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Relatório de jogo na Rádio Observador. Análise ao encontro entre Futebol Clube do Porto e Estoril. Os Dragões venceram por 1 x 0. O gol surgiu aos oito minutos, foi marcado por William Gomes. O Estoril deu uma boa réplica e levou o jogo até ao fim, mas o Futebol Clube do Porto conseguiu vencer. Vamos à análise do Filipe Coelho, comentador deste encontro na Rádio Observador. Filipe, o Estoril foi muito difícil de roer por parte deste Futebol Clube do Porto.

Sim, completamente. E essa é a primeira nota que fica deste jogo no Dragão. É um bom jogo de futebol entre duas equipes que tentaram sempre olhar para a baliza contrária e sabemos que isso nem sempre é a norma no futebol português, nomeadamente nos estádios das maiores equipes do país. Portanto, fica essa nota que resulta muito da postura que a equipe de Ian Cato teve hoje no Dragão. O Porto foi uma equipe que, em termos gerais, teve dificuldades para pressionar. É uma pressão coletiva cada vez menos consistente e menos eficaz. E se isso era uma das grandes forças de Francisco Farioli nos seus primeiros meses de Porto, agora começa a ser também uma pequena debilidade. E o Estoril foi uma equipe que conseguiu ter bola no Dragão, acabou, inclusivamente, este jogo com maior porcentagem de posse de bola do que o Porto e, portanto, é algo a rever do lado dos Dragões. Ainda assim, o Porto consegue o único gol desta partida, precisamente num lance de pressão, embora resulte, claro, de um erro não forçado do Os Grove, faz um mau passe, é interceptado pelo William Gomes e o brasileiro consegue adiantar o Porto no marcador. O Porto tem 20 minutos iniciais relativamente interessantes. É nessa fase que tem as principais oportunidades na primeira parte, onde conseguiu manipular a pressão do Estoril e explorar saídas pelos laterais, mas quer o Francisco Moura, quer o Alberto Costa tiveram algumas dificuldades. Nem sempre conseguiram dar sequência aos ataques. Houve algumas perdas de bola e o Porto foi também perdendo confiança, foi perdendo ascendente territorial e, por outro lado, o Estoril é uma equipe que sabe ter a bola, que gosta de jogar para a frente e acabou por ter muita presença do Rafik Guitane, nomeadamente na primeira parte. Creio que o argelino é mesmo o melhor jogador nesse primeiro tempo. E a verdade é que o Estoril, ao intervalo, tinha no seu pecúlio mais oportunidades claras de gol do que o Porto, mesmo que os Dragões estivessem a vencer por 1 x 0.

Há aqui um destaque, já vem sendo nota há algumas jornadas, as equipes já perceberam um pouco desta magia de Farioli, já começam a perceber como joga este Futebol Clube do Porto. E nós falámos no início desta temporada, fomos falando aqui nas emissões que esta equipe do Futebol Clube do Porto podia vir a assumir algum desgaste também pelo trabalho que Farioli pede à equipe. Mas não é só isso, as equipes começam a perceber aquilo que quer fazer este Futebol Clube do Porto em campo.

Sim, há cada vez um maior conhecimento, evidentemente, daquilo que é a ideia de Francisco Farioli, mas creio que o próprio Estoril surpreendeu o Porto taticamente. O Ian Cato mudou o sistema tático, porque habitualmente joga num 3-4-2-1 ou num 3-4-1-2, mas hoje passou para uma linha defensiva a quatro, jogou em termos atacantes próximo de um 4-3-1-2. Ou seja, baralhou as referências que o Porto pudesse ter em termos de pressão e conseguiu, de fato, saltar um pouco essa pressão, nomeadamente com saídas pelo lado esquerdo, com o Pedro Amaral e o João Carvalho, para depois acelerar no último terço, procurando constantemente o Rafik Guitane. Portanto, sim, creio que o Porto é uma equipe hoje mais previsível. Os adversários começam a perceber melhor como a equipe pressiona e também tentam surpreender taticamente. E depois creio que há outro fator, pelo menos um duplo fator, é que o Porto, em muitos períodos do jogo, faz com que o médio defensivo baixe para a linha defensiva. Vimos isso com o Varela e vimos isso com o Rosário, e o Porto tem um homem a menos no centro do terreno e creio que isso acaba por prejudicar a equipe em algumas fases. Depois, o Porto também acusou muito o fato de não conseguir que o seu avançado aguentasse a bola, permitindo a equipe subir no terreno. E vimos o Samu hoje com várias perdas, muito à procura do confronto físico, nomeadamente com o Boak, é um central também ele muito poderoso e perdeu muitas bolas. Portanto, o Porto foi ficando atrás no terreno, sem capacidade para sair para o ataque, sem capacidade para manter a bola, e isso acabou por prejudicar seriamente a exibição dos Dragões.

Vamos ao melhor deste encontro.

O melhor, Rafik Guitane, diria que foi o jogador mais decisivo para o Estoril ter a exibição que teve aqui hoje no Dragão, nomeadamente na primeira parte. Entrega duas bolas de gol, claro, ao João Carvalho e ao Begraoui, que não conseguiram concretizar. E, por outro lado, Bednarek e Kiver, mas com nota particular para Bednarek, que eu creio que acaba por ser decisivo para o Porto assegurar esta vitória tangencial. Creio mesmo que se o Porto não tivesse esta dupla de centrais hoje, da forma como se comportaram nesta partida, dificilmente teria conquistado os três pontos.

O pior.

O pior: a tal dificuldade do Porto para reassumir o controle da partida, nomeadamente a meio da primeira parte e a meio da segunda parte. O Porto teve boas entradas nessas partes, mas depois não conseguiu ter continuidade, acabou por perder algum gás e não teve a capacidade de reassumir. É uma equipe com menos critério em termos de circulação, menos discernimento. Vimos muitas perdas de bola e isso realmente deu alguma esperança adicional ao Estoril, que teve oportunidades de gol na primeira parte. No segundo tempo, não tanto, mas de fato foi um jogo que se mantinha em aberto até ao apito final.

A análise do Filipe Coelho. Este encontro entre Futebol Clube do Porto e Estoril, os Dragões venceram por 1 x 0.