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Não se fala de outra coisa, Carla.

Já falamos aqui muito daquelas tendências de skincare levadas ao exagero por jovens.

Jovens mesmo, crianças.

Às vezes, crianças. As vossas redes sociais já pararam aí. Eu já fiquei quase hipnotizada a ver crianças fazerem tratamentos de pele que nem mulheres maduras farão. O que está a acontecer em Itália? A Autoridade para a Concorrência está a investigar algumas marcas do conglomerado da Louis Vuitton, a Sephora e a Benefit, por suspeitas de promoverem produtos para adultos junto de crianças e adolescentes, através de práticas de marketing dissimuladas. E a abordagem é, de facto, muito interessante, porque as autoridades italianas entendem que estas empresas podem não ter deixado claro que estes cosméticos que são vendidos nestes espaços não se destinam a crianças e adolescentes e, pelo contrário, podem até ter incentivado a compra através de estratégias de marketing dissimuladas, que utilizam precisamente estas jovens microinfluenciadoras. É assim que são descritas. E diz mais, diz que terá havido possíveis práticas comerciais desleais relacionadas com a forma como são utilizados alguns cosméticos que foram criados para adultos e que são utilizados, às vezes, por menores de 10 e de 12 anos, com incentivo à compra compulsiva de produtos como máscaras faciais, séruns e cremes antienvelhecimento, que essas crianças utilizam. Esta prática tem um nome, chama-se cosmeticorexia, ou seja, é uma obsessão com os cuidados de pele entre jovens menores. Isto já tem nome.

Já tem nome. Mostra a dimensão do problema.

Mostra a dimensão e o impacto. E aqui, a crítica e o olhar que as autoridades italianas estão a ter não tem a ver tanto com o apelo à utilização destes produtos, mas pelo facto de estas marcas terem omitido ou terem apresentado de uma forma enganosa informações que são consideradas relevantes, nomeadamente os avisos relacionados com cosméticos que não são preparados, não são destinados a estas pessoas. Acredita-se que as empresas podem ter adotado uma estratégia de marketing insidiosa, levando os jovens a ter uma atitude perigosa para a sua saúde e especialmente vulnerável. O curioso aqui é que isto não é, de certeza, um exclusivo de Itália, é um fenómeno global e por isso o desenvolvimento desta ação merece acompanhamento, porque qualquer conclusão que possa sair daqui poderá abrir a porta a que outros países entrem também numa forma.

Façam o mesmo.

Façam o mesmo e exijam outro tipo de disciplina por parte destas empresas e até de comportamento ético. Acho que vale a pena acompanhar isto e perceber as conclusões desta investigação e desta ação judicial.

E o que vale a pena também acompanhar é o "Secret Story". Tem acompanhado?

O triângulo.

O triângulo. Eu queria escapar ao triângulo.

Está toda a gente a falar sobre isso.

Mas não. É um acidente. Quando há um acidente, põe-se um triângulo.

Ah, certo.

Pronto, então isto é um acidente.

E as pessoas param todas para ver.

Exatamente. Pronto, aí está. Eu juro que tentei escapar a este acidente, mas não consegui. Até há um artigo no Observador, da Susana Verde, a explicar-nos um pouco o que se está a passar nesta, que já é a 10ª edição do "Secret Story". Não sei se sabiam disso.

Não.

Não, que tinha havido. Eu lembro-me bem do primeiro "Big Brother".

Esse sim.

Sim.

O Paulo também se lembra muito bem.

Eu também me lembro. Lembramo-nos todos.

Essa é verdade. Agora, o "Secret Story", digamos que eu já não estava a acompanhar e também não estava a acompanhar este, mas a realidade impôs-se, porque comecei a ver múltiplas referências, até na imprensa tradicional.

Dita séria.

Dita séria, referência. Notícias sobre o grande escândalo desta edição do "Secret Story", que envolve um triângulo amoroso. Os concorrentes entram para este concurso com um segredo. Essa é a lógica do "Secret Story". E normalmente há sempre um casal cujo segredo é a relação que mantêm.

Tenho o meu namorado na casa.

Tenho o meu namorado, ou namoro, ou tenho uma relação, e ninguém sabe dentro da casa. Ora, entrou este casal, a Eva e o Diogo.

Um casal cá fora, é isso?

