Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A Titi, por exemplo, também é uma people pleaser. Olha o que ela está a fazer agora contigo.
Eu concordei sempre tudo com o que ela disse.
Claro, é a superposição do que a Titi está aqui a fazer. Eu acabo de dizer que sim, pode ser complicado ser uma pessoa da rádio, honrar isso para a vida.
É que vocês acham que nós somos os sketches do ruído, não é?
É, sim.
E agora nós estamos super conscientes disso, as locutoras de rádio. Sempre que saímos do ar e pousamos os fones. Finalmente!
Mas o sketch do ruído não vem do nada, vem da realidade.
Claro, como é óbvio.
Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.
Para fazeres o nosso jingle.
Pequenas reivindicações de liberdade.
Pronto, acho que pode dizer.
E nunca mais poder contar novamente.
Agora está aqui.
Pequenas reivindicações.
Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.
De liberdade. Pessoas incríveis.
Olá, mais um episódio de Pequenas Reivindicações de Liberdade, um podcast observador. E diz novamente, é tão importante ser um podcast observador, que podes dizer outra vez.
Um podcast observador.
E hoje com Catarina Moreira.
Muito obrigada pelo convite.
Muito bem-vinda.
Estou feliz e nervosa ao mesmo tempo, porque vocês são indomáveis.
O que é que quer dizer Moreira?
O que quer dizer? Não faço ideia.
Eu também não.
Só sei que é o apelido da minha família paterna.
Mas não há uma árvore chamada moreira?
Eu acho que foi um shortcut de, eu não sei porque disse esta expressão em inglês, de Amoreira.
Por acaso já fizeram um sticker comigo com as Amoreiras. Tem um A, a minha cara em frente às torres das Amoreiras e um S.
As Amoreiras, o sítio. Eu achei que era a árvore amoreiras.
Não, mas pode ser. Se fosse a árvore, acho que era amoreira e alguém simplesmente deixou o A.
Pois é, ninguém sabe o significado de Moreira. Deixamos aqui para os nossos ouvintes talvez irem fazer uma pesquisa e enviarem um direto no Instagram à Catarina a dizer: "Catarina, Moreira quer dizer...?"
Sim, quando sair o reels, por favor, também me podem comentar o reels todo com significados.
Agora vamos pedir um hype para a Catarina. Mandem mensagens, comentem o reels, ponham likes.
Por acaso podia ter ido ao ChatGPT ver isso. Ele deve ter imensas definições.
Pois é, mas não vamos fazer isso agora.
Não. Deixamos para depois.
Catarina, nós a partir de agora temos um cronômetro a contar e quando ele apitar, o nosso episódio acabou. Além disso, a avó Glória era quem dava as boas-vindas a todos os rapazes giros da temporada anterior e agora continua a dar as boas-vindas, embora não esteja aqui, mas aqui vai.
Querida Catarina, que bom receber a sua voz tão especial no nosso podcast. Com tanta boa disposição, é difícil a Nana e a Titi parecerem alegres. Estou curiosa para perceber quem será a mais descarada das três. É este o desafio que vos lanço hoje. Força aí, miúdas.
Tão fofa, a avó Glória.
O final é...
Estás com força ou o quê, Catarina?
Por acaso eu hoje estou mal, porque eu dormi mal.
Pois.
Porque eu não consigo dormir com o calor, mas isto vai acontecer e vai correr bem.
Está muito calor, nós estamos as três com as pernas de fora.
Pois é, que não dá. E eu moro no último andar.
Também eu.
Muito difícil.
Último andar e vértice do prédio. Então bate de lado, bate de cima.
Bate de todos os lados. Eu sinto que o sol ali bateu e vai bater para sempre.
Só a mim é que ninguém me bate de todos os lados.
Podemos falar sobre isso.
Queres? A ti e a ti.
A mim se me batem, às vezes.
Quer dizer, bater no sentido bom.
Não é...
Uma batidinha. Não é uma agressão.
Sim, eu também estava a dizer assim, a mim batem-me a rir, como se eu fosse feliz por levar uma coça de alguém.
A mim às vezes sim.
E às vezes espancam-me em casa.
Ok, então andas com sorte.
Estou bem.
Ok.
Sim.
Boa. Como é que se faz para se estar bem?
O vosso olhar de: "Nunca pensei, Catarina."
Ninguém diria. Apareces com uma cara que não parece nada.
Isso tem muita graça.
É porque estás de branco.
Pois é, eu vim assim que é para emanar paz para este episódio.
Catarina, por que é que és incrível?
Isso é tão difícil. Eu acho que é porque, imagina, porque eu digo que adoro músicas e artistas e convidados e não gosto. Não gosto assim tanto. Eu acho que isso é incrível, conseguir mentir tanto e tão bem.
