uma sala de aula na mala do carro e fui à procura de rede aqui num sítio próximo de casa, porque no primeiro confinamento, por causa de questões de saúde, estava absolutamente proibida de sair de casa. Procurei rede aqui próximo e encontrei aqui no monte, mais ou menos a dois ou três quilómetros de casa.
A professora não conseguia ter rede em casa e tinha alunos para acompanhar. O problema prolongou-se durante quase dois meses, até que uma reportagem da RTP chamou a atenção das operadoras móveis. Daí até o problema estar resolvido, foi um instante. Quando, no início da pandemia, os professores tiveram que trocar as escolas pelas casas onde moram, a adaptação foi difícil. Mas na nova fase, Silvia São Miguel acredita que a experiência ganha é uma mais-valia.
Nesta segunda fase do ensino à distância, todos estamos mais preparados. As dificuldades que nós verificamos na primeira edição foram minimizadas, foram feitas milhares e milhares de ações de formação na área das plataformas digitais, feito por milhares de professores, portanto os professores prepararam-se para isso.
Mas ainda há problemas por resolver.
Faltam computadores, é dado um computador ou é fornecido um computador a cada agregado familiar, mas se porventura o agregado familiar tiver uma, duas, três ou quatro crianças, o computador é só um.
Os desafios do ensino à distância estão de regresso, mas os professores estão prontos para os enfrentar.
É comovente perceber e sentir esta onda generalizada de espírito de missão que move as escolas, os professores e as direções, no sentido de sermos parte da solução e de sermos um elemento chave em toda esta dinâmica do combate à pandemia. Eu sinto os professores todos imbuídos de um espírito de missão muito grande, de interajuda, de cooperação, de fazer tudo para não deixar nenhum aluno para trás.
Há pouco, Miguel Costa Santos, falávamos desta questão do acompanhamento dos alunos. Já vamos falar com Maria João Oliveira sobre este tema que é muito interessante, que é como é que se capta a atenção de alunos tão pequenos, do primeiro ciclo, durante várias aulas, todas através do computador, como é que os pais podem também lidar com isto, porque estão com certeza apreensivos sobre a aprendizagem dos filhos, ainda por cima num contexto em que se formam os alicerces do português e da matemática, etc. Mas, Miguel Costa Santos, há uma alteração de fundo, ainda pouco explicada, eu diria, ou pouco explorada, que é as crianças que estão a ser identificadas ou que já foram identificadas neste período, pelas próprias escolas, e que são alunos que precisam, por algum motivo, de um acompanhamento especial, ou porque não têm um bom ambiente em casa, ou não têm um local onde se possam concentrar. Pergunto: neste grupo estão incluídos também os alunos que não têm computador?
De facto, é importante este acompanhamento que a escola está a fazer. E não podemos imaginar que ter este período todo de confinamento, de ensino à distância, não vai ter um impacto naquelas que são as aprendizagens das pessoas. E, portanto, naturalmente teremos que acompanhar aqueles que, por mais dificuldades que tenham no acesso a estas infraestruturas, que não consigam se acompanhar. Mas, de facto, se nós olharmos para aquilo que tem sido o caminho, tem sido um de sinalização destes problemas, desenvolvimento de tutorias. Foram admitidos mais de 3 mil professores no sistema para atividades de apoio aos alunos, foram reforçados assistentes operacionais. E aliás, este é um caminho que tem vindo a ser preparado já há muito tempo, não é de agora. Há bocado o professor falava-nos de como era preciso preparar a escola digital com mais antecedência e nós vemos que, de facto, em Portugal, nós temos professores com uma percentagem de utilização das TICs nas aulas, as tecnologias de informação e comunicação, acima da média internacional, segundo o último relatório do Estado da Educação. Vemos mais presença de equipamentos informáticos na escola do que a média também da União Europeia. E, portanto, isto é um caminho que tem vindo a ser preparado. De facto, neste contexto específico da pandemia, as dificuldades que surgiram, surgiram porque todos os países estão a fazer aquilo que nós estamos a fazer, que é comprar computadores, e teremos que, naturalmente, fazer um esforço contínuo, não vai ser de agora, não vai ser dos próximos meses, vai ser de anos, de acompanhar estes alunos e de podermos dar-lhes um maior apoio para que a sua aprendizagem não seja posta em causa. Isto é daqueles que têm que defender a escola pública e a aprendizagem dos alunos, que é o mais importante, que são as crianças que estão na escola neste momento. E se de facto acreditamos que a escola pública dá às pessoas uma oportunidade de serem o que elas querem ser na vida, então nós temos que lutar para que ela dê realmente igualdade de oportunidades a todos. Portanto, eu estou consigo que temos que lutar por essas crianças.
