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Sejam muito bem-vindos a mais um Popup, o programa de cultura pop da Rádio Observador. Esta semana não temos o Bruno Vieira Amaral entre nós, porque ele tinha mais que fazer, mas temos a Susana Romana. Olá, Susana, obrigado por estares conosco mais uma vez.

Olá. Bom dia. É sempre um prazer ser o teu José Figueiras e ter o teu auxílio.

Eu tentei lembrar-me duma analogia futebolística, um daqueles jogadores que está sempre no banco e depois aparece, e quando aparece, resolve essas coisas.

Faz a diferença.

Mas não conseguia. Portanto, se alguém se lembrar de um nome, vamos a isso.

Solskjaer.

Cá está. Pedro, parece a voz de Deus.

É o atual treinador do Manchester United.

Cá está. Não falta nada nesse programa.

Chama Morgan Freeman.

Sim, Morgan Freeman. Esta semana vamos falar de gente que já não sabe o que fazer ao dinheiro e por isso vai ao espaço. Mas antes vamos fazer as contas às nomeações para os Emmys na Boa Dica. Foram anunciadas na passada quarta-feira as nomeações para os Emmys, que serão entregues no dia 19 de setembro. Os prêmios distinguem a melhor televisão americana e, por consequência, distinguem também boa parte da televisão que se vê em todo o mundo, Portugal incluído. Imaginem, não sei se já tinham pensado nisto. Na frente das nomeações vai a série "The Crown", já é habitual, é quase tão tradicional como a Rainha de Inglaterra. Lidera com 24 nomeações. Maria Ramos Silva, vamos começar por ti. Para já, porque estamos a falar de rainhas.

Ora bem.

Isto foi bonito. E porque a pergunta é simples: esta coisa dos números, da série que tem mais nomeações, até que ponto é que isto tem algum significado? Quer dizer, "The Crown" é mesmo a melhor série do ano passado, ou há muito que estes números são só aritmética?

O "The Crown" é muito difícil imaginar-se concorrência. Tem um bocadinho aquele efeito eucalipto.

Exato. A questão não é se é a melhor ou não, não é bem por aí.

Pois, mesmo que nós sintamos, e eu penso que muitos de nós sentiram isso, que a temporada mais recente está longe de ser uma das melhores, mas nós vemos à mesma e continuamos a achar que é uma boa série, porque de facto é uma belíssima produção e acaba por não ser beliscada. E eu acho que se põe aqui um bocadinho em jogo aquele fator "Schitt's Creek", que ganhou em 2020 no campeonato da comédia, e é preciso sair de cena este ano para ser aberto espaço para outros títulos. E eu acho que provavelmente enquanto "The Crown" estiver em jogo, e promete estar em jogo porque vamos ter mais temporadas, vai ser muito difícil ombrear com um formato como o "The Crown". Ainda por cima, porque eu acho que aquela categoria acaba por mostrar ali uma série de sensibilidades. Porque depois tens o "Bridgerton", que é uma coisa totalmente distinta, que foi muito popular, mas quanto a mim não chega ali ao patamar de "The Crown". Tens o "The Boys", que depois é um registro totalmente diferente, dá para o cómics. Quer dizer, cabe ali um bocadinho de tudo naquele drama.

Estamos a falar de categoria de drama e há essa questão.

E há essas subtilezas todas. E depois, talvez o mais interessante, que eu acho que acaba por ser o principal chamariz nestas nomeações dos Emmys, é de facto a corrida dos novos serviços de streaming. Alguns que há três anos ainda não existiam. De repente tens a HBO e a Max, que juntas parece que batem a Netflix. Mas, entretanto, depois também ali aquela questão polêmica, enquanto entidades singulares, a Netflix continua a ter um ascendente sobre cada uma delas, portanto, pode girar aqui um bocadinho a conta. A Disney+ ali a ganhar terreno, também é interessante ver como é que vai ser o comportamento nos próximos tempos. E depois a Apple. Há uma outra, qual é a outra que falta?

Temos a Hulu, que não temos em Portugal, mas também está na corrida.

Portanto, há ali uma série de players.

Peacock.

A Peacock, sim, da NBC.

E de facto acaba por ser o mais interessante, talvez, de acompanhar. Não é tanto cada um dos títulos, mas no fundo, o que é que estes grandes agregadores, estas grandes plataformas nos trazem e como é que se comportam depois num embate destes. Portanto, vamos ver.

Pedro Abel Chirimenos, os americanos chamam de séries limitadas. Nós que costumamos chamar minisséries. São cada vez mais importantes, vês isso refletido nos prêmios, não vês? Eu vi comentários que pediam pela divisão de categoria. Minissérie de comédia, minissérie de drama, tal como as séries que não são mini. O que te parece?

