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Tarde Política. Ideias Feitas com Alberto Gonçalves. É um regresso depois das férias, espero que tenham sido boas. Alberto, hoje queres falar do Instituto Progresso.
Em primeiro lugar, quero agradecer. As férias foram boas. Olá, boa tarde. Sim, como acabaste de dizer, estive estes 15 dias de férias, muito longe do país, e eu não sei o que é que fazem ou como fazem os outros comentadores da atualidade. Só posso falar por mim e, falando por mim, garanto que em férias não costumo querer saber nada, a não ser que haja algum acontecimento excecional. Mas, em geral, não quero saber do que se passa na política, estou de férias. Ainda menos quero saber do que se passa na política nacional e ainda menos na política nacional ligada ao Partido Socialista. Sucede que muitas vezes nas minhas férias há quase sempre uma outra pessoa amiga, que também está de férias comigo, e que não deixa de estar atenta ao noticiário caseiro. E foi por essa via que me vi inadvertida e contrariadamente informado do nascimento de uma coisa chamada, como disseste, Instituto Progresso. Para como fiquei também a saber que o Instituto Progresso é obra de Miguel Costa Matos. E para os felizardos que não fazem ideia de quem é Miguel Costa Matos, é capaz de haver alguns, o indivíduo é um deputado do Partido Socialista, tem 32 anos e não só se convenceu de que tem ideias a partilhar com o mundo, como vai convencendo outros do mesmo, pelo menos aparentemente. Eu estava quase esquecido de que o jovem Miguel Costa Matos existia, até receber agora há dias esta notícia desnecessária. Foi então que recorri aos meus arquivos de regresso ao país e recordei com pesar, é verdade, mas também sem grande surpresa, que Miguel Costa Matos é uma daquelas fábricas de banalidades em que a nossa classe política é fértil. Eu tinha escrito umas coisas acerca dele há uns anos, já não me lembrava, mas fui lá desenterrá-las. Do que eu desenterrei e naquilo que ele diz, cabem todos os clichês da época em curso. O rapaz defende que se combata a desinformação, o rapaz defende que se combata o racismo e o discurso de ódio, o rapaz diz as conveniências do costume sobre Israel e Gaza. O rapaz numa ocasião disse preferir o ditador da República Popular da China ao presidente eleito dos Estados Unidos, obviamente o Donald Trump. E aqui cabe um longuíssimo etc, porque a quantidade de lugares comuns de Miguel Costa Matos é igual, ou parece ser igual, ao número de vezes em que ele abre a boca. O único momento de originalidade que lhe descobri foi quando durante a Covid, ele participou numa reunião por Zoom com máscara, e isto a partir de uma sala em que estava sozinho. E fora esta idiossincrasia, que tem a sua graça, Miguel Costa Matos é uma espécie de caricatura naturalmente exagerada do nível médio dos nossos políticos. O nível médio apesar de ser baixo, talvez não seja tão baixo. Sendo essa caricatura, e estando na parte inferior do nível dos nossos políticos, o Miguel Costa Matos tem ambições e porque tem ambições, tinha que criar alguma coisa, tinha que fazer alguma coisa para ser falado e criou o tal Instituto Progresso. Não vale a pena desenvolver muito o que Miguel Costa Matos diz do instituto que criou e ao qual, julgo eu, conhecidamente preside. Do que apanhei por aí, nas notícias que foram saindo estes últimos três ou quatro dias, ele nega que se trate de uma alternativa aos partidos. Ele diz que é um movimento apartidário para discutir os problemas do país e propor soluções. Nunca ninguém tinha pensado nisto. Ele diz que é um laboratório de políticas públicas, que é um think tank, que é um espaço de encontro para qualquer pessoa que queira conversar e trabalhar políticas públicas, quer poder contribuir para esclarecer o debate público e por aí fora, porque se eu continuar a repetir os chavões e a conversa fiada do Miguel Costa Matos, acho que metade da audiência do Ideias Feitas adormece antes do fim destes cinco ou seis minutos. Eu vou só acrescentar, já para terminar, que miraculosamente o Instituto Progresso tem signatários além do próprio fundador. São perto de 200, incluem gente do PS, do Livre, do PSD, porque há sempre gente do PSD que não perde a oportunidade de se mostrar empática com a esquerda. Estes subscritores do tal Instituto de Progresso incluem também o doutor Isaltino Morais. Decerto, porque com certeza haverá necessidade de arranjar uma sede que fique à mão e a Câmara de Oeiras também aproveitará para contribuir para uma causa tão nobre ou possivelmente o fará. O que se retém disto tudo é o seguinte: quer dizer, há figuras na política portuguesa, porque a maioria destes subscritores não são figuras de primeira linha, mas são pessoas, algumas delas, que nós sabemos quem são. Portanto, são deputados ou ex-deputados, são pessoas que andam por aí na política já há muitos anos, em muitos dos casos. E ficamos a perceber que há figuras na política portuguesa que voluntariamente seguem Miguel Costa Matos e que dão importância a Miguel Costa Matos e que ainda por cima fazem questão de o assumir em público. Ou seja, há gente que se coloca abaixo de Miguel Costa Matos e não há outra palavra para o descrever, isso é extraordinário.
Ideias Feitas com Alberto Gonçalves está feito por hoje. Até amanhã, Alberto.
Até amanhã, Miguel.