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Para nos falar sobre elas, convidamos também o editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro. Muito boa tarde, Bruno. Estas são propostas que se justificam também tendo em conta essa previsão do calendário apertado das equipas portuguesas a pensar no Campeonato do Mundo e naquilo que podem ser as competições europeias nos próximos tempos.

Sim, são propostas que fazem sentido, mas ao mesmo tempo, são propostas que demonstram tudo aquilo que não foi pensado na atual temporada. E basta recordar que nas últimas jornadas nós vamos ter duas rondas durante a semana. Ou seja, é óbvio que nunca ninguém vai admitir isto, mas ninguém, quando olhou para os calendários, assumiu a possibilidade de haver um Futebol Clube do Porto a brilhar na Liga dos Campeões ou um Benfica ou um Sporting Braga que pudesse ir mais longe na Liga Europa. Portanto, peca por isso. Não houve essa atenção em relação ao calendário esta temporada. Acho que esta paragem nas seleções demonstrou que até maio, e sobretudo até o Campeonato da Europa, vai-se decidir muito na questão física. Os jogadores estão particularmente cansados, inclusivamente um jogador que parece que nunca se cansa, porque tem uma forma muito inteligente de gerir uma temporada, os seus meses e os picos de competição, que é o Ronaldo. Percebemos que o Ronaldo não está propriamente bem fisicamente e, portanto, tem essa parte mais nociva. É importante haver estas alterações, ou seja, não só a questão de passar o campeonato para 16 equipas, até porque me parece que poderá ser mais competitivo e terá mais qualidade do que agora este campeonato com 18 equipas. Parece-me também interessante a ideia de criar um playoff entre o 16° da primeira liga e o terceiro ou quarto da segunda liga, que também era algo que já tinha sido falado, e parece-me também importante darmos o passo de voltar atrás, digamos assim, e a Taça de Portugal ser realizada numa só mão, a meia-final, e num campo neutro, à semelhança do que acontece, por exemplo, em Inglaterra, no Estádio de Wembley. Aquilo que eu tenho muitas dúvidas e sinceramente não concordo, é o novo formato da Taça da Liga. E por quê? Porque na minha ótica, a Taça da Liga este ano nem sequer devia ter existido, era um período competitivo que se ganhava e escusava-se de se andar depois no final do campeonato em maio, a fazer jornadas a meio da semana, que me parece uma coisa completamente inconcebível, tendo em conta a condição que nós hoje já assistimos das equipas em termos físicos. Tenho muitas dúvidas deste formato da Taça da Liga, até porque das duas, uma: como a Taça da Liga em si, a ideia original já perdeu sentido, porque entretanto apareceram as equipas B e apareceu o campeonato sub-23, e bem, e portanto, um dos motivos para criar a Taça da Liga já desapareceu. Das duas uma: ou acabamos a Taça da Liga e ficamos só com o campeonato e a Taça de Portugal, pelo menos nesta altura em que é normal que exista mais densidade competitiva, ou então começamos a passar, como se faz em Inglaterra e em França, que são eliminatórias e que as melhores equipas do campeonato anterior só entram no final. Portanto, ou uma ou outra. Este formato, sinceramente, não concordo muito com ele.