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É uma hora. As notícias com Carlos Pedro.
Boa noite, começamos pela justiça. O juiz presidente da Comarca de Lisboa acredita que o julgamento do caso BES pode durar menos de três anos. Em entrevista ao programa Justiça Cega, Artur Cordeiro aproveitou para sublinhar as inovações tecnológicas que estão disponíveis, desde logo, uma plataforma eletrónica que permite a digitalização de todas as provas que o Ministério Público utilizou para escrever a acusação. O juiz diz que vai facilitar a busca e a apresentação dos documentos em monitores na sala e ainda evitar tempos mortos nas sessões.
Os tempos mortos que se perdiam na procura da prova pra exibição a testemunhas, na comunicação à distância, testemunhas que não podem estar presentes ou peritos ou outros intervenientes acidentais do processo. Toda essa envolvente e depois mesmo na apreciação da prova e na redação do acórdão, tudo isso são inovações que encurtam tremendamente o tempo de duração e que viabilizam uma apreciação correta que de outra forma seria quase impossível.
Artur Cordeiro acredita ainda que este julgamento vai durar muito menos tempo do que o caso do BPN, que durou sete anos.
Na minha ideia e tendo também presente as pessoas que estão envolvidas e a grande capacidade e competência que têm, eu encurtaria isso para menos de metade.
Três anos e meio? Três, quatro anos?
Espero ainda que seja menos do que isso. Honestamente, estou confiado que assim será.
O juiz presidente da Comarca de Lisboa, Artur Cordeiro, espera que o julgamento do caso BES dure menos de dois anos. São declarações no programa Justiça Cega desta terça-feira. E no primeiro dia de julgamento do caso BES, foi a saúde de Ricardo Salgado que esteve debaixo das atenções. O ex-banqueiro diagnosticado com Alzheimer entrou no tribunal de manhã acompanhado pela mulher. Esteve cerca de meia hora na sala de audiência. O advogado de um dos assistentes pediu, de resto, a suspensão do julgamento até a nomeação de um curador provisório para o antigo presidente do BES. A sessão esteve a ser acompanhada pelo jornalista Vasco Maldonado Correia, que faz o resumo deste primeiro dia de julgamento.
Ao primeiro dia de trabalhos do julgamento do principal processo do BES, Ricardo Salgado esteve no centro das atenções. Visivelmente debilitado, o ex-banqueiro foi identificado pela juíza Helena Suzano no campus de justiça, mas teve dificuldades a responder onde morava e enganou-se até a dizer o nome da mãe. A defesa acabou por pedir que fosse dispensado. Saiu logo a seguir, sendo que o advogado Adriano Skilacchis chegou a pedir ao tribunal que realize uma perícia médica sob pena de nulidade do julgamento. Henrique Prior, que representa um lesado, pediu a suspensão do processo até que seja designado um curador provisório para Salgado e na fase das posições introdutórias de manhã, Sá Fernandes, advogado de um lesado que perdeu cerca de €20 milhões, manifestou preocupação com a saúde do antigo banqueiro. Nuno Sousa Vieira, advogado de mais de 1300 lesados, pediu mais celeridade, numa altura em que mais de uma centena dos constituintes que representa já morreu depois de tanta espera. À tarde, os trabalhos decorreram a bom ritmo. Sete dos 18 advogados de defesa falaram com as defesas de Machado da Cruz, antigo contabilista do GES, a negar os crimes de associação criminosa, e a de Isabel Almeida, que atuava como diretora financeira do BES, a pedir a absolvição do cliente.
Um trabalho do jornalista Vasco Maldonado Correia. A sessão é retomada esta quarta-feira às 9h45 e vão ser ouvidas as exposições introdutórias que restam. E ainda na justiça, o Benfica garante que as acusações no caso dos e-mails são infundadas e por isso vai defender-se. A SAD encarnada, o ex-presidente Luís Filipe Vieira e o diretor jurídico Paulo Gonçalves estão acusados pelo Ministério Público de corrupção ativa e fraude fiscal. O clube pode enfrentar consequências de âmbito judicial e desportivo e pode mesmo ser suspenso das provas oficiais. Este é um processo que investiga a simulação de compra e venda de jogadores entre Benfica e Vitória de Setúbal nos anos de 2016 e 2019, com o alegado objetivo de injetar dinheiro do clube encarnado na SAD do Vitória. Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves são acusados de desviarem milhões de euros através de negócios fictícios. A SAD do Benfica é implicada nos crimes de corrupção ativa e fraude fiscal. Também antigos dirigentes do Vitória de Setúbal estão acusados de vários crimes. Já Rui Costa e Domingos Soares de Oliveira foram ilibados. E na análise às acusações feitas a Luís Filipe Vieira e à Benfica SAD, o professor de Direito do Desporto da Universidade Lusíada de Lisboa fala de um processo que pode levar uma suspensão temporária do clube. À Rádio Observador, Lúcio Correia explica que a atual lei não faz justiça à gravidade dos alegados crimes cometidos. Ainda assim, a suspensão pode ser uma possibilidade.
