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Do Ricardo Lopes. Ricardo, boa tarde, bem-vindo. Na Praça do Rossio, em Lisboa, já arrancou a acampada pelo direito à habitação e o cenário é idêntico ao que vimos há uns dias no Porto. Vários manifestantes já começaram a montar tendas.
Sim, Vicente, a manifestação convocada pela CGTP oficialmente já terminou, mas muitas das pessoas que foram em marcha lenta do cais até ao Rossio juntam-se agora a esta acampada, uma forma de protesto contra os preços da habitação. É lá que tem estado o jornalista Miguel Pina Andrade, que se junta agora a este jornal. Viva, Miguel, boa tarde. Já começam a ser muitas as tendas na Praça do Rossio. Falamos de dezenas de tendas e, para já, não há qualquer sinal que os manifestantes arredem pé.
Boa tarde, Ricardo. Sim, é esse o objetivo dos manifestantes ao longo das últimas horas. Falei com vários que me confirmaram que sim, é esse o objetivo, pernoitar aqui no Rossio. Há pouco falei também com um dos porta-vozes do movimento, o João, de 26 anos, que quando questionado sobre isso mesmo, se o objetivo era pernoitar, respondeu assim:
O objetivo é mostrarmos a nossa solidariedade para com a acampada no Porto e com as vítimas da extrema violência policial e demonstrarmo-nos contra as novas leis que vão meter pessoas na rua, as leis de despejos. Mantemos as propostas da acampada do Porto, são as mesmas exigências e estamos aqui pela mesma luta.
Sobre o movimento em si, João diz que é apartidário, mas pede a intervenção da esquerda parlamentar.
Esta luta é completamente apartidária, ou suprapartidária, aliás. Nós esperamos que os partidos da esquerda parlamentar apoiem a causa, porque estamos a viver uma crise habitacional tremenda, mas não fazemos parte de nenhum partido.
As palavras de um dos porta-vozes do movimento Acampada, que não revela se vão ou não pernoitar aqui no Rossio. Entretanto, Ricardo, as pessoas continuam a chegar e a montar tendas. O contingente policial no Rossio já foi reforçado e há pouco, através das colunas, foi transmitida uma mensagem muito clara. Foi pedido aos manifestantes que não falem com as autoridades. Esta é uma manifestação que promete continuar. Isto apesar da organização da acampada, como disse, não revelar se vai ou não prolongar este protesto pela noite dentro. É com muita gente que, apesar de não trazer tenda, já se juntou ao protesto e canta agora pelo direito à habitação.
O relato do jornalista Miguel Pina Andrade a descrever o cenário de largas centenas de pessoas que estão a participar nesta acampada no Rossio, em Lisboa, pelo direito à habitação.
E no final da marcha lenta convocada pela CGTP, o líder da central sindical insistiu, Ricardo, nas críticas ao governo, diz que as medidas do executivo só servem às grandes empresas.
E Tiago Oliveira sublinha que é preciso trazer pra rua as manifestações de descontentamento do povo. No final da manifestação da CGTP, o secretário-geral subiu a palco para discursar e depois, aos jornalistas, voltou a apontar o dedo ao governo.
Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer pra rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente pro país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar caminho pra se decidir relativamente ao futuro, porque está mais que provado que a política que tem sido seguida, essa não encontra respaldo, nem resposta pras dificuldades que os trabalhadores vivem.
As palavras de Tiago Oliveira, que liderou a manifestação organizada pela CGTP. O líder da central sindical diz que esta manifestação mostra a verdadeira realidade da vida dos portugueses.
E de Lisboa seguimos para o Porto. Está prevista pra esta hora uma assembleia popular marcada pelo movimento Acampada.
As primeiras tendas começaram a ser montadas ainda antes desta assembleia, mas é aqui que vai ser votada e decidida se os manifestantes vão ou não pernoitar no local, com ou sem tendas. É na Praça Dom João I que está a jornalista Laura Figueiredo. Boa noite, Laura, junta-se agora a nós neste jornal. Já se iniciaram os trabalhos dessa assembleia popular. Os manifestantes já comunicaram alguma decisão?
