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Das tarifas de Trump e de muitos outros assuntos.
E de Jeffrey Epstein.
Mas Trump tem as orelhas a arder, não tem?
Pois tem. Trump desabafou ainda há pouco tempo que não há meio de Jeffrey Epstein morrer de facto, porque as teorias da conspiração continuam e nesta altura parece que estão a afetar e a dividir até o MAGA, o movimento de apoio a Donald Trump, o Make America Great Again. Do que é que estamos a falar? Para quem chegou à Terra há pouco tempo, estamos a falar de um financeiro norte-americano com ligações a famosos e a políticos. Temos visto imensas fotografias, imensos vídeos, em que ele está de facto sempre no meio de gente famosa, onde se inclui até elementos da família real britânica. Foi detido em 2019. Semanas depois foi encontrado morto na cela e as teorias da conspiração não pararam. Terá sido morto porque sabia demais? É uma questão que até durante a campanha eleitoral, Donald Trump utilizou para falar de uma alegada lista de clientes que os democratas estariam a esconder. Se fizermos agora uma espécie de cronologia recente sobre as mais recentes teorias da conspiração, o que é que acontece em fevereiro, ou seja, cerca de um mês depois da tomada de posse de Trump, a procuradora-geral prometeu grandes revelações e convidou até uma série de influencers conservadores a receber a primeira parte do ficheiro de Epstein, que acabou por ser considerado uma desilusão, afinal não trazia nada de novo, mas a procuradora disse na altura que o FBI tinha muito mais documentos que não estava ainda a partilhar. Passaram só algumas semanas, ela disse numa entrevista que afinal tinha sido mal interpretada e que não estava a fazer nenhumas referências ao ficheiro. Só que na semana passada, quer o Departamento de Justiça, quer o FBI, anunciaram que afinal analisaram 330 gigabytes de informação e afinal não há nenhuma lista de clientes secretos. Epstein não estava a chantagear ninguém e disseram mais, disseram que o assunto estava encerrado e que não iam divulgar mais documentos sobre o processo. O que é que acontece numa altura destas? Pois que as teorias ganham um novo impulso, muitos apoiantes de Trump disseram: "O que é que se passa, o que é que mudou aqui? Tem que haver outra vez alguém a esconder alguma coisa". Também sabemos que Elon Musk ajudou, na altura em que se zangou com Trump, foi ao X alegar que Trump poderia estar nesta lista. Apagou, mas nós sabemos.
E pediu desculpa depois.
Pediu desculpa, mas Elon Musk sabe melhor do que nós que aquilo que fica na net não desaparece.
É claro.
Ele próprio há pouco veio dizer: "Como é que as pessoas podem ter fé em Trump se ele não divulgar estes ficheiros?" A discussão já chegou à Casa Branca. Consta que na semana passada houve mesmo um choque entre o núcleo duro de Donald Trump e agora o próprio MAGA, este movimento que está a pedir uma investigação independente e exige a demissão da procuradora. O presidente já a veio defender. Trump veio à sua rede social numa mensagem sábado à noite, dizer que se está já a perder tanto tempo e energia com este caso, e aproveita para recordar quando a administração Trump alcançou mais em seis meses do que qualquer outra em 100 anos. A água da fervura está cá posta, mas parece que este pode ser um bom teste à aliança e à união do MAGA.
E não se fala de outra coisa nos Estados Unidos. Também não se fala de outra coisa em Espanha e por aí. Voltamos a Espanha.
A festa do Lamine Yamal. O que aconteceu?
Lamine Yamal, é um dos jogadores estrela do Barcelona. Fez 18 anos, portanto aquelas datas que são sempre importantes.
Olha, pode ser direito ao cheque livre.
Olha!
E se calhar...
Temos que lhe dar uma nota, não é?
Lamine. Avança, Antónia.
Sendo ele espanhol, é espanhol, se não erro.
É espanhol.
É?
É.
É espanhol.
Não nos vamos atrasar muito nisto.
Lamine Yamal. Sim, é jogador da seleção espanhola.
Exatamente, é isso mesmo. Ora bem, 18 anos, é aquela festa de arromba, obviamente. E quando falamos de uma estrela deste nível, ponham arromba nisso. Decorreu na mansão Alcázar de Algarafe, na Catalunha. Esteve cerca de 250 convidados, muitos deles figuras públicas, figuras do desporto, sobretudo do mundo de futebol. Mas esta festa não está apenas na dita imprensa cor-de-rosa. Está nas notícias, se quisermos, mais sérias e pode até ser um caso de polícia. E por quê? Porque pode ter sido violada a lei da deficiência espanhola. O jogador contratou como figurantes, entre outras pessoas, anões para o evento. Ontem em Espanha, a Associação das Pessoas com Ananismo já tornou atitude, anunciou ações legais e sociais, dizem que para salvaguardar a dignidade das pessoas com deficiência. Dizem que a festa não só violou a legislação vigente, como também os valores éticos fundamentais de uma sociedade que se pretende igualitária e respeitadora, isto é o que diz a Associação das Pessoas com Nanismo. Na sequência desta denúncia, o próprio Ministério dos Direitos Sociais avançou para um pedido de investigação, inclui aqui também o Provedor de Justiça e o Gabinete da Luta contra os Crimes de Ódio. Por quê? Porque em Espanha há três anos que está em vigor uma lei, a Lei da Deficiência, que proíbe espetáculos que possam denegrir as pessoas com deficiência, sendo que não estão previstas nessa lei quaisquer sanções. É daquelas à boa portuguesa, fica a meio caminho, falta regulamentar.
