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Levanta a mão, cuidado se vai a conduzir, quem já não se enervou no avião por causa do passageiro do lado ou da frente.
E não só.
E não só.
Às vezes nem estão ao lado, nem à frente, estão longe e mesmo assim irritam.
Estou a falar daquele clássico que rouba os dois apoios de braço, ou pessoa que reclina a cadeira até o nosso colo exatamente naquele momento em que estamos a tentar comer ou beber alguma coisa. Ora, para tentar acabar com estas guerras nas alturas, a Lufthansa decidiu vestir a camisola, literalmente. A companhia aérea alemã acaba de lançar uma coleção especial de T-shirts, camisolas, bonés e sacos de pano dedicadas àquelas regras não escritas de boa educação a bordo. São peças que ilustram situações comuns das viagens de avião. No braço de uma camisola, por exemplo, pode ler-se: "middle seat gets the armrests". Ou seja, quem vai no lugar do meio tem direito aos dois apoios do braço. A lógica é imbatível. Quem vai na janela tem a vista e a parede para se encostar. Quem vai no corredor estica as pernas e levanta-se às vezes se quiser. Quem vai no meio tem que ficar com os braços-
Tem que ter alguma coisa
...ter alguma vantagem. Tem que ter onde pôr os cotovelos.
Vocês gostam de ir no meio?
Não gosto.
Ninguém gosta de ir no meio. Eu gosto completamente indiferente. Mesmo.
Eu gosto é da ponta.
Só quer dizer que o avião não caia. Não, eu só quero chegar. Porque o que me irrita nisto de andar de avião não é a viagem de avião em si, é o tempo que perdemos antes e depois da viagem.
É verdade.
Perdemos, quer dizer, que temos que estar no aeroporto. E isso para mim é que é desmotivante. Portanto, a parte do avião até é a mais interessante.
Depois há o boné com o aviso: "recline responsibly", reclinar o banco, sim, mas com responsabilidade. Este é muito importante. Portanto, espreitar primeiro para trás para não esborrachar o joelho ou o café de quem vai atrás de si.
Ou as pernas.
No vosso caso, ou as pernas. A pessoa pequena não tem esse problema.
É muito incômodo quando as pessoas reclinam o banco todo para trás, sobretudo nessas alturas.
Quando estão a servir.
Quando se vão servir qualquer coisa. E há um momento crucial. É naquele momento em que se apaga a luz dos cintos, a partir daí é tudo atrás. Bar aberto.
Outra excelente é: "live, love, exit by row". Uma piada direta para aqueles apressados que mal o avião toca no chão, levantam-se logo, e ficam ali 20 minutos em pé, todos tortos, a pensar que vão sair primeiro do que alguém. Enquanto tem toda uma fila à sua frente. Há também uma T-shirt que diz: "it's okay to clap when the plane lands". Está tudo bem em bater palmas quando o avião terra.
Isto aqui eu já não aceito.
Não acho que tenha vergonhas, mas é muito curioso porque as pessoas ficam ali: bate ou não bate? Ficam envergonhadas.
Ninguém bate palmas quando estaciona um carro. Depois do avião borregar uma primeira aterragem, acredita, vais bater palmas.
Aí sim, mas numa situação normal, eu compreendo o que diz o Miguel.
Com muito vento.
Na Madeira.
Quando o avião de repente sobe, quando já vai aterrar e depois aterra calmamente da segunda vez, bates palmas nem que seja mentalmente.
Num saco de pano vem a regra, talvez a mais querida de todas: "text your mom after landing". Manda mensagem à tua mãe assim que aterrares. Para te poupar a algum ataque de nervos. O curioso desta história é que estas peças não estão à venda em lado nenhum. A Lufthansa fez esta coleção de edição limitada apenas para oferecer em passatempos nas redes sociais e para pôr toda a gente a debater, como fizemos aqui, o civismo nos aviões.
O civismo nos aviões às vezes faz falta. Civismo também faz falta a alguns robôs. Temos aqui falado dos Jogos Mundiais.
Tu ontem falaste de um robô.
Falei dos Jogos Mundiais e dos recordes.
Bateu o recorde do Usain Bolt.
Este robô também bateu numa criança, não bateu um recorde. Aconteceu na China, claro, já em novembro, durante uma feira de exibição de robôs, em que um dos robôs, numa interação com uma criança, fez lhe perder quatro dentes.
Ui! Deve ter doído.
Uma menina de cinco anos. Parece que o robô, de acordo com o fabricante, não avaliou corretamente a distância de segurança.
Não foi contigo. Imagina os quatro dentinhos da frente.
É, e depois fica aqui. Talvez a criança fosse a futura salvadora da humanidade, como nos filmes do "Terminator", e o robô quisesse eliminá-la. Para já conseguiu eliminar quatro dentes, mas isto não ficou por aqui. Isto aconteceu em 12 de novembro.
Mas agora é notícia porque se tem arrastado.
É notícia porque a família tem contestado, tem tentado obter uma indenização superior à que foi inicialmente acordada.
Acho que a menina tem tido complicações, não é?
Tem tido complicações. A mãe diz que a criança tem vivido maioritariamente à base de uma dieta líquida e tem sofrido com frequentes inflamações nas gengivas e febres altas. Havia um acordo para pagamento de cerca de 2.500 € mais despesas médicas, e a família exige um pagamento único de cerca de 19.000 € para cobrir os custos contínuos da recuperação e do tratamento das cicatrizes. E há aqui também uma dimensão, claro, a família parece-me estar a aproveitar um pouco. Diz que o lábio da menina continua assimétrico e manifestou receio que as cicatrizes faciais possam no futuro vir a afetar as possíveis opções de carreira da criança, como a candidatura a academias militares ou ingresso na polícia, que exigem o exame médico.
Já estou a abraçar-te.
Isto é mesmo o "Terminator". Eles já estão aqui a viajar para o futuro. Eu acho que ela tem o futuro comprometido nos militares ou na polícia, porque quando ela chegar a essa idade, já não vai. Os robôs vão ser robôs. E eles vão se lembrar, e ela também. E portanto, não vai haver aqui uma boa relação. Portanto, o melhor é ela dedicar-se a outra carreira. Têm sido notícia alguns casos de robôs que atacam pessoas, têm interações menos felizes com pessoas e a partir do momento em que começam a existir mais robôs, até robôs para uso doméstico, é possível que estas notícias-
É manter uma distância de segurança.
É, eles têm que ter aqueles avisos da distância de segurança. Neste caso, não aconteceu e a menina perdeu quatro dentes.