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Jornal da Uma com Luís Soares. E Luís, já terminou a audição em tribunal do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, enquanto testemunha no caso BES. Diz que só soube da resolução do banco a 1 de agosto de 2014.
E sublinha também que perante as contas do banco, ficou convencido de que se tratava de um caso de polícia. São algumas das ideias do testemunho de Pedro Passos Coelho, no âmbito do caso BES. Já vamos aos detalhes. Uma audição que terminou há pouco e à saída, António José Soares, Passos Coelho mostrou-se na expectativa de que a culpa não morra solteira neste caso.
É verdade, Luís, foram exatamente essas as palavras de Pedro Passos Coelho aos jornalistas quando saiu da sala de audiências. O antigo primeiro-ministro foi ouvido pela quarta vez sobre este caso, depois de ter sido ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito, relativamente ao BES, e também à Comissão Eventual de Inquérito do Novo Banco e também aqui, já neste processo judicial, na fase de instrução. E depois de vários adiamentos, Pedro Passos Coelho vem falar mais uma vez, é a quarta, e diz que passados estes anos todos, está convicto de que as decisões que tomou na altura, como chefe do governo, foram aquelas que tiveram em conta os interesses de Portugal.
Eu creio que agi de acordo com a interpretação que fiz do que era o interesse coletivo, do que era o interesse do Estado, o interesse nacional. E julgo, olhando retrospectivamente, que isso foi importante e que defendeu a posição do país e do Estado. Não me sinto responsável pelo que se passou no Banco Espírito Santo, não tinha responsabilidades no Banco Espírito Santo. Esse caso está a ser julgado. Saberemos no fim do julgamento o que é que se prova em matéria de gestão do próprio banco. Certamente que houve responsabilidade que há de ser apurada e, como qualquer cidadão interessado, espero que o processo possa concluir sem que a culpa morra solteira.
Fica aqui então este desejo de Pedro Passos Coelho, que sejam apuradas todas as responsabilidades neste caso BES. Questionado sobre por que é que na altura não se optou pela nacionalização do Banco Espírito Santo, Pedro Passos Coelho disse que tendo em conta o histórico e a experiência que Portugal tem em nacionalizações, ainda hoje estaríamos a pagar um preço muito alto, caso tivesse sido essa a opção do governo da altura. Luís.
António José Soares, foi ele que acompanhou a saída de Pedro Passos Coelho do campus da Justiça em Lisboa. A repórter Maria João Brás acompanhou o testemunho de Passos Coelho dentro da sala de audiências. Maria João, que ideias ficaram nesse testemunho?
Boa tarde. Pedro Passos Coelho esteve a responder às perguntas do Ministério Público e dos advogados de defesa e da acusação durante quase três horas, garante que agiu de acordo com o interesse nacional, como já ouvimos, mas volta a atirar as responsabilidades para o regulador do Banco de Portugal. Admite que intercedeu duas vezes a propósito da situação do BES. Primeiro, diz que falou com o vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, de forma a transmitir à data a preocupação do Banco de Portugal sobre a possível garantia que o Estado angolano iria conceder ao BES Angola. Esta seria uma das soluções para salvar o GES, mas que acabou por ser revogada. E segundo, o ex-primeiro-ministro admite que nem ele nem o Presidente da República, à altura Aníbal Cavaco Silva, poderiam gaguejar sobre a situação do BES. E a expressão é do próprio Pedro Passos Coelho. Isto sob pena do banco rebentar. De resto, o ex-primeiro-ministro revelou que teve duas reuniões com Ricardo Salgado, reuniões essas que aconteceram em 2014 e que foram solicitadas pelo ex-banqueiro. Numa primeira audiência, Ricardo Salgado manifestou ao ex-primeiro-ministro desconforto com a insistência do Banco de Portugal para perceber a situação financeira do banco. Na segunda reunião, Ricardo Salgado terá pedido ajuda ao ex-primeiro-ministro para interceder junto da Caixa Geral de Depósitos, de forma ao banco obter financiamento e trocar os ativos mais problemáticos. Uma ajuda que Pedro Passos Coelho recusou. Tirando estes dois casos, o ex-primeiro-ministro diz que sempre acompanhou a situação do banco através da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Segundo o ex-primeiro-ministro, o ex-governador deu garantias de que o regulador estava a acompanhar a situação e que tinha uma equipa a trabalhar dia e noite para acompanhar a situação do banco. No entanto, Pedro Passos Coelho admite que teve conhecimento da resolução do BES no dia 1 de agosto de 2014 e garante que só percebeu do tamanho do buraco quando foram apresentadas as contas. A partir daí, da parte do primeiro-ministro, na altura primeiro-ministro, a única interferência foi negar a possibilidade do banco ser nacionalizado. O ex-primeiro-ministro foi ainda questionado pelos advogados das vítimas se o colapso do banco teve a ver com a condição do mercado ou a uma alegada má gestão. Ora, Pedro Passos Coelho volta a remeter responsabilidades ao Banco de Portugal e diz que à data se tinha convencido de que se tratava de um caso de polícia. No final da sessão, a juíza Helena Suzano disse que esperava que Pedro Passos Coelho ficasse livre deste caso hoje, mas o ex-primeiro-ministro não manifestou alívio. Lembra que há ainda outros processos do universo Espírito Santo, processos esses que tem de prestar contas na qualidade de ex-primeiro-ministro.