Primeiro de tudo, parece-me extraordinário a importância que se dá aos Emmy. E mesmo em Portugal, nós vemos reportagens sobre os Emmy nos telejornais, que é uma coisa estranhíssima. Como é que prêmios da indústria americana, e isto são prêmios da indústria, são notícia de um telejornal português? Acho uma coisa um bocado estranha. E provavelmente ficaríamos aqui a tarde inteira a falar. Não quero com isso dizer, obviamente, que não sejam importantes na medida em que indicam ou são um indicador do que os espectadores preferem e do que os agentes da indústria julgam que os espectadores preferem. Parece que há três critérios a cada jurado: criatividade, conteúdo e execução, o que explica, provavelmente, digo eu, porque é que muitas das séries Marvel e Star Wars são nomeadas, porque de facto têm execuções extraordinárias e devem ter uma nota tão alta que faz com que entrem para a lista de nomeações. Sobre as minisséries, a explicação é relativamente simples: é a única forma de estas plataformas que estão a competir nos Estados Unidos Como loucas. Acredita-se sempre nas indústrias. Lembro que essas plataformas são geridas por gestores, não são propriamente melômanos ou amantes de televisão.

Exato, não são geridas por artistas.

Exato. São pessoas, de fato, aborrecidas, que têm barcos e têm escândalos sexuais. E têm escândalos sexuais, exatamente. Acredita-se sempre que, nesta lógica capitalista, umas empresas vão sobreviver e outras vão morrer. E as minisséries desculpem, são uma forma de termos conosco: eu sou uma plataforma e temos conosco a Nicole Kidman, ou temos conosco o Hugh Grant, ou temos conosco a Kate Winslet. O Leonardo DiCaprio. E isso, se pensarmos um pouquinho, permite também, quando eu faço anúncios ou quando são feitas reportagens ou artigos sobre a minha plataforma, apareça sempre a cara do DiCaprio, ou da Nicole Kidman. E nós tivemos o exemplo óbvio que é o "Mare of Easttown", em que a HBO contratou a atriz do Titanic e queria que ela fizesse uma coisa mais sexy, ou seja, onde aparecesse mais bonita ou mais arranjada, supostamente mais decotada, não sei como é que são essas coisas. E ela insistiu em fazer um argumento, porque depois estas empresas, e em Portugal também, suponho que na Suécia e na Turquia, mas seja a mesma coisa em todo o mundo. Estas empresas depois têm duas gavetas, têm uma gaveta com atores e uma gaveta com projetos e tentam adequar os dois. E tivemos o "Mare of Easttown", que é nomeada e continua a ser uma das grandes favoritas a ganhar muitos prêmios nos Emmys. Porque, de fato, é uma espécie de combinação perfeita entre o número de episódios ideal, grandes atores e um argumento suficientemente bom para ser interessante e suficientemente bom para se ver meio distraído. Porque, de fato, a vida é mesmo assim, as minisséries permitem ser veículos das estrelas, tem que haver mais sofisticação no argumento e mais sofisticação narrativa. Às vezes até pode haver nudez, porque estas plataformas permitem que haja um pouquinho mais de risco e ousadia, mas, no fim do dia, as séries têm que ser vistas para poderem ser partilhadas e comentadas nos jantares entre amigos, etcetera, que é o verdadeiro juízo que é feito sobre estes conteúdos.

Susana Romana, vamos a isto. Não houve no ano passado "Succession", nova temporada, não houve nova temporada de "Mrs. Maisel", mas houve Covid. E, portanto, a minha questão é: suponho que tenhas ficado triste e se te parece que se tivéssemos tido novos episódios de "Succession" e "Mrs. Maisel", se as contas teriam sido diferentes ou estamos aqui a sonhar muito alto?

Talvez tivessem sido um pouquinho diferentes. Eu acho que o "Succession" tem um ponto em comum, por exemplo, com o "The Crown", que são séries muito nomeáveis. E quando eu digo muito nomeáveis, é no sentido que tem muita coisa passível de ser nomeada. É fácil um "The Crown", fácil, relativamente, chegar às 24 nomeações, quando há muitos atores, muito valor de produção, muitos figurinos, muitos adereços, há muitas categorias passíveis de serem premiáveis. E o "Succession", e puseste-me a falar de uma série da qual eu tenho grandes dificuldades em dizer o nome, para começar, é uma série com um cast incrível, por isso não tenho dúvidas que seria, como acontece sempre que estreia uma série que estaria muito presente nas categorias de nomeados, que teria quatro, cinco nomeados, por vezes, na mesma categoria a terem que se digladiar entre eles. E é também uma série com cuidados, com um valor de produção enorme e com cuidado extremo com muita coisa. Tem uma ótima banda sonora, tem ótimos valores de produção, tem um ótimo guião, tem uma ótima realização, por isso é uma série que é, aos olhos dos Emmy, sejam eles um olhar mais tradicional, um olhar mais moderno, é uma série muito fácil de nomear. É uma série em que os seus méritos são muito óbvios. O "Marvelous Mrs. Maisel", que é uma série da qual eu gosto muito, mas que eu espero que saiba sair com elegância e não se arrastar por não sei quantas temporadas.

Na altura certa.

