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É meia-noite. As notícias com Carlos Pedro.

Boa noite. Jornal da Meia-Noite na Rádio Observador. O presidente da Câmara de Lisboa recusa ter cometido erros na tragédia do descarrilamento do Elevador da Glória e acusa o PS de ter duas caras. É a posição de Carlos Moedas, que deu esta noite, na SIC, a primeira entrevista depois do acidente que resultou na morte de 16 pessoas. O autarca assume que há responsabilidades políticas e técnicas por apurar, mas garante ter dado todas as condições à empresa de manutenção dos funiculares e, por isso, recusa falhas no processo.

Nesta tragédia, não há nenhum erro que possa ser imputado a uma decisão do presidente da Câmara. O presidente da Câmara representa o acionista desta empresa. Um acionista desta empresa não gere a empresa. Um acionista desta empresa tem uma estratégia para a mobilidade da cidade e fornece à empresa recursos. O que é que forneceu? Permitiu a esta empresa aumentar o seu orçamento em 30% neste mandato. Tudo isso são os dados da responsabilidade política. Não é o presidente da Câmara que está a gerir a empresa. Eu percebo, mas em que situação é que admitiria, por exemplo, apresentar a demissão depois deste caso? Se alguém provar que alguma ação que eu tenha tido, algo que eu tenha feito como presidente da Câmara em relação a esta empresa, levou a que esta empresa não gastasse o suficiente em manutenção, que esta empresa não fizesse aquilo que tinha que fazer, eu demito-me no dia.

Já durante esta última semana, o vice-presidente da autarquia lisboeta tinha admitido que se houvesse responsabilidades políticas a apontar a alguém, seria ao próprio. Filipa Anacoreta Correia assumiu mesmo a possibilidade de sair do executivo municipal, um cenário que Carlos Moedas quer ver longe.

Daqui ninguém sai. Não vai permitir que o seu vice-presidente se demita? Não há possibilidade disso. Ninguém se pode demitir disto. Isto é grave demais para alguém, isso é uma cobardia alguém se demitir. E, portanto, eu não vou deixar. Eu tenho um vice-presidente que deu muito, deu a sua vida por estar aqui durante quatro anos ao meu lado, que deu a sua vida e tomou as decisões certas. Nós estamos aqui para enfrentar a realidade.

Já sobre as críticas do PS, Carlos Moedas acusa os socialistas de estarem divididos em dois blocos distintos, depois de Pedro Nuno Santos ter vindo a público pedir a demissão do autarca. Alexandra Leitão, a candidata a Lisboa pelo PS, disse hoje o contrário, ou melhor, não o fez. Para Carlos Moedas, é cinismo.

Revolta-me muito ver que certos partidos políticos, de uma maneira direta, e outros dissimulados, como é o caso do Partido Socialista de Lisboa. Dissimulado, por quê? Porque, no fundo, tem uma candidata que não vem pedir a minha demissão, mas encarrega todos os seus sicários e todos os seus apoiantes para virem por trás, como Pedro Nuno Santos. José Luís Carneiro também veio numa posição semelhante. Como Pedro Nuno Santos, como Brilhante Dias, obviamente. Mas Pedro Nuno Santos já não representa o Partido Socialista, senhor presidente. Mas eu faço uma grande diferença entre o Partido Socialista deste líder, que é um homem centrista, e o Partido Socialista de Lisboa, que é um bloco da esquerda, aliado ao Bloco de Esquerda, que se radicalizou. Portanto, há dois partidos socialistas diferentes.

Carlos Moedas esta noite, em entrevista à SIC. Entretanto, Alexandra Leitão já respondeu às críticas do autarca. A candidata à Câmara de Lisboa acusa Moedas de fazer um ataque pessoal e de se vitimizar. Diz que a entrevista do autarca foi um ato de desculpabilização. É a reação de Alexandra Leitão através de uma publicação na rede social X. E na análise a esta entrevista, o editor adjunto de Política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, aponta para a tentativa de Carlos Moedas em demarcar-se das responsabilidades e pressionar Alexandra Leitão. Destaca também as suspeitas levantadas sobre a anterior administração da Carris.

Carlos Moedas ensaia um argumento interessante e que vai ser seguramente explorado nos próximos dias. Diz Carlos Moedas que houve um acidente no Elevador da Glória em 2018 e não existe um relatório feito pela administração da Carris nessa altura, uma administração que tinha sido nomeada por Fernando Medina. Portanto, aqui Carlos Moedas está a lançar uma suspeita sobre a administração da Carris, a administração anterior da Carris, e esse argumento será explorado, seguramente.

Análise do editor adjunto de Política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso. Em 2018, recordo, houve um acidente com o Elevador da Glória. Esta noite, na entrevista à SIC, Carlos Moedas lamentou não ter sido realizado nenhum relatório do caso. Olhemos agora para os incêndios. O Chega não vai deixar cair o tema dos fogos da agenda política, garantia deixada por André Ventura, que insiste no apuramento de responsabilidades e na necessidade de aumentar as penas dos incendiários. Durante uma visita ao município da Lousã, assolado por um grande incêndio a meio do último mês, que consumiu mais de 3500 hectares na serra da Lousã, o presidente do Chega salientou que vai fazer de tudo para que o país tenha os meios necessários para evitar que os incêndios deste ano não se repitam no próximo verão. Por isso, André Ventura diz que é preciso não esquecer o assunto.