Maria João Oliveira, este ano letivo começou com as escolas a antecipar a possibilidade de estarem outra vez a passar por uma situação destas, com planos de contingência para esta situação. Já aqui disse da dificuldade do ensino à distância para crianças muito novas, com pouca autonomia. Como é que se preparam crianças para este momento?
É complicado, porque a presença da professora, a ligação ao grupo, à turma, à aprendizagem que as crianças desta idade fazem não é só relacionada com aquilo que a professora está a transmitir ou a expor. Há todo um conjunto de relações e dinâmicas que nestas idades se criam, que não acontecem no ensino à distância. Às vezes eles aprendem até uns com os outros na sala de aula. Às vezes com o olhar da professora, com o tom de um aluno, a professora entende uma dificuldade. Às vezes há coisas muito subtis que acontecem dentro de uma sala e que por mais que estejamos em vídeo cara a cara uns com os outros, se perdem. E depois estamos a lidar com crianças que têm muita atenção e dedicam muito da sua concentração a um jogo online, se for o que eles gostam de fazer, mas uma sala de aula é diferente. E passados poucos minutos, a atenção pode se perder se tiverem outros alunos a ser questionados ou se a questão for uma coisa que não lhes puxa muito a atenção ou a curiosidade.
E, portanto, o ensino é necessariamente pior.
Eu não gosto de quantificar as coisas. É diferente, não se pode esperar que seja igual. E portanto, nós estamos com a esperança que voltando ainda dentro do ano letivo, voltando à escola presencial, se possa realmente colmatar e preencher muitas das coisas que se perdem no ensino à distância. Porque não é uma questão de ser pior, porque nós conseguimos até quantificar o ano passado as aprendizagens que foram feitas através do ensino à distância, mais aquele mês e meio de início do ano letivo deste ano, em que foi feita a consolidação das matérias e o reforço, e depois avaliarmos. E, na verdade, o conteúdo foi transmitido, o conhecimento ficou dado, ele está lá. Agora, a escola existe por mais razões do que só a aprendizagem. Nestas idades, então, é tudo. A relação é total.
A questão social não se consegue através do computador.
Exatamente. E também a identidade, a autonomia e a privacidade de cada aluno, que é muito importante que a escola exista também por isso. E não havendo uma escola para onde eles vão, onde podem de vez em quando fazer disparates, onde podem dobrar a norma para ver qual é a consequência, etc. Isso também não acontece durante estes meses.
É uma aprendizagem que não se consegue no ensino à distância, mas estamos aqui a falar e quando olhamos para esta nova fase, há este desafio, a existência ou não de equipamentos e de acesso à internet por parte de alunos, de professores e de escolas. E é aqui, Paulo, que está uma das maiores polémicas que nasceu de uma promessa feita pelo governo.
É verdade. Tudo começou no dia 9 de abril de 2020, com esta promessa do primeiro-ministro.
Estou em condições de assumir que no início do próximo ano letivo, aconteça o que acontecer, nós termos assegurado a universalidade do acesso às plataformas digitais, quer em rede, quer em equipamentos, para todos os alunos do básico e do secundário.
Assim, sem "ses" nem "mas", António Costa em abril então a fazer essa garantia, aconteça o que acontecer. E esta era uma promessa que abrangia e abrange mais de 1.100.000 alunos. Um mês e meio depois, em maio, o próprio ministro da Educação reforçava a promessa e garantia que estava tudo a ser preparado.
