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Gabinete Guerra na Rádio Observador, o espaço onde analisamos os principais focos de conflito. Hoje contamos com a análise do professor de Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, Bernardo Valente. Boa noite. Obrigado por ter aceitado o nosso convite.

Olá, boa noite, Martim.

Quero começar com a guerra na Ucrânia. Volodymyr Zelensky confirma que os enviados especiais de Donald Trump vão viajar a Kiev já neste domingo. O presidente ucraniano anuncia também que a Ucrânia vai suspender os ataques aéreos enquanto Whitkoff e Kushner estiverem a visitar Kiev em Moscovo. No entanto, o jornal ucraniano Kyiv Independent noticia que Whitkoff estava com medo de viajar para a Ucrânia, isto porque receava-se que existissem ataques aéreos. Nestes últimos dois mandatos de Donald Trump, o presidente norte-americano tem conseguido aproximar os Estados Unidos da Rússia. Pode-se até recuar muito antes de Donald Trump sequer se ter candidatado, por exemplo, até 2013, em que Trump fez uma publicação no Twitter, o agora X, que dizia: "Será que o Putin vai ao concurso Miss Universo em Moscovo? Se ele for, será que vai ser o meu novo melhor amigo?" Isto foi uma das publicações que Donald Trump fez e é um dos muitos exemplos ao longo dos anos em que Donald Trump mostra uma certa admiração, cumplicidade ou afinidade por Vladimir Putin. Por exemplo, Trump, quando Putin estava prestes a invadir a Ucrânia, referiu-se ao presidente russo como um génio. Depois, durante a invasão, também disse que Putin era muito inteligente e está sempre a gabar desta boa relação. Recentemente, Moscovo também tem sempre dito que quer negociar com os Estados Unidos, apesar de Putin dizer que ultimamente será a Ucrânia e a Rússia a resolver este conflito, mas geralmente preferem negociar com os norte-americanos. Pergunto-lhe o que podemos esperar desta viagem de Kushner e de Witkoff a Moscovo e também esta preferência é apenas estratégica porque Putin está a ver os Estados Unidos como uma força mais neutra pra um processo de negociações, ao contrário da visão que tem da Europa e pode esta maior cumplicidade ou afinidade entre Trump e Putin ser um perigo nas negociações ao ponto de, por exemplo, Putin sentir que, na realidade, até consegue dar a volta a Donald Trump.

Obrigado, Martim, pelo enquadramento. Começando então pela primeira questão e se será positiva ou não esta visita de Kushner e do Witkoff. Primeiro, e o grande problema, é perceber se realmente teremos visita ou não. Os primeiros relatos durante esta semana diziam-nos que realmente teríamos pela primeira vez o Witkoff e Kushner a irem a Kiev, depois de irem já muitas vezes a Moscou, temos aqui claramente uma ideia de uns Estados Unidos que se estão a posicionar de forma mais neutra ou até de forma mais pró-Ucrânia a certo ponto e têm dado isso a entender. Aliás, deram isso a entender com a licença dos Patriots, que depois infelizmente também retiraram, muito semelhante a esta situação do Witkoff, em que supostamente iria e agora se calhar já não vai. Este é o primeiro problema, perceber se realmente teremos Witkoff e Kushner na Ucrânia. E é um problema também porque é sintomático da volatilidade do parceiro norte- americano para a Ucrânia e até num sentido mais amplo para a NATO. Se realmente tivermos esta visita, vai ser interessante saber o que é que será discutido. Ou seja, sabemos que o que faz falta agora à Ucrânia não é capacidade ofensiva, é a capacidade defensiva e principalmente a capacidade defensiva contra os mísseis balísticos, mas não só contra os mísseis balísticos, porque ainda hoje tivemos um ataque contra a sede dos serviços secretos ucranianos e foi com drone. Por isso há aqui uma capacidade clara do ponto de vista defensivo e antiaéreo da Ucrânia. Portanto, será também interessante compreender se a discussão visará novamente a questão dos patriots ou se teremos aqui outro tipo de negociação que passará muito mais por entender e tentar de alguma forma estabelecer as linhas vermelhas relativamente a este expandir do conflito russo para outro espaço da NATO, principalmente para procuração da Europa, e poderemos falar do incidente na Alemanha, que agora está na ordem do dia, mas primeiro será então necessário perceber sobre o que é que vão falar, sendo que para mim o que estará em cima da mesa são os patriots e esta expansão da guerra para o espaço NATO. Depois, relativamente à ligação que Donald Trump tem com Vladimir Putin ou esta admiração quase perversa que várias vezes já Donald Trump demonstrou, não só perante Putin, mas também perante os grandes líderes da humanidade, ou que Donald Trump percepciona como os grandes líderes da humanidade, os homens fortes.