Boa noite, Ricardo. Ainda não. Estas assembleias, que têm sido diárias, têm, de fato, atrasado todos os dias. Para já, a praça continua a encher, tem chegado cada vez mais gente, bem mais do que ontem. Diria que estão aqui já várias centenas de pessoas para a assembleia popular, que tem início marcado para esta hora, mas que, pelo menos nos outros dias, como dizia, tem atrasado. No entanto, é nesta votação que os manifestantes vão decidir se sempre pernoitam aqui na Praça Dom João I e se o fazem ou não com tendas, mas a intenção é que assim seja. Pelo menos é o que nos têm dito alguns dos porta-vozes deste movimento pela habitação. Nesta altura, há já também pelo menos seis tendas montadas no meio da praça e numa altura em que os manifestantes se juntaram para cantar a música "Ronda d'Alegria", uma música ligada a causas revolucionárias, como todas as que têm entoado aqui nesta praça, que está praticamente cheia neste oitavo dia consecutivo de protestos pela habitação. Nos outros dias, a praça tem começado a encher mais a partir desta hora, mas hoje foi diferente. Os manifestantes começaram a chegar também, como vocês diziam, bem mais cedo, fruto da manifestação da CGTP, que terminou aqui na Praça Dom João I, em frente ao Rivoli, e por isso mesmo, já desde o início da tarde, que a praça acolhe aqueles que vêm protestar contra os preços da habitação. Por enquanto, ouvimos ainda cânticos, mas deve estar para breve o início então da assembleia popular.
Reportagem diretamente do Porto da jornalista Laura Figueiredo, a dar conta que está atrasado o início da assembleia popular, onde a organização deste movimento, Acampada, vai decidir se pernoita ou não na Praça Dom João I.
Viremos agora a nossa atenção pra algumas reações políticas que nos chegaram na manifestação da CGTP. As críticas ao governo foram repetidas pelos líderes dos partidos que se juntaram à manifestação.
Um deles, o líder do PCP, Paulo Raimundo, foi questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, que desvalorizou estes protestos contra a crise da habitação. O líder comunista diz que a ele não o surpreende.
Não fico surpresa nenhuma. O senhor Primeiro-Ministro tem responsabilidades acrescidas pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas que aqui estão. Portanto, o Primeiro-Ministro talvez tenha que refletir melhor cada vez que fala.
Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas durante a marcha lenta até ao Rossio. Antes, falou a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, diz que a mobilização no dia de hoje mostra a revolta dos portugueses.
É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto, não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação que têm vindo a subir há anos, mas nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas se juntarmos a habitação, passam para 27% das pessoas em Portugal. Portanto, este é um valor que deveria alarmar todos os políticos.
As palavras de Isabel Mendes Lopes, do Livre, que defende a adoção de medidas para a habitação que promovam o arrefecimento dos mercados.
E à direita, a Iniciativa Liberal acusa o Partido Socialista de ser um dos principais responsáveis pelos problemas na habitação.
Palavras da líder do partido, Mariana Leitão, diz que o PS não pode descartar o papel que teve neste problema quando era governo e acusa o PS de tentar enfiar casas na gaveta durante a governação socialista.
Que aquilo a que assistimos nos últimos anos de políticas do Partido Socialista foi basicamente enfiarem casas na gaveta. Foi exatamente isto que foi feito em oito anos de políticas socialistas.
Mariana Leitão, durante a visita aos bombeiros de Castelo Branco. A líder da Iniciativa Liberal diz que o PS deve refletir sobre este tema.
Notícias de regresso às 19h30 em formato de síntese e também com edição do Ricardo Lopes. É com ele. A tarde/noite informativa por aqui na Rádio Observador. Um abraço, Ricardo. Até já.
Até já.