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Apito inicial para mais um relatório de jogo, hoje com o comentador rádio observador Mário Cajica. Vamos olhar para o que aconteceu no Sporting-Farense, jogo a contar para a Taça da Liga. O Sporting a entrar com o pé direito na Taça da Liga, 4x2 foi o resultado final. O Sporting, Mário Cajica, que se apresentou para este jogo com muitas alterações em relação às partidas anteriores e uma delas ainda mais relevante. Qual foi?
Vamos olhar, obviamente, mais do que as alterações para as nuances táticas que o Rúben Amorim apresentou para esta partida. Efetivamente, a titularidade do Gonçalo Inácio no meio-campo acaba por ser a nota de maior destaque neste início de encontro da equipa do Sporting frente à formação do Farense. É uma novidade, é uma análise interessante do Amorim para contextualizar esta titularidade do Gonçalo Inácio nesta posição. Por quê? Porque pela frente tinha um bloco muito baixo e que, obviamente, iria deixar o Sporting com maior conforto para ter bola. E nesse aspecto, o Gonçalo Inácio, tendo essa possibilidade de arriscar um pouco mais, sabemos que é um defesa que por vezes opta muito pelo passe longo, portanto poderia ser importante também na variação do jogo. Teria, à partida, todas as condicionantes certas para poder enfrentar esta formação do Farense da melhor forma e hoje parece-me que funcionou bastante bem. Teve bola, fez uma boa parelha, acima de tudo, com o Daniel Bragança na zona central e, portanto, parece-me que foi uma aposta ganha do Rúben Amorim, até uma solução que o Rúben Amorim encontrou para certo tipo de encontros nesta temporada, até porque não sabemos ainda a gravidade da lesão do Morita e, portanto, acho que Rúben Amorim decidiu bem e encontrou no plantel uma boa solução face ao pouco rendimento que o Dário Essugo tem tido nesta temporada. Rúben Amorim acabou por encontrar aqui uma nova solução, que foi a titularidade do Gonçalo Inácio como médio.
Nem as alterações às peças do puzzle, nem mesmo as alterações táticas tiraram a cutilância e a forma de jogar e de dominar do Sporting que, na primeira parte, esteve claramente por cima do jogo.
Sim, é uma primeira parte avassaladora do Sporting. Não há muito a dizer em relação a isso. O Sporting pressionou muito alto, criou muitas situações de finalização perante a baliza defendida pelo Ricardo Velho. Muito trabalho, principalmente por aquele corredor direito, onde o Ricardo Esgaio apareceu bem, mas acima de tudo, onde o Trincão conseguiu aproveitar, parece-me, esta oportunidade. Funcionou muito bem o corredor direito e depois Gyökeres continua a ser um elemento acima da média. Hoje novamente em grande forma, o primeiro hat-trick ao serviço do Sporting, mas a verdade é que o Sporting funcionou muito bem no primeiro tempo e o Farense não apareceu. Não apareceu nos primeiros 45 minutos, a equipa com muitas dificuldades para sair, um bloco baixo.
Pouco móvel, até.
É, exatamente. Pouca solução, pouca intensidade no momento da circulação de bola. Uma equipa muito dependente de rasgos, de saídas do Marco Matias ou do Belumi, mas muito curto. Os três médios muito defensivos e, portanto, automaticamente o Bruno Duarte, o ponta de lança da equipa do Farense, esteve bastante desaparecido do jogo. Portanto, parece-me que a equipa não apareceu, esteve claramente em subrendimento. O José Mota também não pensou da melhor forma o jogo nos primeiros 45 minutos, situação diferente na segunda parte. E depois, claro, há um Sporting extremamente competente nos primeiros 45 minutos, mérito total para a forma como o Rúben Amorim montou a equipa, mérito total para a forma como o Sporting jogou com e, acima de tudo, sem bola. Equipa muito rápida a atacar o portador da bola, jogadores sempre bem posicionados e, portanto, parece-me que foram 45 minutos de grande qualidade da equipa do Sporting.
Primeiro gol de Gyökeres aos 24 minutos, segundo passado quatro minutos, aos 28. Para além de Gyökeres, houve outro elemento da equipa leonina em destaque nesta primeira parte?