Kim Jong-un, Xi Jinping.

Precisamente, Xi Jinping também é um deles e aliás, há agora até um estreitar de relações estranho entre China e Estados Unidos, uma vez que tivemos a ida de Donald Trump à China e agora em setembro teremos a ida também de Xi Jinping a Washington, em princípio, se tudo continuar a correr como tem corrido. E será interessante perceber se é mais uma vez uma tentativa de estreitar os laços e se os Estados Unidos não vão cair na tal armadilha Thucydides, que Xi Jinping a certo ponto chamou a atenção para isso, os Estados Unidos poderem querer contrariar a ascensão chinesa e entrar aqui num conflito mais do que diplomático, mais do que econômico, até bélico. E veremos nos próximos capítulos o que é que também a questão Taiwan nos reserva nesse ponto de decidir a hegemonia do próximo bloco pósconflitos, ou seja, pósconflicto na Ucrânia, pósconflito no Irã e eventualmente pósconflito no Mar do Sul da China e em Taiwan. Portanto, relativamente a esta ligação entre Donald Trump e Vladimir Putin, é verdade que há um apreço especial pessoal e que Donald Trump fez questão de o dizer várias vezes para com Vladimir Putin. Acho que também ilustrativo disso foi a passadeira vermelha que foi disposta a Vladimir Putin quando visitou Donald Trump em Anchorage e onde decidiram, aliás, alguns pontos esses para a paz, que eram claramente danosos Para a Ucrânia e que não obrigavam a Rússia a ceder um milímetro nos territórios agora contestados ou conquistados, se quisermos, ocupados seria a melhor expressão. Mas esta é a parte pessoal, porque depois vem outra parte. Aliás, foi também isto que fez com que a certo ponto hostilizasse Zelensky quando ele foi à Casa Branca relativamente à sua inventário. Mas essa é a questão pessoal. E as relações internacionais, apesar de Donald Trump ser muito volátil, estar muito virado também para esta personalização da política ou a chamada fulanização da política em termos mais conceptuais, mas a verdade é que existe aqui por trás um jogo, e é um jogo que promete reconfigurar a ordem internacional num futuro próximo. E nesse jogo de reconfigurar a ordem internacional num futuro próximo, os Estados Unidos ainda estão em vantagem em relação à Rússia, no sentido em que os Estados Unidos ainda são considerados uma grande potência e a Rússia tem perdido o papel de grande potência e passou a ser talvez aqui uma potência regional. Para isso basta ver a Cimeira de Cooperação de Xangai que tivemos durante a semana e os comunicados finais não faziam qualquer referência à Rússia, estavam claramente descritos na perspectiva da China, que é a grande potência que irá combater pela hegemonia com os Estados Unidos, seja de que forma for. Mas Isto para dizer que o que Donald Trump quer, no fundo deste conflito, é conseguir manter a sua hegemonia na arena internacional, sabendo que há um invasor e há um invadido. E apesar da simpatia que tem pelo invasor ou pela personalidade que é a cabeça do invasor, não deixa de perceber que na cena internacional, o que lhe é pedido e o que lhe é requerido, mesmo que não tenha sido capaz de fazer isso de forma cabal ao longo dos últimos anos, é tentar caminhar para um processo de paz, que inclua algum tipo de reparação à Ucrânia. O problema é que a incapacidade de Donald Trump e destas pessoas como Witkoff, Jared Kushner, de fazerem esse trabalho, que foi uma incapacidade que outros presidentes norte-americanos não tiveram, pode congelar ali o conflito e perante a falta de recursos humanos de ambos os lados, perante a falta de portfólio armamentista de ambos os lados, temos aqui nos chamados Oblastis, que foram até agora ocupados, uma nova situação como foi a dá caso, por exemplo, na Geórgia ou Daussétia.