Exatamente. Por ser uma série passível de ganhar muitos prêmios, já ganhou, foi, se calhar, vou dizer nos pratos, mas eu penso que foi a primeira série da Amazon a causar algum impacto em termos destes prêmios. E é uma série que, sendo comédia, lá está, não são episodinhos de 30 minutos, é uma série também com alguma duração, com bons atores, com algum valor de produção, e isso é sempre mais fácil de nomear, é sempre um caminho mais óbvio. Por isso eu acho que sim, que teriam de alguma maneira dividido as nomeações, mas acho que não se safavam, mesmo assim, de ser, pelo menos neste número inicial de quantas nomeações é que têm, acho que não se safavam muito de ser cilindradas pelo "The Crown".

Muito bem. Já que estás com a bola nos pés. "Ted Lasso", da Apple TV+, na comédia, parece-me óbvio. Aliás, escreveste no Observador sobre a série.

Sim.

E estavam lá os argumentos todos já. "The Boys", da Amazon, nomeada para a categoria de drama. Como é que vês este encaixe?

Eu, por curiosidade, eu sou uma grande fã do "The Boys", eu gosto que em duas temporadas irão estrear a terceira e, eventualmente, um spin-off, como acontece com tantas séries baseadas no mundo dos cómics e dos super-heróis. Eu, por curiosidade, fui ver. Para mim, o "The Boys" é uma comédia. É uma comédia híbrida, tal como agora tanto se fala de misturar os gêneros. Eu acho que, sobretudo, desde que o Louis C.K. fez o "Louis", que todos os comediantes querem fazer uma comédia, mas que também é drama, e que também é melancólica, e que também é introspectiva. Por isso, o que é um gênero? Está uma grande mistela de coisas misturadas. Para mim, o "The Boys", se tivesse que categorizar da maneira que tem que ser categorizado para um prêmio, eu teria colocado em comédia. E fui por curiosidade ver o Internet Movie Database, como é que está categorizado, e lá também está como drama, está ação, crime e drama. As séries ou os filmes também, quando estamos a falar, por exemplo, dos Globos e dos Oscars Surgem como nomeados porque foram propostos pelas suas produtoras e pelas suas distribuidoras para determinadas categorias. Ou seja, a própria produção do "The Boys" é que decidiu que "The Boys" devia entrar numa categoria de drama. A justificação que eu encontro para isto é tentar credibilizar a série, tentar com que a série não entre no mesmo pacote que as séries de super-heróis da Marvel que estão a estrear na Disney+. É um pouco tentar diferenciá-la. Também porque o "The Boys" é uma série focada em uma organização que é a Vought International, que tem os The Seven, que são os sete maiores super-heróis do mundo e que os vende como um símbolo da integridade e dos valores cristãos. E depois, na verdade, o que se passa é que os The Seven são sete super-heróis muito estragados da cabeça.

São os bandidos.

Sim, são super vilões, na verdade. Há muita droga, é uma série extremamente violenta, tem muito sexo, mas é também uma série que fala muito sobre corrupção, fala sobre a ascensão da extrema-direita. Ou seja, eu acho que provavelmente o que houve por parte da Amazon, foi uma tentativa de credibilizar esta série de super-heróis. Dizer: "Atenção, isto é uma série de super-heróis, mas isto não é tonto, isto permite ter aqui um suminho." E eu acho que provavelmente foi essa a tentativa que eles fizeram. Eu gosto de conteúdos de super-heróis, por isso, regra geral, não vou com preconceito, mas posso dizer que vi a série partilhando o sofá com uma pessoa que não vê nunca coisas de super-heróis e que gostou muito do "The Boys" e que o viu porque eu lhe chateei a cabeça. Ou seja, eu consigo perceber que eles queiram chegar a essas pessoas que nunca na vida querem ver um Avengers, mas que, se calhar, o "The Boys", pelas temáticas que tem, pelo tom que tem, será algo que lhes vai interessar. E por isso a nomearam como drama. Por um lado, percebo, por outro lado, acho que vai haver muita gente que só descobriu a série agora, provavelmente vai um pouco ao engano.

Muito bem. Arrumamos os Emmys e antes do final da primeira parte, seguimos com as sugestões da semana com o Post-it. Pedro Buchinho Mendes, uma lenda a falar de outra lenda. Trazes Rui Reinino. Que belo sorriso.

Eu também gosto muito do "The Boys", só pra acabar. E uma das formas de aumentar as probabilidades da série ganhar é, de facto, encaixá-la na secção de comédia, digamos assim. Só para dizer que falando de Portugal e dos Globos de Ouro, não é feito através de nomeações, portanto não recebemos propostas. No fundo, temos que apelar à nossa memória e, obviamente, à investigação e research, o que significa que, se calhar, uma rubrica de uma rádio da Covilhã, por assim dizer, que não nos chegará ao ouvido ou ao conhecimento, pode nunca haver sido nomeada e, apesar disso, merecer ganhar o Globo. Sim, "20 Mil Éguas Submarinas" é o segundo disco a solo do Rui Reinino. Eu acho o Rui Reinino uma personalidade fantástica, gosto imenso dele, acho que é um dos nossos grandes poetas. É um disco que está disponível no Spotify. Não sei se há versão física, sinceramente, mas eu acho que todos os pretextos são bons para se falar e elogiar o Rui Reinino. E aqui está o "20 Mil Éguas Submarinas", segundo álbum do Rui Reinino.