Relativamente às respostas concretas desse programa, como digo, esse programa está a ser construído e oportunamente terão os elementos concretos. Tudo o que agora se disser é por adivinhação de quem tentar também construir um programa análogo ou não a esse Magalhães. E parece que há muita gente que diz: "Magalhães, volta, estás perdoado."
Tiago Brandão Rodrigues, aqui em entrevista ao Público e à Renascença, a garantir que a seu tempo tudo seria então conhecido, mas deste programa nada mais foi divulgado de forma estruturada. Só dois meses depois, em julho, é que o Conselho de Ministros autorizou a compra de computadores para os alunos e escolas, e só um mês depois disso, em 21 de agosto, é que o Ministério da Educação abriu o procedimento para essa compra. Nessa altura, já estávamos a menos de um mês do arranque do ano letivo e com todos os prazos a derraparem, a partir daqui, o governo começava já a correr, de alguma forma, atrás do prejuízo e a fazer o controle de danos. Foi assim que em 11 de setembro, o ministro Tiago Brandão Rodrigues admitia no Parlamento que, afinal, os primeiros computadores começariam a ser entregues apenas durante o primeiro período, sem se comprometer com datas mais precisas. Foi a primeira vez que se assumiu que a promessa feita em abril não ia ser cumprida. E só no final de novembro, então, com o fim do primeiro período já à vista, é que os primeiros computadores começaram a ser distribuídos para menos de 10% do universo escolar.
Mas há aqui um segundo lote de 335 mil computadores que o governo diz que já está adquirido.
E está, de acordo com as informações que são públicas, mas o despacho do governo para a compra desses computadores, um lote muito maior, só foi feito em outubro e os contratos de compra foram assinados quando já estávamos todos com as 12 passas na mão, no dia 31 de dezembro. Prevê-se agora que estes computadores cheguem aos alunos só em março, portanto, daqui a um mês, um mês e meio. E entretanto, nas últimas semanas, são muitas as câmaras municipais e os agrupamentos escolares que diretamente estão a fazer compras de computadores para distribuição a alunos e professores. E há quatro dias, o Ministério da Educação assinou mais um contrato para a compra de outros 73 mil computadores por 19 milhões de euros. Pelo menos esta é a informação que está no Portal Base.
E podemos saber o que é que correu mal e por que este processo se arrasta?
O governo nunca foi muito claro. Diz que obviamente há problemas de fornecimento em todo o mundo, porque houve uma corrida aos computadores, mas o certo é que as datas destas decisões do governo e da assinatura dos contratos de compras mostram que se demorou demasiado a tomar decisões. E também sabemos que o governo nunca acreditou verdadeiramente na necessidade de um novo confinamento. Aliás, o primeiro-ministro disse-o no verão por várias vezes.
Não podemos voltar a repetir o confinamento que tivemos que impor durante o período do estado de emergência e nas semanas seguintes, porque a sociedade, as famílias, as pessoas não suportarão termos de passar de novo pelo mesmo.
Portanto, as pessoas e a sociedade não suportarão um novo confinamento. Isto é António Costa em julho, numa declaração que foi secundada logo no dia seguinte por Marcelo Rebelo de Sousa, que concordou com a incapacidade que o país teria para lidar com isto. Portanto, é provável que esteja aqui uma das razões para este atraso na compra de computadores, talvez a convicção de que não viriam a ser necessários. Mas cá estamos, afinal, num novo confinamento, o vírus impôs e não liga a percepções políticas. E aqui temos que recordar um ensinamento antigo de Fernando Ulrich, à altura o líder do BPI, em tempos de outras dificuldades.
Quando se pergunta se o país aguenta mais austeridade. Aguenta. Não gostamos, mas aguenta.
Da mesma forma, o país não tem agora alternativa a aguentar outro confinamento, com ou sem computadores atribuídos aos alunos.
Mas mesmo assim vamos ter de aguentar. A entrega de computadores aos alunos e professores tem sofrido atrasos relatados aqui e relembrados pelo Paulo Ferreira, mas Pedro Rainho, também tem gerado alguma desinformação.