Putin era ex-agente do KGB, uma pessoa que Несмотря toda a questão ditatorial e a forma como governa a Rússia, há que reconhecer que é uma pessoa que tem um grande conhecimento do palco internacional e que tem um grande conhecimento de várias táticas. Acha que Putin pode estar a tentar jogar com esse apreço, que certamente deve conseguir verificar em Donald Trump, para conseguir não vou dizer manipular, mas dar a volta a Donald Trump, porque sabemos também que Donald Trump geralmente é homem que fica impressionado com grandes gestos. Por exemplo, quando foi à China, viu um grande salão de baile, decidiu construir um grande salão de baile também nos Estados Unidos. Também viu que Putin e que Kim Jong-un, este caso que me estou a lembrar é de Kim Jong-um, tinha um exército que estava muito focado e que fazia tudo o que Kim Jong-un quisesse. E Donald Trump também num off com jornalista, num chamado hot mic acaba también por dizer que gostava ter um exército assim, que fizesse tudo o que ele fizesse. É um homem que geralmente fica impressionado com este tipo de personalidades. Acha que Putin pode também querer jogar com isso ou não está nas intenções do presidente russo?

Acho que Putin, pela experiência política e agora até militar que tem, percebe que Donald Trump tem aqui especial fascínio pela grandeza, até do Estado curiosamente, criou o Dodge na altura que era pra emagrecer o estado, mas Donald Trump tem aqui um especial interesse, um especial fascínio por esta pompa circunstância do aparelho estatal e esta ostentação de grandeza que curiosamente os desfiles de Putin vão revelando cada vez menos, porque a verdade é que agora têm sido muitos deles cancelados e quando não são cancelados já são demonstrações mais pírricas daquilo que foi o poderio militar soviético e agora pós-soviético ou russo. Parece-me claro que a principal manobra de Vladimir Putin, agora relativamente a perceber se tem aqui a mão ou se tem algum apoio de Donald Trump, a perceber a posição de Donald Trump, tem sido este ataque ou estas manobras subversivas a países da NATO que podem ser considerados menos importantes para Donald Trump. É verdade que tivemos o líder da CIA na semana passada a deslocar-se a Moscovo e isso demonstra uma preocupação ainda dos Estados Unidos para com a coesão da NATO e uma viagem que durante a viagem fez uma escala em Riga precisamente também a reforçar esse apoio àquele flanco leste dos bálticos que estão muito expostos, até porque estão numa encruzilhada entre a Rússia, Bielorrússia e o exclavo Scalningrado. E isto é uma posição danosa, perigosíssima, e por isso é que estes países estão em pânico, têm os seus sistemas de segurança em pânico. Mas parece-me precisamente que Vladimir Putin procura agora essas manobras de subversão, que já aconteceram na Letônia, que até levaram à queda do governo, que já aconteceram na Romênia com drones armadilhado,s que aconteceram já várias vezes na Polónia com a invasão do espaço aéreo e também com a detonação de alguns caminhos de ferro nesses países do Báltico. E Vladimir Putin alegou sempre ao Kremlin que aquilo eram lone wolves, lobos solitários que em nada estavam ligados ao Kremlin ou que então tinha acontecido sem querer, sem intenção. Esta manobra em Leipzig, no coração da Europa, portanto no coração de um dos flancos da Nato, e um flanco da nato que não é os Estados Unidos, e daí eu dizer que Vladimir Putin está à procura de abrir fendas na Nato e perceber onde é que está o limite até para os Estados Unidos destas ações contra a NATO, porque aqui em Leipzig o que tivemos foi de facto um ato de guerra. Não é em Leipzig chato, é importante contextualizar, porque a companhia dos Antonov, a companhia ucraniana que faz o transporte de grandes cargas para a Ucrânia e que normalmente pára no aeroporto de Leipzig tinha um avião lá parado e este drone armadilhado enviado pelos russos ou pelo menos alegadamente pelos russos, porque foram detidos até agora dois cidadãos com ligações à Rússia, só não detonaram este drone junto a esse avião precisamente porque o detonador não funcionou. E o que Vladimir Putin está aqui à procura é de agravar cada vez mais as suas ações para perceber juntos os Estados Unidos, junto Donald Trump onde é que está a linha vermelha de ataque à NATO, onde é que pode deixar de alimentar esta narrativa que são ações aleatórias ou que são ações sem intenção e os Estados unidos começarão a olhar para estas ações como "agora sim, é um ato de guerra", porque nos podemos questionar todos aqui o que é que aconteceria se aquele drone fosse detonado tendo em conta que seria um ataque claro a uma infraestrutura na Alemanha? A Nato teria capacidade de atuar? Teria sequer vontade de atuar? E aqui é que Vladimir Putin tenta explorar ao máximo estes limites, esta flexibilidade que já percebemos que é imensa muito maior do que o direito internacional de Donald Trump.

