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Olá, bem-vindos a mais um "Isto Não Passa na Rádio". Desta vez trazemos algumas novidades. Não só temos um membro alternativo do painel, porque o nosso Nelson teve que se ausentar por motivos de paternidade, mas este programa também há de ser o primeiro de uma série deles, esperemos poucos, que são gravados remotamente. Antes de chegarmos a mais explicações sobre isso, se calhar começamos já com o tema deste programa, que vai ser músicas de álbuns que devemos ouvir em quarentena, ou pelo menos que nós achamos que vocês poderiam ouvir em quarentena. Para arrancar a playlist de hoje, temos Arctic Monkeys com "Riot Van", porque isto não passa na rádio. E cá está, acabamos de ouvir "Riot Van" dos Arctic Monkeys. Uma canção que faz parte de um disco que eu escolhi porque é um dos meus discos favoritos. Aliás, todas as músicas que eu escolhi para o programa de hoje são de alguns dos meus álbuns favoritos, porque eu pensei: o que eu gostaria de ouvir quando estivesse em quarentena? Os meus discos favoritos. E daí a minha escolha. Esta "Riot Van" faz parte do disco "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", de 2006, e foi se calhar a primeira grande bomba dos Arctic Monkeys. Mas para não me alongar muito, gostava só de apresentar o nosso painel. Temos o Gonçalo Correia.
Olá a todos.
Participante.
Agora à distância. Ia-te perguntar, Diogo, se tens ouvido o disco. Se era um disco que pensavas ouvir em quarentena, se tens ouvido por estes dias.
Por acaso tenho ouvido, e até calha bem, porque todas as seleções que eu fiz para hoje são com base em coisas que eu tenho estado a ouvir, por isso nem de propósito.
Está certo. E queres apresentar o outro elemento do painel?
Exatamente. O nosso novo elemento de painel tem estado aqui muito caladinho.
Estava à espera que vocês acabassem aí as hostilidades.
Exatamente, esta voz que estão a ouvir agora é do João Alexandre, o nosso parceiro. João, o que achaste disto tudo? Diz tua justiça.
Olá, viva, Diogo, Gonçalo. É um prazer estar aqui com vocês neste espaço. E antes de mais, Diogo, queria dizer que tinha aqui uma mensagem do Nelson Ferreira, que é o host habitual do programa. Tu tinhas dito há pouco que ele estava ausente por motivos de paternidade e há aqui uma versão mais pomposa da coisa que é: está ausente por motivos de felicidade familiar e pessoal. Portanto, não se preocupem, o Nelson vai estar de regresso em breve aqui ao Isto Não Passa na Rádio, para os próximos programas. Não assim tão em breve, mas em breve ele estará de volta. Bom, mas hoje estamos aqui todos para falar de músicas e, neste caso, discos para ouvir em casa. Tu escolheste este disco dos Arctic Monkeys. Não sei, Diogo, se é um disco que já te acompanhava há algum tempo. Eu fiz mais ou menos a mesma coisa, mas com um disco português, é o "Margem de Certa Maneira", do José Mário Branco. Ainda para mais, como uma homenagem devida, porque já as fizemos, essas homenagens, na altura da morte de José Mário Branco em novembro, mas é sempre também tempo de fazer novas homenagens com o novo ano. E acabei por escolher este disco porque tem também um tema que tem muito a ver com este momento atual que nós estamos a viver. O tema chama-se "Aqui Dentro de Casa". A letra não tem assim tanto a ver com o fato de estarmos ou não neste isolamento social, com este distanciamento social, como fazemos também este programa, mas a música chama-se "Aqui Dentro de Casa" e é uma música, Diogo e Gonçalo, que me tem acompanhado aqui ao longo destes últimos dias em que temos estado também a trabalhar todos aqui a partir de casa.
Tentaram subir paredes Ao som da música.
Os José Mário Branco nunca subimos paredes, a não ser que seja por outros motivos, que as letras sejam tão boas e a música seja tão boa que nos faça subir paredes.