Sim, é verdade. E o Paulo acabou de tocar na ferida, podíamos pegar em vários exemplos que têm corrido as redes sociais acerca deste ponto. É um tópico muito quente, mas pegámos num que fala sobre as datas de entrega ou não entrega, compra ou não compra dos computadores. E o que temos é um post em que se diz claramente que o governo mente constantemente e que a comunicação social noticia sem confirmar. Ora, por quê? E estamos a falar da compra de computadores. Porque o governo tem alegado falha nas entregas destes equipamentos, mas mente nas datas. Por quê? Ora, o autor do post faz um print screen do Portal Base, de que o Paulo de resto falou, e falou também deste contrato em concreto, e depois assinala lá uma data, 20 de janeiro. Ele fala em 21 de janeiro, mas o que está em causa é 20 de janeiro. E o que ele diz? Que os computadores só foram encomendados, uma das parcelas, das muitas que têm sido encomendadas nos últimos meses, no dia 20 de janeiro. Não é verdade. O que está ali em causa, e isto é um pouco de pedagogia de leitura desta informação pública, é a data de publicação daquele contrato no Portal Base. Como o Paulo há pouco referiu, este contrato até é assinado a 31 de dezembro. O concurso tinha sido aberto em outubro, depois é prorrogado para novembro e acaba por ser assinado, de facto, a 31 de dezembro. Portanto, Carla, já percebemos que há aqui uma confusão de datas.
E, portanto, Pedro, o veredicto é?
Neste caso, a publicação está errada.
Ora, voltemos ao nosso debate. Aproveito para recordar quem é que está conosco esta manhã. Maria João Oliveira é proprietária de um colégio privado em Lisboa. Miguel Costa Matos, que é deputado do Partido Socialista, líder da Juventude Socialista, também o mais novo deputado na Assembleia da República, recorda-se bem ainda dos tempos de escola, e Hélder Sousa, ex-diretor do Instituto de Avaliação Educativa. Vou começar por si, Hélder Sousa, que há pouco não teve a oportunidade de entrar nesta discussão em que estávamos a falar dos mais novos, de como é possível que os mais novos tenham uma aprendizagem que seja eficaz. Agora vamos falar dos mais velhos, daqueles que estão no ano em que precisam de fazer exames nacionais para depois ingressar na faculdade. Acha que era preciso tornar de uma forma transparente, que os exames nacionais este ano têm necessariamente de ser mais fáceis?
Não, de todo, não concordo. Não é baixando o nível de dificuldade que nós estamos a contribuir para um ensino de qualidade. É evidente que também há a percepção de que os alunos do ensino secundário, portanto, com mais idade, adaptam-se melhor e respondem melhor a estas situações, desenvolvem mais capacidade de autonomia, desenvolvem mais a capacidade de poderem interagir de uma forma mais dinâmica com os professores, e isso não se traduz necessariamente numa perda tão significativa quanto aquela que acontece nos mais jovens. Isto está também reportado em termos internacionais. Dito isto, é importante aqui equilibrar dois momentos. Nós não sabemos o que vai acontecer, não sabemos quando e se poderá haver retorno, esperemos que sim, ao ensino presencial, mas fundamentalmente, eu diria que nesta fase, para todos, é muito importante haver um aliviar da pressão, da intensidade do trabalho, mas sobretudo, um maior equilíbrio entre o trabalho que é conduzido pelo professor e o trabalho de pesquisa autónoma que os alunos devem fazer. Eles aí aprendem imenso.
Exato, Hélder Sousa, ainda há pouco falávamos das dificuldades que existem no ensino à distância, mas o ensino à distância tem algumas vantagens.
