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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.
É dia de "Elas Exigem Saber". Bem-vindos. Bom dia.
Bom dia!
Boas férias.
Hoje já estamos mais descansados. Já dormimos todos.
Hoje estão com outra cara.
Eu estou com a cara do Marco agora.
Fica-te tão bem, minha cara.
Marco Horácio, Ramins, Luís Filipe Borges, o que hoje tomaram ao pequeno-almoço? Estão a beber um leite?
Eu sempre que venho cá é sempre a mesma coisa.
Vocês não variam? São assim em tudo?
Não.
Não sei onde é que eu queria chegar com esta pergunta, esqueci.
São três avatanados. É mesmo à velha, três avatanados.
Três avatanados, um pão com queijo e pouca manteiga.
Tu já não é brioche?
Um pão de sementes com um bocadinho de manteiga e queijo.
Eu gosto muito dessa expressão.
Não, mas e depois aqui, vocês estão sempre a comer qualquer coisa. Até puseram um vídeo no Instagram.
Ainda agora, na máquina de café ali do Observador, uma jornalista muito simpática que nos veio dar os parabéns pelo podcast disse assim: "Não vai comer, pois não?"
Vamos lá à primeira pergunta de hoje. Se vocês fossem mulheres por um dia, apenas por um dia, o que acham que seria a parte mais difícil e a mais libertadora?
Nós já tivemos um tema. Já tivemos este tema. O que é que fariam se fossem mulheres por um dia?
A parte mais difícil e a mais libertadora. Acho que a mais libertadora, a primeira ideia que me vem à cabeça, e peço desculpa, era desapertar o sutiã.
A mais difícil era apertar.
Estás a supor que tinhas uns quartos seis.
Sou virtuosa, uma mulher virtuosa.
Isso é o que a minha mulher faz muitas vezes quando chega a um sítio onde está confortável, casa de férias ou em casa.
Ai, agora assustei-me.
Tirar o sutiã e tirar por baixo do...
Uau, já te está a seduzir ela.
Não, está-se mesmo a pôr à vontade. Aceita lá. A parte mais difícil e a parte mais libertadora.
Portanto, libertadora desapertar o sutiã.
Isto vai ser um ótimo momento para a rádio, que é uma pausa gigantesca, segundos de silêncio. Depende. Em que semana é que eu estou?
Estás numa semana boa.
Uma semana boa. Não estou naquela semana complicada.
Não, aquela dorência, não.
Senão essa seria a parte difícil.
A parte mais difícil seria resistir a tanto assédio.
Sim, tu ias ser muito assediada se fosses mulher. Luísa Borges. Sim. Ias ser assediada.
Eu não sei, eu adorava ex- não, isto não são horas para dizer isto, não é?
O quê? Pois não, vela. Está cedo, há crianças no carro.
Eu acho que ser mulher hoje em dia é muito difícil. Eu acho que a parte mais difícil pra mim era ir às redes sociais e ouvir aqueles camelos a falar que o lugar da mulher é em casa.
Na cozinha.
Isso era a parte mais frustrante do dia, com certeza, que cada vez mais se ouve.
Olha, boa. A parte mais libertadora era eu, com o meu cérebro perverso de gajo, ser uma mulher que responde. Passava 24 horas a pôr imbecis no seu lugar.
Olha, lá está.
A dar foras.
E não chegava. Vinte e quatro horas não chegava. Há muitos imbecis. E a parte libertadora, Luísa, eu estou a olhar pra ti e liberta-te. Luísa, liberta-te, exato. Solta-te e liberta-te.
Solta-te.
Eu acho que a parte libertadora seria mesmo também essa questão de experimentar o meu corpo à vontade.
E eu com priminhos.
Parece que estou com uma imagem, isso é muito mau.
Mas que estás a ver? Mas que corpo é que estás a ver?
Ah, pois, estou a ver o teu.
Ah, pois, então mas estou a ver o meu corpo de mulher.
Sim.
Imagino-me a tirar a minha roupa em casa e andar nua pela casa.
Olha.
É bom? É libertador? Estás a ver? Eu adoro andar nu como homem em casa. Também é libertador.
Mas para os outros não é bonito. É uma imagem muito bonita, as pessoas passam.
Eu não sei, acho que uma mulher seria diferente, seria mais libertador. Lá está, seria libertador.
Olha, a tua sorte, Maria João, é que isto agora é de manhã, porque se isto fosse às 22h00...
A parte mais difícil eu acho que seria os piropos, levar com piropos.
Eu acho bonito. Como é que os meus colegas partem do princípio-
Que vão ser assediados e levam piropos.
São assediados.
Porque é fácil. Porque somos mulheres.
Somos qualquer mulher.
Qualquer mulher padece.
Qualquer mulher é ela.
Piropos fatelas.
Pergunta àquelas mulheres.
Piropos fatelas. Eu lembro de uma vez ouvir um de uma rapariga pra mim, e nunca mais me esqueci.
Como é que foi?
Fatela?
Fatela. És todo grosso como um osso.
E tu não gostaste disso?
Não.
Eu só ouvi uma vez. Me chamaram grosso uma vez e eu adorei. Eu queria que elas voltassem.
O que ela estava a dizer é que eu parecia um osso. És todo grosso como um osso. Mas não sei o que ela está a sorruer.
Mas se fosse a mulher respondia aos piropos.
Se fôssemos mulheres respondíamos aos piropos.
Aos piropos fatelas, não é?
Eu acho que a mulher é sempre pior.
Eu acho que isso era a pior parte do dia.
Não liga.
Ó estrela, queres cometer?