Está bem. Mariazinha fui, em Marta me tornei. Vou daquilo que fui pra aquilo que será. Foi há tantos anos, foi há dois mil anos que vi no amor meu Cristo. Que me mostraste o amor imprevisto, que me falaste na pele e no corpo a sorrir. Meus olhos fechados, mudos, espantados, te ouviram como se apagasses. A luz do dia ou a luta de classes. Meus olhos verdes, ceguinhos de todo, para te servir. Mariazinha fui, em Marta me tornei. Vou daquilo que fui pra aquilo que será. Filhos e cadilhos, panelas e fundilhos, meteste as minhas mãos à obra. E encontraste argumentos de sobra, para evitar que o meu corpo pensasse na vida. Meus olhos fechados, mudos e cansados, não viam se verso, se prosa. O meu suor era o teu mar de rosas. Meus olhos verdes, janelas de vida, fechados por ti. Mariazinha fui, em Marta me tornei. Vou daquilo que fui pra aquilo que será. Pegas-me na mão e falas do patrão que te paga um salário de fome. Do teu patrão, que te rouba o que come. Falas contigo sozinho pra desabafar. Meus olhos parados, mudos e cansados, não podem ouvir o que dizes. E fico à espera que me socializes. Meus olhos verdes, boneca privada, do teu bem-estar. Mariazinha fui, em Marta me tornei. Vou daquilo que fui pra aquilo que será. Sou tua criada, boa e dedicada, na praça, na casa e na cama. Tu só me vês quando vestes pijama, mas não me ouves se digo que quero existir. Meus olhos cansados fica acordados, de noite chorando esta sorte. De ser escrava pra vida e pra morte. Meus olhos verdes, vermelhos de raiva, para te servir.
Estamos a ouvir o José Mário Branco, é uma das escolhas aqui neste Isto Não Passa na Rádio, em que falamos de músicas e de discos, neste caso para ouvirmos dentro de casa. José Mário Branco com esta aqui dentro de casa. Não sei, Diogo e Gonçalo, se vocês estão a continuar a acompanhar o meu raciocínio com este distanciamento social e com estas ligações pela internet.
Estamos.
Estão a ouvir bem?
Estamos, sim. Há uma coisa que eu não consegui não me lembrar ao ouvir esta canção, que não sei se repararam, aquele festival de concertos via Instagram que está a acontecer, o Eu Fico em Casa. Tem uma atuação do Fausto Bordalo Dias agendada.
A entregar-se aos prazeres das redes sociais e da internet.
Na verdade, não. O concerto dele vai ser o único concerto, ou foi, à hora que o programa já tiver passado, o único concerto que foi transmitido no Instagram do festival, precisamente porque ele não tem redes sociais. Portanto, não há página dele. Mas faz-me pensar se o José Mário Branco, por exemplo, aderiria a isto, a esta moda dos streams agora neste momento de isolamento, estaria a dar-nos música à distância se não tivesse infelizmente morrido.
Eu, por acaso, acho que sim. Pelo menos conhecendo a forma como ele vivia este gênero de situações e essas coisas, ele era sempre o primeiro a ajudar, a querer intervir, a querer colaborar. Por isso, não tenho qualquer dúvida que seguramente estaria pronto para dar concerto em qualquer plataforma de redes sociais possível, até no LinkedIn, de certeza que se desse. Podia correr à mesma ajuda do Fausto, isso já não sei, mas certamente quereria contribuir. O que tu traz aí, Gonçalo, para nos mostrar?
Trago uma coisa bastante diferente. Passamos aqui de Portugal para os Estados Unidos. Trouxe um disco que não deve ter passado muito na rádio, pelo menos por cá, e agora certamente não passará. É um disco chamado Ace, o autor é Bob Weir Antigo membro, porque a banda já não se mantém ativa com a formação histórica. Mas dos Grateful Dead, o primeiro álbum a solo deste Bob Weir. João, tu vais ficar rapidamente familiarizado com piadas de que eu sou alvo, antigamente, por dois membros do painel.
Tem a ver com música folk?
Exatamente. E aqui é música americana também, até ao osso. É um disco que saiu em 72. Foi uma altura em que a editora dos Grateful Dead sugeriu a vários membros da banda que gravassem álbums a solo também, paralelamente. Curiosamente, há dois ou três membros que lançaram o primeiro álbum a solo neste ano de 1972. Um foi o de Jerry Garcia, o mítico membro da banda, outro o Mickey Hart, mas este "Ace", do Bob Weir, é muito interessante. O disco tem um aspecto engraçado que é: tem um universo bastante próximo dos Grateful Dead, na medida em que a banda de suporte do Bob Weir nas gravações era precisamente os Grateful Dead. Acho que a diferença que mudou foi o nome com que o disco era assinado e a autoria das letras e da principal composição, do grosso, ser deste Bob Weir, que era guitarrista, também cantava na banda. Mas, por exemplo, há um tema, o "Mexicali Blues", que depois apareceu futuramente num álbum da banda, dos Grateful Dead. Esta canção que vamos ouvir de seguida, que é "Playing in the Band", tinha sido lançada uma versão ao vivo do tema tocada pelos Grateful Dead, portanto, lançada pela banda. É um tema longo, mas é um tema que resume bem o disco e que dá para passar muito tempo em isolamento, dá para pôr em repeat. Vamos ver se vão gostar.
