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Momentos de glória.
Momentos de glória. O primeiro-ministro Luís Montenegro fez uma declaração ao país e tinha uma palavra para as vítimas da tempestade, ou melhor dizendo, para as pessoas que não conseguiram evitar ser afetadas de uma forma definitiva e irremediável por um fenômeno atmosférico de grande intensidade.
Fiquemos no português e na expressão usada para as pessoas que morreram na sequência do mau tempo.
O nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida.
Não era uma palavra, eram várias.
Era mais do que uma palavra. Não sei se foram as melhores, mas a CNN recorreu a um especialista em figuras de estilo para explicar a expressão meio rebuscada do primeiro-ministro.
Ainda a propósito da comunicação do governo, o primeiro-ministro apresentou ontem condolências para com as famílias daqueles, cito: "que não evitaram a trágica consequência de perder a vida". Por que o primeiro-ministro disse isto desta forma em concreto?
Como noutros momentos já o tinha feito, expressou-se, creio que foi o primeiro agente político português, às 9:30 da manhã de quarta-feira, a comunicar ao país por escrito naquele momento, para garantir que aquilo chegava a todos os meios, onde expressou condolências às vítimas, às pessoas que tinham perdido a vida e, portanto, desde o primeiro momento. A seguir esteve na proteção civil poucas horas depois. Tudo no primeiro dia, nas primeiras 24 horas, comunicou de novo o país. No dia a seguir esteve em Leiria e voltou a expressar também condolências às vítimas. Por quê?
Isto parece muito Leitão Amaro a fugir a uma pergunta. E mais do que uma resposta clara, parece um enunciar da agenda do primeiro-ministro naquele dia, mas terminou com aquela dúvida legítima: por quê?
Isto faz parte de uma estratégia importante. Possa soar estranha a sua construção frásica, das pessoas que não evitaram a trágica consequência de perder a vida.
Repare, outra vez, está me a pedir que seja não comunicador.
Podia só pedir as pessoas que morreram.
Como disse várias vezes, ou perderam a vida ou que faleceram. O mais trágico disto tudo é que as pessoas mesmo que perderam a vida, e neste momento são 10, e nos entristece todos, acima de tudo, acima de discussão sobre comunicação.
Morreram, partiram, faleceram ou não evitaram a trágica consequência de perder a vida. Felizmente, temos ministros com bom senso. O governo já prometeu apoios às famílias afetadas pela tempestade. Enquanto estes não chegam, o ministro Castro Almeida recomenda um conselho, dá um conselho sensato: é usar o salário de janeiro.
E há uma norma que permite garantir a todas as pessoas mínimos de sobrevivência, 537 € por pessoa ou 1075 € por agregado familiar.
Que elas já têm na mão?
Que elas vão ter na mão, repare, é suposto agora no final deste mês poderem ter esse dinheiro na mão, esperamos nós.
Mas elas estão a precisar agora, não é?
Agora é suposto terem tido o ordenado do mês passado.
Que fartura! Mas agora vamos ajudar pessoas que receberam o ordenado do mês passado. Estamos é a brincar. Então os mínimos de sobrevivência é para quando as pessoas estão mesmo com dificuldades em sobreviver ou, como diria o primeiro-ministro, encontram-se incapacitadas de adquirir bens de primeira necessidade que lhes permitam evitar a trágica consequência de perder a vida devido à falta de ingestão de nutrientes. Já a ministra da Administração Interna não faz ideia do que se passa.
Não sei o que falhou. Não lhe posso dizer exatamente o que falhou.
Não falhou nada. O que falhou? Não falhou nada. É melhor dizer à ministra que não falhou nada. Parece que passou por aqui uma brisa, uma ligeira brisa, mas não falhou nada. Também podemos ter uma certeza, para além de todas estas que fomos tendo ao longo destes dias, é que no governo há pelo menos alguém a controlar as coisas, que usa relógio e sabe sempre que horas são.
Creio que foi o primeiro agente político português, às 9:30 da manhã de quarta-feira.
Às 9:30 da manhã de quarta-feira?
O pico variou nos sítios entre as 05:00 e as seis e pouco. Às 07:00 e qualquer coisa.
Às 07:00 e qualquer coisa, o pico foi mais ou menos às 05:00 e às 07:00.
Eu era o que ia estar no momento a fazê-lo. Portanto, às 10:00 nós estávamos a identificar o problema.
Às 10:00. Mas há mais.
Nós pedimos ajuda, na lógica das respostas às mesmas horas, à 13h48 do primeiro dia, portanto, na própria quarta-feira, 13h48, creio.
É a linha do tempo.
É a fita do tempo. Eu acho que o Leitão Amaro estudou a fita do tempo e pelo menos alguém tem um relógio.
E que horas são agora? 08h16.
Exatamente.