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Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Vamos ao bom desta sexta-feira?

Vamos. Deixa-me só antes tranquilizar te a ti e as pessoas. Dizer que hoje, ao contrário do que aconteceu durante toda a semana, o Ferro Rodrigues não é nenhum dos visados nesta rubrica.

Não faz parte.

Não é o bom, não é o mau, nem é o vilão, portanto, podem estar tranquilos.

Muito bem, então vamos lá.

O bom de hoje são todos os envolvidos na comemoração do 25 de Abril, menos Ferro Rodrigues. Eu disse que ele não era um dos nomeados.

Sim.

Eu disse que ele não aparecia em lado nenhum, por amor de Deus.

Não disseste que não ias mencionar.

Estás a vincar bem que ele nem aqui está nomeado.

Não está nomeado. O Ferro Rodrigues não é o bom de hoje. E o PCP também não. Está em boa companhia, porque aparentemente ontem houve uma distribuição generosa de bom senso pela esmagadora maioria dos líderes políticos. Lá está, esmagadora maioria, porque não inclui Ferro Rodrigues, não sei se já disse isso, nem o PCP, e anunciaram uma redução substancial do número de pessoas que estarão presentes na assembleia no sábado. O governo anunciou que em vez de sete ministros vai ter quatro, o PS vai ter apenas 19 deputados, o PSD vai ter apenas 13 e mesmo o Bloco de Esquerda vai ter apenas quatro. Os únicos irredutíveis que sobram, não sei se já disse isto, são Ferro Rodrigues e o PCP.

Não tinhas dito.

Não tinha dito, é só para quem há de esquecer, mas enfim, isto já não é nada que nos deva espantar.

Vamos ao mau.

O mau de hoje é a pressa para sair de casa. Já temos falado disto nestes noticiários. Nós hoje no Observador temos as últimas informações sobre a mobilidade dos portugueses e os dados da consultora SPE mostram que anteontem tivemos um dos valores mais baixos de confinamento, 57%. Olhando para os domingos, o último domingo teve uma porcentagem de 66% de pessoas em casa, quando os anteriores tinham tido 70% e 79%. Os responsáveis políticos têm chamado a atenção para a necessidade de manter a disciplina durante todo o mês de abril. Obviamente, já falam daquilo que esperamos que venha em maio, e é suposto falarem disso, mas têm tido o cuidado de alertar para isto, mas, pelos vistos, a mensagem não está a passar.

Que estranho, não é? Porque eles dizem uma coisa e depois vão se meter todos no Parlamento. Ou são indicações disso.

Queres tu falar do Ferro Rodrigues aqui?

Não.

Pronto. Fique registado que esse não era o meu plano. O Paulo é que está a trazer Ferro Rodrigues pra aqui. De qualquer forma, parece-me que não há ninguém que queira dar más notícias aos portugueses e que queira, apesar de tudo, fazer um discurso mais dramático. E também não sabemos se isto vai ter implicações ou não. Vamos ter que esperar pra ver se isto nos vai trazer uma má surpresa.

Miguel, e quem é o vilão?

O vilão de hoje é a diretora geral de saúde, que ontem deu o seu apoio público à decisão de Ferro Rodrigues. Eu tenho que dizer que é a decisão, por amor de Deus, também agora. Isto é o quê? Estão a perseguir? Bom, deu o seu apoio público à decisão de Ferro Rodrigues.

É uma vítima de perseguição, de facto.

Sou. De não aconselhar o uso de máscara durante as comemorações do 25 de Abril no Parlamento. E a dada altura, todas as chamadas autoridades vão ter que se sentar a uma mesma mesa e vão ter que decidir o que é que querem. Porque nós num dia temos o primeiro-ministro a dizer que o regresso à normalidade em maio vai implicar um uso massivo de máscaras em muitos sítios, em todo lado. No dia seguinte, temos o líder do principal partido da oposição a concordar. No dia seguinte, temos o presidente da República a revelar que já usa máscara quando vai, por exemplo, ao supermercado. No dia seguinte, temos ministros a aparecerem de máscara ou de viseira a fazer declarações aos jornalistas. E no dia depois de tudo isso, temos Graça Freitas a dizer que antes de decidir usar ou não usar máscara, nós podemos sempre avaliar os metros quadrados da sala onde estamos, pegar numa fita métrica pra medir o distanciamento social e depois disso, depois de fazer uma série de cálculos matemáticos e de olhar para perceber se o ar está arejado ou não, depois sim, podemos decidir, já depois de termos tossido e respirado pra cima de quem está ao nosso lado, podemos decidir se devemos ou não usar máscara.

E assim chegamos ao fim de mais um Bom, o Mau e o Vilão, sempre com Miguel Pinheiro. Vamos então ao resumo da edição de hoje. O bom são todos os envolvidos na comemoração do 25 de Abril. O mau, a pressa para sair de casa e o vilão, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.