João, se precisasses de alguma introdução àquele que costuma ser a escolha habitual do Gonçalo, acho que ele nesta escolha resumiu tudo muito sinteticamente.
O Gonçalo nesta altura do isolamento podia passear num carro sozinho pelo deserto americano a ouvir estas canções enquanto nós fazemos o programa, é isso que queres dizer?
Sim, safava-se, na boa.
Era ótimo. Eu inscrevia-me já nisso.
Vamos então se calhar só terminar aqui esta primeira parte, de uma forma também sucinta, com mais outro dos discos que para mim são daqueles discos. Como te dizia, João, uma coisa que uma pessoa vai começando a ouvir quando era mais novo, e depois fica, e são daqueles álbuns que acabamos por levar conosco e que eu levo comigo aqui neste tempo de isolamento social. É a segunda sugestão portuguesa, não esquecer o Zé Mário, do Filho da Mãe, do guitarrista, do seu primeiro disco, o "Palácio", que é de 2011. Foi um disco que me bateu muito, porque acho que na altura pouca gente ou quase ninguém fazia este género de coisas e eu fiquei maluco a ouvir isto, e ouvi isto vezes sem conta. A canção que eu trago agora para ouvirmos é a "Pensei em Chão". É curtinha, mas mexida. Não sei porquê, isto do isolamento social faz-me ser mais nostálgico, pensativo, o que seja. Por isso acho que isto é uma boa banda sonora para ficar assim a ouvir e a divagar. Bem, e com isto terminamos a primeira parte do "Isto Não Passa na Rádio". Daqui a bocadinho já estamos aí de volta. Até já. Olá, sejam bem-vindos à segunda parte do "Isto Não Passa na Rádio" e hoje com estes moldes um pouco diferentes. Estamos todos por casa, estamos neste isolamento social, fazemos o programa à distância, mas estamos todos juntos na mesma, eu, João Alexandre, também o Diogo Lopes e ainda o Gonçalo Correia. E lá estamos, vamos continuar a falar de discos para ouvir em casa. Já aqui trouxemos música dos Estados Unidos, já aqui trouxemos música portuguesa. Diogo, Gonçalo, não sei quem é que quer abrir as hostilidades nesta segunda parte. Talvez o Diogo. Diogo, tu trouxeste aqui os National. Exatamente. Eu acho que de toda a minha seleção, esta é capaz de ter sido aquela que melhor encaixa em toda esta situação. Para já, porque o "Boxer" é provavelmente um dos meus álbuns favoritos de sempre e acho que é capaz de ter sido mesmo o ponto alto da carreira dos The National. O "High Violet" ainda foi bom e tudo mais, mas mesmo assim, para mim, foi mesmo assim o expoente máximo e a canção que eu escolhi, a "Apartment Story", acho que tem tudo a ver com aquilo que nós estamos a viver agora. Até vos posso ler um excerto, que a letra diz: "We'll stay inside 'til somebody finds us, do whatever the TV tells us, stay inside our rosy-minded fuzz for days". Por isso acho que mais certeiro que isto, se bem que com algum engalanance envolvido, é difícil. Era aquilo que eu queria vos pôr a ouvir agora, a vocês e a todas as pessoas que nos eventualmente vão ouvir. Não sei se queriam acrescentar alguma coisa aqui a este excerto.
Eu queria dizer que o "Boxer" é mesmo claramente o ponto alto da discografia dos National. É o melhor disco, em minha opinião. Na verdade, estava aqui a confundir. Vou corrigir, acho que não é o ponto alto, acho que o "Alligator" é o ponto alto.
O "Alligator", 2005.
Mas esses dois, acho que é consensual, que são a fase batata dos National.
Eu por acaso ia dizer precisamente isso, que eu só não tenho ainda total e cega confiança em dizer que o "Boxer" é mesmo o melhor dos melhores de todos, porque existe o "Alligator". E isso baralha logo as contas. Se eles tivessem conseguido pôr todas as músicas dos dois no mesmo, aí então, seria uma coisa tipo "Alligator Boxer" ou "Box of Alligators", uma coisa assim, seria o cenário ideal.