Quando tu não gostas muito, não arranjas uma alternativa para não teres de mentir. Em vez de dizeres: "E agora a nova grande música."
Às vezes já não vais a tempo. Imagina, normalmente, quando é consciente, arranjo, claro.
Pois.
Mas às vezes já não consegues.
Tu podes dizer só: "E esta nova música da Dua Lipa que estás prestes a ouvir." E não tens de elogiar.
Sim, eu sei. Mas quando, por exemplo, recebes um convidado, tu entras nisso, ou seja, fazes perguntas sobre a obra, sobre o álbum, sobre o single, sobre o vídeo, mas às vezes já estás ali no meio.
"Parabéns, este álbum é incrível."
O convidado já elogiou o trabalho ou elogiou o trabalho de quem trabalhou com ele e eu de repente tenho que dar ali alguma coisa e já estás. Não é pensava.
Porque também acontece às vezes, se calhar, estares a simpatizar mesmo com o convidado. Nem gostavas muito dele, nem da música, nem nada, mas de repente, grande pessoa.
Tem de ser. Faz parte. Eu acho que isso é incrível.
És incrível porque és mentirosa.
És uma boa mentirosa.
Sim.
Muito bem. Nós vamos dizer-te porque tu és incrível. És incrível porque és uma mulher confiante, que enfrenta os desafios e que tenta quebrar preconceitos no meio em que trabalha.
És incrível porque te orgulhas do sítio de onde vens, Guimarães, mostrando que as tuas raízes te tornam única no teu trabalho.
És incrível porque dizes o que pensas sem medo e expressas as tuas ideias exatamente como as sentes.
És incrível porque és muito focada, tentando sempre alcançar todos os teus objetivos.
E por fim, és incrível porque transmites uma alegria contagiante que anima quem se cruza contigo e quem te ouve diariamente, querendo sempre garantir que quem está perto de ti se sente igualmente bem.
Muito obrigada. Eu acho que não sou isto tudo, mas ainda bem que parece. Estou a mentir bem.
Acabamos de descobrir que há uma que é mentira, porque nós dizemos que expressas as tuas ideias exatamente como as sentes.
Isso é completamente mentira.
Não é completamente.
Afinal, estás só a tipo: "És o maior, peruca".
Já são muitos anos.
É engraçado dizeres isso. Eu falei com amigas tuas que disseram assim: "Nós podemos sempre contar com a verdade da Catarina". E tu chegas aqui e és incrível porque mentes.
Porque eu acho que estou a descobrir essa parte da mentira há pouco tempo. Eu não era assim, eu não era mentirosa. Eu tenho a má fama, para mim, de ser vista pelos meus amigos como a pessoa que vai dizer sempre a verdade, e isto claro que vale o que vale, o que é isso a verdade, sobre as situações. Os meus amigos quando me ligam, porque já falaram se calhar com várias pessoas ou se calhar não falaram com ninguém, e ligam-me logo a dizer: "Olha, preciso da tua opinião, porque eu sei que tu me vais dizer..."
Vais ser frontal.
E depois não sou uma pessoa que escolhe muito bem as palavras, diria, nem a forma como digo, é muito cru, é muito direto, é muito fria.
És uma bruta montes.
Sou uma bruta montes. Estou melhor, a idade também faz estas coisas melhorarem. Sempre fui assim e acho que tem benefícios no sentido em que há muita gente que pensa como tu, mas não tem coragem de dizer. E está tudo bem, eu não digo se não for solicitado. No meio de um grupo, não me lembro de
Não és aquela que começa a expressar a sua opinião. É assim, eu não me consigo controlar, vou-te já dizer.
Imagina, numa reunião de trabalho, eu nunca vou falar. Numa reunião de equipe, eu não falo. Eu tenho a minha opinião, mas está para mim. Eu falo se me ligarem e quiserem ouvir o que eu tenho para dizer. Ou se entrarem numa conversa diretamente comigo. E nem adoro quando fazem isso. Nem é terem opinião sobre tudo, é terem necessidade de dizer a sua opinião sobre tudo. Eu não tenho.
Tu não queres ser o centro das atenções. Até queres.
Para trabalharmos nesta área queremos todos um bocado. Senão não tínhamos esta necessidade de exposição.
Estás a incluir-nos.
Vocês está bem, vocês têm um podcast e isto tem três câmaras aqui.
Sim, é verdade, eu quero ser o centro das atenções. Agora ia mentir como a Catarina e era estúpido.
Eu não quero, eu não faço isto por atenção.
Eu acho que fazemos por alguma atenção.
