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Oros 1, Benfica 3, jogo da segunda mão do playoff de acesso à Liga Europa. O Benfica repetiu a dose da primeira mão, venceu por 3 x 1, como tinha feito na Luz, num jogo em que, Augusto Inácio, o grande destaque vai para talvez Prestianni, também para Rafa. Hoje, alguns nomes um pouco mais apagados como Pávlović, também Sudakov, mas um Benfica que independentemente das unidades que leva a campo, começa já a mostrar nota de Marco Silva, nota de dominação, sobretudo na frente de ataque.
A grande verdade é que houve algumas figuras do Benfica que individualmente não apareceram, mas coletivamente a equipa esteve bem, esteve sólida, teve uma reação à perda da bola muito eficaz, os blocos muito juntos, tanto ofensivamente como defensivamente. Enfim, no Benfica, no seu global, foi realmente uma equipa muito competente, muito séria naquilo que era os seus propósitos na Dinamarca, que era passar pra fase de grupos. E, naturalmente, houve jogadores que se sobressaíram e outros que não entraram sequer nessas contas. Ou seja, Lukebakio quando entrou, tem realmente magia nos pés, isso é uma verdade, mas isso não chega para se dizer que é um grande jogador. Um grande jogador é aquele que é completo, é aquele que vai à frente, é aquele que quando não tem bola, ocupa bem os espaços defensivos, é aquele que se compromete com a equipa no sentido de acautelar todos para que realmente a equipa não sofra gols. Diria que o Sudakov está a custar a aparecer. Tem tido muitas oportunidades e ainda não apareceu aquele Sudakov que as pessoas do Benfica e que as pessoas que gostam de futebol estavam à espera que ele demonstrasse, precisamente porque se reconhece nele que é um bom jogador. Mas lá está a tal coisa, és bom jogador, mas estás cinco, seis, 10, 20 jogos pra aparecer e não apareces, coisa começa a ficar um pouquinho complicada. Mas o Benfica teve hoje um Prestianni muito bom. Teve hoje um Leandro Barreiro na primeira parte fantástico.
Absolutamente elétrico.
Teve hoje, durante o jogo todo, também um Bah que correu quilômetros e quilômetros. Ou seja, um Berrhan Che que cada vez que cada jogo passa, parece que está a subir de forma e a tentar perceber o que é isto também de ter bola e de não ter bola. Diria que o Prestianni foi aquele que se sobressaiu mais, precisamente por quê? Porque o Benfica sofre um gol que não devia ter sofrido, é a minha parte negativa. Já lá vamos. Eu diria que o Prestianni, com aquela jogada do terceiro gol, é de levantar o estádio. Não interessa qual é a cor da camisola que ele tem, é do Benfica, podia ser de um outro clube qualquer. Eu estava aqui no estúdio e dei um salto também, porque é daqueles gols que: "Uau, de onde é que apareceu isto?"
E para além da forma do gol, que é muito bonita, é também o momento. O jogador imediatamente a seguir ao Benfica ter sofrido o 2 x 1, pegar na bola, fazer por si, o momento em que o gol chega como resposta ao gol do adversário, também faz deste gol um gol especial pra Prestianni, que acabou por visar na primeira vez.
Exatamente. Mas isso demonstra porque o Prestianni já não é a primeira vez que faz um gol naquele nível. Ele este ano, não me lembro bem do jogo, mas já tinha feito um gol dessa natureza. Mas isto fá-lo crescer, fá-lo ter confiança, fá-lo realmente sentir-se mais importante e sentir-se que realmente tem que continuar a trabalhar para continuar a evoluir. Tem a confiança do treinador e ele diz que tem a confiança dos colegas. Pois, tem que ter a confiança do treinador, porque o treinador é que o coloca a jogar. Os colegas podem ter muita confiança dele, mas se o treinador não tiver.
E Prestianni acabou por falar nisso no final do encontro. Pareceu, pelo menos, estar com relação de grande proximidade com Marco Silva. Falou de José Mourinho, disse que melhorou muito com Mourinho, mas que é depois da chegada de Marco Silva e de uma conversa que tem com Marco Silva este ano, que acabou por abrir também o caminho pra esta, diria, postura, porque talento o jogador sempre teve, mas agora parece que pode aplicar esse talento que tem porque ganhou toda uma nova postura. Há quem diga que a expressão no futebol é: está feito um homem. Digamos assim.