Aquilo que está na lei é muito brando perante a gravidade. Não acho que seja suscetível de dissuadir as pessoas da prática da corrupção. Penso que um agravamento seria mais adequado e depois do ponto de vista regulamentar ainda pior, todos os atos de corrupção, seja a agentes, seja a clubes, seja a árbitros, seja a terceiros, seja a quem for, tudo aquilo que seja adulterar a verdade desportiva de qualquer competição, de qualquer modalidade, tem que dar a suspensão e a desclassificação daqueles clubes.
Palavras de Lúcio Correia, que admite mesmo que no limite, o Benfica até pode descer de divisão. Já a advogada de Direito do Desporto, Soraia Quarenta, fala num caso inédito no desporto português. Explica que as consequências do caso podem mesmo impactar a sociedade em geral.
Já tivemos casos de descidas de divisão, já tivemos casos de perdas de pontos. No entanto, para aquilo que é considerado um dos três grandes
Nacionais, seria algo inédito. Portanto, todo este processo não deve ser visto de forma leviana, porque as implicações e consequências que podem advir daí podem ter um impacto profundo, não só na parte desportiva, mas mesmo na parte da sociedade em geral, tendo em conta que há um clube, ou uma SAD, que movimenta uma massa associativa bastante extensa.
Soraia Quarente, em declarações à Rádio Observador. Os dois advogados esclarecem que os crimes que estão a ser avaliados não prescreveram. Voltamos agora atenções para o tema do Orçamento do Estado. O PS vai decidir o sentido de voto do partido sobre o documento na próxima segunda-feira. A notícia foi avançada esta terça-feira pela Agência Lusa e de acordo com a convocatória da reunião assinada por Pedro Nuno Santos, a Comissão Política Nacional Socialista vai reunir-se na noite da próxima segunda-feira. Serve única e exclusivamente para a deliberação do sentido de voto do PS. Duarte Marques, ex-deputado do PSD, acredita que o Partido Socialista vai viabilizar o Orçamento do Estado do próximo ano. O antigo deputado social-democrata acredita que os socialistas podem distanciar-se do sentido de voto do Chega.
Eu acredito que o Partido Socialista se vai distinguir do Chega nesta posição e é isso que vai marcar a diferença entre os partidos que ajudaram a construir a democracia portuguesa e que, portanto, têm uma responsabilidade social na governação do país, para o bem e para o mal. Não tenho a certeza, mas acredito e tenho a convicção que Pedro Nuno Santos e o Partido Socialista estarão à altura do momento e saberão honrar o passado do Partido Socialista e dos seus fundadores.
Duarte Marques, em entrevista à Rádio Observador, no programa Direto ao Assunto, da tarde desta terça-feira. André Ventura desafia Luís Montenegro a processá-lo, isto por causa das reuniões para aprovação do Orçamento do Estado. O presidente do Chega diz que o primeiro-ministro ainda não contradisse a existência das cinco reuniões, apesar de ter negado que propôs um acordo que incluía a integração do Chega no governo. André Ventura diz que já revelou o que tinha a revelar e desafia agora Montenegro a desmenti-lo.
Porque é que o primeiro-ministro não quer falar sobre isso? Precisamente porque sabe que eu tenho razão. E portanto, eu fiz uma alegação, ela não foi desmentida, eu acho que isto vale por si próprio. Se o primeiro-ministro achar que eu não estou a falar verdade, diz: "Ele não está a falar verdade", que era o que eu faria, e eu vou processá-lo por isso.
Numa conferência de imprensa na sede do partido, André Ventura sublinha ainda que até meados de setembro existia em cima da mesa outra proposta de Orçamento do Estado.
É curioso que a iniciativa nunca tenha dito nada sobre estes encontros e só tenha dito depois de eu próprio vir dizer. É a prova que eu estou a falar verdade. É a prova que isto é verdade, é a prova que o primeiro-ministro sabe que é verdade e é a prova que o primeiro-ministro sabe que até setembro estava na mesa um outro orçamento e que depois de setembro ficou na mesa outro orçamento, que é este desastre que temos à nossa frente.