Eu queria agora muito rapidamente pegar nesse escalar que o Bernardo estava a falar agora. Falou também do ataque ao SBU aos serviços de informação ucranianos. Estamos a falar de edifício que é considerado, e vou aqui usar uma expressão por exemplo pra quem jogava jogos como apanhada chamava-se coping delight, ou seja um edificio que seria intocável. É um ataque que viola certas normas não escritas, as tais unwritten rules, é desses tipos de edifícios tal como também edifícios onde está o presidente e pessoas importantes dentro do Estado Ucraniano Também temos o chefe das secretas Russas neste caso Sergei Naryshkin avisar por conflito larga escala na Euroásia diz que tem preocupações de que exista um escalar dum conflito na Europa e também na Ásia devido às preocupações de uma guerra com a Russia até 2030 isto porque a reestruturação da defesa europeia e a preparação pruma guerra em larga escala no continente até 2030 tem até sido uma das principais preocupações da União Europeia está incluído em documentos como o livro branco da preparação da Defesa Europeia de 2030 que foi aprovado em 2025 e também este chefe das secretas russas diz que a NATO está a preparar bloqueio em Kaliningrado, um desses enclaves russo também que o Bernardo mencionava e que também pode ser um escalar de tensões. A pergunta que eu lhe faço é falava dessa linha vermelha Aqui este aviso do chefe das Secretas Russas é já preparar para possível cenário de guerra daqui uns quatro cinco anos.