Entretanto, do "Alligator" já passaram praticamente 15 anos, não sei se estou em erro, mais ou menos. Eu só tenho aqui uma dúvida, Diogo. Está bem que já passaram 15 anos, mas quero perceber se os National entraram em velocidade cruzeiro para bem ou se entraram em velocidade cruzeiro para ficar em ponto morto.
Ui, isso é aquela pergunta polêmica. Olha, eu por acaso não tenho problema nenhum em dizer que eu acho que a coisa tem ficado muito fraquinha. Acho que continuam a ter pontos que, para as pessoas que são fãs, conseguem identificar, ou seja, aquelas instrumentalizações muito rendilhadas, cheias de pormenorzinhos e tudo mais, e até mesmo as letras supertrabalhadas, sempre muito metafóricas. Mas acho que não sei dizer bem, falta ali qualquer coisa, não sei se é o sentimento da coisa, o que é. Há ali qualquer coisa que não está diferente. Acho que tem uma abordagem um bocadinho mais pop, se calhar, do que aquilo que tinha no início, que isso não é necessariamente mau, mas no caso deles acho que não lhes assenta muito bem. Mas pronto, olha, é o que é. Temos de lidar com isso.
Ouvimos os National, aqui esta proposta do Diogo Lopes. É uma das propostas de discos para ficar em casa, neste caso é o "Boxer", o tema é o "Apartment Story", o Diogo Lopes já nos explicou porque é que esta música tem que ver também com este tema do isolamento social. E uma das frases da letra deste tema é ficar em casa, Diogo, para ouvirmos também aquilo que a televisão tem para nos dizer por estes tempos, e ouvirmos um bocadinho as indicações da Direção Geral da Saúde.
Exato.
Diogo e Gonçalo, eu para vocês, para esta segunda parte, ainda com estas músicas sobre ficar em casa e discos para ouvir em casa, escolhi um disco, volto agora, acho que o Gonçalo vai gostar muito, é a Hailey Hendricks. E acho que o outro tema que ele escolheu também para esta segunda parte também tem um bocadinho que ver com a Hailey Hendricks, pelo menos há de ser mais ou menos na mesma toada, não vou revelar já. Mas este disco da Hailey Hendricks de 2018, já não é propriamente recente, chama-se "I Need to Start a Garden". Preciso de começar um jardim ou um quintal, e também se adequa um bocadinho a estes tempos, porque acho que quem tem um quintal nesta altura, se sente um bocadinho menos mal. Quem tem um quintal ou uma horta, acho que não precisa de ficar, Gonçalo, aqui entre estas quatro paredes.
Exatamente. Aqui há um ano, mais semana, menos semana, eu e o Diogo Lopes estávamos a ouvir a Hailey Hendricks numa bela igreja.
Estavam.
São Miguel.
É verdade.
Sabes quem é que lá estava também? Estava eu. Estava o João Alexandre, só que nós na altura não nos conhecíamos.
É, e está com cada uma.
Cá está, isto não passa na rádio, é juntar pessoas.
Estilo Henrique Mendes e Ponto de Encontro Agora em versão laboral. Este é um disco muito engraçado e a música que eu escolhi chama-se "The Bug Collector", que é também uma boa dica pra quem quiser ficar em casa e quiser matar o tempo, que é no fundo, saber que insetos é que andam por aí nas paredes de casa e quem sabe apanhá-los, pô-los dentro de uma caixa e colecioná-los. Obviamente, não fazer mal aos bichos. Mas são atividades caseiras que ela conta também neste disco, por entre muitas músicas que falam da vida dela, que falam dos amores e desamores, mas é sempre uma coisa quase pueril. E é muito engraçado nisto da Haley Andrews. A música chama-se "The Bug Collector". E a Haley Andrews com esta "The Bug Collector" é uma das músicas do disco, que tem muito que ver com este modo de ficar em casa, "I Need to Start a Garden". Gonçalo Correia, gostaste desta minha escolha?
Gostei muito.
Mais do que o Diogo, em princípio.