Eu faço porque é tão importante às vezes o que eu tenho para dizer, que eu acho que as pessoas devem ter acesso para isso. É mais por elas que eu faço do que por mim.
És muito altruísta, portanto.
Sim.
Nós também estamos muito habituados àquela ideia de ser o centro das atenções é ser aquela pessoa meio palhaça do grupo.
Não, eu não sou palhaça. É uma coisa incontrolável, na maior parte das vezes. Eu torno-me o centro das atenções e não é uma coisa propriamente pensada. E comecei a gostar disso. Ou seja, como calhava tantas vezes estar nessa posição e eu não percebia bem por quê, começas a abraçar essa coisa que te acontece.
Claro, e aceitar que se nós estamos a fazer um espetáculo para receber aplausos, isso vem de algum lado ou não?
Tens um vazio dentro de ti.
Eu não sinto, mas eu acho que, por que eu tenho esta profissão e não tenho uma normal?
Porque és necessitada.
Pois é isso. É aceitar, não é?
Sim.
E está tudo bem.
Está. Se tu dizes que fazes um espetáculo para receber aplausos.
Não estou a dizer eu, qualquer pessoa que trabalha na rádio.
Não, estamos a falar de ti. Este podcast é sobre ti, não estamos a falar de qualquer pessoa.
Acho que sim.
Pronto, nós vamos passar ao nosso próximo segmento, perguntas flash, em que tens de responder o mais rápida e honestamente possível.
Ok.
Catarina, tu achas que já tens idade para fazeres discursos motivacionais e de autoajuda?
Já.
Em que a presença na Cristina Talks pode ter contribuído positivamente para a tua carreira? O silêncio diz muito.
Eu não tinha pensado sobre isso. A cena que eu mais queria era efetivamente conhecer aquela figura, pessoalmente. Não acho que isso tenha trazido benefícios para a minha carreira, porque também não fui lá com esse objetivo.
Completa: a Tailândia é...?
Linda.
Há um vídeo teu, do Unas e do Hélder Tavares a dançar "Eu e Você", suado, no sexo bolado. Tu tiveste a escolha de não partilhar no teu perfil, mas achaste que o melhor era aceitar a colaboração. Por quê?
Porque acho que é giro não nos levarmos a sério.
Ser mulher nos tempos modernos é dizer palavrões?
Acho que sempre foi.
Gostas de tomatada?
Não.
O que é o melhor de viver em Lisboa?
A independência.
Se um dia mudares de profissão, serás piloto de automóveis?
Não, eu não sei conduzir.
Se fosses um animal, eras um ocapi?
Não.
Quantas das vezes em que ris na rádio é que tens mesmo vontade de rir?
Eu diria que quantas vezes?
Por percentagem.
80%.
Será que o teu olhar podia funcionar melhor do que a tua voz num mundo só de crianças?
Não.
Fazes sexo barulhento ou não fazes sexo?
Barulhento.
Com quantas pessoas é que já te envolveste sexualmente?
Isso sei lá, nunca contei.
Mudar da Cidade para a RFM é uma traição enorme ou é só o que tem de ser feito?
É o que tem de ser feito.
Tens medo que o Hélder Tavares te abrace e nunca mais pare?
Tenho.
O que é que funciona melhor na Cidade FM do que na RFM?
Na Cidade FM do que na RFM? A união da equipa.
Tosta mista com ou sem manteiga?
Sem manteiga.
Se o Steve Jobs estivesse vivo, estaria feliz com o estado das coisas?
Não.
Eu acho que tu tens mais cara de Leonor do que de Catarina. Podes dizer se estou errada?
Estás.
Qual a melhor resposta para quem te diz: "Tens de te acalmar"?
Silêncio.
Conseguiste.
Consegui, mas eu fui um bocado lenta.
Só a Cristina Talks é que foi difícil.
Para a Cristina Talks foi muito difícil. Isso é muito grave.
Catarina, sobre o "Tá Bonito". Qual é que é o principal desafio de mudar de uma rádio jovem para uma rádio adulta e manter um programa com uma pessoa que já existia? Como é que isso se transforma ou o que é que se mantém nesta mudança?
Só agora é que eu estou a perceber, porque estou há pouco tempo. Mas primeiro, é muito difícil, porque aquele programa resultava porque estava naquele sítio, porque estava naquele horário. Não é que agora não resulte, não é isso. Mas não deixa de ser muito interessante perceber que nós passámos de uma rádio com menos publicidade, mais pequena, menos público e que tinha um tempo de conversa mais longo, precisamente porque tinha uma pressão menor e estava-se a experimentar tudo, sempre. Acaba por ser uma rádio escola. E agora estamos numa rádio que tem muitas obrigações, muitas questões comerciais. E nós fazemos um percurso a falar imenso e a mostrar muito aquilo que nós somos e hoje em dia, se calhar, fazemos 10% daquilo que nós fazíamos.