Maria Ramos Silva, tu tens andado mais numa de crime.

Tenho, já sei que não convenceu o Pedro.

Não é fácil convencê-lo.

Não é fácil convencê-lo, eu compreendo. Eu estive a ver aqui uma história em três partes de um homicídio por resolver até hoje, chama-se Sophie, crime em Cork. Isto aconteceu em 96, vai fazer 25 anos, dois dias do Natal, aquilo continua, transformou-se numa obsessão nacional, quer na Irlanda, onde isto acontece, em Cork, quer em França, que era a terra natal desta figura enigmática, a Sophie. E eu acho que mais do que recordar uma história que de facto está por deslindar até hoje, pra quem gosta destas coisas de crime, mostram-nos como é que as coisas funcionavam há 25 anos. Quer dizer, o amadorismo da polícia, a vida naquela comunidade, aquela galeria de personagens, também ela bizarríssima em muitos momentos, que nos faz pensar que há sempre alguém a esconder alguma coisa e a não ser totalmente verdadeiro. Portanto, pra quem gosta do gênero, acho que vale a pena espreitar.

E Susana Romana, um minuto para encaixares aqui duas sugestões numa só.

Ora bem, a primeira é um documentário canadiano que está no Netflix chamado "This Is Pop", que é sobre música pop, o conceito de pop é extremamente abrangente, são oito episódios, são um pouco desiguais entre si. Claramente não foram feitos exatamente pelas mesmas pessoas e quer em tom, quer na qualidade, são um pouco desiguais entre si, mas na generalidade são bons, sobretudo o episódio do Auto-Tune e também o episódio que explica o fenômeno, porque é que tantas das canções pop que nós conhecemos e memorizamos dos anos 90 até agora foram feitas na Suécia.

Esse é um belo episódio.

Explica o inglês macarrônico de êxitos como "Hit Me Baby One More Time". E já que estamos no mundo da música, só uma referência muito rápida a uma série que está na Peacock, a plataforma da NBC que falávamos há pouco, que chama "Girls5eva". É uma sitcom feita pela Meredith Scardino, que é uma guionista que costuma trabalhar com a Tina Fey e com o Stephen Colbert. E é, se não me engano, a sua primeira sitcom original e é sobre um grupo, uma girls band dos anos 90, que teve um único êxito e que já que esse êxito foi hoje em dia sampleado, elas veem ali uma oportunidade de se juntarem todas outra vez e de tentarem um regresso. E é muito divertido.

Portanto, uma história que podia ser a verdade a acontecer, não é?

Sim, é parte do encanto.

Muito bem. Chegamos assim ao final da primeira parte do "PopUp". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Segunda parte do "PopUp". Sejam muito bem-vindos de volta. Depois de termos analisado ao detalhe as nomeações para os Emmys, analisamos agora coisas muito mais ambiciosas. Vamos dar uma volta ao espaço com os bilionários aborrecidos deste mundo no Pop de Arroz. Para quem não se tenha percebido, porque era fim de semana e havia mais o que fazer, tudo aconteceu no domingo e aconteceu em direto. Richard Branson, o patrão do grupo Virgin, que vende de tudo, de viagens a discos, passando por seguros de saúde, e esta eu descobri há muito pouco tempo, não fazia ideia, foi cobaia em investimento próprio. Levou a sua nave de turismo espacial para lá da atmosfera e voltou, aterrando em segurança e aguardando agora as centenas de clientes em lista de espera que querem fazer precisamente o mesmo. E em breve seguem-se Jeff Bezos, CEO da Amazon, e Elon Musk da Tesla, com a sua SpaceX, todos na mesma corrida. A quantidade de nomes estrangeiros e com siglas que eu disse agora. Maria Ramos Silva, os bilionários estão no espaço. Esta é a verdade, é o facto. E agora, a questão é: voar para lá do planeta já não é coisa de ficção científica? Acabou? Onde é que estamos? Estamos tudo perdido.

Pois é, eu sinto-me muito envelhecida. Não sei se vos acontece, mas acho que chegas àquele momento da vida em que vês mais passado do que futuro. Vês mais para trás e lembras-te de quando eras miúdo, e quando eras miúdo imaginavas este tipo de coisas. Um futuro muito distante, muito longínquo, em que as pessoas, de facto, iam ao espaço com esta facilidade. Quer dizer, relativa facilidade, porque o senhor demorou até chegar aqui, não foi de um dia para a noite. Mas ainda assim concretizou-se.

Mas depois quando vês o vídeo, aquilo parece tudo demasiado fácil.

É banal.