André Ventura, que garante que só apresenta provas do acordo em tribunal, acrescenta, o líder do Chega, que é a credibilidade do primeiro-ministro que sai afetada com esta troca de argumentos. E ainda na atualidade nacional, a Ilha Terceira fez esta terça-feira um exercício de evacuação da população devido à crise sismovulcânica. Aconteceu na freguesia das Cinco Ribeiras, localizada na zona Oeste da Ilha Terceira, e contou com a participação de cerca de uma centena de pessoas. O presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, Álamo Menezes, elogiou a iniciativa e alertou para a possibilidade de algum dia o exercício virar realidade.
É o primeiro exercício deste tipo que se faz e por isso nós achamos que ele é extremamente importante, porque nós temos uma probabilidade muito real de algum dia ser preciso fazer isto. Nunca foi testado com esta dimensão. Estamos a testar em colaboração com a Proteção Civil Regional e com a freguesia, para termos a certeza que, no caso de ser preciso, temos as condições e temos, particularmente, o nível de coordenação que é necessário para que se faça sem atropelos.
Álamo Menezes, em declarações à Agência Luz, a freguesia das Cinco Ribeiras está localizada na zona Oeste da Ilha Terceira, precisamente o local onde se têm sentido mais sismos desde o início da crise sismovulcânica, que afeta a ilha há mais de dois anos. E na atualidade internacional, os Estados Unidos exigem a Israel uma melhoria da situação humanitária em Gaza. O pedido norte-americano foi feito no passado domingo, através de uma carta divulgada apenas esta terça-feira pela imprensa norte-americana. A administração de Joe Biden exige uma melhoria da situação humanitária na Faixa de Gaza em 30 dias. Caso contrário, Washington promete cortar o apoio militar ao exército israelita. Na carta assinada pelo secretário da Defesa, Lloyd Austin, e o secretário de Estado, Antony Blinken, a administração de Biden manifesta-se profundamente preocupada com a situação humanitária no território. Pede, por isso, ações urgentes e sustentadas pelo governo de Netanyahu para reverter a situação. Entre outras coisas, os Estados Unidos criticam diretamente as ações do governo israelita, principalmente as medidas restritivas de entrada de bens na localidade. E ainda nos Estados Unidos, as sondagens continuam a mostrar o empate técnico entre Kamala Harris e Donald Trump. Lídia Franco, especialista em Ciência Política e Relações Internacionais, considera que o impasse só vai ser resolvido se os eleitores forem realmente às urnas. Um dos grupos que pode ser dinamizado é a comunidade afro-americana, como explica a especialista.
Convém dinamizá-los para, além da intenção do voto, irem mesmo votar. Portanto, o ponto aqui não é tanto trabalhar os eleitores a terem o voto num certo sentido, mas é fazê-los mesmo levantar do sofá e ir às urnas colocar o voto. Eu acho que essa é que é a grande batalha destas últimas três semanas que faltam para as eleições. Ou seja, não é tanto voto de persuasão, no sentido "vota em mim e não no outro candidato", mas eu acho que é mesmo um voto de mobilização e ambos os lados estão a fazer isto, que é: "Ok, levantem-se e vão votar".
Lídia Franco, especialista em Ciência Política e Relações Internacionais, em entrevista esta terça-feira no programa América Dividida, da Rádio Observador, considera que os apelos para a mobilização dos eleitores para irem às urnas têm sido o desafio das últimas semanas de ambos os candidatos. Entretanto, Kamala Harris vai ser entrevistada esta quarta-feira pelo canal Fox News, na Pensilvânia, numa altura em que faltam 20 dias para as eleições norte-americanas. No desporto, Portugal empatou esta terça-feira a zeros com a Escócia, na quarta jornada da fase de grupos da Liga das Nações. A Seleção Nacional podia ter assegurado o apuramento direto já hoje, mas não foi além do nulo em Glasgow. Portugal teve as melhores oportunidades, mas foi incapaz de quebrar a resistência escocesa. Na análise à partida, Roberto Martínez deixou elogios à prestação da Escócia, mas defende que Portugal foi superior.
Acho que merecíamos a vitória, se olharmos para o que aconteceu à frente das duas balizas e o controle de jogo. É um jogo perigoso, segundo jogo consecutivo fora de casa. A concentração, o trabalho, foi uma equipa muito bem sincronizada. Faltou o gol, mas faz parte do jogo. A Escócia joga em casa, jogou muito bem nos últimos três jogos e hoje aceitamos o resultado.
Declarações de Roberto Martínez, selecionador nacional, no final do empate a zeros com a Escócia. Ainda assim, a Seleção Nacional continua na frente do grupo A, com mais três pontos do que a Croácia. O próximo jogo é com a Polónia, em casa, um encontro marcado para o próximo mês. Fica por aqui este jornal. A informação volta a ser atualizada pela 01h30 da manhã. Até lá, boa noite e continue na companhia da Rádio Observador.