A diferença é muito grande.
Muito grande. O nosso programa tem três horas. Lá tinha quatro, mas não é por aí. A diferença é que nós agora, se falarmos, vou tirar um número à toa, umas cinco, seis vezes por hora, umas quatro, cinco são textos comerciais. E portanto, aquilo que fez com que esta dupla resultasse, aquela autenticidade, aquele não saberes o que é que ia acontecer, a estupidez, a risota, a parvoíce, o nada, aqui é muito difícil ter espaço, porque não dá. Para mim, na fase em que estou a viver, é incrível, porque tu sobes, mas fazes menos. Eu estou a fazer muito menos.
Agora está tudo guionado, já alguém escreveu.
Já está tudo escrito, eu não tenho que fazer grande coisa. Agora, claro que é triste do ponto de vista de vendermos uma coisa às pessoas e hoje em dia não conseguimos entregar o que prometemos. É difícil, mas faz parte de crescer. É o que é.
Estás triste?
Não, estou muito feliz com a minha decisão, fazia tudo igual.
Não voltavas para a Cidade.
Nunca na vida. Acho que foi mesmo a melhor decisão que tomei. Agora é só viver com as consequências dessa decisão, que eu acho que ia acontecer, se fosse na televisão. É como num podcast. Nós por acaso a "Mesa Redonda" foi um podcast que começou sempre com patrocínio de uma marca e é uma marca muito tranquila, tinha os seus limites, mas é uma marca muito tranquila trabalhar. Mas se começássemos um podcast sem marca e ele de repente passasse a ter, há coisas que se calhar iam ser barradas, faz parte desse crescimento. Eu é que não sabia porque não conhecia. Eu comecei sempre por um registo muito orgânico, foi o podcast do Unas, que não tinha qualquer limite. É vale tudo. A própria promoção das marcas, nós quando alguma marca queria patrocinar o "Maluco Beleza", o que o Unas dizia sempre às marcas é: "Eu vou dar sempre uma opinião honesta sobre aquele produto e se for mau, eu vou dizer que é mau."
O Unas é mesmo um guru para ti?
O Unas é um bocado, só agora é que eu percebo com o tempo. Não necessariamente aquilo que eu aprendi com ele em direto, mas as conversas que tivemos em off, que na altura eu era uma miúda e não percebia, e ele falava-me de coisas da indústria, da forma como as pessoas lidam conosco, como os canais lidam, os diretores lidam, como nos usam. E aquilo para mim era tudo uma conversa que eu não percebia bem o que é que ele queria dizer. E agora algumas coisas começam a bater certo. E é muito interessante perceber até mesmo o encanto, que eu acho que para mim é o que eu estou a passar neste momento, que é o facto de receber chamadas e já pouca coisa te entusiasmar. E eu ficava chocada, que ele recebia, às vezes eu estava com ele no carro, recebia propostas e convites e chamadas com merdas que eu ficava tipo: "Uou, isto é incrível". E ele estava só tipo, nada o entusiasmava bem. E eu agora estou a sentir um bocado isso.
Ui, qualquer dia estás nas piscinas de gel.
Já começaste a ver. Comecei muito cedo, não é? Mas atenção, eu não acho que seja mau, porque eu acho que profissionalmente algumas coisas já não me entusiasmarem, dá-me uma paz de perceber que a minha felicidade não depende só do trabalho. E eu acho que quando a felicidade depende só do trabalho em pessoas nesta indústria, a coisa vai correr mal.
Catarina, qual é o teu tema?
O meu tema não é meu. Eu vou roubar um tema da nossa convidada. A Bárbara Bandeira mandou-nos vários temas e eu fiquei com este na cabeça porque gostei, que é: silenciar pessoas é um ato de amor-próprio ou não?
Silenciar pessoas em contexto nas redes.
Nas redes sociais.
E com silenciar é a pessoa já não te poder enviar mensagens ou é os stories não veres?
Podemos falar de silenciar ou bloquear?
Uhum. Depende.
Depende muito do contexto, Catarina.
Vocês silenciam pessoas? Têm pessoas silenciadas?
Eu acho que tenho aí uma.
Eu tenho contas falsas bloqueadas, porque irrita. Porque penso: queres vir ver? Vem.
Mostra a cara.
Vem a ser quem és. Não me venhas aqui com um nomezinho qualquer. Mas agora já não bloqueio, mas quando era mais nova tinha muitas contas bloqueadas. Portanto, aí é orgulho. Não é nem uma hipótese, nem outra das que deste. É orgulho, é ego. Não quero.