E a nave é extraordinária porque parece mesmo saída de um filme.

É, mas ao mesmo tempo eu acho que há ali um efeito de desilusão, não sei se vos consigo explicar, que é, por um lado, a excitação, sobretudo para as pessoas que vivem mais este universo e que de facto sonhavam com esta ida mais comercial ao espaço. E que tu pensas: "Ok, ele conseguiu. Espectacular, chegámos aqui, o futuro é hoje." Por outro, essa meta já foi alcançada e portanto isso obriga-te, de alguma maneira, que tu já não és miúdo, a reinventar essa ambição futura.

Tens que arranjar uma outra meta.

Tens que arranjar outra meta. E portanto é engraçado, porque quando tu vês o Branson na sua nave a dizer: "Se eu cheguei aqui, imaginem o que é que vocês, ou seja, gerações mais novas, poderão conseguir daqui por uns anos." Isso é ao mesmo tempo fascinante e perturbador para alguém que já tem uma certa idade e que pensa: "Bem, e o que é que há depois disto?" É evidente que eu continuo a ter uma série de consoles, os skates voadores, o DeLorean, o teletransporte do Dragon Ball, continua a ser para mim uma coisa. Ainda está tudo por fazer, no fundo. E portanto enquanto eu tiver esses pequenos redutos, essas coisas por concretizar, eu acho que apesar de tudo, vou estando em paz com esse meu lado mais infantil. Agora, é óbvio que é absolutamente extraordinário, sobretudo porque estas pessoas, pelo menos no caso em particular do Branson, que foi já o primeiro nessa sua meta. Isto não é só o projeto de um carola, de um lunático que quer ir ao espaço.

E que faz, se não me engano, 71 anos este fim de semana.

Sim, mas imagina, ele tem imenso dinheiro, portanto podia ser o passatempo dele. Eu faço isto para mim, depois volto para casa ou não. E está tudo bem. Não, há aqui um lado altamente comercial, portanto ele quer transformar isto num negócio. É óbvio que também vai fazer dinheiro com isso, mas no fundo, estamos a falar da concretização de um plano. Quer dizer, não é uma coisa assim meio etérea, que depois tu concretizas, o efeito desvanece no dia a seguir, depois da leitura das notícias e nunca mais se fala no assunto. E isso é que é o mais extraordinário. É de facto sentires que há um passo que é relativamente grande ou que pode ser relativamente grande e que isso pode tornar o novo normal, para citar esta palavra agora tão comum, que se pode tornar, de facto, uma coisa mais corrente, até porque o valor, aqui entre nós, se pode parecer relativamente exagerado, não parece sequer muito para a experiência. Acho que vai haver, de facto, aí uma lista relativamente generosa de candidatos, pessoas que podem fazer essa viagem. Portanto, vamos ver.

Pedro Balseiro Mendes, estes nomes, Branson, Bezos, Musk, dirias que são estrelas pop, inevitavelmente? Cada um tem a sua personalidade, parece-me. Mas eu queria saber também qual a tua opinião.

Diria que sim. Eu já estive à conversa com o Richard Branson, ali no Chiado.

Pára tudo.

Epá, devíamos ter mandado um push para os telefones.

Não é no Chiado, os portadores abriram uma-

Quando tiveram a Virgin. Exato

...no Eden. E eu disse que aquilo ia ser um fracasso, ia fechar. E ele, pronto, não deve ter ligado ao que eu disse.

Se ele soubesse o que sabe hoje, tinha-te contratado.

Mas era para dizer o quê? Para dizer que são pessoas com disponibilidade para ouvir uns portugueses com umas ideias idiotas. E são pessoas, sobretudo, que têm uma grande noção, o Steve Jobs também, de que tem que haver uma dimensão espetacular naquilo que fazem. E que eles próprios, portanto, a sua cara, o seu rosto, as suas palavras, as suas mãos, os seus gestos, o que for, fazem parte dessa dimensão espetacular, no sentido de espetáculo, mesmo, que tem que estar associada àquilo que fazem. A corrida ao espaço é evidentemente uma questão de ego e uma coisa muito masculina, diria eu. É um pouco como o Everest, porque é que vais escalar o Everest? Perguntaram ao Mallory, ele disse: "Porque está lá." E eu acho que o espaço é um pouco a mesma coisa. Isto são pessoas muito ricas que se movem no meio em que ouvem falar que alguém está a desenvolver uma nave, um avião e coisa, depois se interessam, investem e pronto, depois eles próprios vão correndo risco. Eu acho que isso é de sublinhar e é de tirar o chapéu. Eu não sei se me meteria numa nave, por exemplo, mas eles meteram. E faz parte daquilo que estas pessoas sempre quiseram na vida, e bem, apesar de serem donos de ilhas e de Ferraris e Picassos e essas coisas, continuam a querer É a querer ser mais qualquer coisa. Neste caso, é viajar ao espaço ou ser turistas espaciais ou o que raio é. Pessoalmente, eu não iria nem que me oferecessem um bilhete, não tenho o menor interesse em ir ao espaço e tenho até alguma dificuldade em intelectualizar e perceber porque é que há quem queira ir pra Marte ou o que for. O que é que uma pessoa vai fazer pra Marte? Escapa-me. Escapa mesmo.