Ora bem, em termos práticos, na equipa do Sporting, eu diria que o Gyökeres, o Trincão, o Ricardo Esgaio e o Gonçalo Inácio foram talvez os elementos que mais saltaram à vista nos primeiros 45 minutos.
Estava a referir-me aqui ao Trincão, mas obviamente os restantes também.
Sim, o Trincão eu tinha referenciado há pouco que, obviamente, tirando o Gyökeres, foi talvez o jogador em maior evidência nesta primeira parte. O Gyökeres, de uma forma ou de outra, tem de ser sempre o homem do jogo, pelos três gols, pela forma como trabalha para a equipa, não há como fugir a isso.
E o Rúben Amorim, na conferência de imprensa, falou também no Nuno Santos, que estará a recuperar uma forma antiga.
Sim, o Nuno Santos teve pouca bola no jogo, mas sempre que foi solicitado, respondeu afirmativamente e fez, de facto, também uma exibição competente. Não foi uma exibição, se calhar, tão vistosa como a do Trincão, por exemplo, porque não teve efetivamente tanta bola, mas sempre que a bola caía no corredor esquerdo, o Nuno Santos era muito acutilante, criou algumas situações de perigo, acaba por fazer também um dos gols. Mas acima de tudo, parece-me que o Rúben Amorim hoje tem uma excelente notícia, que é a forma como hoje, para além do triunfo, naturalmente, ganhou vários jogadores e jogadores que poderiam estar com uma forma um bocadinho mais intermitente e que hoje apareceram em bom plano e que podem, claro, transportar isso para os próximos encontros da equipa do Sporting. Obviamente que olhando para esta exibição do Sporting, eu destacaria efetivamente estes quatro: o Jóqueres, o Trincão e o Gonçalo Inácio. E o Ricardo Esgaio, apesar de algumas imprecisões, mas deu muita dinâmica também ao corredor direito. Acho que sendo o patinho feio que é, há muitos adeptos que gostam do Ricardo Esgaio, muitos adeptos que não gostam, mas o Rúben Amorim hoje destacou e parece-me que destacou bem, porque o Ricardo Esgaio deu efetivamente dinâmica ao corredor direito, ajudou muito o Trincão a subir de forma na partida e hoje esteve bastante bem. Mas sim, totalmente de acordo com o que dizes, tirando o Jóqueres, Francisco Trincão foi o homem do jogo.
Sporting, muitos dominadores.
O segundo homem do jogo, podemos dizer assim.
O quê?
O segundo homem do jogo, podemos dizer assim.
Sporting muitos dominadores, já que percebemos na primeira parte não deu qualquer tipo de hipótese ao Farense. Na segunda parte, o Farense mais móvel, mais à procura do resultado, apesar de entrar neste segundo tempo já com uma desvantagem de dois gols, ainda assim a ir à procura do gol, e este gol surgiu mesmo.
É, e surge porque o José Mota mexe um bocadinho também na forma de estar da equipa. No segundo tempo também face, claro, à vantagem, o Sporting permitiu também que a equipa algarvia tivesse um bocadinho mais de iniciativa, mas a verdade é que o José Mota muda um bocadinho a forma de jogar da equipa, apesar de não ter mexido em nenhuma peça, mas subiu o Matheus. Ou seja, a equipa deixou de ter o Cláudio Falcão como um pivô, um trinco médio mais defensivo, e colocou o Cláudio Falcão ao lado do Fabrício Isidoro no meio-campo e subiu o Matheus para perto do Bruno Duarte. O que isso trouxe ao jogo do Farense? Trouxe, claro, uma maior capacidade para pressionar bem mais em cima dos jogadores do Sporting no momento de construção, e o Matheus aproximou-se da grande área. Portanto, há esse gol do Matheus, que é um grande remate, com também essa ressalva para o Franco Israel, que não esteve se calhar ao melhor nível nesse momento. Mas tudo isso acontece também ao subir um bocadinho o Matheus no terreno e aproximando o médio do ponta de lança da figura referência ofensiva da equipa algarvia.
Mário Cajica, depois disso o Sporting voltou a alargar vantagem, mas ainda assim o Farense conseguiu mais uma vez chegar à baliza do Sporting e surpreender novamente tanto a defesa como também o próprio Franco Israel, que já aqui falamos.