Mas isso são contas falsas. Estou a dizer pessoas reais.
Tenho uma pessoa silenciada neste momento.
O que é que esta pessoa te fez pra ser só uma?
É um stalker. É um louco.
Mas está silenciado ou bloqueado?
É um homem louco. Como é que é a diferença? Ele não sabe?
Não, tu só fizeste, sabes aquela nova hipótese que é, imagina, tu segues-me e eu posso fazer com que tu deixes de me seguir sem te bloquear.
Ah, pois, é eliminar.
É eliminar. Tu só já não és agora meu seguidor.
Tu depois abres o perfil da pessoa e tens que pedir pra seguir.
Exatamente.
Não, silenciar é tu deixares de ver conteúdos dessas pessoas. Alguém que tu até segues, imagina, curtes a pessoa, não curtes assim tanto o conteúdo.
Mas eu não percebo esse conceito de silenciar, porque então deixa de seguir. Se tu não queres ver nada do que a pessoa põe.
Pois, era aqui que eu queria chegar. Muito obrigada. Era aqui.
Porque isso faz com que a pessoa que é silenciada não sabe que está silenciada.
Não.
A pessoa não sabe. Quer dizer, às tantas, a partir de uma determinada altura, se tiver poucos seguidores, fica a pensar: "Aquela pessoa nunca vê nada meu".
It's fake.
Mas eu acho que aí é deixar de seguir. Não vejo nenhum motivo, é o quê? A pessoa vai ficar magoada por ter deixado de seguir.
Vai.
Mas tu já não querias saber nada dela.
As pessoas ficam magoadas.
Tu não querias saber dela.
Pois é, mas isso eu acho que é as pessoas preferem viver sempre na mentira. É fazer de conta, é atirar o lixo pra debaixo do tapete. Silenciar, pra mim, é tirar o lixo pra debaixo do tapete.
É assim, a pessoa fica ali chateada. Toda a gente já teve pessoas que deixaram de seguir as nossas contas e ficas tipo: "Ok, deixaste".
Mas vocês ficam chateadas?
Não, tens só aquela de: "Ok, deixaste".
Sim, é isso.
Mas porque também nunca me aconteceu uma pessoa de quem eu gosto deixar de me seguir.
Sim, deixaste, também não.
Pessoas que te seguem há 10 anos e um dia deixam de te seguir, mas fico meio lixada e vou deixar de seguir também. Tipo, não me segues, também deves achar que eu queria muito ver as tuas coisas. Também só estava aqui por conveniência.
Percebo. E deixam também de seguir ou não?
Eu deixo. Porque nunca me aconteceu uma pessoa de quem eu gosto mesmo deixar de me seguir e eu ficar: "Ei, mas eu quero ver o que é que esta pessoa põe."
Percebo.
A ti já te aconteceu?
Não, eu acho que não. Mas isto é uma conversa que eu tenho com amigas sobre o silenciar e o bloquear, porque eu não bloqueio ninguém, só se forem malucos, ou contas falsas. Não bloqueio ninguém, não percebo bem. E o silenciar, o que me acontece é, sempre que eu tenho um convidado, na rádio ou no podcast, a pessoa segue, eu sigo de volta.
Pois, eu também, é isso que nos acontece.
Pronto. E eu trabalhei, imagina, nos quatro anos e meio, eu recebi, como devem imaginar, todo tipo de convidados. E na rádio também. E sigo por simpatia, mas depois eu não quero ver aqueles stories e silencioso só por causa disso.
Pronto, tens uma boa justificação.
Mas eu acho que podes não seguir. Não sigas, tu não tens que seguir essas pessoas.
Não estás a ser má. A pessoa eventualmente vai perceber.
Tu convidaste essa pessoa porque era o teu trabalho. A pessoa nem sabe, tu se calhar foste obrigada.
Mas aqueles mulheres também são o meu trabalho.
Mas se calhar tu foste obrigada a convidar uma pessoa de quem nem gostas muito, como dizias no início do episódio, por que tu agora tens de acompanhar a vida da pessoa?
É verdade.
E assim, se as redes sociais são só trabalho, também não tens que estar a ver stories.
É verdade.
Portanto, se vês, não é só trabalho. Admites isso pra ti própria, está tudo bem. E, portanto, não tens que seguir todas as pessoas.
Tu tens medo de quê se não seguires a pessoa?
Que ela ache que tu és uma estúpida.
Eu, por acaso, tenho medo que achem que eu sou imatura.
Imatura?
Sim, porque imagina, estás a dar importância a uma coisa que não interessa nada. Estás a perceber?
Por isso é que não tens que seguir. É assim, isto não interessa nada.
E eu nem percebi bem o mote inicial de o que isso tem a ver com amor próprio.
