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"Momentos de Glória", da Rádio Observador.
Eu sei, queriam ir a Coimbra. Já lá vamos, esperem um bocadinho. Primeiro: caso Prestianni. Tem-se falado muito sobre este caso, quase tudo tem sido em espanhol e algum portunhol.
Quanto a Prestianni, aqui foi uma surpresa e se pensa que é uma injustiça e que a UEFA está defendendo Madrid, porque é mais conveniente que justo neste momento. Há uma investigação em curso. Além disso, eu estive em Benfica este sábado e falei com o pessoal do Benfica e me contaram que a UEFA ficou no estádio depois do partido contra o Real Madrid até às 02:00, tirando todas as imagens possíveis e os áudios, também o áudio do árbitro com o VAR, tudo.
Pronto.
Não é fácil.
Não é fácil. Eu já ouvi o Nuno Luz a falar pior em português. Aqui até nem esteve muito mal. Ainda não havia um lado bom deste caso, mas agora com este momento da escola de línguas Nuno Luz, a questão ficou resolvida.
Aqui o Benfica pensa que está sendo favorecido. Além disso, impôs um pedido de sanção para Valverde, que foi recusado, com toda a gente vendo o que aconteceu em campo com um puñetazo a Gal. Quanto ao que aconteceu com Prestianni, há aqui muitas dúvidas. O jogador se reuniu com toda a equipe, o vestiário.
O puñetazo está muito bem aplicado. Muitas dúvidas, mas o puñetazo está muito bem aplicado. Enquanto isso, em Coimbra, o ministro da Agricultura, cujo paradeiro era incerto até ontem à tarde, apareceu para falar com os jornalistas. Houve quem não tivesse gostado.
Estas coisas é que são as fontes de financiamento.
Nós gostávamos de falar com o senhor ministro antes de ele fazer declarações, porque ele ainda não ouviu os autarcas.
É certo.
O senhor veio para cá fazer conferência de imprensa. Acho que nos veio ouvir, senhor ministro. Desculpe, o senhor chega a Coimbra.
Eu estou a responder aqui às perguntas.
Não, há um dever institucional que o senhor tem de falar com os autarcas.
Certo.
O senhor vem fazer uma conferência de imprensa, nós vamo-nos embora.
Oiça. É que vamos já embora. As coisas aqueceram mesmo entre Ana Abrunhosa e o ministro da Agricultura.
Não.
Senhora ministra, eu estou a responder a perguntas, eu não fiz nenhuma conferência.
Sou a autarca eleita pela gente de Coimbra. Ou vem ouvir-nos ou vem fazer uma conferência de imprensa. Estamos aqui autarcas todas.
Eu estou a responder a perguntas.
Não, mas acho que o senhor também tem de conversar connosco, não é?
Certo.
É que até hoje o senhor não veio ao terreno. E se veio cá, desculpe.
Eu vim mais que uma vez ao terreno e os meus colegas.
Não falou com autarca.
Falei com vários.
Não, então não falou com Coimbra.
Mas eu percebo a senhora presidente, eu estava a responder educadamente às vossas perguntas, mas ela tem razão. Pronto, e isto numa discussão é sempre melhor dar razão à mulher.
Entre dois ministros.
Entre dois ministros, senhora presidente, senhora ministra. E ainda por cima, estamos a falar de uma mulher tesa, como disse o Presidente da República. Mas a troca de pontos de vista continuou. Eu percebo o que está a dizer. Eu não fiz nenhuma conferência de imprensa.
O senhor não foi ministra? Nunca foi a um território em calamidade que falasse antes com o autarca.
A calamidade, zero.
Olhe a senhora.
Oiça, nós viemos aqui, eu respondi educadamente às perguntas que me fizeram.
E o senhor dizia: "Ainda não falei com o autarca e, portanto, em Coimbra não volta a fazer isto. Eu peço-lhe por favor.
O território é de todos nós.
Não, aqui está em Coimbra e eu represento os coimbrices.
Eu respondi a perguntas e antes até fui eu que respondi.
O senhor já foi ministra.
O senhor já foi.
E eu era incapaz de fazer o que o senhor fez. Era incapaz.
Eu respondi à pergunta. Eu não fiz nenhuma conferência. Em Coimbra não volta a fazer isto. Vá lá fazer isto por onde quiser.
Sairam dos carris.
Não, completamente. E como é que se diz puxão de orelhas em politiquês? Nós já íamos aqui no debate sobre se aquilo tinha sido mesmo uma conferência de imprensa ou ainda se podia considerar Coimbra uma zona de calamidade e no meio do barulho das máquinas, estamos a ouvir ali nas obras de recuperação da A1, a cena prosseguiu.
O senhor começou a falar com os jornalistas sem ter uma palavra, aliás, nem esperou por mim.
Os jornalistas merecem respeito também.
Mais do que os eleitos?
Todos merecem respeito. E os eleitos. Eu estive a presente de câmara, eu sei o que é um presidente de câmara e o respeito que merece. Agora, eu vim visitar um espaço.
E era por isso parar cinco minutos para falar com os autarcas que os jornalistas iam embora.
Não é que estavam a ir embora, eu respondi a perguntas. Isto a dada altura faz lembrar, de facto, uma discussão conjugal. "Devias ter esperado por mim, Zé Manel, devias ter esperado por mim. Nunca esperas por mim, Zé Manél, devias ter esperado por mim." Felizmente, tudo acabou bem.
O senhor devia ter esperado por mim.
Não, calma que ainda continuou.
De questão de urbanidade.
Respeito por si, eu peço desculpa.
Não, o senhor devia ter esperado por mim que eu represento Coimbra. Eu sou eleita por Coimbra e não vou deixar nenhum ministro desrespeitar o território.
Oiça, se há alguém que respeita o território, sou eu.
Não o fez hoje. Hoje não o fez.
Não fiz. Respondi à pergunta. Isso é um exagero.
Quer aparecer na televisão primeiro.
Não é aparecer na televisão.
Não é isso. O que nos une é um problema.
Quando assim se desenvolve, não tem nada a ver com a conferência de ontem.
Nada, hoje veio aqui e a primeira coisa que fez foi falar aos jornalistas.
Não foi a primeira coisa que fiz.
A notícia vai ser isto.
Isto é tal e qual uma discussão. Cada um a tentar dizer: "Não, desculpa, não foi a primeira coisa que eu fiz. A primeira coisa que eu fiz não foi falar ao jornalista, foi: não esperaste por mim, Zé Manel." Agora sim, felizmente, as coisas acabaram bem, com uma reconciliação pública e um Vasco. Onde é que está o Vasco? Aí está.
Primeiro-ministro, está tudo sanado.
Está?
Tudo é sanado sempre. É preciso perceber que nós vivemos momentos de muita tensão e que a nossa grande preocupação agora no Baixo Mondego, são os nossos agricultores. E portanto, é normal que nós queiramos o senhor ministro da Agricultura no terreno. A dar uns colinhos desta vez.
Tudo sanado.
Tudo sanado.
E vocês viram bem que não houve nenhuma intenção e começámos aqui a responder a perguntas.
É da natureza humana. Não esperem da parte dos presidentes de câmara ou dos ministros, pessoas perfeitas. Não esperem. Nós temos sentimentos. E nestas horas, os nossos sentimentos muitas das vezes falam um bocadinho mais alto até do que a razão.
São amigos. Fará se não fossem.