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É hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Começa agora a nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje?
O Presidente da República. Não é muitas vezes, por isso é sempre de assinalar e de nos felicitarmos com isto. Marcelo Rebelo de Sousa comentou ontem as trapalhadas na direção executiva do SNS e disse duas coisas interessantes. A primeira foi reconhecer que esta nova instituição tem corrido mal até aqui. Isto é interessante porque apesar de ter razão, realmente tem corrido mal, a verdade é que na altura em que foi anunciada a criação da figura do CEO do SNS, muita gente, boa gente, disse que ela não fazia sentido, mas na altura Marcelo, como sempre, decidiu fazer o favor de dizer "sim, senhor" a António Costa e por isso a coisa avançou. A segunda observação interessante que o Presidente da República fez foi a de que a escolha de Álvaro Almeida, o novo CEO do SNS, é uma nomeação defensiva porque o governo optou pela confiança partidária. E tem também aqui toda a razão. Aliás, a justificação da ministra da Saúde para esta opção é absurda. Ana Paula Martins disse que o perfil de Álvaro Almeida é muito importante porque, vou citar: "É um perfil mais de gestão e isso é necessário para transformar a direção executiva do SNS." Eu ouvi isto e fiquei baralhado, porque ontem o diretor executivo do SNS era um médico e não precisava de transformar nada. Hoje, passadas poucas horas, afinal já é necessário ter um perfil não de médico, mas de gestor, e já é urgente transformar completamente o lugar. Não percebi. Afinal, o que a ministra quer para isto? Não entendo. E realmente como eu não entendo e como muita gente não entende, mas acima de tudo porque eu não entendo, porque eu sou a pessoa mais importante nesta matéria, mais vale acabar com o cargo.
Claro, senão ainda acabam a entregá-lo a um vice-almirante qualquer.
Ora sábias palavras, Paulo. Sábias palavras.
Miguel, o teu mau tem um problema laboral.
Diz que sim. O mau é o Bloco de Esquerda, que não conseguiu explicar decentemente o caso da demissão de funcionárias do partido quando estavam ainda a amamentar. Uma das trabalhadoras em causa decidiu falar publicamente depois de ter saído uma notícia na revista Sábado e acusou o Bloco de ter feito com ela um falso contrato de trabalho a termo, dizendo que na altura pretendia até ter recorrido ao tribunal do trabalho e não recorreu porque aceitou fazer este tal, segundo ela, falso contrato de trabalho. Tudo aconteceu em alturas em que o Bloco perdeu lugares no Parlamento Português e no Parlamento Europeu, perdendo também as subvenções. Segundo esta trabalhadora, várias pessoas saíram sem o respeito que mereciam. E ontem ainda acrescentou este desabafo: "Das feministas do Bloco não ouvi uma palavra de solidariedade." De facto, não ouviu. Aliás, ontem uma conhecida apoiante do Bloco, que é advogada, publicou uma série de tweets em que citava a lei do trabalho para defender a posição do partido e chegou a escrever isto: "Há uma coisa que um apedrejamento ao Bloco agora faz: é enfraquecer ainda mais a esquerda." E nisto, esta advogada, que é uma conhecida apoiante do Bloco e que tem um nome que começa em Carmo e acaba em Afonso, nisso tem razão, porque este caso, tal como vários outros, enfraquecem profundamente o Bloco. O partido sempre tratou estes temas como sendo problemas morais, quando falava dos outros. Falou disto como sendo problemas morais mais do que legais e agora quer esconder-se atrás do código do trabalho.
É o capitalismo selvagem.
Diz que sim, capitalismo de casino.
Exato.
Miguel, o mau tem um problema laboral, o teu vilão tem um problema criminal.
É, eu estava a hesitar qual ia pro mau, qual ia pro vilão, mas pensei: "Bolas, apesar de tudo, buscas sempre é pior, não é?" E então pus no vilão o Chega.
E este é mais divertido.
É muito divertido. Aliás, ontem foi um dia muito divertido. O outro não é nada divertido. Mas para quem não aprecia populistas, sejam eles de esquerda, sejam de direita, é sempre bom ver o que é que quando acontecem coisas destas para aprendermos algumas lições. Além do Bloco, o Chega também foi apanhado em falso. Um deputado do partido foi constituído arguido e alvo de buscas num processo em que é suspeito de roubar malas em aeroportos. Aqui o que se passa é o seguinte: Miguel Arruda é deputado pelos Açores, por isso anda sempre entre os aeroportos de Ponta Delgada e de Lisboa e decidiu juntar o útil ao agradável e pelos vistos terá sido apanhado pelas câmaras a sair repetidamente com malas que não eram dele.
Quem nunca trocou uma mala no aeroporto?
Parece um truque de magia. Entra no aeroporto com uma mala, sai com duas. Como é que foi isto? Como é que conseguiu fazer este truque? E isto tem alguns detalhes irônicos. Um é que Miguel Arruda é membro suplente da Comissão de Transparência da Assembleia. Ainda bem que pelo menos é só suplente, ao menos isso. Outro detalhe irônico, ele gosta de fazer intervenções contra os criminosos pedindo justiça pesada. André Ventura foi rápido a distanciar-se do deputado arguido, mas acontece ao Chega o mesmo que ao Bloco. Um partido que tem o discurso do Chega e depois apresenta ao país deputados como este, fica muito, mas mesmo muito enfraquecido.
Sem palavras.
Não é?
Acho que nada me ocorre que possa ser dito a esta hora da manhã numa rádio, portanto, é melhor ficar caladinho.
Vamos ao resumo. O bom desta quarta-feira é o Presidente da República, o mau Bloco de Esquerda e o vilão de hoje é o Chega. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs de 360, um episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.