Eu até ia escolher aqui uma outra jovem com algumas semelhanças com a Haley Andrews, com um universo distinto, que é a Julie Byrne. Mas na verdade, tendo em conta que passamos já aqui por estas praias, e desculpa, Diogo, mas se o mundo estiver a acabar, eu vou me abraçar à folk. Tenho me abraçado à folk por estes dias. Mas em vez de ir à Julie Byrne, que tem uma toada algo parecida aqui com a Haley Andrews, embora tenha uma voz que serve quase como um calmante. Num mundo que nesta altura, as ansiedades são muitas. Fala-se muito também sobre saúde mental, na sequência da necessidade de isolamento e de distância social. E a voz da Julie Byrne, que lançou um disco, "Not Even Happiness", em 2017, serve um bocado como relaxante, como calmante. Mas em vez da Julie Byrne, vou trazer aqui o Swamp Dogg, que lançou um disco novo muito recentemente. Lançou já neste mês de março. É um senhor de 77 anos. Na verdade, Swamp Dogg é o pseudônimo deste senhor de 77 anos chamado Jerry Williams Junior. Começou por ser um cantor de R&B and soul e de música soul, música rhythm and blues. Músico, compositor, cantor, uma das figuras americanas das últimas décadas da música americana. Mas lançou um disco chamado "Sorry U Couldn't Make It". Portanto, lamento que não tenhas safado, não tenhas conseguido. O que pode servir também aqui quase como homenagem a todas as pessoas que foram já vítimas, e são muitas pelo mundo, do coronavírus. E também aqui um abraço solidário a todas as pessoas e às famílias das pessoas que estão a sofrer com este surto epidêmico. Mas bom, Swamp Dogg, só pra trazer também um disco, porque a indústria da música parou muito neste mês de março. Em termos de concertos, foi praticamente tudo cancelado até perto de abril, maio. Mas ainda assim, há muitos discos a sair. Só este mês tivemos este disco de Swamp Dogg, tivemos discos de Four Tet, André Henriques, Stefan Malkmus, Jay Electronica. Vamos ter álbuns muito em breve de The Weeknd, Cristina Branco, Backxwash, que já falamos aqui no programa, o regresso do Sufjan Stevens. Temos muita coisa, muitos discos novos pra ouvir por casa em isolamento este mês. Mas este disco do Swamp Dogg é um belíssimo resumo de uma carreira de um tipo muito sui generis e que diz que investiu o dinheiro todo que tinha neste cavalo, que é este disco, mas ele acredita muito neste cavalo, eu também, por isso trouxe aqui uma canção chamada "I Lay Awake", do último disco do Swamp Dogg. Cá está. "I Lay Awake", de Swamp Dogg. Acabamos de ouvir este tema. Estamos no final de um primeiro programa do "Isto Não Passa na Rádio" feito à distância, via Skype. Penso que até vamos para a última canção. João, queres encerrar o episódio de hoje com o quê?
Quero encerrar com o Baxter Dury. A música com que vou encerrar não é propriamente nova, o disco é que é novo. A música já saiu no ano passado, o tema chama-se "Slumlord". O Baxter Dury, muita gente conhece, é o filho do Ian Dury, "Sex & Drugs & Rock & Roll". E o Baxter Dury, depois do "Prince of Tears", que é um grande disco também lançado em 2017, ele passou por cá entretanto, já não sei se foi em 2018, creio, pelo Super Bock Super Rock, há de ter tocado também em mais alguns sítios, lança agora este "The Night Chancers". Saiu agora por estes dias em que estamos em isolamento. Terá mais ou menos uma semana, talvez pouco mais de uma semana. Mas é um tipo muito engraçado, o Baxter Dury. Vou só ler aqui uma passagem para nos despedirmos, de uma entrevista que ele deu a propósito deste disco, em que ele diz que o disco é sobre ser mais ou menos apanhado numa tentativa de ser livre. É sobre alguém que sai de um quarto de hotel às 03:00 e, de repente, encontra-se numa sala elegante, cheia de torneiras romanas. De repente, as torneiras começam a pingar e começa a tocar uma música do outro lado. E quando pões o teu ouvido junto à parede, está a acontecer uma festa de arromba no prédio ao lado, neste caso há de ser no quarto de hotel ao lado.
Quem nunca?
Quem nunca, não é? E agora também será uma boa oportunidade para andarmos aqui a escutar as conversas dos vizinhos. Mas para as despedidas, Diogo e Gonçalo, não sei se vocês querem acrescentar alguma coisa.
Exemplarmente.
Não, está parece que já fazes isto há anos, João. Quem não souber acha que tu já estás neste rádio há uma data de anos.
Então para fechar ficamos com o Baxter Dury, o tema chama-se "Slumlord", o "Isto Não Passa na Rádio" fica disponível em podcast e a repetição é já algures este fim de semana.