O ensino à distância, não é que isto seja a alternativa para o futuro, de todo, mas desenvolveu de facto aqui um conjunto de atividades da parte dos alunos e também de repensar pela parte dos professores no que se refere, por exemplo, à avaliação interna, introduzindo uma maior diversidade de instrumentos de avaliação que a par dos testes são tão importantes. Nós tínhamos, de facto, um sistema muito monocromático, muito centrado nos testes, e agora, de facto, foi forçoso diversificar, e isso desenvolve outras capacidades de aprendizagem, que, ao contrário do que se possa pensar, são extraordinariamente importantes nos exames, porque os exames não avaliam, não é de agora, há muito tempo, conhecimentos explícitos, factual, que se tem que responder com base na memorização. Exatamente o contrário, avaliam muito mais aspetos que têm a ver com o desenvolvimento de processos cognitivos mais complexos Que muitas vezes os alunos não estão habituados a desenvolver. É um alerta que eu deixo aqui também nessa perspectiva. Eu deixava um outro alerta sobre o qual ninguém falou. Nós com essas situações do abre escola, fecha escola, interrompe o ensino, recomeça o ensino, a bem e mal, vamos ter agora um período que está a começar hoje e que vai durar entre 18 a 20 semanas, com uma breve interrupção de uma semana, é um período extraordinariamente longo. Eu alertava para o cuidado na gestão deste período, porque provavelmente no final vai haver, de fato, uma sobrecarga de trabalho, de cansaço dos professores, dos alunos, talvez algo para o qual as pessoas não estejam ainda devidamente alertadas.
É um bom alerta. Provavelmente os professores vão ter que tentar aqui dosear, mas os pais também na exigência que têm dos filhos.
É quase como uma maratona que se está a correr pela primeira vez, porque houve um período tão longo com uma interrupção tão curta, e portanto é preciso chegar ao fim.
Já voltamos a si, Helder Sousa, tendo em conta a sua longa experiência à frente do Instituto de Avaliação, porque é preciso pensar como é que se podem preparar os alunos para os exames nacionais nestas condições. Mas antes disso, eu gostava de falar de novo com o deputado do Partido Socialista, Miguel Costa Matos, por esta questão, e acho que esta questão, sendo passado, continua a ter que ser abordada, porque pode verificar-se num futuro muito próximo. Não se percebeu sequer se foi ou não proibido o apoio aos alunos nos colégios privados. Houve aqui uma trapalhada em termos de comunicação. Agora aquilo que eu lhe pergunto, posto isso de parte, é se acha que foi uma decisão justa impedir que uns estudem para que todos se nivelem, pelo menos por menos, para não dizer por baixo.
Deixe-me dizer, a propósito disso, a mesma coisa que o senhor primeiro-ministro disse, que nunca foi proibido ensinar. O que aconteceu foi algo muito simples.
Miguel Costa Matos, para todos os professores e comunidade escolar, é evidente que há uma diferença entre suspensão de atividades letivas, aulas, ou suspensão de atividades. Dito isto, aquilo que o Ministro da Educação foi muito afirmativo e muito vocal é que a paragem era para todos.
E de fato, aquilo que preferencialmente nós temos são aulas, e são um calendário escolar em que todos estão a ter aulas, e preferencialmente um calendário escolar que permita maximizar o tempo com ensino presencial. Porque nós sabemos que o ensino presencial, como dizia-nos há bocado a professora Maria João Oliveira, tem muitas vantagens que vão para além da questão de ter ou não ter computador. Tem a questão das relações dos professores, tem a questão da socialização dos alunos, entre outras. E portanto, aquilo que foi possível fazer com a alteração do calendário escolar.
Mas então concorda? Vamos recentrar na questão que lhe tinha posto inicialmente. Concorda então que os colégios puderam continuar e que tenham continuado com o apoio, que entre o apoio e aprender e ensinar, vai uma distância muito pequena. Não parece que nenhum professor estivesse a medir se estava a ensinar ou não estava a ensinar ou só estava a apoiar, até porque não acredito que nenhum professor consiga só apoiar sem ensinar. Acredita, portanto, que a continuação do estudo nas aulas dos colégios privados foi uma decisão justa para com o público?
Acho que perante a liberdade de ensinar que existe em Portugal, foi aquilo que era possível. Não era possível ter aulas, por causa de motivos de pandemia e porque queríamos maximizar o tempo de aulas presenciais. E foi isso que se fez, mudando o calendário escolar, mudando as férias, para se poder organizar os alunos poderem ter realmente esse espaço privilegiado de aprendizagem.
Maria João Oliveira, nós temos um tempo muito curto, eu peço imensa desculpa. Mas vamos falar com a proprietária de um externato, que é o Externato Luso-Britânico, aliás, aqui muito próximo de Alvalade, para lhe perguntar se sentiu que pisou o risco quando permitiu que os alunos fossem acompanhados à distância pelos seus professores.
