Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
No futebol, a Taça da Liga vai ser jogada por oito clubes já na próxima época.
É uma das várias decisões que saiu da Assembleia Geral Extraordinária da Liga, a assembleia geral de hoje. Apenas os seis primeiros classificados da Liga e também os dois primeiros da Segunda Liga é que vão ter acesso à competição. Connosco temos agora o editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro. Boa tarde, Bruno. Há aqui uma nuance, essa qualificação para a Taça da Liga vai fazer-se, pelo que percebemos, com base nessa classificação dos campeonatos em outubro.
Sim, para quem não costuma seguir, e nem toda a gente segue, antes pelo contrário, é um bocadinho como se faz no basquetebol com a Taça Hugo dos Santos. Ou seja, chega-se ao final da primeira volta, vê-se quem são os oito primeiros classificados, ficam automaticamente apurados. Podem ser oito, podem ser quatro e haver logo meias-finais, como houve, por exemplo, na última época com Oliverense, Benfica, Porto e Sporting, que até é uma competição num fim de semana muito interessante, porque de facto são as quatro melhores equipas. Aqui passa-se exatamente o mesmo, com essa nuance de serem os seis primeiros classificados, mais os dois primeiros da Liga Pro, para dar também a possibilidade de equipas do escalão secundário poderem marcar representação nos quartos de final. Em termos de datas, continuará a funcionar tudo entre dezembro e janeiro. O calendário também não prevê grandes alterações. De dizer que esta foi a alteração com maior taxa de aprovação entre todos os clubes da Primeira e da Segunda Liga. Só o Sporting votou contra e porque queria a extinção da Taça da Liga e não a sua reformulação, e o Marítimo porque não concorda com este formato. Portanto, tudo o resto, ou a grande maioria votou a favor, ou então foi pela abstenção.
Bruno Roseiro, desta assembleia geral extraordinária, sai também uma outra decisão, essa aprovação de um playoff, como dissemos, entre o antepenúltimo classificado da Primeira Liga e o terceiro classificado da Segunda Liga.
Que já era algo que também tinha sido falado, que aparentemente foi aprovado com votos diferentes dos clubes grandes, ou seja, o Porto passou ao lado disto, o Sporting neste caso foi a favor, o Benfica foi contra. Parece-me que é uma medida interessante, que falha no timing, ou seja, não tem nada a ver e não faz sentido estar a fazer na temporada onde existe mais condicionante de tempo, onde as equipas estão a correr contra o tempo. Basta ver o que está a acontecer com o Benfica, que provavelmente só vai ter uma semana de férias, porque entretanto tem logo a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o Sporting também vai ter a terceira pré-eliminatória da Liga Europa. As competições europeias vão estar muito mais encaixadas em termos de semanas, ou seja, vai haver muito menos paragens. Teremos no final do ano os Jogos Olímpicos e antes o Campeonato da Europa. Portanto, isto é uma ideia boa, com timing errado, que devia começar quando tudo estivesse já nos conformes depois da pandemia. Uma outra situação também que foi aprovada nesta assembleia de Taça da Liga e que me causa alguma estranheza é as cinco substituições que vão continuar a existir para a próxima temporada. E para mim a grande surpresa acabou por ser que houve mais clubes a irem pela abstenção do que a votar a favor. E eu continuo sem perceber qual é a parte má, ou seja, o que os treinadores criticavam é que não faz sentido estarmos a fazer três substituições até antes da pandemia e depois fazermos cinco, quando era uma coisa boa. Fisicamente, os jogadores precisavam, era importante alterar mais a equipa.
Aliás, e nós vimos várias equipas a apresentarem muitas debilidades físicas também durante os encontros, com pouca capacidade de resposta por parte dos jogadores.
Era bom para eles e depois também entronca aqui numa outra questão de sustentabilidade financeira. É muito melhor ter a possibilidade de fazer cinco substituições e ter um plantel mais curto para depois jogar com a equipa B e com os sub-23, porque até em termos de sustentabilidade financeira vai ser importante, porque os orçamentos vão ter de baixar, as vendas vão ter de ser maiores. À exceção do Benfica, não há nenhum clube que se perceba que vai fazer um grande investimento, porque de facto, agora sim, vamos passar a receber a fatura da Covid e fez-me confusão haver mais clubes a irem pela abstenção do que a votarem a favor. O que é que falta aqui nesta assembleia geral da Liga Extraordinária? Falta percebermos que mecanismos é que vamos encontrar para não acontecerem situações como aquela que aconteceu no Desportivo das Aves, que infelizmente, agora que já passou o jogo do Benfica, agora que acabaram o campeonato, parece que tudo passou, mas não. O plantel continua com três meses de salário em atraso, provavelmente vai chegar até ao quarto mês, não existe nenhuma solução. A polícia já está também a averiguar o que se passou naquela SAD e mais do que perceber que mecanismos é que podem existir para esta situação não acontecer, é perceber estas pessoas que entram na SAD, quem é que são, de onde é que vêm, para onde é que vão, o que é que querem e enquanto continuarmos a fechar os olhos a essa realidade, e não tem a ver com o facto de ser chinês, japonês, europeu, não interessa. Aquilo que é importante perceber é o que é que querem fazer para depois, quando a coisa correr mal desportivamente, não deixarem o clube ao abandono, porque o Desportivo das Aves não merecia isso.