Sim aliás até como falamos a semana passada eu continuo a ter alguma dificuldade de visualizar cenário de guerra total na Europa ou da Europa da União Europeia ou da Nato contra a Rússia mas a verdade é que este aviso tem substância por quê? Porque não só a esfera de influência tanto ucraniana como russa têm procurado novos negócios do ponto vista económico têm procurado novos canais diplomáticos com aqueles espaços antiquissoviético da plataforma euroasiática onde aliás se realizou por exemplo agora a Cimeira de Cooperação de Xangai no Quirguistão mas que tem também o Casaquistão importantíssimo do ponto de vista energético e perante o bloqueio do Estreito de Ormuz sabemos que ambos os países também a União Europeia e até os Estados Unidos procuram alternativas energéticas e há uma tentativa de expansão da área de influência para aí e para além disso perante a ameaça de mobilização de pessoas russas de cidadãos russos principalmente de jovens adultos russos para a frente de combate estamos a falar de cerca de quinhentos mil pelo que diz a imprensa russa depois das eleições de setembro pra Duma o que termos agora é uma fuga tanto pra Georgia como pra Arménia desses cidadãos que prevenindo um possível ingresso nas Forças Armadas depois das eleições estão já a afastar-se dessa possibilidade a afastar-se do Kremlin e a fugir pra Geórgia e pra Arménia estamos a falar de milhares de pessoas que entretanto passaram as fronteiras principalmente pra Géorgia tudo isto é plataforma Eurosiasica tudo isto é o Cáucaso e tudo isto pode tocar a certo ponto tal e qual como temos visto com a Turquia também no conflito do Irão e do estreitor Muzmas essa não é a questão mas a questão é que há uma possibilidade de expansão principalmente de expansão das áreas de influência e tentativa de expansão das áreas de influência pra zona exsoviética pós soviética Para além disso Caleningrás é não só ali uma espada de Democles junto à cabeça dos bálticos mas também é uma porta de entrada para o ártico e a rússia tem apostado no ártico e sabe que é aí também que se discute muito do futuro geoestratégico do mundo e por isso mesmo uma empresa ucraniana pediu às forças norueguesas que travassem navio Russo passavam junto a Svalbard esta semana. Svalbard que é pequeno arquipélago que é uma espécie de Gronelândia mas do território Norueguês e muito muito muito mais pequeno mas que tempos foi ocupado pelos Soviéticos tanto é que a principal praça de Svalbard que é de fato muito pequenina tem busto de Vladmir Lênin Uma consulta rápida no Google torna fácil de encontrar essa imagem. Portanto, temos aqui novos cenários de guerra em novas arenas que vão obrigar a um desenvolvimento dos meios híbridos e o meu grande medo no meio desta inovação ou expansão do conflito, não só para os meios híbridos, mas também do ponto de vista geográfico, para a plataforma euro-asiática, para o Ártico e también, em última instância, para a Europa, porque esta guerra está a crescer para a Europa, sendo eu defensor do projeto europeu, é que nós como Europa ainda não conseguimos estabelecer os limites, as linhas vermelhas daquilo que tornarão a Europa não num projecto económico, como é, e até protopolítico, mas num projecto militar e de segurança que terá que fazer esse caminho, e creio que tem tentado agora nos últimos tempos fazê-lo, principalmente num momento de guerra híbrida em que o inimigo já cá está dentro. Não são apenas cidadãos russos que vêm de fora e que causam o caos através destas ações de disrupção, como vimos em Leipzig. Estamos a falar muitas vezes de cidadãos europeus que fazem o mesmo e por isso é que temos aqui uma possibilidade gravíssima e sintomática daquilo que é a perda de valores europeus ou incapacidade deste projeto europeu de conseguir cativar os seus cidadãos, que é a possibilidade da AFD, muito ligada à Rússia, conseguir vencer nas eleições estaduais na Saxónia este fim de semana y forças mais pró-russas, anti-Ucrânia e anti-União Europeia estão a pulular e a crescer por toda a Europa. E estão a crescer e vão crescer ainda mais, porque o que vamos gastar em defesa para fazer o trabalho que não fizemos nos últimos 20, 30 anos é o que estamos a retirar ao Estado social. Isso leva à insatisfação, não só pelo medo da guerra, mas também porque começará a faltar a supressão das necessidades básicas da população europeia. Tudo isto traz aqui um cocktail explosivo para o futuro da União Europeia que me faz temer não necessariamente por uma invasão do espaço NATO da Rússia, mas sim por uma invasão que já cá está dentro, que é uma invasão de movimentos pró-russos e antieuropeístas.

Uma molotov descrita por Bernardo Valente, que esperemos que não aconteça num futuro próximo. Chegamos ao final do nosso tempo. Um agradecimento ao professor de Relações Internacionais da Universidade de Lisboa, Bernardo Valente. Obrigado pela análise.

Obrigado, Martim. Boa noite.

Fica por aqui o "Gabinete de Guerra", está de regresso na próxima segunda-feira. Fica também disponível em podcast .