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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Abre a esta hora em Lisboa o primeiro Centro de Atendimento Clínico do país. A presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência levanta dúvidas sobre a eficácia deste serviço e alerta que a falta de recursos se mantém. O Centro de Atendimento Clínico de Sete Rios destina-se aos doentes com pulseiras verdes e azuis, ou seja, doentes não urgentes, mas triados apenas pelo Hospital de Santa Maria ou através da linha SNS 24. O objetivo é aliviar a pressão das urgências hospitalares, medida apresentada pela Ministra da Saúde no âmbito do plano de emergência do governo para o setor. Mas sobram essas dúvidas. A presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência compara os novos centros de atendimento aos serviços de urgência básica. Adelina Pereira insiste que o principal problema se mantém e que é a falta de recursos humanos na área.

Nós tivemos que criar centros novos, que são centros que devem ter X médicos, X enfermeiros, X auxiliares, que é exatamente aquilo que já está escrito e consignado relativamente àquilo que deve ser um serviço de urgência básico e que tem médicos e enfermeiros que também já dispõem, eles próprios, de algumas hipóteses em termos de exames de auxiliar de diagnóstico, desde a clínica seca a um raio-X. E eu acho que aqui há uma redundância. E se o problema que nós temos identificado são os recursos humanos, eu pergunto de onde vêm estes profissionais agora?

Questões deixadas pela presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência, ouvida esta manhã aqui, Adelina Pereira, que questiona a utilidade dos novos centros de atendimento, uma vez que os doentes precisam primeiro de fazer a triagem. Temos agora em direto ao telefone o presidente da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Carlos Martins. Muito bom dia, muito obrigada por estar conosco em direto, precisamente no momento em que o CAC abre as portas. Que impacto espera que esta nova unidade tenha, perante estas dúvidas de poder haver alguma redundância nos serviços?

Antes de mais, bom dia, muito obrigado pela oportunidade. O Centro de Atendimento Clínico é uma resposta inovadora, seja para nós, seja também para o país. É um modelo diferente. Um modelo diferente porque tem um conjunto de profissionais que dão resposta clara, objetiva, no nosso caso, durante 12 horas, a um conjunto de doentes que, em outra circunstância, tinham que esperar horas no nosso serviço de urgência central, que recordo, é um serviço de urgência central de um hospital universitário que responde ao país. 80% dos nossos doentes são fora da área. E, portanto, é uma solução com todas as condições, seja em termos de bem-estar dos cidadãos, seja em termos de trabalho dos profissionais, com três médicos, dois enfermeiros, dois técnicos superiores de diagnóstico, um secretário clínico e um técnico auxiliar de saúde, com meios de diagnóstico, raio-X, eletrocardiograma e análises clínicas, num espaço adequado, num espaço central, em Sete Rios, que vai responder a um conjunto de doentes que, como disse ainda há pouco, em outras circunstâncias, teriam que esperar algumas horas. Nesta primeira fase, os doentes são referenciados pelo nosso serviço de urgência e pelo SNS 24 e, portanto, a nossa expectativa é termos entre 80 a 100 doentes por dia, nesta primeira fase, que irão ser encaminhados para este espaço.

E, portanto, não é um serviço de portas abertas. Um utente não pode dirigir-se diretamente ao CAC sem vir referenciado por esses dois meios, o hospital ou a linha SNS 24.

Nesta primeira fase, e esta primeira fase pode durar só 15 dias, nesta primeira fase de adaptação de todo o sistema de referenciação e também de comunicação com os cidadãos. É por referenciação, numa segunda fase, que esperamos que seja a partir de 15 de agosto, teremos triagem. Por isso é que temos uma equipa de dois enfermeiros e temos um espaço para triagem já preparado para abrir sensivelmente dentro de duas semanas. Mas é preferível fazer de forma segura, de forma eficaz e adaptar-nos. Do que estar a abrir a toda a área de influência, que é grande. E aliás, como sabemos, estando na capital, temos muitos cidadãos que se deslocam de vários pontos da região de Lisboa e Vale do Tejo para Lisboa para trabalhar e que recorrem aos nossos serviços de urgência, não só nossos, como também dos nossos colegas do Hospital de São José. E, portanto, teremos, numa outra fase, a capacidade ajustada para resposta a todos aqueles que se dirijam diretamente.

