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8:18. Já temos ao telefone o Miguel Pinheiro. Bom dia, Miguel.

Bom dia.

Suspenso no ar, venham de lá assistir.

Vamos começar pelo bom de hoje. O bom de hoje é Marcos Cruz, o pseudônimo que assina as palavras cruzadas do Expresso há mais de 40 anos. Porque ontem a FENPROF indignou-se com o facto de no sábado haver uma pista nas palavras cruzadas que dizia: "Ensinam quando não fazem greve." E a solução era: professores. Ora, os cinicalistas ficaram incomodados porque, segundo eles, aquela expressão, e vou citar, transmite a ideia de que os professores estão sempre em greve, ficando as sobras para ensinar. Eu não sei se vocês sabem quando é que foi a última vez que as palavras cruzadas do Expresso tiveram esta importância política.

Não faço ideia.

É para isso que eu cá estou.

Eu sei que sim, grande Miguel.

Wikipedia Pinheiro. Foi no princípio de 1974, ainda durante o Estado Novo, quando a ditadura exigiu que as soluções das palavras cruzadas do jornal fossem enviadas à censura antes de serem publicadas, porque, imaginem lá, eram usadas para fazer piadas políticas.

Não me digas que eram feitas por Marcelo Rebelo de Sousa.

Não, na altura eram feitas por Mercedes Balsemão. Eu não sei hoje em dia quem é que está por trás do pseudónimo.

Do Marcos Cruz.

E também não sei se 45 anos depois a FENPROF quer passar a fazer o exame prévio das palavras cruzadas do Expresso. Se calhar era uma ideia.

Não dês ideias, Miguel.

Pois, enfim, mais uma ocupação para Mário Nogueira.

Apece-te dizer, só fazem o exame prévio se não estiverem em greve.

Pronto. Exato.

O mau de hoje. Vamos a isto. É Assunção Cristas, que ontem foi discursar à Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, depois também deu uma entrevista à TVI, mas aquilo que me chamou a atenção foi o discurso da tarde, onde a líder do CDS pediu aos empresários que se envolvam mais na oposição ao governo, sugerindo que isso não tem acontecido por eles terem medo do PS. E temos aqui uma verdadeira liberal, eu diria mesmo, deixando-me tomar pelo espírito de Mariana Mortágua, que é sempre um perigo. Uma ultraliberal. Assunção Cristas acredita tanto, mas tanto no setor privado, que até quer privatizar a oposição ao governo. Eu acho que tendo em conta os últimos resultados do CDS nas sondagens, que são piores que péssimos, e tendo em conta que na mesma sessão Assunção Cristas nem sequer se comprometeu com o fim das 35 horas na função pública, talvez não fosse mesmo má ideia privatizar o CDS. Acho que podíamos ficar a ganhar.

E vamos ao vilão de hoje, Miguel.

O vilão de hoje é o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, já falámos sobre isso. Formalizaram ontem um pré-aviso de greve para 12 de agosto. É mais uma forma de pressão na negociação que está a ser feita com os patrões e com o governo. E os motoristas têm, em tese, muitas formas de fazer greve. Há muitas maneiras, mas todos sabemos o que é que está na cabeça deles. Está a paralisação total do país. Ora, sabendo disso, e respeitando, obviamente, o direito à greve, o governo tem agora quatro semanas para evitar que se repita o que aconteceu na última paralisação. Não há nenhuma justificação para que o país fique novamente parado.

Vamos então ao resumo. Marcos Cruz no papel de bom, o lugar de mau hoje é ocupado por Assunção Cristas e o vilão desta terça-feira é o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas. Miguel Pinheiro, obrigada e até já aqui no Observador.

Até já.

Quanto a si, não se esqueça de marcar presença amanhã à hora do costume para conhecermos juntos o bom, o mau e o vilão de quarta-feira. 8:22. Já a seguir fazemos um balanço desportivo deste início de semana com o Pedro Sousa. Vamos à bola mais à frente, antes a música de Frank Ocean, chama-se "Swim Good". Bom dia, boa semana com a sua rádio.

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