Por exemplo...
Se uma pessoa te faz mal ver as coisas da pessoa, faz-te mal, bloqueias.
É que às vezes há essa questão, nem é só nas redes, mas eu tenho pessoas à minha volta que são assim, que é porque querem ser, não é moralmente superiores, mas é tipo, vivem com essa coisa de eu tenho que ser adulto, eu tenho que saber enfrentar e colocam-se em situações em que claramente estão desconfortáveis. É tipo, aceita só, queres eliminar esta pessoa ou esta situação? Pra que estás aqui? E eu acho que nisso eu tento ser mais honesta comigo. Mas nas redes acho interessante os moves das pessoas.
Bloqueias números de telefone, contactos?
Nunca.
Nunca?
Nunca.
Era só se tivesses mesmo uma pessoa doida atrás de ti.
Sim, mas aí é tipo, vou à polícia.
Já foste alguma vez?
Nunca. Não, pelo amor de Deus, não, nunca. Nem quero. Mas vocês acham que se mentirmos, por exemplo, quem trabalha na rádio, que eu sinto que vocês têm um bocado uma opinião sobre isso, que é se nós mentirmos muito, passamos a ser aquela pessoa?
Sim, se mentires muito.
Já alguma vez dizem em qualquer cena que eu rio-me à toa, só é da rádio. Porque eu às vezes quando me cruzo com pessoas da televisão é tipo: "És mesmo da televisão."
É, e da rádio também.
E da rádio, pois.
A rádio é um mundo.
É preciso ter cuidado, Catarina.
Porque tu podes vir aqui e não ter a mesma atitude. Nós podemos dizer uma piada que tu não achas graça e tu não tens que dar "Ai, ela..." Tu não precisas de fazer isso. Agora, se tu já não consegues distinguir e às tantas não estás no teu trabalho e continuas com esses tiques, como se estivesses a adorar o mundo inteiro.
Estou só a analisar coisas que eu acho que podem acontecer.
Claro que podem.
Eu acho que não estou aí, mas acho que estou a caminhar.
Tu não sentes que tens de adorar o mundo inteiro e agradar às pessoas e as pessoas acharem que tu gostas delas. Estás a dizer que tens de seguir toda a gente volteando-se para ti?
Não, eu não sinto que tenha que agradar a toda a gente. O que eu sinto de seguir é que as pessoas estão a tirar do seu tempo, que é precioso, para irem ter uma conversa comigo, aceitaram ir ali, muitas vezes escolhem especificamente aquela rádio ou aquele painel. E eu acho que é uma questão de educação.
Mas tu não és Jesus Cristo.
Pois não.
Sim. E eu acho que, voltando à questão anterior, há pessoas da rádio que ficam na vida, pessoas da rádio que podem ser um bocado irritantes. Porque estão sempre num registo que tu não estás bem a falar comigo, como as pessoas da televisão. Estás a falar comigo como se estivesses a falar com os telespectadores ou qualquer coisa. É estranho. Mas eu acho que há coisas que podem ficar e está tudo bem. Ou seja, essa coisa de há uma simpatia qualquer, em conversas de circunstância, conhecer pessoas, que eu acho que funciona bem para as pessoas da rádio, porque sabem fazer alguma coisa que as outras pessoas não sabem.
A Titi, por exemplo, também é uma people pleaser. Olha o que ela está a fazer agora contigo.
Eu concordei 100% com o que ela disse.
Claro, é a superposição do que a Titi está aqui a fazer. Eu acabo de dizer que sim, pode ser complicado ser uma pessoa da rádio, levar isso para a vida.
Vocês acham que nós somos o sketch do "Ruído", não é?
É, sim.
E agora nós estamos super conscientes disso, os locutores de rádio. Sempre que saímos do ar e pousamos os fones. Finalmente!
Mas o sketch do "Ruído" não vem do nada, vem da realidade.
Claro, como é óbvio.
Mas não é só na rádio.
Não, não é só na rádio. Eu fiz pouco stand up. Eu não fiz nada, eu fui lá de vez em quando brincar. E também achava hilariante quando me sentava na mesa dos comediantes, porque parece que todos têm que mandar piadas.
Estás-te aqui a vingar. Estás: "Os comediantes não fazem piadinhas só para mim, eu vou agora dizer".
Não, por acaso fazem. Muito, que eu saiba. Não sei. Se calhar por causa do ruído.
Era o ruído, não eras tu.
É impossível eu trabalhar três anos com o Hélder e sair do ar e estar a conversar bué com ele durante três horas. Não existe isso. Porque não existe isso com a minha melhor amiga, eu estou deitada com a Lucifaza e faço a call.
