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É meia-noite. As notícias com Ricardo Lopes.

Já nos próximos dias, é este o desejo de André Ventura, quer que a comissão parlamentar a Luís Neves esteja a funcionar ainda antes do Orçamento do Estado. O líder do Chega define esta comissão parlamentar de inquérito ao Ministro da Administração Interna como a mais importante da história do país e, por isso mesmo, faz pressão a José Pedro Aguiar Branco para que os trabalhos arranquem o mais depressa possível.

O presidente da Assembleia da República não me solicitou ainda a entrega dos nomes constituintes da comissão de inquérito. Foi dado até, se não me engano, dia 28 deste mês para se constituírem as diligências de sustentação da comissão. Penso que em relação à outra comissão de inquérito, isto sim, já estão a ser pedidos os nomes. Espero que na segunda-feira possa resolver essa questão, juntamente com a liderança de bancada. Sobre Luís Neves, a minha esperança é que a comissão de inquérito possa iniciar-se nos próximos dias e que consigamos, ainda antes do Orçamento do Estado, começar a fazer algum trabalho em relação a esta matéria.

O desejo de André Ventura, que defendeu que esta comissão deve investigar Luís Neves sem pôr em causa o prestígio institucional de quem investiga, bem como da Polícia Judiciária. Também nestas declarações, André Ventura falou da atualidade internacional. O líder do Chega aponta o dedo a Donald Trump em relação à guerra contra o Irão, diz que os países da Europa estão a pagar mais que os Estados Unidos pelo custo deste conflito. André Ventura, que já por diversas vezes demonstrou simpatia por políticas de Donald Trump, desta vez critica o presidente norte-americano pela crise que está a causar no custo dos combustíveis e, consequentemente, na economia mundial. André Ventura diz que Donald Trump cometeu muitos erros no último mês.

Acredito que o presidente Trump cometeu muitos erros no último mês, mesmo a guerra no Irão, creio que está a afetar toda a economia global. Gostaria que essa guerra não existisse, especialmente por causa de Portugal, Espanha, França e Itália. Estamos a pagar mais pelo preço desta guerra do que os próprios Estados Unidos. Não é justo que um país comece uma guerra e outros paguem o preço.

Declarações em inglês de André Ventura, feitas à margem do encontro dos partidos europeus de extrema-direita, Patriots Academy, um evento que aconteceu hoje e ontem num hotel da Ericeira e onde também cerca de uma centena de pessoas se manifestaram contra este encontro da extrema-direita europeia em Portugal. De regresso à política nacional e com o Orçamento do Estado no horizonte, o Partido Comunista Português está com expectativa zero acerca da proposta que o governo vai apresentar. É isto que diz Paulo Raimundo, em antecipação ao debate do Orçamento do Estado, que é votado na generalidade precisamente daqui a um mês, a 27 de outubro, e também a dia 28. O secretário-geral comunista apela ao executivo que tenha uma política de ferro e fogo contra o aumento do custo de vida, mas não quis antecipar para já um voto do PCP.

Com rigor e com coerência, não posso dizer que nós vamos votar contra. Uma coisa nós não conhecemos. Agora, há uma coisa que sabemos, é que se o Orçamento do Estado for mais um instrumento para dar andamento à política que está em curso, nós não nos podemos apoiar nisso. Não podemos apoiar uma política que seja contra o Serviço Nacional de Saúde. Não podemos apoiar uma política que seja pelo aumento das rendas, pelo aumento do custo de vida, pelo aumento da habitação, pelo aumento dos preços dos bens alimentares, pelo aumento dos combustíveis. Conosco não!

Palavras de Paulo Raimundo na Feira da Luz, em Lisboa, onde disse estar com expectativa zero para o Orçamento do Estado do próximo ano. Também sobre este tema, o Livre acusa o governo de falta de respeito institucional, por dizer que a margem negocial é muito limitada ainda antes de reunir com os restantes partidos. Essas reuniões vão começar já na próxima semana, nas quais serão apresentadas as linhas gerais da proposta orçamental para o ano que se avizinha. Hoje, a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, acusou o executivo de estar já a condicionar o debate orçamental.

Parece-me que é de uma até falta de respeito institucional para com o Parlamento e para com o país, condicionar, à partida, todo o debate orçamental, sabendo que poderia haver uma folga, até por causa destas medidas, para ser discutida efetivamente no Parlamento.

Acusações de Isabel Mendes Lopes em declarações aos jornalistas na Feira da Luz, em Lisboa. O Livre avisa que vai dizer ao governo, na reunião agendada para terça-feira, que não vai abdicar que propostas do Livre fiquem incluídas no Orçamento do Estado. Viramos agora a página para a atualidade internacional, concretamente para Madrid. Já terminou o protesto que levou cerca de 25 mil pessoas às ruas da capital espanhola. Manifestaram-se contra o despejo de uma mulher de 87 anos com o mote "Nem mais uma Mari Carmen", nome da idosa que foi despejada pela polícia esta semana, na quarta-feira, da casa onde viveu mais de 70 anos, no centro de Madrid. Nesse dia, também centenas de pessoas concentraram-se junto ao prédio para impedir a saída da idosa. Tudo isto porque uma ordem judicial deu razão ao fundo de investimento que comprou o apartamento. Ora, esta tarde, por volta das 18h30, uma marcha convocada pelo Sindicato de Inquilinas de Madrid levou milhares de pessoas às ruas para exigir responsabilidades ao governo de Pedro Sánchez e reclamar medidas imediatas que garantam o direito a uma habitação digna aos espanhóis. A Alicia Del Río, porta-voz deste sindicato, diz que este caso representa um ponto de não retorno na luta pela habitação em Espanha.

