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Duas horas. As notícias com Teresa Freire. Boa noite. Os manifestantes pela habitação continuam esta noite acampados em Lisboa e no Porto. Recordar que a esta hora os protestos já são considerados ilegais por passar da meia-noite e meia. Na Praça do Rossio, em Lisboa, tem estado a repórter do Observador, Rita Lourenço. Rita, o ambiente continua calmo e sem polícia à vista.

É isso mesmo, Teresa, o ambiente continua calmo. A polícia que estava presente no local, cerca de dois carros policiais e três motas, já abandonaram o local. O último carro abandonou há cerca de 10, 15 minutos. Portanto, neste momento, pelo menos visível, não há polícia aqui na Praça do Rossio. Estamos com uma das porta-vozes do movimento e daqui da acampada, Feijó. O que se espera para esta noite? O ambiente neste momento está calmo, sei que estão preparados para o que possa acontecer.

Alô, boa noite. Eu não sou porta-voz da assembleia, nem da acampada, queria só esclarecer isso, no sentido em que estou aqui a falar enquanto uma pessoa que está na acampada, uma pessoa que tem participado nas assembleias, uma pessoa que ajuda com a estrutura da assembleia, mas não estou a falar por representar ninguém. Só queria dizer isso primeiro. Em segundo lugar, sim, o ambiente está ótimo. Tem sido um ambiente de festa. A gente teve o concerto bem fechado depois da assembleia popular. Desde então, as pessoas têm estado a celebrar, a falar, a dançar. Muitas pessoas foram dormir já também. Não há sinal da polícia até agora, apesar das ameaças constantes que nos têm feito, mas as pessoas, de qualquer forma, estão preparadas pro que der e vier.

Uma das porta-vozes falou há pouco, por volta da meia-noite e meia, a dizer que a polícia tinha efetivamente falado convosco para retirarem as tendas, mas a vossa resposta é de permanecer e de estarem aqui. A polícia alega que a permanência após a meia-noite e meia é ilegal. Como é que vocês respondem a essas alegações?

Eu não sei exatamente da legalidade da questão. Eu sei que é importante as pessoas continuarem a manifestarem-se pelos meios que acharem necessários em Portugal, principalmente quando a situação é tão crítica. E muitas vezes, e a gente sabe isso também da história da desobediência civil, não é a lei que mandata aquilo que deve ser feito, efetivamente. Neste caso, a nós parece-nos que uma acampada é, se desproporcional, então desproporcional ao contrário, relativamente às condições de habitação com que nós temos de lidar hoje em dia. E, portanto, é uma ação perfeitamente proporcional relativamente à crise que enfrentamos. E temos toda a intenção de permanecer enquanto assim for possível.

Acabamos de ouvir Feijó com as declarações de que estão preparados para permanecer aqui enquanto for possível. E é esse o ambiente aqui na Praça do Rossio. Muitas tendas já fechadas, a maior parte das pessoas que estavam fora das tendas já abandonaram o local. Há centenas de tendas presentes e aqui estamos com o ambiente calmo e que se prevê que assim continue.

A repórter do Observador, Rita Lourenço, em direto da Praça do Rossio, em Lisboa, onde os manifestantes pernoitam já pela terceira noite consecutiva. Na acampada do Porto, está a repórter Laura Figueiredo. Laura, na Praça Dom João I, o ambiente também tem estado calmo e sem forças de segurança por perto.

Precisamente, Teresa, nas noites anteriores, aliás, é por volta desta hora que a polícia tem abandonado aqui a praça, mas hoje, como disseste, nem chegou a vir até aqui. Dar conta só de que na última meia hora, sensivelmente, passaram quatro motas da Unidade de Prevenção e Reação Imediata, simplesmente passaram, e depois também há pouco uma carrinho da Proteção Civil, mas também não ficou. No entanto, nada disso causou sequer uma reação nos manifestantes, que continuam aqui, como dizias, calmamente, a conviver, alguns a jogar cartas, fazem também desenhos. Há até um dos manifestantes que está a ver um jogo de beisebol no computador. E como nas últimas noites, também todos na expectativa sobre o que vai acontecer nas próximas horas. O procedimento da polícia nas últimas noites tem sido aguardar até à meia-noite e meia e depois disso tentar falar com os representantes do movimento, mas parece que hoje as autoridades mudaram de estratégia, depois de nos últimos dias as tentativas de conversa com os manifestantes não terem surtido qualquer efeito. Já esta segunda-feira, a PSP deixou também claro que mais cedo ou mais tarde as tendas vão ter de ser retiradas da praça, tanto em Lisboa como também aqui no Porto. Antes disso, as autoridades garantem que pretendem esgotar ao máximo a via do diálogo com os promotores dos protestos. Avisam que vai haver mesmo uma intervenção policial se as tendas não forem desmontadas. No entanto, Sérgio Soares, porta-voz da PSP, diz que desconhece quando será feita essa intervenção, que assegura também que, a acontecer, será proporcional e adequada. Por enquanto, tudo dá a entender que não será hoje que a PSP vai atuar, mas não há certezas disso e por isso mesmo o ambiente aqui entre os manifestantes mantém-se de alguma expectativa.