Oh, Borges.
É sobre a galáxia e o universo.
Oh, pá. Eu também sabia.
Ó flores, dá pra pôr?
É melhor ficarmos por aqui.
A tua homenagem é clássica.
Segue, Maria João. Segue. Ele está a surtar.
Já estava a demorar muito tempo, não é?
Vamos fazer mais uma.
Qual foi a maior lição que uma mulher vos ensinou e que gostavam que todos os homens aprendessem?
Essa eu sei. Essa eu também tenho.
Ai? Então vamos começar pelo Marco Horácio.
Eu já estou aqui. Não, tenho. E acho que se toda gente ouvisse com atenção, foi a minha mãe. Foi respeitar as mulheres. Foi a primeira grande lição que eu aprendi com a minha mãe, foi respeitar as mulheres. E se toda a gente, que somos todos frutos de uma mulher, partisse desse princípio, respeitar a mãe, havia um respeito já enorme pelas mulheres, e havia já uma igualdade Mais que merecida no mundo. Portanto, foi a maior lição que ela me disse e depois que eu fui aprendendo à maneira que fui crescendo, sempre com essa frase, que é respeitar a mãe. Respeita a mãe, respeita as mulheres. E eu cresci com essa frase sempre e acho que continuo a fazê-lo e a viver nesta-
Eu sempre respeitei a mãe do Horácio.
É verdade.
E nós, mulheres, também nos devemos respeitar mais umas às outras.
Isso sim, eu acho que sim. Tu saberás melhor.
Não, mas é verdade. Acho que há mais esta coisa entre os homens do que propriamente entre as mulheres. Fica muito bonito dizer que sim, que somos muito amigas umas das outras, mas é difícil as pessoas elogiarem-se, não é? Valorizarem-se.
Porque acham que há sempre muito concorrência.
Sim, que é um disparate, como ameaça.
Como ameaça.
E nós realmente temos uma espécie de bro code.
É verdade.
Os homens estabelecem amizade, talvez de uma forma mais-
Estabelecem sem se dar bem ser. Acontece
Sim, é, acontece.
É uma coisa natural, é uma coisa já instintiva, quase. A gente protege-se muito uns aos outros. É verdade, no bom e no mau, mas nas mulheres não se vê tanto isso.
Eu digo isto porque eu às vezes elogio mulheres e ficam muito admiradas. Ficam demasiado gratas, como se fosse tão anormal, que acham estranho um elogio.
Ou então ficam: "O que esta quer? O que aquela quer?"
Como está a dizer isto? Vocês não responderam.
Sim. A lição que eu aprendi mais valiosa foi: uma vez a minha mulher estava a falar das suas frustrações e questões desse dia, que tinha passado um dia complicado, e eu, se calhar como a maior parte dos homens, tenho uma tendência para querer resolver as coisas. E então ela estava a falar e eu faço às vezes um bocadinho advogado do diabo, no sentido: "Mas será que ela não estava a querer fazer isto? A pessoa não estava...? Mas será? E já pensaste não sei o quê?" E a minha mulher manda-me um berro e diz: "Para! Cala-te!"
"Eu só quero que tu me oiças."
"Eu só quero que tu me oiças." E eu fiquei: "Então é isto, tu só queres que eu te..." E ela explicou que muitas vezes a melhor coisa é só estar lá.
Só ouvir.
Ouvir e estar lá e compreender esse momento. E não está à procura de respostas, está à procura de empatia e compaixão nesse momento. E eu hoje em dia faço muito mais isso quando ela começa a falar do seu dia, de coisas chatas, eu digo: "É verdade, essa tipa é do pior".
É isso. Para meteres mais lenha na fogueira, não é?
Não, mas sim, escutar, ouvir e estar lá. Isso para mim, e eu já faço isso com as miúdas também, com as pequenitas.
Luis.
A maior lição que eu aprendi com duas ou três mulheres diferentes, em contextos completamente diferentes, bons e maus, mas a ideia é a mesma, é que de facto aquele ditado popular "de boas intenções está o inferno cheio", tem toda a razão de ser. Porque eu já tomei, sem querer e com a melhor das intenções, não é decisões por outra pessoa, mas agi de uma determinada maneira sem partilhar com alguém, porque achei que era o melhor. E já ouvi de duas ou três pessoas diferentes, em dois ou três contextos diferentes, mulheres: "Não penses pela minha cabeça, se faz favor. Por muito boa intenção que tenhas." E de facto, está certo.
Feitiços também.
No bom e no mau.
Também ninguém está contente contigo.
Não, eu acho que é mesmo o assumir é um perigo. Presumir que. Um perigo. Por muito que tu tenhas boa intenção, não presumas nada.
Maria Joana, agora partilha conosco também qual é a maior lição que tu achas que transmites.
Lição?
Ou que aprendeste com uma mulher?
Não sei se aprendi com alguém, não sei se é meu, se me foi passado. Acho que é muito bom e muito libertador elogiarmos as pessoas quando gostamos delas, falar bem delas e dizer-lhes o quanto gostamos delas e algo que elas façam bem para valorizá-las por causa disso. Sejam mulheres ou homens, neste caso, mas sobretudo as mulheres.
Sim, concordo plenamente. É isso.
É assim que acabamos? Se não, imagino acabar convosco. Isso não teve graça nenhuma.
Teve muita graça. Vou aproveitar, já que estamos a falar nisto, vou fazer um pequeno elogio aqui aos meus dois companheiros. Pronto, já fiz.
Raminhos, como é que se diz elogio em alemão?
Eu vi logo.
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.