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Não se fala de outra coisa das imagens que circularam de Nicolás Maduro logo após a detenção. Assim que chegaram, as fotografias deram o que falar. Foram partilhadas milhares de vezes, não só por serem as primeiras provas de vida que o regime da Venezuela tinha pedido, mas também por aquilo que Maduro vestia e que rapidamente se tornou tendência. É impressionante.
É impressionante mesmo.
Na primeira imagem divulgada pelo próprio Donald Trump, Nicolás Maduro surge de pé com uma viseira e aquele protetor de ouvidos e agarrado numa garrafa d'água. Mas foi o fato-treino cinzento da Nike Tech que fez tendência nas redes sociais e no site da própria fabricante, onde a parte de cima, o casaco, é desde a noite de domingo descrito como o mais vendido. Quem quiser comprar o casaco feito de lã cardada terá de pagar quase €120. Se quiser também as calças, é juntar mais €100, fica tudo em 220. Em sites de revenda de roupa, como é o caso da Vinted e outras parecidas, vários utilizadores puseram prontamente exemplares do casaco ou das calças à venda, com a nota de que é igual ao usado pelo venezuelano nesta primeira imagem. Depois de aterrar em Nova York, Maduro sai do avião escoltado por uma série de agentes e horas depois surgem as primeiras imagens do líder deposto dentro do território norte-americano, mostrando-o sentado numa cadeira, algemado e com os dois polegares para cima. Mas a roupa já é diferente da que usava na primeira fotografia. Ele está com uma sweatshirt da marca norte-americana Origin, com uma cor descrita pela marca como Patriot Blue RTX, que custa quase €70. Ao contrário da Nike, a marca ironizou com a imagem, dizendo-lhe: "Bem-vindo à América". O dono publicou no Instagram um vídeo a dizer que no domingo o seu telemóvel explodiu com tantas chamadas. Diz que não parou de tocar, que ainda pensou que as imagens fossem inteligência artificial.
Que fossem manipuladas.
Sim, manipuladas. Depois percebeu que não, explicou a ironia de Maduro estar a usar a sua marca, cujo símbolo, uma espécie de onda, representa liberdade. Não sabe o porquê de estar a usar o suéter, mas imagina que Maduro tenha tido frio ao chegar aos Estados Unidos e que lhe deram a camisola. Uma coisa é certa, diz que os dois polegares para cima mostram que ele gostou da nossa suéter, disse o dono da Origin.
Nunca há má publicidade.
Nunca há má publicidade, mas que lamentavelmente não se encontra disponível para envios até à primavera.
Portanto, está esgotada.
É impressionante.
É mesmo impressionante.
Impressionante mesmo.
Quem quer usar, guardar, não sei, a roupa que o Maduro tinha quando foi raptado.
Quando são marcas globais.
Ontem já vi entre os manifestantes venezuelanos noutros países e nos Estados Unidos, havia T-shirts com a fotografia de Maduro.
Já tido.
Sim, já tido.
A do fato-treino cinzento ou outra com os thumbs up? Com os polegares para cima.
Com os óculos.
Com o fato-treino da Nike. Com o fato-treino cinzento.
Nessa primeira imagem, o tal fato-treino.
Eu também não queria acreditar naquela imagem quando vi, achei: "Isto não está a acontecer".
Claro. Aquilo era uma venda. São óculos que não permitem.
Sim, é uma viseira.
Nessa primeira imagem que ele aparecia com uma garrafa de água de plástico na mão, também houve quem notasse, europeus, que as autoridades americanas estavam a pôr a vida dele em risco, porque a tampa não tinha aquele sistema de segurança que prende a garrafa.
Depois faziam a brincadeira a dizer que era a única coisa que a União Europeia tinha a dizer sobre a detenção de Maduro.
Exatamente. É que ele não passava na regulação. Muito bem. Olha, não se fala, de facto, de outra coisa, a não ser da Venezuela, e começam a aparecer detalhes sobre a operação, operações militares, começam a conhecer-se muitos detalhes, como é que se chegou aqui. Ainda em agosto, por exemplo, uma equipa da CIA chegou a Caracas para seguir, na preparação, obviamente, desta operação, para seguir tão de perto quanto possível os movimentos de Nicolás Maduro, mas na altura acharam que não era perto o suficiente. Por isso, os Estados Unidos passaram a contar com uma pessoa muito próxima do regime e pessoalmente próxima de Maduro, conhecedora das suas rotinas e tendências, que foi dando algumas pistas. Houve alguém aqui claramente subordinado.
Claro, houve uma traição.
Uma traição, claramente, uma equipa muito próxima, do núcleo muito próximo de Maduro. E foi com esta missão apertada de vigilância que os americanos então perceberam que tinham de alargar a área física, se quisermos geográfica, de vigilância. Por quê? Porque Maduro dividia a sua semana por oito casas diferentes, evitando rotinas que pudessem ser de alguma forma um padrão de rotina que pudesse ser detetado pelos serviços de informação, isto é, à segunda está ali, à terça está lá e por aí fora. Mas mesmo assim não teve sucesso.
Não teve.
Nota-se. O New York Times diz que os americanos tinham mapeado, de facto, uma rotina com detalhes minuto a minuto da vida de Maduro. No sábado foi mesmo admitido que os Estados Unidos sabiam que o então presidente venezuelano, o que ele comia, por onde se movia, onde vivia e viajava, o que vestia e até quais eram seus animais de estimação. Decodificada esta rotina, identificado o alvo, era então necessário que os norte-americanos treinassem com rigor como seria a própria missão de captura e a secretíssima Delta Force, que levou a cabo a operação, tinha um bunker que era falso na sua base de operações em Kentucky. Esse bunker, o que é que lá tinha? Tinha uma réplica exata do forte onde se escondia Maduro. Aliás, já o mesmo tinha sido feito quando foi capturado Bin Laden. Eles reconstruíram a casa onde estava Bin Laden e treinaram sucessivamente a operação. Portanto, o exercício foi repetido aqui, foi cronometrado vezes sem conta para garantir, de facto, que o presidente da Venezuela, que era encontrado, que era apanhado e retirado da casa em tempo recorde. Eles tinham menos de dois minutos para explodir com a porta, se quisermos, a porta da frente, a porta de entrada, e surpreender o casal sem que este tivesse tempo de alcançar um abrigo de aço que havia lá dentro das instalações. Mesmo assim, mesmo se isso acontecesse.
Haveria forma de depois chegarem até ele.
De explodir, fazer explodir esse abrigo.
Demorava era mais tempo e podia obrigar a mais vítimas.
Havia uma exposição ao risco maior das forças americanas, claramente. O plano inicial era, de facto, executar a missão ali no período entre o Natal e o Ano Novo, aproveitando o facto de muitos responsáveis do governo estarem de férias e muitos dos militares que dão apoio e que fazem segurança de Maduro também não estarem presentes nesta altura das festas, mas o mau tempo, já se sabe, levou ao adiamento sucessivo da operação. E agora foi colocado em prática. Maduro, de qualquer forma, não se pode queixar de falta de aviso, porque segundo a imprensa norte-americana, o presidente da Venezuela recebeu uma chamada de um funcionário da Casa Branca no dia 23 de dezembro, portanto uma semana e pouco antes da operação, e essa chamada propunha-lhe uma retirada para o exílio na Turquia. Ele recusou e no fundo ele próprio acabou por ditar a sentença que chegaria agora nos primeiros dias de 2026. Obviamente que isto é daquilo que está mesmo a pedir uma série, um dia destes, uma plataforma de streaming.
Completamente. É brevemente. Não há cinemas, que seja na televisão.
Exato.