Não, não sinto nada que pisei o risco. E aliás, eu por acaso concordo com o senhor deputado, porque eu acho que a discussão resvalou para um ponto muito desagradável, que não era de todo a intenção, nem do ensino particular, nem do Ministério da Educação. Eu acho que o ministro teve uma participação e uma comunicação que foi reativa àquilo que o presidente da AEEP disse logo. Quando há uma suspensão das atividades letivas, o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, a primeira coisa que comunica cá para fora é: "Nós não vamos parar, vamos continuar a dar aulas." E o ministro de Educação teve uma reação, se calhar, de cabeça quente.
Imediata, não é?
Pronto, se calhar foi de cabeça quente, mas a verdade é que nós que trabalhamos no ensino particular sabemos perfeitamente o que é que o Ministério quer dizer com uma interrupção letiva. É uma interrupção letiva, haveremos de ter estas aulas numa data posterior. Agora, qualquer professor que se preze sabe que deixar os alunos a meio de um período sem nada para fazer só vai prejudicar aos alunos e a ele, porque quando voltar a eles, vai encontrar ali alunos que perderam o ritmo, ficaram desabituados. E portanto, no meu exemplo particular do nosso colégio, o que fizemos foi: enviamos material de apoio, que podia ser distribuído pelos vários dias, e no pré-escolar quisemos manter uma relação ainda online.
Quando fala material de apoio, são as famosas fichas, é isso, não é? Tipo trabalhos de casa.
Exatamente. Algumas coisas que podiam fazer online, algumas fichas, coisas que tinham a ver com a matéria que já estava dada, portanto não estávamos a dar matéria nova remotamente, estávamos a tentar consolidar as coisas que eles estavam naquele momento a aprender para que quando voltássemos ao ensino presencial ou não, não sabíamos na altura, não ter ali meninos com as mãos enfrejadas ou sem ritmo de trabalho.
E que pensassem que estavam de férias.
Sim. Na verdade, eu acho que mesmo no ensino público, porque os professores são iguais em todo lado, não é por serem do privado ou do público, e todos têm espírito de missão e ninguém quer ver os seus alunos desacompanhados. Quem pôde chegar a eles, porque isso também tem a ver com poder e não poder, e ter essa capacidade ou não, mas quem pôde chegar a eles, eu tenho a certeza que os acompanhou.
Isso necessariamente aconteceu em escolas do público, do privado ou do ensino cooperativo. Bom, nós temos estado esta manhã a discutir aspectos muito práticos desta nova fase do ano letivo, mas há depois o dia a dia e esta hora, são 9h35, muitos alunos já terão começado as aulas neste novo ritmo, já terão ligado o computador, ligado ao Zoom, ao Meets e a todas aquelas novas expressões que foram aprendidas no ano passado. Esta manhã, temos estado a ouvir em noticiário uma mãe de nove filhos, todos em idade escolar, e que se tem de organizar com seis computadores em casa. Teve de comprar mais um este ano para reforçar o número de computadores. Maria Forjento Gonçalves, muito bom dia.
Bom dia.
Já ouvimos dizer nos noticiários que construiu um mapa para ir gerindo as aulas e os tempos dos seus filhos, prevendo o que ia acontecer hoje. Como é que está a correr a manhã e as primeiras aulas do dia?
Bom dia a todos. A manhã está a correr bem. Foi um pouquinho agitada ao princípio, até porque a noite também foi um pouquinho agitada, estavam muito ansiosos e muito excitados de voltar às aulas online.
Mas contentes ou preocupados?
Contentes. Aqui a única preocupação era: em que computador é que eu vou estar e se eu tenho ao mesmo tempo aulas que o meu irmão, como é que vamos fazer. Mas nós acabamos por gerir isso com o dito mapa, como estava a falar. Ontem à noite também tivemos aqui uma agradável surpresa de uma prima que nos emprestou um computador à última hora, que não precisava.
Portanto, são sete agora.
São sete e está tudo tranquilo.