Um casal, supostamente um casal cá fora, já namorados há cinco anos, e entraram para a casa com este segredo e o objetivo do jogo é chegar ao fim sem que os restantes concorrentes descubram o segredo. Ora, qual é que é a maneira mais óbvia de tentar esconder uma relação com alguém? Iniciando outra relação, como se não tivesse nenhuma relação. E foi o que Diogo fez. Por acaso não foi a Eva, foi o Diogo, que se aproximou de uma outra concorrente, a Ariana. Portanto, temos aqui um triângulo, Eva, Diogo, Ariana. A Ariana não sabia que o Diogo tinha namorada.

Porque era um segredo.

Era um segredo. E muito menos que a namorada estava lá dentro da casa, a casa dos segredos. Mas, entretanto, isso foi revelado, o segredo foi revelado.

O segredo dele.

O segredo dele.

Primeiro o dele.

O primeiro dele foi revelado e a Ariana ficou muito desgostosa com aquilo que se passou. E as coisas adquiriram uma tal dimensão que passaram cá para fora, com ameaças até à família do rapaz. As coisas aqui são levadas muito a sério.

É a vida das pessoas, Carla.

Está em causa, exatamente.

Aquilo não é um jogo.

Não é um jogo. É o joguinho das audiências também. Neste artigo publicado no Observador, a Susana Vieira faz referência a isso. As audiências estavam muito fraquinhas no arranque deste "Secret Story" e, de repente, dispararam com este triângulo amoroso, a tal ponto que até já chegou a sites brasileiros, a páginas brasileiras de internet com 20 milhões de seguidores. Até Daniela Melchior, atriz portuguesa que vive nos Estados Unidos, diz que já há pessoas a pedirem se existe uma versão com legendas do "Secret Story" em português. Tudo graças a este triângulo amoroso.

Mas eu não percebi uma coisa: quando é descoberto o segredo, essa pessoa não sai da casa, não muda nada nas regras, não acontece nada?

Não, isto depois passa por-

Quer dizer dinheiro, supostamente, para quem adivinha.

E depois isto passa por nomeações. Depois as pessoas nomeiam, os concorrentes nomeiam um que é votado pelo público para sair. Acho que são essas as regras. Eu não sei se alguém, Pedro Henriques poderá esclarecer-nos sobre as questões da arbitragem do "Secret Story". Não, mas eu acho que é assim. Eles depois são nomeados, como era no "Big Brother", e depois são votados pelo público para sair.

Portanto, aqui o grande frição é que há um triângulo amoroso.

É que há um triângulo amoroso.

Não só. Ele acabou com a Eva, o Diogo depois acabou com a namorada e supostamente continua com a outra, mas já não continua.

Mas não continua.

Mas continuam os três lá dentro.

A não ser, o que aconteceu ontem?

Ontem também não acompanhei. Há aqui a questão dos limites éticos.

Continuou. A Beatriz, a nossa produtora, diz que sim, continuou.

Continuou, pronto. Claro, continuou.

Continuou, claro, porque as audiências subiram.

Não pode ser, não podem deixá-los sair.

Mas não é que a nomeação é supostamente do público?

A nomeação é lá de casa, depois é do público.

Depois é só do público.

Mas achas que o público vai retirá-los de lá?

Claro, o público não quer.

Essas coisas são muito icônicas.

Foi muito crítico com o Diogo, sim, tem sido muito crítico.

Sim, tem sido.

Finalizam quem acham que esteve mal.

Querem ver, claro, é um envolvimento. E isto levanta questões éticas muito profundas. Será que para se ganhar um concurso, pode-se brincar assim com os sentimentos de outra pessoa?

Claro, levanta questões muito sérias.

Grandes dilemas morais.

Por isso é que nós estamos aqui a falar disto.

Nunca ninguém pensou neles.

Nunca ninguém pensou neles e nunca ninguém escreveu sobre eles. Isto não é preciso ir à grande literatura.

Não, e o elevado padrão que é estar num concurso desses, quer dizer, exige outro tipo de postura, prevejo eu.

Não sejas sarcástico.

Mas têm que ser eles próprios. Nunca se esqueçam que eles estão a ser eles próprios.

E acima de tudo, ser frontais. Ser muito frontais. Bates forte cá dentro e etc. Vamos continuar.

E mastigamos os flocos.

Vamos continuar.

Essa é a preferida do Paulo.

Atenção, eu lembro-me de muitas coisas do primeiro "Big Brother", não da versão original, mas das réplicas que o Herman José ia fazendo sobre o "Big Brother". Isso era impagável.

Ficou para a história. Talvez estes também fiquem para-

Zé Maria, tu é que me podias mastigar os flocos, está uma grande frase.