Passamos anos demais, atenção quando eu digo políticos estou nos a incluir a todos, passamos anos demais em que deixamos passar a época dos incêndios, esquecemos isto, mudámos para outra atenção qualquer, para outra coisa que nos preocupava, deixamos passar nove meses ou 10 e voltamos a ter o mesmo problema. Este ano não vai ser assim. O Chega não vai deixar que isto continue da mesma forma. Nós vamos exigir responsabilidades a quem fez isto, vamos exigir responsabilidades a quem permitiu que isto acontecesse por negligência e garantir, pelo menos, que o Estado tem os meios, se não consegue evitar os incêndios, pelo menos de os combater prontamente.

Ainda sobre este tema, o líder do Chega garantiu novamente que vai lançar uma comissão de inquérito potestativa para exigir responsabilidades. Foco agora na Festa do Avante. Paulo Raimundo acusa o PS de dar as duas mãos ao Governo. Críticas do secretário-geral do PCP no tradicional comício da Festa do Avante, na última tarde, na Quinta da Atalaia. O líder comunista diz que o Partido Socialista está a lutar com o Chega para ver quem colabora mais com o Governo.

Temos um Partido Socialista às cotoveladas com o Chega para ver quem é o mais cúmplice do Governo, para ver quem é o par favorito de um Orçamento de Estado. A política de direita não se combate dando-lhe a mão, a política de direita combate-se travando-lhe o passo. E o PS, como sempre, parece disponível para dar não uma, mas as duas mãos ao Governo e à sua política.

O líder do PCP, Paulo Raimundo, na última tarde, na Festa do Avante, aqui num registo captado pela RTP. Já sobre o Orçamento do Estado, que tem de ser entregue até o dia 10 do próximo mês no Parlamento, Paulo Raimundo diz que vem aí um novo ataque aos serviços públicos, em especial ao Serviço Nacional de Saúde. O primeiro-ministro realiza a partir de amanhã uma visita oficial à China. Luís Montenegro vai encontrar-se com o presidente chinês Xi Jinping e vai também passar por Macau e pelo Japão, com paragens em Tóquio e na Expo Osaka. Trata-se de uma deslocação de cinco dias e acontece nove anos depois de António Costa ter visitado solo chinês. Numa de visão a esta visita do governo português a Pequim, o especialista em assuntos chineses, Jorge Tavares Silva, fala numa boa oportunidade para Portugal reforçar laços que estão frios com esta superpotência asiática.

Nesse mesmo quadro de tensões internacionais, enfim, onde as nações e Portugal, particularmente, se sente um pouquinho dividido entre o mundo determinado pelos Estados Unidos e outro determinado pela China, parece que temos dois grandes blocos liderados por estas duas grandes nações. Portugal tem que defender os seus interesses e, portanto, apesar de tudo, deve estabelecer relações importantes com a China, aproveitar e defender os seus interesses nacionais e, portanto, se calhar, eu olho muito como uma oportunidade para uma reabertura de relações diplomáticas que estão frias neste momento.

Como já aqui foi dito, Luís Montenegro vai também ao Japão. Por lá, o primeiro-ministro vai fazer uma paragem na Expo Osaka. Jorge Tavares Silva destaca os contributos da visita para a marca Portugal.

Estas feiras internacionais são montras. Montras internacionais da nossa cultura, da nossa indústria, da nossa economia. E, portanto, é muito importante a presença também do primeiro-ministro para poder fazer esta ligação entre o Oriente e o Ocidente, que é tão histórica, e o Japão também sabemos disso, é tão histórica, tão antiga e não deve esmorecer. Pelo contrário, deve ser reavivada.

O especialista em assuntos chineses, Jorge Tavares Silva, à Rádio Observador. Importa ainda dizer que para além do primeiro-ministro Luís Montenegro, também os ministros Paulo Rangel e Manuel Castro Almeida e ainda a presidente da Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa, Madalena Oliveira e Silva, integram a comitiva nacional que visita a partir de amanhã a China. Olhamos para o desporto. Portugal foi ontem eliminado do Campeonato da Europa de Basquetebol. Os linces fizeram história ao chegar pela primeira vez na história aos quartos de final da competição, mas é possível fazer melhor. A ideia é defendida pelo poste português, Neemias Queta. Começaram hoje a chegar a Portugal alguns dos jogadores que marcaram presença no EuroBasket de 2025, no Aeroporto de Lisboa. Neemias Queta, o primeiro e único português à data a jogar na NBA, defendeu que a prestação portuguesa deixa em aberto um futuro risonho e destacou a evolução do basquete nacional.

É uma questão de ver o processo criado com a gente desde há muitos anos e que temos vindo a criar muito talento desde as camadas jovens e que com esse trabalho que temos vindo a fazer, há muitos frutos ainda por colher. É um futuro risonho e acho que é com este tipo de competições que vamos chegar lá mais perto, competindo com as melhores equipas, jogando ao mais alto nível e a partir daí é construir. Já temos a experiência e da próxima vez podemos estar melhor.

O poste Neemias Queta na chegada ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, Portugal, recordo, foi eliminado do Europeu de Basquetebol pela campeã do mundo, a seleção alemã. No ténis, vitória para Carlos Alcaraz no Open dos Estados Unidos. Na grande final, o espanhol bateu o número um do mundo, Jannik Sinner, por 3x1. Com os parciais 6x2, 3x6, 6x1 e 6x4, Alcaraz foi mais forte nesta batalha de duas horas e meia entre os dois melhores tenistas no ranking ATP. É o 23° título ATP conquistado pelo tenista espanhol e o sexto Grand Slam. Depois da conquista em 2022 perante Casper Ruud, Alcaraz volta a levar para casa mais um US Open. Fica por aqui este jornal da meia-noite. A informação regressa com a síntese da meia-noite e meia, já com o jornalista Guilherme Pires.