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Ficou assim encerrada de forma abrupta esta sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito às perdas do Novo Banco, em que os deputados queriam ouvir respostas por parte do antigo presidente da Ongoing, Nuno Vasconcelos, mas tal foi mesmo difícil. Foi isso que testemunhou também a jornalista do Observador, Ana Suspiro, da editoria de economia, que se junta agora a nós neste jornal. Muito boa tarde, Ana, tu que já acompanhas comissões parlamentares de inquérito na Assembleia da República há muito tempo, ficaste surpreendida com isto que aconteceu aqui hoje? Recordo e volto a sublinhar que esta audição de Nuno Vasconcelos era mesmo das mais aguardadas no âmbito desta comissão parlamentar de inquérito.

Fiquei surpreendida. Já tínhamos visto muitas coisas em comissões de inquérito, mas penso que é inédito que ela seja interrompida, porque se considera que a pessoa que está a responder não só não responde, como está a usar a comissão de inquérito como palco para transmitir aquilo que é a sua versão dos factos, de forma que não corresponde aos objetivos de uma comissão parlamentar de inquérito.

E foi mesmo um caso, Ana, em que os deputados e o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito perderam a paciência com Nuno Vasconcelos?

Perderam. Nuno Vasconcelos podia ter dado uma entrevista a fazer estas explicações. Aqui respondeu a perguntas que lhe foram feitas. Essencialmente foi uma pergunta que foi feita ao longo desta não sei se meia hora, 40 minutos, que é: tem uma dívida de 520 milhões de euros ao Novo Banco, as garantias que lá estão não valem nada, atenção a pagar essa dívida. E no mais ele veio com o BCP, veio com o BES, veio com garantias, veio com umas histórias muito complicadas e que não respondiam ao essencial da pergunta. E depois também o tom, de facto, que foi agressivo. Agressivo de parte a parte, aliás, porque a deputada do Bloco de Esquerda começou a ficar irritada e a insistir e depois a coisa descabou. Aliás, ele começa a audição a pedir ao Bloco de Esquerda para corrigir uma informação que ele diz que é errada, que está no site do partido e que o acusa de ser acusado de corrupção. Portanto, isto começou logo neste pé, neste nível.

Ana Suspiro, só mesmo para terminar, houve alguma coisa de maior relevo que tenha ficado desta audição? Que foi uma audição bastante curta, tendo aquilo que eram as expectativas. Houve aqui alguma revelação, houve aqui alguma novidade dada por Nuno Vasconcelos ou apenas esta tentativa de fuga às perguntas por parte dos deputados, ou pelo menos respostas que não foram ao encontro daquilo que era pretendido?

Ele deu algumas informações que se forem corretas, podem ter alguma relevância, mas tem mais a ver com a relação da Ongoing no tempo do Banco Espírito Santo, em que ele diz que de facto deu vários ativos da família, propriedades, coisas que não são ações, que em teoria não se desvalorizam como se desvalorizavam outros ativos que estavam em nome dele e que isso foi dado ao banco. Também disse que houve tentativas de fundos internacionais para comprar a dívida ao Novo Banco por valores que não eram o suficiente, mas significaria uma perda menor para o banco. Mas nós não sabemos, efetivamente, não conseguimos perceber se de facto tem fundamento ou se a história é mesmo assim como ele contou.

Vamos tentar perceber isso também daqui para frente. Muito obrigado, Ana Suspiro, jornalista da editoria de economia do Observador. Ana que esteve a acompanhar também com o Nuno Vinho, editor de economia do Observador, minuto a minuto no site do Observador, em observador.pt, esta audição que acabou por terminar ainda antes do esperado. Tem havido outras audições nesta comissão parlamentar de inquérito bem mais demoradas, mas ficou claro, segundo Fernando Negrão, presidente da comissão, que Nuno Vasconcelos se recusou sistematicamente a admitir que é titular de qualquer dívida ao Novo Banco. Ficou também claro, foi isso que disse o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, que Nuno Vasconcelos não respondeu a nenhuma pergunta de forma construtiva e por isso mesmo o presidente da comissão, o social-democrata Fernando Negrão, decidiu colocar um ponto final na audição de hoje.