Eu acho que o problema é que nós percebemos que é mentira. O problema da rádio é esse. Nós percebemos que vocês não estão a achar, vocês não és tu. Às vezes, as pessoas não estão a achar graça, nem têm interesse. Porque se eu acreditasse, está tudo bem. Se eu achasse: "Olha, que felicidade é estar ali". Mas às vezes é desproporcional o riso, porque é um riso tão grande para uma coisa que foi deste tamanho.
Acham que o público está a ouvir e acham que se nós nos rirmos, eles também vão achar, que é o riso deles que faz a piada correr bem. E, portanto, que o público que está a ouvir também se vai rir e às vezes é só constrangedor para quem está no carro.
Mas há quem diga que o riso contagia.
É, porque o público também gosta. O público também escreve assim para a RFM: "É uma alegria ouvir-vos todas as manhãs ou todas as tardes, vocês animam-me o dia."
É que o riso contagia. Não dizem aquela coisa do riso, que se tu acordares e tiveres não sei quantos segundos a rir-te.
Não sei isso.
Não sabes?
Não.
Acordas, olhas para o espelho, é uma tática do riso. Não sei o que é. Ficas ali a rir, o cérebro habitua-se, sais a rir-te para a rua e estás todo maluco. Imagina, eu não sei, mas há quem diga que de facto aquilo contagia.
Há terapias do riso.
É isso. Deve ser uma das razões.
Eu acho que, esqueci-me do que ia dizer.
Também há uma questão. Às vezes há a pessoa da rádio que é só a que ri. Sempre. São três.
Não tem nada com o que se chatear.
São três. E há um que ri.
Tem de haver.
Sempre, o dia todo.
Tem de haver, faz parte. Não vamos dizer nomes. Cada um tem o seu papel.
Sim.
E para mim são todos válidos.
Eu já sei o que eu ia dizer.
Claro, qualquer dia ainda te calha a ti.
O quê? A rir?
Ser a risa.
Porque eu acho que se o público alivia um bocado essa coisa do riso. Essa é a falha quando a rádio está nas redes sociais, é que de repente nós vemos aquilo a acontecer. Primeiro percebemos que não é uma coisa assim tão natural. Que há um guião e isso torna um constrangimento. Para quem está a ver no carro não tens essa noção. Estás a ver, de repente, um estúdio de rádio, um sketch no Instagram e estás tipo: "Ok, primeiro, pode ser tudo mentira". E depois, quando vês as caras e essa desproporcionalidade daquilo que aconteceu e do riso enorme que há. Quando vês isso, é diferente de quando ouves.
Claro.
Eu acho.
É o confronto com os papéis. Mas para mim, quando eu fui assistir a alguns painéis de rádio, por curiosidade, também fiquei surpreendida com algumas coisas que eu achava que eram genuínas e não, estão escritas, mas eu também acho isso...
Isso também é uma virtude.
Para mim é um talento. Eu não consigo ler, quando leio, toda a gente percebe que eu estou a ler
A sério? E não estás a pensar trabalhar nisso? O meu antigo diretor da Cidade pedia-me para eu ler antes de entrar no ar e depois dizer aquilo que me lembrava. Eu há coisas que eu vou te ser muito sincera. Ler não, nunca ler. Porque senão está perfeitamente a ler. Mas eu há coisas que claro que se melhora. Eu acho que com a experiência, ao fazeres muitas vezes, com a repetição, acabas sempre por melhorar. Mas eu não sou atriz, portanto eu não tenho que ler e fazer de conta. Acabou. E agora o que acontece? Agora temos um segmento final. Ok. Que é muito triste, por isso é que eu pus esta voz. Que é o clickbait consentido. Ok. Posso só fazer uma pergunta, que nós no outro dia falámos disso. Como é que se fala de coisas tristes na rádio? Boa pergunta. Nós achamos que é sério. Havendo esta animação e que longa vida à rádio, animação é essencial e de facto as pessoas ficam mais felizes, mas às vezes há uma notícia triste que tem de ser dada. Alguém da rádio morreu. Mas não vão passar o dia a fazer uma emissão tristes todos para o país ficar triste. Estão felizes e de repente dizem: "Mas hoje partiu o nosso amigo." Mas isso na televisão acontece, não é? Naqueles programas da manhã, quem vai à cozinha, dá dinheiro. Mas eles aí são supere emocionais, eles aí estão sempre a chorar. Aí é diferente da rádio. Eles até puxam ao sentimento. Eu acho que depende muito. Por exemplo, quando estava na Cidade, isso nem sequer se fazia. As notícias tristes não são dadas por nós. Se existir alguma notícia triste, vem o jornalista e vai dar a notícia. Aquelas de, por exemplo, o falecimento de