Sim, mas sabes, há épocas em que tu podes querer dar o teu melhor, tens o teu talento, marcas a diferença, mas aquilo escapa por entre os dedos, porque a equipa coletivamente não é boa e não ganhas campeonatos, não ganhas troféus, e dilui-se isso no tempo. Claramente, com a equipa a ganhar, com a equipa a passar por objetivos que vai conseguindo e ser ele um protagonista, é evidente que nota-se muito mais. Agora, é um menino, tem 19 anos. Eu já o reconhecia, agora é fácil dizer que ele é um grande jogador. Notava-se que ele era um grande jogador, mas agora está a se expressar mais, porque talvez encaixe melhor no sistema tático do Marco Silva, porque se calhar o José Mourinho também deu essa confiança pra ele se poder expressar, embora a equipa não estivesse bem. Com o Marco Silva, está no início da época, as coisas estão a correr bem coletivamente e ele também está a se sobressair, naturalmente que ele sente-se um jogador importante e acarinhado pelo treinador. Por isso, como se costuma dizer, siga. É dar seguimento a este bom momento que ele está a traçar.
Na primeira parte, o Benfica saiu a vencer por 1 x 0, com esse gol solitário de Prestianni ao minuto 16. Numa primeira parte onde só deu Benfica, apesar de não ter criado muitas oportunidades, criou as mais determinantes e pouco ou nada sofreu por parte do Aros. O que é certo é que na segunda parte, o Benfica entra um pouco mais intenso, o jogo entra um pouco mais intenso e o Benfica chega logo a esse segundo gol por Rafa, sofre um gol imediatamente e depois Prestianni responde. A partir desse 3 x 1, também foi Marco Silva aproveitando para fazer a gestão e para testar em competição uma série de outros jogadores. Vai operando também, aproveitando este apuramento pra Liga Europa, para de alguma forma treinar a competição, que é importante. É diferente de treinar jogos-treino.
Claro. Eu diria que o Marco Silva sentiu este jogo como ele tinha perspetivado antes do início da partida. Ou seja, ele sentia que se o Aros conseguisse marcar primeiro que o Benfica, que as coisas podiam se complicar. E ele colocou a melhor equipa a jogar e só tinha que fazer isso, porque é a equipa que neste momento lhe dá mais confiança, é aqueles 11 que entraram. O Benfica teve uma semana limpa, como se costuma dizer, não teve jogo a meio da semana, o que permitiu ao Benfica estar mais fresco, nesse sentido, para poder jogar esta partida com mais firmeza. Diria também que assim que o Benfica marcou o primeiro gol, notou-se e percebeu-se que o Aros já não tinha argumentos pro Benfica. O Benfica estava a ser tão superior. É verdade, não criou tantas oportunidades de gol, mas no jogo estava a ser tão superior, que praticamente o Samuel Soares não fez uma defesa na primeira parte.
E a verdade é que dentro dessa superioridade, na segunda parte, na primeira bola do Aros na área do Benfica, acaba por marcar o gol, mas com alguma sorte à mistura, porque a bola desvia.
Isso já foi na segunda parte.
Sim, na segunda parte.
Isso já foi na segunda parte. E isso é o tal erro, que é a minha parte negativa, que já lá vamos, que nunca podes, mesmo que estejas a ganhar 10 x 0 um adversário, nunca podes sair com passe daqueles da defesa para ligar pro meio-campo, sob pena depois de acontecer o que aconteceu.
Um passe de Mazarij a tentar encontrar Sudakov.
Pode ser que este erro Faça com que as pessoas, neste caso os jogadores, pensem, se concentrem e se foquem mais, porque o treinador do Benfica tem razão numa coisa: se calhar é preferível ganhar por 1 x 0 do que ganhar por 3 x 1. Porque o que interessa é não sofrer gols. Não sofrer gols quer dizer muita coisa. Quer dizer que a equipe está unida, coesa, segura, não sofre gols, está confiante. Sofrer o gol vem naquela coisa: "Mas o Benfica sofreu este gol, mas o Benfica sofreu outro gol em casa, sofreu outro gol fora." Não é bom para a equipe e o treinador sente que isso não é bom para a equipe. "Mas o Benfica marcou três gols. Eu quero é ganhar por 5 x 4", como muita gente diz. Não, o treinador do Benfica quer é ganhar por 5 x 0, 4 x 0, 2 x 0.
E entre 5 x 4 e 1 x 0, Augusto Inácio, o que o treinador tenta preferir? Entre 5 x 4 e 1 x 0.
Prefere 1 x 0. Prefere sempre 1 x 0, porque prefere não sofrer gols, porque isso dá uma estabilidade, parecendo ou não, muito boa para a equipe.
Alguma confiança. E isso vai soltando também a equipe do Porto, que tem sofrido muito pouco.
É o mote para o jogo seguinte. Por exemplo, o Porto, três jogos seguidos, zero derrotas. Atenção-
Zero gols sofridos.
Não vamos sofrer gols. Eles já não vão dizer que vão marcar gols, vão dizer: "Não vamos sofrer gols." Porque aquilo começa a ser a batalha, começa a ser o objetivo, não sofrer gols. E o Marco Silva também quer isso na segurança da defesa do Benfica.