Fica uma condenação social.
Uma condenação pública social, claro. Mas o governo espanhol pretende agora mudar a lei e, no fundo, regular o incumprimento como uma infração grave e com multas que podem ir de 600 mil a 1 milhão de euros. Certamente já não vai a tempo, obviamente, esta alteração da lei, de eventualmente punir este caso concreto de Lamine Yamal. Já o diretor-geral da Confederação Espanhola de Pessoas com Deficiência Física e Orgânica, Jesús Marín, diz que obviamente há aqui uma preocupação concreta neste caso, são as pessoas com dinheiro, com poder, que acreditam que são impunes, diz ele. Ele diz que a lei é para todos, para os humildes e para os poderosos. Espera, de facto, que as autoridades não fiquem de braços cruzados em relação a estes indícios e que se abram investigações. E ele diz mesmo: "Lamine Yamal é um jovem, é um rapaz com muitos seguidores nas redes sociais, é um influenciador dos mais jovens e organizar este tipo de festas pode ter um efeito ricochete e, no fundo, ser um mau exemplo para a juventude." A discussão pode ir longe. Até que ponto é que os anões, sendo adultos, podem ou não aceitar ser contratados para a apresentação na festa? Até que ponto é que aquela lei proíbe ou não este tipo de contrato para todos os efeitos? Para além desta polêmica com a presença de anões.
E qual é o interesse de contratar figurantes para uma festa que já estava cheia deles?
Este tipo de figurantes. Depois há outra polêmica sobre outro tipo de figurantes, que também está a fazer correr tinta.
As modelos.
As modelos pagas.
Pagas e bem pagas. Li que era algures entre 10 e 20 mil euros, não era?
E com exigências por, e citamos: "mulheres loiras com dimensões de peito muito específicas." Também aqui, até certo ponto, é legítimo ou não fazer este tipo de contratos. A discussão está em curso. Eu aqui segui a notícia que está no Observador sobre este assunto.
No fundo, é sobre a objetificação das pessoas.
Das pessoas, neste caso. E neste caso dos anões, obviamente, pessoas com deficiência. Até que ponto é que o exotismo deve servir de exibição numa festa particular.
Quando são pagas, quando aceitam.
É isso. E até que ponto é que sendo pagas sem qualquer tipo de coação, ou que se presume como evidente.
Se é legítimo, se é legal, se é moral, se é ético. Levanta um grande debate.
Levanta um grande debate, mas é um assunto que está-
Não se fala de outra coisa. Também não se fala de outra coisa do que está a acontecer em Múrcia, em Espanha. Há muitos movimentos ultra nas redes sociais a organizarem-se para realizar autênticas caçadas aos imigrantes. É isso que se pode ler num grupo que foi criado no Telegram, na rede social, e que vem citada no "El País". O grupo chama-se "Deport Them Now Spain", "Deportem-nos Agora Espanha". É curioso ser um grupo anti-imigração com título em inglês.
Em Espanha.
Em Espanha. Portanto, o "El País" entrou neste grupo, que depois se subdivide em 17 chats com membros de várias regiões espanholas. Já há movimentos organizados em Madrid, na Extremadura, na Andaluzia e obviamente em Múrcia. Digo obviamente porque temos assistido aos ataques nos últimos dias e com o uso de expressões um pouco indignas para os anos que vivemos, e que já temos de convivência e de humanidade. São usadas expressões como: "Vamos sair a caçar pessoas, imigrantes." É um pouco indigno este uso de linguagem, diria. Os utilizadores destes canais de Telegram apelam à saída noturna, combinam saídas em carros partilhados, combinam quem leva que tipo de armas, quem vai, quem não vai, batemos em quem. E há diálogos um pouco exóticos, para não dizer outra coisa, com frases como: "Por mim batemos em todos, não interessa se são bons ou se são maus, o que interessa é sair e bater em toda a gente. Que porcaria, esta gente é lixo. Temos que sair já, esta gente não interessa a ninguém." São longos diálogos de ódio, que nós achávamos que já tinha ficado esquecido na história.
Ou que não era tão visível. Não era tão público.
E depois levanta aqui um outro tipo de questão, que é: as pessoas acham que por não dizerem em público na rua, não existe. Existe. As redes sociais são a nova polis, são a nova praça pública e portanto, dizê-lo quando outros podem ler, tem o mesmo significado que dizer na rua, acho eu.
Sim.
Não se fala de outra coisa.