Há pessoas que querem que o Bezos fique lá, que vai e fica uma petição com milhares de assinaturas.

Isso está bem, isso é outra coisa. Mas o que é que se faz em Marte? A sério, o que é que se faz? Não consigo perceber. Não se joga bola, não se passeia, não se namora no parque.

Ainda, Pedro.

Isso nunca vai acontecer.

Mas vamos partir do princípio que por alguma razão agora desconhecida.

Quer imensa gente ir a Marte.

Não. Pedro, tu irias de facto ao espaço numa destas naves? A minha pergunta é: entre estes três pesos pesados do investimento mundial, qual é que escolherias para a tua companhia?

Talvez o Branson, parece-me menos cansativo. Eu acho que o Elon Musk deve ser um tipo muito cansativo ao fim de duas horas. Deve ser um tipo muito cansativo. Talvez o Branson. Ou nenhum. Eu não quero ir ao espaço, Tiago.

Eu sei.

Mas tu podias dizer-lhe "eu tinha razão".

Era a tua oportunidade para voltares aos negócios. Muito bem. Susana, primeiro que tudo, gostarias de fazer esta viagem?

Divido-me um bocadinho.

Só pra recapitular, vamos enquadrar. A viagem funciona assim: há um avião que levanta voo com uma nave que é chamada nave-mãe, tem uma nave pequena acoplada. Esse avião sobe até aos 50 mil metros de altitude, agora não estou certo, mas vai muito alto e demora cerca de uma hora a fazer essa subida e só quando está a determinada altitude é que larga essa segunda nave, que depois sobe muito rápido até ultrapassar a atmosfera, etc. E é considerado espaço. E depois volta, mas fica no espaço cerca de quê? Um minuto, dois minutos? É uma coisa muito rápida.

Estás a perguntar a uma pessoa que tem medo de subir aos cadotes. Eu tenho alguma curiosidade. Não estou como o Pedro, de nunca na vida. Acho que sofro um bocadinho daquele síndrome da bucket list, uma vontade às vezes absurda e estúpida de riscar coisas de uma lista de grandes acontecimentos ou de grandes eventos das nossas vidas. Não é um não redondo, mas eu ainda há pouco tempo estava a pensar nisto. A primeira memória de infância que eu tenho relacionada com eventos históricos, ou seja, a primeira vez que eu me lembro de estar a assistir na televisão a qualquer coisa que se veio a revelar histórica, foi o desastre do Challenger em 86, tinha quatro anos. E eu lembro-me muito bem de estar a ver o Challenger na televisão a explodir. Por isso talvez isso não facilite a resposta à pergunta. Eu tenho alguma curiosidade, mas, por exemplo, tudo isto que se passou este fim de semana, eu não prestei muita atenção. Eu tenho a app o Observador, sacam? É incrível. Eu tenho a aplicação do Observador e eu recebi, não sei, sete alertas. Vocês mandaram alertas para tudo. Já meteu um pé na nave. "Clica aqui para ver." E eu não cliquei vez nenhuma.

Pronto, rezou.

Eu não tenho também um interesse absurdo sobre isto. É um bocadinho bom para ele. Esta luta de pelinhas destes bruços wings não me interessa assim espetacularmente.

Dinheiro à parte, até porque aqui quem se mete nestas coisas, o dinheiro é sempre uma questão secundária. Mas parece que isto do turismo espacial é uma coisa que poderá ter futuro e não te tomes a ti própria como exemplo, naturalmente.

Sim, como exemplo. Eu acho que sim, porque eu não gosto nada de diabolizar redes sociais e novas gerações, mas eu acho que estamos numa altura em que é muito importante estar e provar que se esteve. Em que é muito importante ter um manancial de fotos no nosso feed, que depois sempre que é aquela altura do ano que vem: "Lembras-te do que é que estava a fazer há um ano atrás, há dois anos atrás?"

Estava no espaço.

Seria: "Olha, há dois anos fui ao espaço. Que divertido. Já não me lembro muito bem, foi caríssimo." Por isso eu acho que sim, porque nós estamos numa fase da humanidade em que achamos que é muito importante estar aos sítios, ir aos sítios, ter as experiências mais para as reportar e mais para elas fazerem parte da nossa bucket list, se calhar às vezes do que para as viver. Por isso, há uma lista de espera, e eu acho que se um dia isto se banalizar ao ponto de ser mais barato, de não ser só para bilionários e ser só para pessoas ricas, eu acho que sim, eu acho que isto vai ter sempre pessoas interessadas. Se puderem levar um selfie stick, acho que vai sempre haver pessoas interessadas.

Há uma coisa muito curiosa, é que o Branson depois disse que tirou cerca de 30 a 40 notas de coisas que quer corrigir e mudar. Portanto, eu acho que ele levava mesmo, não preciso dizer, era um bloco de notas ou um smartphone.