Maria João Brás e também António José Soares, os repórteres da Rádio Observador que acompanharam este dia em que Pedro Passos Coelho prestou testemunho no julgamento do caso BES.
E a Comissão Europeia vai mobilizar cerca de €200.000 milhões para o investimento em inteligência artificial. Ursula von der Leyen acredita que a União Europeia não está fora da corrida.
Isto apesar do avanço de países como Estados Unidos e China, a meta da presidenta da Comissão Europeia é simples: ser líder no mercado de inteligência artificial e para isso, o Bloco dos 27 vai avançar com €200.000 milhões em investimento em tecnologia. O anúncio foi feito pela presidenta da Comissão na Cimeira de Ação sobre Inteligência Artificial em Paris. Ursula von der Leyen fala na maior parceria público-privada de sempre.
Tecnologia computacional exige financiamento imediato e substancial. Por isso, o nosso objetivo é mobilizar um total de €200.000 milhões para o investimento em inteligência artificial na Europa. Vai ser a maior parceria público-privada do mundo. Queremos uma IA que seja uma força para o bem, na qual todos colaboram e da qual todos beneficiam. Este é o nosso caminho, o nosso caminho europeu.
A verba inclui um novo fundo europeu para fábricas gigantes no espaço comunitário. Está previsto que esta iniciativa permita o financiamento de quatro futuras fábricas gigantes de inteligência artificial em toda a União Europeia. No total, a Comissão Europeia quer mobilizar 150.000 milhões de euros em investimento privado e 50.000 milhões em fundos europeus.
Luís, o antigo presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, garante que o beijo que deu à jogadora Jenni Hermoso foi consentido.
É um caso que remonta à 2023, depois de Espanha se ter sagrado campeã mundial de futebol feminino. Luis Rubiales deu um beijo à atleta Jenni Hermoso quando a equipa estava a receber as medalhas pela conquista do mundial. Em tribunal, esta manhã, o então presidente da Federação Espanhola diz que perguntou primeiro à atleta se a podia beijar e que ela terá dito que sim.
Nós conhecemo-nos há muito tempo. Obviamente que o beijo foi porque nos tornámos campeões. Ela tinha falhado um pênalti e com toda a atenção durante o jogo, eu disse-lhe: "Esquece o pênalti, somos campeões e não o tínhamos conseguido sem ti". Ela abraçou-me e levantou-me do chão. Foi quando lhe perguntei: "Posso dar-te um beijo?" E ela respondeu: "Está bem".
A jogadora Jenni Hermoso, que acusa o então presidente da Federação Espanhola de agressão sexual e tentativa de coação. Luis Rubiales nega todas as acusações. O Ministério Público Espanhol pede dois anos e meio de prisão para Rubiales pelo alegado beijo não consentido a Jenni Hermoso.
Luís, vamos agora a outros temas em destaque.
A Ministra do Trabalho garante que das 28 movimentações que existiram nos cargos diretivos da Segurança Social, desde que o governo tomou posse, apenas sete foram de iniciativa do Executivo. Explicações de Maria do Rosário Ramalho, ouvida na Assembleia da República, a requerimento do Chega, sobre a substituição de dirigentes no Instituto da Segurança Social. Explica que a maior parte das saídas foram por motivos alheios à vontade do governo. Apenas sete dirigentes superiores foram exonerados pela tutela. A maior fatia desses dirigentes afastados foram na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, como foi o caso da antiga provedora Ana Jorge. Paulo Rangel já esteve reunido com o presidente de Israel, numa publicação na rede social X, o Ministério Português dos Negócios Estrangeiros dá conta dessa reunião entre Rangel e Isaac Herzog, até com uma fotografia. Em cima da mesa esteve a relação bilateral entre Portugal e Israel, assim como a situação na região do Médio Oriente. A Comissão Europeia vai responder com contramedidas às tarifas alfandegárias de 25% impostas pelos Estados Unidos às importações de aço e alumínio. O Comissário Europeu para o Comércio considera que essas tarifas são más para as empresas e piores para os consumidores. As taxas anunciadas por Washington entram em vigor a 12 de março para todas as exportações de alumínio e aço de países terceiros para os Estados Unidos.
Luís Soares com o Jornal da Uma.