E o fato do centro não estar aberto à noite não limita essa capacidade de resposta?

Não, repare, tem que haver eficiência na gestão daquilo que é o erário público e, neste caso, do capital humano. E, portanto, a nossa casuística demonstra que à noite não é de todo necessário. De qualquer forma, dizer que, e é importante, todos os cidadãos que estejam na sala de espera às 8 p.m., às 8 p.m., ou que tenham chegado sensivelmente acima das 8 p.m., serão atendidos. Nós temos um prolongamento previsto de duas horas, até às 10 p.m. A partir daí, os doentes são naturalmente referenciados e encaminham-se para o serviço de urgência, que tem capacidade de resposta durante a noite.

E aí serão atendidos. Ora, de acordo com as informações, este centro vai ter uma equipa de nove elementos por turno, de vários profissionais de saúde. Perante a falta de meios humanos, houve dificuldades a formar as equipas?

Não, encontramos a solução que era a solução adequada. Não nos podemos esquecer que estamos em pleno verão, em que os nossos profissionais têm o merecido direito às suas férias. As nossas escalas estavam feitas, programadas há algum tempo e, portanto, temos uma solução que é uma solução mista, ou seja, temos profissionais que eram do serviço de urgência central, ou seja, com experiência de urgência e com capacidade de articulação rápida e têm os meios à disposição de comunicação para articulação rápida com o serviço de urgência central e vice-versa. Criamos também meios de comunicação para o cidadão e para os profissionais com o SNS 24 Portanto, temos todas as condições para os profissionais. Os externos foram frutos de um processo de recrutamento, que passou seja para análise curricular, seja por entrevista da direção clínica e direção da enfermagem, e são profissionais com muita experiência nesse tipo de atendimento, atendimento urgente. Estamos confiantes que com as equipes mistas, ou seja, entre os profissionais que foram contratados para este projeto especial e os nossos profissionais que há anos prestam serviço na urgência central, que vai correr tudo bem.

Carlos Martins, muito obrigada por ter estado em direto conosco, presidente da Unidade Local de Saúde de Santa Maria. Um bom dia também para si, no momento em que começa a funcionar o primeiro centro de atendimento clínico do país. A ideia do governo é que um centro semelhante abra também no Porto e depois, de forma gradual, em outras cidades do país, se bem que não há data de abertura para os próximos centros de atendimento clínico, nem está previsto, até como ouvimos, que funcionem 24 horas por dia. E na política, o ministro das Finanças abre porta a eleições antecipadas. Joaquim Miranda Sarmento alerta que as medidas aprovadas pelos partidos da oposição no Parlamento estão a desvirtuar o programa do governo. Numa entrevista ao Público e à Rádio Renascença, o ministro das Finanças sublinha que, tendo em conta as previsões para a economia portuguesa e as novas medidas, a margem para o governo negociar o próximo orçamento é curta. Por isso, Miranda Sarmento não fecha a porta a qualquer cenário, incluindo novas eleições.

A margem orçamental para negociar é curta. Sem com isto deixar dizer que o governo está recetivo a essa negociação e está recetivo a calibrar as suas próprias medidas, mas desde que, para responder à sua segunda questão, desde que não desvirtue o programa do governo. Se desvirtuar, obviamente que o governo terá que perguntar aos portugueses se aceitam ter um orçamento que primeiro possa pôr em causa o equilíbrio das contas públicas, e segundo, um orçamento que não reflete aquilo que foi o programa eleitoral.

Como é que pergunta isso aos portugueses? É com eleições antecipadas?

Isso é uma decisão que teremos que tomar. Acho que não vale a pena especular sobre cenários que ainda não existem.

Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o ministro das Finanças diz também que não abdica das contas certas e insiste que o país tem de apresentar um superávit orçamental no próximo ano. E no Irã, o líder supremo está a dirigir as orações do funeral do líder político do Hamas. As cerimônias fúnebres estão a decorrer desde esta manhã em Teerão, juntam milhares de pessoas a esta hora, que estão a prestar homenagem a Ismail Haniyeh. O líder supremo do Irã e representantes de grupos palestinianos rezaram sobre o caixão do líder político do Hamas. As cerimônias decorrem na Universidade de Teerão, onde, de acordo com o Hamas, o líder político foi morto no ataque por parte de Israel. Ontem, o líder supremo do Irã tinha já condenado e ordenado uma retaliação direta contra Tel Aviv. A notícia foi avançada pelo jornal New York Times, que cita a Guarda Revolucionária do Irã. E o especialista em Médio Oriente, Paulo Batista Ramos, considera que estas ameaças de retaliação contra Israel podem não se concretizar. O professor da Universidade do Minho recorda outros episódios com potencial para levar a uma escalada do conflito, episódios que acabaram depois não tendo essas consequências.

Essas promessas acabam quase por ser mais promessas divinas do que propriamente promessas terrestres. Quanto à escalada, toda a gente fica com a sensação que a temperatura sobe e que vai ser desta vez, que a febre aumenta, e que vai ser desta vez que vai estalar o conflito. A verdade é que se sucedem os episódios, ainda agora, há uns dias atrás, tinha sido nos Montes Golã. Enfim, sucedem-se os episódios uns a seguir aos outros e a escalada acaba por ficar mais ou menos controlada e continua este conflito de baixa intensidade.

Análise de Paulo Batista Ramos, especialista em Médio Oriente, ouvido na história do dia de hoje. O professor da Universidade do Minho diz ainda que acredita que a morte do líder político do Hamas pode não ter muito impacto nas negociações para a paz na região. E destaque agora para os Jogos Olímpicos de Paris. Esta manhã, Jorge Fonseca estreia-se no judo. Ele, que conquistou o bronze nos Olímpicos de Tóquio, entra em ação esta manhã nos menos 100 quilos. As provas começam daqui a uma hora. Já Filipa Martins chega à final all-around de ginástica artística mais logo à tarde. O enviado especial do Observador a Paris, Bruno Roseiro, destaca que a chegada de Filipa Martins à final de ginástica é um feito histórico, independentemente do que aconteça hoje.

Vai ter o seu dia de glória, tem capacidade para arriscar, tem espaço para arriscar, só tem de ser feliz, porque ela chegou onde nunca ninguém tinha chegado e chegou já numa idade onde se calhar já não pensaríamos que fosse possível, já com 28, muito fustigada com lesões e eu acho que é sobretudo divertir-se e aproveitar este dia.

Declarações de Bruno Roseiro, enviado especial da Rádio Observador a Paris, num dia que pode ser histórico para a comitiva portuguesa. Destaque também para a estreia da nadadora Camila Rebelo e Diogo Ribeiro e Miguel Nascimento, que vão tentar qualificar-se para as meias-finais dos 50 metros livres. Ana Capazinha, que participa pela quinta vez em Jogos Olímpicos, vai entrar nos 20 quilômetros de marcha esta manhã, tal como Vitória Oliveira. Em Marselha, Eduardo Marques vai ser o primeiro velejador português a competir. São 08h13, Carla, antes do Três Toques hoje, com uma convidada especial, a atleta Naide Gomes, que outras notícias marcam esta manhã. Maria Corina Machado apela à mobilização dos venezuelanos. A líder da oposição insiste que é a altura de todos os países lutarem pela verdade. Entretanto, Nicolás Maduro afirma que todos os opositores deviam estar presos e garante que está preparado para mostrar que venceu. Kamala Harris acusa Donald Trump de promover a divisão e o desrespeito. Trump sugere que a candidata democrata se tornou subitamente negra para conquistar os votos dos afro-americanos nas presidenciais de novembro. Declarações que surgiram numa entrevista durante a convenção da Associação Nacional de Jornalistas Negros. Kamala Harris responde, diz que não ficou surpreendida e afirma também que os Estados Unidos merecem melhor. Entra hoje em vigor a isenção de IMT e de imposto selo na compra da primeira habitação para jovens até aos 35 anos. Este vai ser o tema do Explicador desta manhã. Contamos com a ministra da Juventude, Margarida Balseiro Lopes. Muito bom dia, agora são