um artista, um músico e que faz sentido passar a música, na Cidade não faz sentido. Não é essa a linguagem. É o que é. Se o locutor eventualmente quiser, pode fazê-lo, mas não é para isso, não é esse o sítio. Aqui na RFM a coisa é um bocado diferente. Por norma, as notícias tristes são dadas pelo jornalista também, que vai lá de hora em hora. E depois de repente eles estão: "Pronto, vamos continuar e já ficou tudo bem." Não, porque aquilo é um bloco separado. Nós não falamos a seguir, nem antes. Mas é estranho, porque às vezes ouve-se uma notícia triste e depois os locutores estão, os animadores estão: "E pronto, muito obrigada." E estão a agradecer à jornalista com uma alegria outra vez. Na RFM isso não existe. Porque é mesmo separado, vocês não comunicam. Já vi acontecer. Um tsunami mata 30 pessoas, 50 estão desaparecidas. "Muito obrigada, Joana, é sempre tão bom ouvir-te. Seguimos agora." Na Cidade ainda há isso, ainda há interação com o jornalista. Eu não adoro. Não adoro, porque, por exemplo, no caso da Cidade, aquilo era um magazine, aquilo nem sequer era um momento de informação assim puro e duro, mas há coisas que tinham obviamente que ser faladas, mas eles até tentavam, quando não havia assim nada de muito importante para falar, irem buscar ali insólitos, coisas assim que façam mais sentido para aquele público em específico. E aí a interação com os locutores fica bem. Porque às tantas até o locutor já deu essa notícia antes. E ficam ali a conversar um bocado sobre isso, até acrescenta à notícia. O problema é que se essa interação se tornar rotina, pode acontecer numa situação de uma notícia má, e aconteceu quando eu lá estava, isso aconteceu mais do que uma vez. Ficamos desligados da realidade, porque com o único objetivo de serem felizes e de fazer as pessoas felizes, parece que ficam... Isso aconteceu-nos agora, fizemos a emissão quando estávamos no apagão. Há muita gente que está no carro e que sofre muito com as notícias, mais até do que a notícia em si, do que o peso da notícia, porque não sabem, é um desconhecimento, há o medo, há pessoas com, sei lá, tu falas de doenças, pessoas são hipocondríacas. Para mim faz imenso sentido teres alguém que no meio do caos te faz respirar um bocado. Muito bem, foi muito bem justificado, Catarina. Olha, tu és a senhora da rádio e nunca deixes de ser. Ok, combinado. Passamos agora ao nosso momento final chamado clickbait consentido. Queremos aqui em conjunto contigo escolher um título para o teu episódio, que dê vontade às pessoas de carregar muito, mas tu vais concordar e portanto ficas feliz com o título escolhido. Ok. Por isso agora há uma zona de brainstorming, a pensar o que as pessoas querem ouvir a Catarina Moreira dizer. Para vocês. Temos de pensar sobre isso. O que vocês acham? A pensar no que tu disseste sobre não quereres seguir as pessoas e seguires. Fizeste uma cara. Ya, tipo, sigo pessoas que não gosto. Não é mau. Mas parece que queremos saber quem são as pessoas. E se for? Tenho medo. Não é grave, é só: "Eu sigo-a e não gosto dela." Olha. Sabes, porque parece que estamos a falar de alguém e é só a pessoa. E ninguém vai saber quem é? Não. Não. Eu gosto. Catarina Moreira, dois pontos, abre aspas: "Eu sigo-a e não gosto dela." Está combinado. Estás confortável com este título? Estou confortável. Pronto. Está fechado, então. Obrigada, Catarina. Obrigada eu pelo convite. Não tenho mais nenhum elogio para te fazer. Muito obrigada à Bruá por este estúdio maravilhoso que nos entregam, que deixam nas nossas mãos. E obrigada ainda ao Observador. Vocês podem escutar, sabem o quê? Todos os podcasts que o Observador tem. Oh my God. Está no YouTube, está no Spotify, está no Apple Podcast, está no site, está na aplicação. A sério, a facilidade é tanta que eu não sei como é que vocês ainda não ouviram todos. Vá, saiam daqui, vão ouvir. Isto foi tão rádio. Foi muito bom. Catarina, muito obrigada e volta sempre. Muito obrigada. Um grande beijo. Beijinho.
Vou tomar a liberdade de fazer a minha reivindicação.
Para fazeres o nosso jingle. Pequenas reivindicações de liberdade. Pronto, acho que pode ser este. E muito bom que também cantaram muito bem. Agora está aqui.
Pequenas reivindicações.
Bem-vindos ao Pequenas Reivindicações de Liberdade.
De liberdade.
Pessoas incríveis.