Tivemos o Marco Silva também a afirmar que vai ter boas dores de cabeça, agora com a chegada de Palhinha e também com os reforços. E falou, sobretudo, da situação na luta do lado esquerdo do ataque entre Prestianni e Scheldrup. Boas dores de cabeça, mesmo para um treinador, ou até pode ser arriscado estar com uma equipa muito boa, sentir a pressão de usar outros jogadores e depois entornar o caldo? Não será uma gestão fácil para Marco Silva, até por causa dos egos.
Diria que se o Marco Silva não quisesse dores de cabeça, não queria o Palhinha. Ele quis o Palhinha muito. Por isso ele sabe o que quer, mas também sabe o momento que os jogadores estão a atravessar. Eu não estou a dizer com isto que o Palhinha chega ao Benfica agora, no próximo jogo e seja já titular. Até pode ser, mas eu não estou a dizer que isso é uma possibilidade real. Diria que depois é aquilo que o treinador vai jogar. Quando vai jogar de três em três dias, vão jogar todos. Se calhar o Palhinha vai uma vez para o banco, depois vai jogar.
O Marco Silva disse isso mesmo, que vai ser uma gestão necessária para o final da época. Com tantas competições, é preciso ter os jogadores a competir e, sobretudo, ao mesmo nível para equilibrar a equipe.
O que ele quer dizer com aquilo é que num jogo tens um nível, no outro jogo não podes perder esse nível. E para não perderes esse nível, tens que ter jogadores também que sejam equiparados àqueles que têm o nível elevado. É uma gestão que pode dar problemas, depende da personalidade dos jogadores que tens. Se tiveres aquele jogador e aquele ego que quer jogar os jogos todos, independentemente de haver jogos três em três dias e fica moado, fica zangado, porque já não se porta da mesma maneira, porque esteve um outro jogo no banco, isso aí pode ser complicado, mas isso aí também é a gestão do treinador ao falar com o jogador individualmente, coletivamente, e fazendo perceber aos jogadores que tem que ser assim. Mas há uma coisa que é verdade: os jogadores podem ficar com azia, isso compensando passa sempre. O que interessa é aquilo que decideis o treinador que quer para aquele jogo e depois no outro jogo, logo se vê.
Augusto Inácio, o que foi, na tua opinião, o pior esta noite na Dinamarca entre Aros e Benfica foi o comportamento do Benfica no gol do Aros.
Eu falo nessa jogada porque não há negativos. Sinceramente, não há negativos.
É só porque foi um azar, mais do que outra coisa, então.
Não, mas aquilo pode ser um aviso. Pode ser um aviso porque por acaso o Benfica estava a ganhar. Mas imagina, tu estás 0 x 0 e tens aquele lance. É complicado depois, no jogo, não há paragens, já não há intervalo, é lá dentro depois que tens que reagir e a voz do treinador pouco ou nada lá chega ao relvado. Diria que o Tomás Aros não pode fazer aquele tipo de passe.
Ainda para mais sendo capitão.
Mas atenção, tu também tens que ser esperto.
Nunca fui, Augusto.
Não é isso. Esperto no sentido de quantas vezes tu vês lance em que parece que o adversário vai chegar primeiro e tu metes o pé à frente. E depois o árbitro marca falta ou não marca falta, mas ele não pode é levar a bola sozinho. O Seidou Koulibaly também.
A expressão é este é irmão deste.
Como eu costumo dizer, foi muito sangue do artério.
Resta saber o que foi o melhor esta noite na Dinamarca e também, já agora, com atenções para a Áustria, não esquecendo que o Braga empatou a zero e conseguiu essa façanha também.
Estamos a falar só do Benfica, não é?
É verdade. O relatório de jogo é o jogo do Benfica, mas mencione o Monrosa para o espetáculo.
Mencione o Monrosa, isso é na parte final. Parabéns ao Braga, que fez um grande jogo também na Áustria e teve um excelente resultado. Mas eu diria que foi a postura do Benfica, coletivamente, a forma como em bloco, defesa, meio-campo, ataque, conseguiu chegar à frente e se chegou a defender. E acima de tudo, algumas individualidades que se sobressaíram. Diria Prestianni, diria Leandro Barreiros na primeira parte e diria Vá durante o jogo todo também, e Berrinacha, que também presta da seguinte forma a cada jogo que passa.
Está feito e entregue o relatório do jogo do Aros 1, Benfica 3, jogo da segunda mão do playoff de acesso à Liga Europa, que terminou com a passagem dos encarnados à fase regular da competição, onde agora, Augusto Inácio, para fechar, são favoritos? O Benfica é, de alguma forma, uma das equipas favoritas a vencer esta edição da Liga Europa.
O Benfica tem o direito de sonhar. E quando eu digo sonhar é com os pés bem assentes no chão, pode ir muito longe nesta Liga Europa. Assim continue.
Augusto Inácio, um abraço, bom descanso e até à próxima.
Um abraço.
Rádio Observador