Está tudo tranquilo. E é mais difícil ter nove crianças em casa sem aulas, como teve até ontem, ou agora organizados com aulas à distância?
É mais difícil ter sem aulas. É bastante mais difícil. E numa situação de confinamento. É preciso ser mais criativo, ter mais paciência também. Mas tudo se aprende, tudo se reaprende e tudo tem o seu lado positivo também, estarem mais uns com os outros, aproveitarem mais os jogos de tabuleiro que têm, em vez de estarem à frente dos computadores e da televisão. Acho que tudo tem as suas vantagens.
Estava a falar que tudo se reaprende. O que fez no último confinamento que não vai fazer agora, que já decidiu que não pode ser? Relativamente ao ensino à distância, obviamente.
Sim. Não pode ser não termos os materiais impressos e preparados, ou não pode ser não termos antecipado essa preparação. Em cima da hora não pode acontecer, porque vira aqui um turbilhão desnecessário, que não é nada abonatório. Ter tudo preparado antecipadamente. Ontem tiveram a afiar lápis, a ver se as canetas funcionavam todas. Ter os materiais todos que precisam, as folhas de rascunho para tomar apontamentos. Tudo isso está preparado, cada um tem o seu espaço, tem a sua mesa, com as coisas que precisam imediatamente em cima da mesa, prontas para serem utilizadas. Toda esta organização antecipada e com a experiência que já tínhamos acumulada, ajudou-nos também muito a preparar este início de aulas.
Portanto, ficamos aqui a perceber que o papel ainda é fundamental e que não pode ser tudo digital e online. O papel é bom para memorizar. O exercício de usar a caneta, o lápis e o sublinhado.
É, eu acho que sim. Eu acho que é muito bom, ajuda a sistematizar, ajuda a entrar na cabeça, ajuda a organizar as ideias. Sobretudo para estes miúdos, como são muito digitais e como está tudo à distância de um clique, a capacidade de concentração é muito pouca. É a experiência que eu tenho. Ter ali os papéis e as canetas e poder ir tomando apontamentos, sobretudo os mais velhos, não estou a falar tanto os mais novos, mas os mais velhos que estão do sétimo ano para cima, é fundamental e é uma prática muito comum aqui em casa.
Muito obrigada, Maria Forugento.
Eu é que agradeço.
Muito obrigada. Obrigada por ter tempo no meio de tantos filhos a estudar online e com certeza também do seu trabalho normal. Muito obrigada por ter estado conosco estes minutos. Obrigada. Volto ao nosso painel. Estávamos então a falar desta questão do ensino à distância e eu agora começo por si, Maria João Oliveira. Quanto tempo é possível manter os alunos neste regime à distância? Estivemos numa primeira fase em março, depois tivemos este período de paragem, no caso dos colégios, tiveram estes 15 dias em trabalhos de casa, mais ou menos, se pudermos dizer assim, mas agora vamos entrar num período que se pode prolongar por três meses.
Quanto tempo é possível é uma boa pergunta. Se eu soubesse essa resposta... Possível vai ter de ser o tempo que tiver de ser. Infelizmente, é esse o espírito dos professores, por mais que a gente não queira. Nós não queríamos nada, ninguém queria, e como há pouco na vossa peça referiram, eu acho que nem o governo, nem o Presidente da República tinham esta expectativa de que voltássemos a confinar. E a verdade é que aqui estamos. E portanto, a gente tem de fazer o que tem de fazer em cada dia e em cada mês. A nossa expectativa é pelo menos conseguir ainda durante este ano letivo regresar à escola, nem que sejam 15 dias, porque é preciso mesmo.
Consolidar o que ficou.
Sim.
Para não ficar só no ar ou pelo menos imaterial na internet. E agora compete-me fazer mais ou menos a mesma pergunta ao deputado do Partido Socialista, Miguel Costa Matos. Estamos a falar de um ensino à distância que, por razão da pandemia, por obrigação da pandemia, pode prolongar-se por mais do que aquilo que seria eventualmente até suportável por alunos e professores. Falando sobretudo nos alunos mais velhos, que têm agora os exames nacionais este ano, sobretudo aqueles que vão e querem ingressar na faculdade. Nós sabemos que as escolas têm uma espécie de letralidade, 25% do curricula para escolher aquilo que querem e não querem dar. Acha que essa letralidade, essa escolha deveria ser alargada?