E foi falando.

E foi tirando apontamentos. Portanto, isto não está nada bem aqui.

Mas ele deve ser muito chato, porque ele não é cientista. Ele deve chegar e dizer às pessoas: "Quero isto em amarelinho". Deve ser muito chato.

Quer a nave amarela. Maria, houve aqui outra questão importante, que foi nós vermos isto tudo em direto, através do YouTube, que torna isto ainda um bocadinho mais esquizofrênico, ou não?

Mas faz parte desta experiência hoje. Eu estou com a Susana. Quando falamos nesta hipótese de turismo espacial, de facto, e que também não era uma realidade quando pensamos há 40 anos, mas tu hoje apontas muito para o viver as coisas com esse sentido de prova. Não é tanto aquilo que tu viveste, mas de poderes contar que viveste, poderes provar que estiveste lá. De facto, é essa ideia de "vou, mas tenho que tirar a minha selfie no espaço, porque se eu tiver gastado não sei quantos mil euros e não me lembrar de tirar uma foto". Acho que ninguém vai querer ir ao espaço e dizer que não foi, ou fazer de conta que não foi. Acho perfeitamente normal que tu tenhas essa curiosidade, as pessoas que ligam a este tipo de experiências e que queiram viver em direto, porque não sendo obviamente comparável à chegada do homem à Lua, talvez para este período de tempo em que nós vivemos, é capaz de ser a coisa mais impactante dessa natureza.

Se é que o homem chegou à Lua.

Se é que chegou. Se é que não foi tudo uma invenção dos americanos. Mas diria que compreendo perfeitamente o entusiasmo dos turistas.

Deixa-me só acrescentar estas duas coisas. Em primeiro lugar, raras vezes é feita a correlação que me parece óbvia, que é: isto também significa que o mundo é mais rico. Ou seja, há mais capital, há dinheiro a ser investido nisto. E depois, eu teria muito mais curiosidade em ir ao fundo do mar, eu sei que já se lá foi. Mas teria mais curiosidade em ir ao fundo do mar ou mesmo ao centro da Terra, como no livro do Júlio Verne. Teria mais curiosidade em saber mais sobre o nosso planeta, sobre a Terra do que propriamente ir a Marte. Desculpem esta teima, mas o que é que eles vão fazer a Marte?

É o plano fuga.

Mas a Marte a olhar para a Terra.

É o plano fuga, exatamente. Para ver à distância, exato. Afastarmos para compreendermos melhor o sítio onde estamos.

Ou ir à Lua, who cares? Mas, Pedro, já percebemos que não irias ao espaço. Mas eu queria saber se és fã de ficção científica ou se pelo menos foste fã enquanto foste garoto, que já foi há muito tempo, eu sei. Foi imenso, e até tenho esta trivia engraçada. Foi imenso, adorava. Conhecem com certeza o "Star Trek", eles vão para uma salinha onde se teletransportam pelos planetas. Isso tem a ver com razões orçamentais, ou seja, eles perceberam que era mais barato inventarem esse device do que propriamente meterem os tipos numa nave, depois tinham que fazer a nave e filmar a nave, para eles aterrarem nos mundos estranhos por onde vão a cada episódio. Portanto, é um device de plot famosíssimo, como sabem. Há imensos livros de físicos famosos sobre a física de "Star Trek" tentando demonstrar se aquilo alguma vez será possível. Mas eu adorava filmes de ficção científica, mas era mais pelo lado heroico de poder matar uns monstros e uns bichos com os lasers do que propriamente poder ir viver para esses planetas mais ou menos inóspitos. Porque sempre que o planeta era bonito e com cascatas, pêssegos e mulheres bonitas, era sempre a Terra ou uma simulação da Terra. Os outros planetas eram sempre áridos e cheio de calhaus e monstros. Daí a tua pergunta: por que ir para Marte? O que é que eu vou fazer para Marte? Eu percebo a tua dúvida.

Não, e é sinal que não damos valor ao que temos.

Não há pêssegos em Marte.

É isso, eu exijo que o Pedro escreva um livro chamado "Não Há Pêssegos em Marte". Por favor, o melhor título.

Por acaso é um bom título. Susana Romana, tu cresceste no meio de warp speed, etc.? Ou nem por isso?