A repórter do Observador, Laura Figueiredo, em direto da Praça Dom João I, no Porto, a dar conta de um ambiente calmo, pelo menos por agora. O ministro da Administração Interna garante que a PSP não se vai ceder perante os manifestantes. Luís Neves diz que são essas as instruções da própria lei e lamenta que já tenham havido feridos durante os protestos. O ministro diz que o direito à manifestação é respeitado por todos, mas avisa que as formas de protesto não podem violar a lei.

Nós todos temos que ter bem certo que a lei é pra cumprir A firmeza da ação tem que ser tida e, por isso, é evidente que ninguém fica satisfeito, nem as forças de segurança, de haver pessoas que tenham ficado feridas, que foi o que sucedeu. Mas por isso, esse trabalho está a ser feito. As forças de segurança, conforme ainda ontem assistimos, quer no Porto, quer em Lisboa, falaram com os representantes dos manifestantes, comunicando aquilo que é a necessidade de se fazer cumprir a lei.

Ao final da tarde, o ministro garantiu que a organização de ambos os protestos já foram informadas de que a polícia poderá agir para terminar com a ocupação, de forma definitiva, do espaço público.

Tem havido contemporização relativamente a este tipo de manifestação, mas há de chegar uma altura em que o espaço terá que ser retornado à liberdade de todos. É isso que está aqui absolutamente em causa e, por isso, a Polícia de Segurança Pública tem feito, e bem, e os órgãos de comunicação social têm acompanhado, que tem dialogado com os manifestantes, dando-lhes a entender e a conhecer aquilo que serão os próximos passos.

As palavras de Luís Neves, numa altura em que a PSP reforçou o aviso que pode intervir perante as manifestações, o ministro falava à margem do lançamento do Centro Operacional da Proteção Civil de Penafiel, no distrito do Porto. Mudamos de tema. O secretário-geral do PS admite que o orçamento do Estado para 2027 merecia um voto negativo do partido, mas ressalva que o dever dos socialistas é servir o país. Com a abstenção do PS, o documento vai ser aprovado. José Luís Carneiro insiste que preferiam votar contra, mas que a abstenção é preferível face a uma crise política.

Este orçamento merecia um voto contra, mas o nosso primeiro dever é servir o país. Nós fazemos oposição ao governo, mas não fazemos oposição ao nosso país. Temos o dever de defender o nosso país perante um quadro externo muito difícil e que está a ter impactos brutais nas famílias portuguesas, nas empresas, nas instituições e com um governo insensível e incompetente para responder às necessidades.

José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas em Faro. O líder do PS admite que não tem confiança no que o governo vai apresentar, mas considera que um orçamento chumbado seria sinônimo de caos em Portugal. No desporto, esta terça-feira o Futebol Clube do Porto volta a jogar para a Liga dos Campeões, numa altura em que a equipa ainda não venceu um único jogo na competição. Os Dragões perderam as duas primeiras fases de liga, frente ao Manchester City e ao Betis. Esta terça-feira recebem em casa o PSV Eindhoven. Na antevisão à partida, o treinador dos azuis e brancos, Francisco Farioli, reconhece que a equipa tem uma montanha para escalar frente aos tricampeões holandeses.

O facto de voltarmos a jogar em casa é, sem dúvida, muito importante. Quanto aos dois jogos anteriores, acredito que merecíamos mais. Jogámos muito bem, mas não conseguimos os resultados que queríamos e que, na minha opinião, também merecíamos. Por isso, agora temos a oportunidade de voltar a jogar em casa. Sabemos que temos uma montanha para escalar e amanhã vamos enfrentar uma equipa que é tricampeã da Liga Holandesa. Temos muito respeito por eles, mas também teremos a confiança necessária para jogar este jogo no Dragão.

Francisco Farioli, na antevisão ao jogo frente ao PSV Eindhoven. Já o treinador dos holandeses, Peter Bosz, antecipa um Porto ofensivo, mas mostra-se confiante na capacidade do PSV para aplicar o próprio estilo no Estádio do Dragão. A bola começa a rolar às 20h em ponto. O relato e análise é para ouvir aqui na Rádio Observador. Ponto final neste jornal das 02h. A informação está de regresso às 02h30.