Essa autonomia e flexibilidade escolar têm-se revelado, de facto, muito importante. Sobre os exames nacionais, vamos ver. Agora o ministério há de anunciar nos próximos dias o que vai fazer aos exames nacionais. Acho que é sempre diferente e estranho para quem está a terminar o secundário. A minha irmã está a terminar o secundário e agora vai começar também o ensino superior. E portanto, é compreensível a incerteza de todos. Cabe-nos agora fazermos um esforço em termos das medidas de saúde, para permitir esse regresso presencial e para que o ano possa concluir-se da forma mais normal possível e com os melhores resultados de aprendizagem, para que esses jovens possam ter os sonhos que querem, ir para a faculdade.
E não os adiarem.
Isso.
Para terminar este debate, estamos mesmo a chegar ao fim. Este tema dá pano pra mangas, como sabemos, a educação é um tema particularmente interessante e também um tema particularmente difícil em termos de pandemia. Eu agora voltava-lhe a perguntar, Hélder Sousa, aquilo que perguntei à Maria João Oliveira. Como é que se preparam estes alunos, os professores e os pais também, para esta longa maratona de ensino à distância?
Eu, se me permite, desvalorizava um pouco essa questão. Nós sabemos os constrangimentos que isto acarreta, mas do ponto de vista, e sobretudo para tranquilizar as famílias e os alunos que estão nesta circunstância, eu daria um conselho muito simples e que se está em prática em algumas escolas noutros países. Agora nós temos que aprender. Aprender. E aprender não é necessariamente decorar matéria. Aprender é pensar, refletir, saber explicar, saber justificar, ter uma estratégia de resolução de problemas, desenvolver a capacidade da escrita. Portanto, no fundo, aprimorar a qualidade do conhecimento a um nível tão mais avançado e complexo quanto se conseguir. À beira do exame, mais próximo do exame, eu diria que algumas semanas antes do exame, vale a pena ter uma outra estratégia, que é complementar a esta, que é treinar. Que é treinar, de facto, fazer provas. Olhar para os critérios de classificação que estão na página do IAVE, que ajudam a entender o que é que em cada resposta, a partir de o aluno deveria ser capaz de realizar. E sobretudo, uma outra coisa, já agora muito importante, e que está na linha disso que estamos a dizer, que é fundamental, mas é fundamental sempre, que é trabalho colaborativo. E portanto, nós agora dizemos muito, manter os alunos à distância também deve pressupor marcar tarefas que eles possam realizar em conjunto, embora à distância.
Manter a rede de contactos e de amigos, não os isolar.
Exatamente, a parte social é muito importante, mas aqui do ponto de vista do treino para os exames, os alunos não se isolarem sozinhos em casa, de cabeça enfiada nos livros, mas basicamente falarem uns com os outros, trocarem impressões sobre aquilo que são as aprendizagens, resolverem exercícios em conjunto, verem quais são as soluções que cada um tem, naturalmente com o apoio dos professores para mitigar situações que possam não estar compreendidas. E de facto, aliviar um pouco esta tensão e a perspetiva que não é memorizando, permita-me a expressão, não é amarrando para o exame, que nós vamos ter o problema resolvido, porque a maior parte da pontuação da votação das perguntas do exame não avalia, ou não permite a um aluno que apenas faça este processo, ter o mínimo de sucesso. E os dados há anos que comprovam isto. E portanto, ter aqui uma abordagem diferente, inteligente, mais proativa da preparação para o exame.
Pode ser fundamental. E eu queria agradecer a todos que estiveram neste painel. Maria João Oliveira, proprietária do Externato Luso-Britânico, Miguel Costa Matos, deputado e líder da Juventude Socialista, e também Hélder Sousa, ex-diretor do Instituto de Avaliação. Muito obrigada aos três.
Neste explicador também participaram o Pedro Rainho e o Paulo Ferreira. Fica por aqui. Daqui a pouco estará disponível no nosso site e também nas plataformas podcasts.
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