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Está na hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Começa agora a nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Miguel, o teu bom de hoje tem a ver com o apagão.
Pois, isso já foi há algum tempo, o apagão, mas agora os reguladores das áreas da aviação, das telecomunicações e dos transportes, portanto a ANAC, a ANACOM e o IMT apresentaram relatórios ao Ministério das Infraestruturas com recomendações de melhoria, precisamente na sequência do apagão. São identificados muitos problemas e são feitas muitas sugestões que vão desde o aumento da autonomia energética nalgumas áreas até à realização de simulacros para toda a gente saber o que tem de fazer em situações como esta. E isso não é feito hoje em dia. Estes relatórios foram realizados muito rapidamente e agora convém que sejam aplicados muito rapidamente também. O governo diz que vai olhar para eles com atenção e espero que se despache, porque nós até podemos ser apanhados desprevenidos, mas convém mudar as coisas quando isso acontece e, portanto, está aqui um plano para mudar e para estarmos mais bem preparados. Por isso, vamos lá aplicar isto.
Ao menos que mudemos quando as coisas acontecem.
Sim.
É ao ditado: "Depois de casa arrombada, trancas a porta."
Sim, mas podemos ter aquela coisa de: "Bem, se já aconteceu uma vez, a probabilidade é que não volte a acontecer." Não, não é essa a probabilidade, infelizmente.
Estes planos, o problema é que depois ficam esquecidos. Ficam lá arrumados durante muito tempo até voltar o problema e quando volta o problema já ninguém se lembra.
O que é preciso é que não se abra uma gaveta para meter isto lá dentro. É isso mesmo.
Miguel, o teu mau é a Gouveia e Melo. O que é que aconteceu?
Olha, o candidato a presidente passou ontem o 10 de Junho na tradicional cerimónia organizada por antigos combatentes em Lisboa. O objetivo, obviamente, era fazer campanha eleitoral e marcar um contraponto com Marcelo Rebelo de Sousa. Está certo, mas a cerimónia correu mal. Ouviram-se gritos de traição e insultos racistas por se realizar um ato inter-religioso com o imã de Lisboa e também houve críticas a Gouveia e Melo por estar numa cerimónia à parte neste dia. E no final, Gouveia e Melo tentou falar o menos possível sobre a questão dos gritos e dos insultos e incomodou-se quando um jornalista lhe perguntou se a presença ali podia ser interpretada como sendo uma tentativa de utilizar o 10 de Junho para fazer campanha. E o candidato respondeu isto: "É a sua interpretação." Isto para o jornalista. Ora, como candidato e como possível futuro presidente da República, Gouveia e Melo tem de aprender a lidar com os problemas e tem de aprender a lidar com as perguntas difíceis. Quando alguém interrompe uma cerimónia com insultos racistas, ele tem de falar de forma clara e quando um jornalista lhe faz uma pergunta, ele não se pode comportar como se estivesse perante um adversário político. Não está perante um adversário político, está perante um jornalista que lhe faz uma pergunta. É assim a vida numa sociedade democrática.
Agora é que começam as dificuldades. Até agora era fácil para Gouveia e Melo. Era manter o silêncio e o vento soprava a favor dele. Agora tem de se sujeitar.
Vamos ver se ele se adapta a esta nova vida.
Então e quem é o teu vilão?
Olha, são os políticos tuga. No discurso de tomada de posse do novo governo, Luís Montenegro anunciou, todos nos lembramos disso, que Portugal pretendia cumprir já este ano a exigência da NATO de gastar 2% do PIB em defesa. Algumas pessoas fizeram as contas, disseram que isso implicaria mais 1000 milhões de euros de despesa já este ano, no tempo que falta para este ano acabar. E perante esses números, os jornalistas, outra vez eles, perguntaram ao primeiro-ministro se isto implicaria um orçamento retificativo. Luís Montenegro garantiu que nem pensar. Mais, ele jurou que não colocaria em causa as despesas com os serviços sociais, nem colocaria em causa o equilíbrio das contas públicas. E as pessoas ouviram isto e devem ter pensado: será magia? Será que há aqui qualquer coisa mágica que o primeiro-ministro vai fazer? Ora, não, não é magia, é só o desenrascanço dos políticos tuga. O nosso outro político tuga, Marcelo Rebelo de Sousa, deu mais pistas a seguir sobre a forma como as coisas vão ser feitas. Segundo o Presidente da República, atenção, Portugal tem sido prejudicado pela forma como faz as contas dos gastos em defesa e por isso basta fazer as contas de outra maneira. Se a contabilidade for feita de outra maneira, de uma maneira diferente, nós já vamos conseguir atingir os gastos de 2% do PIB. O Presidente da República e também o primeiro-ministro não explicaram que contabilidade criativa seria esta, mas enfim, a verdade é que os políticos tuga têm sempre um esquema na manga.
Eu acho que essa qualidade do desenrascanço desses truques não foi suficientemente elogiada nos discursos do 10 de Junho. Aí está uma falha a corrigir já no próximo ano. Já sei, Marcelo.
É a nossa grande característica. No final do ano, nós vamos estar a gastar 2% do PIB em defesa só fazendo as contas de maneira diferente. Nós somos os maiores. É isso, os melhores do mundo.
Vamos ao resumo. O bom desta quarta-feira são os reguladores das áreas da aviação, telecomunicações e transportes. O mau é Gouveia e Melo e o vilão são os políticos tuga. São as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que fica disponível em podcast.