Exigimos que o governo aprove o decreto real de Mari Carmen, que contenha as seguintes medidas. Em primeiro lugar, exigimos contratos sem termo. Exigimos também o congelamento dos preços das rendas. Queremos ainda o fim das fraudes no arrendamento. E por último, exigimos uma suspensão efetiva dos despejos. Este decreto real foi apresentado a todas as forças parlamentares. Se não for aprovado esta terça-feira, este governo, que diz ser progressista, não faz sentido nenhum.

Alicia Del Río, porta-voz do sindicato que convocou este protesto em Espanha contra o despejo de uma mulher de 87 anos. A esta hora a marcha já terminou. Ainda assim, um grupo de participantes está neste momento acampado na praça Puertas del Sol. Falamos agora de inteligência artificial. Agentes da OpenAI infiltraram-se de forma autónoma em plataformas do governo dos Estados Unidos. Estes modelos de inteligência artificial conseguiram interagir com o Departamento do Comércio e também com o Departamento da Educação norte-americano. Ainda assim, a gigante tecnológica OpenAI garante que nenhum dos incidentes configurou uma intrusão ilícita com fuga de dados. Maria Miguel Marques.

A empresa diz ter descoberto estes episódios recentemente durante uma auditoria. O New York Times relata que, no caso do Departamento de Educação, a tecnologia da OpenAI tentou piratear o site para recolher dados do gabinete de direitos civis da instituição, sem sucesso. A inteligência artificial conseguiu também extrair dados da página do gabinete de estatísticas norte-americano, integrado no Departamento do Comércio. Em paralelo, os agentes da OpenAI partilharam num fórum online dados públicos retirados do site da SEC. Este novo acesso junta-se a outro episódio conhecido esta semana, de um agente da OpenAI que se infiltrou no site do governo australiano em junho. A OpenAI garante que os governos podem estar entre dezenas de entidades que em todo o mundo podem ser infiltradas pelos modelos de inteligência artificial. O CEO Sam Altman já tinha pedido, na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, que os governos desempenhassem um maior papel na regulamentação da inteligência artificial, numa altura em que a OpenAI está a realizar uma revisão abrangente da atividade desalinhada dos modelos e a notificar as organizações quando identificam impactos potenciais nos sistemas. E apesar da resistência de vários países em abrandar a inteligência artificial, nomeadamente os Estados Unidos e a China, a OpenAI sublinha, em comunicado, que a nível internacional isto exige cooperação.

Maria Miguel Marques, com o mais recente episódio de acesso da inteligência artificial a ficheiros do governo norte-americano. No futebol, mas também de mãos dadas com a política, apesar das ameaças de boicote, a Irlanda vai mesmo jogar contra Israel este domingo. Um jogo a contar para a Liga das Nações. A participação da Irlanda tem sido contestada no país, onde os apelos ao boicote ganharam mais força nestas últimas semanas. A Federação Irlandesa de Futebol comunicou hoje a decisão, argumenta que um boicote poderia levar a sanções da UEFA, depois de um debate intenso, ainda assim, com uma maioria significativa dos jogadores a votar a favor da participação. O tema volta à agenda depois de um jogador irlandês ter manifestado a intenção de não disputar os jogos. Refiro-me ao guarda-redes Gavin Bazunu, que terá dito aos companheiros que não pretendia jogar e que não deve continuar com a equipa. O que é certo é que o primeiro jogo vai realizar-se este domingo, na Hungria, onde Israel será a equipa da casa. O segundo está marcado para 4 de outubro, mas será disputado em Bacatopola, na Sérvia, apesar da Irlanda ser, neste caso, a equipa anfitriã. Os jogadores irlandeses entrarão em campo com braçadeiras negras, em reconhecimento de todas as vidas perdidas no conflito. É o que garante o diretor da Federação Irlandesa. Jorge Jesus diz que não tem medo da Noruega e que a seleção portuguesa vai jogar ao ataque frente aos nórdicos. Pulso firme de Jorge Jesus na antevisão ao segundo jogo aos comandos da seleção nacional. Joga-se amanhã aquela que é a segunda jornada da Liga das Nações. O selecionador nacional reconhece qualidade no ataque norueguês, mas garante que Portugal também tem.

Apesar de termos pouco tempo de trabalhar comigo, acredito muito naquilo que vamos fazer amanhã. Uma coisa de certeza absoluta: não vou ter medo nenhum da Noruega. Zero. E vou lançar uma equipa que eu olho mais para ela até ofensivamente do que defensivamente. Não vou olhar para o jogo em fazer uma escolha de jogadores, porque a equipa da Noruega é muito forte ofensivamente. Vou olhar o contrário. Ela é forte ofensivamente, eu também quero ser.

É a garantia dada por Jorge Jesus na conferência de antevisão à partida frente à Noruega. Portugal vai jogar amanhã em Oslo, a partir das 19h45. Um jogo que logicamente vai ter relato e análise aqui na Rádio Observador. Tudo dito neste jornal da meia-noite. Eu estou de saída. A informação regressa à 00h30 em formato de síntese, desta feita já com edição da jornalista Teresa Freire. Deixe-se ficar.