Mais ou menos. As minhas referências de ficção científica não eram uma ficção científica espacial. Eu era completamente obcecada por "Regresso ao Futuro", que é também ficção científica, mas não é olhar para as estrelas. Eu era muito fã do "Star Wars", mas como o próprio nome indica, é um ambiente de guerra e é um bocadinho aquilo que dizia o Pedro, não era propriamente apetecível. O "Star Wars" tem muito mais um ar de destruição do que um ar de modernidade. Ninguém olha para aquilo e pensa: "Olha que cenário futurista tão apetecível." Tirando querermos todos ter um sabre de luz, o resto da Guerra das Estrelas não puxa muito que uma pessoa queira conhecer outros planetas, porque a noção que se tem é que o espaço lá fora é uma ditadura e umas forças rebeldes constantemente à batatada. Por isso eu não me lembro propriamente de sonhar com a ideia de ser astronauta. É uma coisa, agora nisto do turismo espacial, que é ao mesmo tempo poética, mas deprimente ao mesmo tempo, que é a banalização do astronauta. Ser astronauta era um feito incrível. Milhares de pessoas em excelente forma física e brilhantes cientistas não conseguiram ser astronautas, porque é muito difícil ser-se astronauta. Ser astronauta é um sonho de infância, porque tu só até aos cinco anos é que achas que é possível um dia seres astronauta.

E depois cais na realidade.

E depois cais na realidade e a partir daí juntas dois mais dois e percebes que nunca na vida. Por isso por um lado é bonito perceber se cada um de nós pode ser um astronauta, mas por outro lado também se calhar é uma banalização de qualquer um de nós pode ser um astronauta. Não sei até que ponto é que isso é divertido.

Muito bem. Antes do final do programa e depois de toda esta epopeia espacial, vamos fazer a habitual viagem ao passado com o Isso é que Era Bom. Esta semana vamos assinalar o aniversário de Cameron Crowe, o realizador que em tempos foi repórter das coisas do rock and roll e andou em digressão com gente tão importante como os Led Zeppelin, por exemplo, nos anos 70. E Maria Ramos Silva, vamos começar por ti.

Estás a ver, bem melhor que ir ao espaço. Acompanha Led Zeppelin.

Se é assim escolher. Qual é que é o teu filme favorito do Cameron Crowe?

Olha, por acaso ainda há pouco tempo estava a dar o "Almoço Famous" e fiquei a ver outra vez e não desgosto, obviamente. Gosto daquela frase muito próxima que é do Jerry Maguire. Mas depois também recordo sempre aquele começo deles no guionismo, salvo erro, que tem a ver com as histórias de liceu, por exemplo, o "Fast Lives", o viver depressa e qualquer coisa com o Sean Penn, que recordei há pouquíssimo tempo por causa da morte do Paul Van Doren, um dos fundadores da Vans. E lembro-me na altura, o Sean Penn quando aparece no filme com uns Vans, aquilo foi uma loucura, um sucesso de vendas. E portanto recordo sobretudo esses filmes com carinho, daquelas coisas muito de high school, muito à americana. Talvez por aí.

Pedro Bucherimentos, qual é que é a tua escolha? Cameron Crowe. Ele diz assim: "Nenhum, não gosto de nenhum".

Não. Gosto muito do filme "Singles", que saiu na altura. É um filme passado em Seattle, aquela malta do grunge. Tem uma ótima banda sonora, tem uma ótima música dos Pearl Jam, que não estava mais disponível em mais sítio nenhum. O "State of Love and Trust". Mas gosto muito do "Jerry Maguire", creio que é o melhor filme dele. É um filme francamente bom. Portanto, gosto muito do Jerry Maguire.

Susana Romana, qual é a tua escolha?

Vou ser um bocadinho clichê e vou mesmo escolher o "Almost Famous". O "Almost Famous" saiu, tinha eu 18 anos e trabalhava como jornalista no departamento de internet da Rádio Comercial. E eu achava que aquela ia ser a minha vida. Estava perfeitamente convicta de que aquela vida de andar em autocarros com bandas, que ainda era possível em 2000, que obviamente já não era, e fui uma jornalista que nunca saiu do cubículo sem janelas no qual trabalhava. Tirando para ir fazer cobertura de um Festival Sudoeste, foi a única vez que saí daquele cubículo sem janelas.

E viveste o rock'n'roll nesse festival?

Sim, mas mais uma vez, o Almost Famous dá-te a entender que tu vais ser tocado lá com os artistas. Não. O guitarrista dos Ash, que era uma banda que eu gostava muito na altura, ofereceu-me um ice tea. Foi o máximo de emoção que eu tive.

Nada mal.

Um ice tea oferecido pelo guitarrista dos Ash. Por isso, o "Almost Famous" é um filme que eu continuo a gostar. É um filme que me fez perceber que se calhar até gostava de Elton John, por causa da famosa cena com o Tiny Dancer. Eu só conhecia o Elton John do Nikita e achava que não gostava e percebi que havia ali-

Que havia mais Elton John.

Que havia mais Elton John para lá do Nikita, em primeiro lugar do top semanas a fio. E gosto muito do "Almost Famous" também pelo timing de vida em que ele me apanhou.

Muito bem. E é com o Cameron Crowe e todas estas memórias cinéfilas que chegamos ao fim de mais um "PopUp". Voltamos na próxima semana. Antes do adeus, só mais um obrigado à Susana Romana, que há de voltar para fazer o seu lugar de sol scalability nesta equipa.

Quando vocês forem de férias, já sabem, cá estou.

Exatamente. Vamos contar com isso. E voltamos na próxima semana. Até lá.