Era como dizíamos durante a transmissão. O Farense não cria muitas oportunidades, mas as que foi criando foram de facto perigosas ou deram em gol. E a verdade é que a equipa do Farense trabalhou muito bem no último terço, nos momentos em que soube aparecer perto da grande área da equipa do Sporting, a equipa algarvia consegue criar algumas situações de desconforto para a formação do Sporting, remates de meia distância bem trabalhados pelo Matheus e depois pelo Vítor. E a verdade é que consegue marcar dois gols em Alvalade. Enfim, sem criar muitas situações de gol. O Sporting cria muitas situações, ao contrário da equipa do Farense, consegue os quatro gols e podia ter marcado mais, a verdade é essa. Portanto, o que se pode dizer é que hoje, de facto, foi jogo aberto, com o Sporting a dominar a partida. Mesmo quando o Sporting sofre esse primeiro gol, a equipa reage muito bem, consegue chegar depois a mais um gol na partida. E, portanto, parece-me que hoje o Rúben Amorim, apesar da equipa ter sofrido dois gols, sai com muitas vibrações positivas deste encontro. Há aqui a questão do Franco Israel, que pode ser um bocadinho mais sensível, não esteve tão bem nos dois gols da equipa do Farense, mas de resto parece-me que o Rúben Amorim retira aqui notas muito positivas do que já referenciamos do Trincão, do Esgaio, do Inácio no meio-campo. Mesmo a linha de centrais esteve bastante bem. Talvez o Dário Essugo também não tenha entrado como se pedia. Acho que voltou a desperdiçar aqui uma boa oportunidade, mas no cômputo geral, acho que é uma noite muito feliz para o Rúben Amorim e para o Sporting. O Sporting ganha, fica pertíssimo da final four. Enfim, basta empatar frente ao Tondela para seguir mais uma vez para a final four, portanto, está praticamente garantido. E consegue aqui Rúben Amorim encontrar várias soluções para o plantel. Portanto, acho que foi uma noite muito positiva para o Sporting.
Condenssei aqui estes dois gols do Farense, mas saltamos aqui um dos gols que também marca esta noite. Já aqui falamos que Franco Israel não terá estado no seu melhor em ambos os gols do Farense. Por seu lado, o Ricardo Velho, o guarda-redes do Farense, também não terá tido o seu melhor momento no terceiro gol do Sporting marcado por Nuno Santos.
É, fica mal batido nesse lance, não há nada a dizer. Faz uma série de boas intervenções na partida, também convém dizer isso, o Ricardo Velho, mas lá está, quando as pessoas forem ver os gols da partida, vão ver efetivamente que no gol do Nuno Santos, o Ricardo Velho é muito mal batido.
Mas redime-se depois com algo. Não foi um par, foram algumas seis defesas nos minutos seguintes que fizeram com que o Ricardo Velho se redimisse. O jogo Desenrolou-se de uma forma em que por volta dos 65 minutos, eu te perguntei, Mário Cajica, se o jogo já estaria decidido ou não.
E o Gyökeres não te deixou responder.
E o Gyökeres não te deixou responder e matou o jogo, e consagrou-se assim um marcador com o primeiro hat-trick na equipe do Sporting.
É um gol à ponta de lança, um gol à Gyökeres. Já começam aqui a faltar alguns adjetivos para falar do ponta de lança sueco da equipe do Sporting, mas é um grande gol.
Há quem já diga que é o Alan de Alvalade também. Também o vês assim?
Consegue ganhar a bola na profundidade, tira o adversário do caminho e finaliza muito bem. Gyökeres é um dos melhores jogadores desta liga, não há como fugir a isso. É um dos maiores talentos desta liga e vai ser uma tarefa muito difícil para o Sporting de aguentar este jogador muito mais tempo em Alvalade, porque é de fato um grandíssimo jogador e os três gols de hoje demonstram tudo aquilo.
Algumas dificuldades técnicas na ligação a Alvalade, onde está o Mário Cajica e acompanhou o relato feito pelo Diogo Varela. Não temos a ligação com o Mário Cajica. Ficou apenas a faltar destacar aqui o melhor e o pior deste Sporting 4, Farense 2. Ainda assim, fechamos este relatório de jogo do Sporting Farense a contar para a Taça da Liga. Falta ainda um Sporting Tondela neste grupo C.