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É o momento preferido do Bruno Vieira Amaral.

De todos os tempos.

O momento preferido, é. E hoje temos mesmo de assinalar esta guerra que não tem fim, uma guerra que se alimenta a si própria com uma linguagem belicista e o mundo a assistir a esta escalada de consequências imprevisíveis. Claro, estamos a falar da guerra entre Rui Rocha e o Bloco de Esquerda.

Não achas estranho que o Bloco, que tem opinião sobre tudo, em todo lado, em todo o mundo, se mantenha praticamente em silêncio sobre as cheias que afetam centenas de milhares de portugueses? José Manuel Pureza, o novo líder, é de Coimbra. Coimbra teve cheias e nada, bola, nem uma palavra. Há uma razão para isso. O Bloco é uma das maiores desgraças políticas que aconteceu a Portugal nos últimos anos, com propostas erradas em termos de economia, de habitação, de imigração, e influenciou o poder diretamente quando Costa estava no governo. Ora, o Bloco é contra barragens.

O tiro de Rui Rocha, que criticou a posição do Bloco de Esquerda, alegadamente contra as barragens, e o contra-ataque chegou.

Se Rui Rocha passasse menos tempo nas redes sociais e mais tempo no mundo real, talvez soubesse mais algumas coisas. Aliás, é provável que no exato momento em que Rui Rocha lia esta bonita prosa, sentado no conforto do seu gabinete parlamentar, eu estivesse com as populações afetadas pelas tempestades na Marinha Grande, em Coimbra ou em Santiago do Litral, onde estou exatamente agora, concelho de Pombal. Menos mentiras e mais noção, era isto que eu tinha para lhe sugerir, meu caro Rui. E agora, se me permite, vou voltar para o trabalho que importa, já que perdi tempo demais para responder à impressão tridimensional de um troll das redes sociais.

Ora bem, um grande ataque.

Com muito vento.

Com muito vento também.

Estava no terreno.

No meio da tempestade. Mas Rui Rocha também tem coisas a dizer sobre Francisco Louçã e sobre Mariana Mortágua e sobre o ISEG, porque os dois, que são economistas e dão aulas naquele instituto, ou será que é na Serra da Malcata?

Bom, eu tenho uma proposta a fazer. Da mesma maneira que nós protegemos o lince da Malcata, também devemos proteger o bloquista do ISEG. E depois, quando as pessoas vierem a Portugal, a Lisboa, querem ir ver coisas pitorescas, fazem um safári. Vão ao ISEG e encontram lá as ideias ultrapassadas do Bloco e os bloquistas, que também estão, felizmente, em vias de extinção.

E a guerra continua. Claro que Louçã contra-ataca.

É bem sabido que o doutor Rui Rocha se dedicou recentemente a uma carreira em stand-up comedy. Isso é a sua escolha, é a sua profissão, ótimo, seja muito feliz. Mas dedicou um vídeo a criticar o fato de algumas universidades do país adotarem para o estudo de economia, um manual de economia que eu escrevi há quatro anos atrás, com Mariana Mortágua, professora no ISCTE. Rui Rocha terá a sua opinião. Ele de certeza que nem abriu o manual, porque é que precisava de o abrir para o criticar? É por causa dos seus autores e, portanto, fogueira com ele.

E agora, Rui Rocha responde ou não responde? Responde, mas como quem nem tinha dado por ela.

Estava agora a almoçar e vieram uns amigos dizer: "É, tens a malta toda do Bloco a falar de ti." Eu disse: "Quatro ou cinco a falar de mim? Todos? Caramba, mas isso foi o quê? Alguma reunião do ISEG, alguma coisa dessas?" "Não, é o Francisco Louçã a fazer vídeos sobre ti." "O Francisco Louçã? Está bem, eu vou ver." Fui ver.

É, pois. E foi ver. E o conflito continua a escalar.

Stand-up comedy? Eu não mereço essa distinção, my king. Francisco Louçã girlbossed em stand-up comedy aqui há uns tempos.

É anticapitalista, porque a sua renda girlbossed too hard até 80% do seu salário.

Isto aqui foi o Rui Rocha. Foi buscar uns vídeos do passado quando Francisco Louçã concorria também às eleições por Braga. Ora, sobre a outra guerra, a da Ucrânia, quem nos tem ajudado muito a entender o que se está a passar é José Milhaços.

Porque chegou lá às conversações e começou a mandar postos de pescada outra vez sobre a Rússia daqui e os quezados não sei quanto, etc. A tal ponto que depois o Zelenski veio comentar e disse que nós não temos tempo para merda dessa. Nós queremos é a paz.

Mesmo assim.

Aliás, eu posso garantir que ele disse mesmo isso em ucraniano.

Pois, percebes de ucraniano. Não é a primeira vez que Milhaços recorre assim a esta riqueza total do vocabulário português. Lembram-se daquela? Não é dessa. É de uma entrevista dada a Francisco Pinto Balsemão.

José Milhaços veio da União Soviética, estava-se toda a gente, quero arranjar uma palavra educada.

Nas tintas?

Nas tintas, para se o José Milhaços era bom ou não na história da União Soviética.

Pinto Balsemão aqui a salvar.

Ele e o seu português.

Eu acho que ele não queria muito ser ajudado, ele queria mesmo dizer aquilo, mas não disse.

Mas é assim, é desta forma educada e pacífica que termina este Momentos do Ar.