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Quarta jornada do campeonato, jogo de abertura em Vila do Conde, no Estádio dos Arcos, Rio Ave 0, Sporting 4. Vitória conquistada pelos Leões na primeira parte, com quatro gols nos primeiros 45 minutos e também o primeiro jogo do Sporting sem sofrer gols na edição 2026/2027 da Liga Portugal. Num jogo que, de relatório, talvez só mesmo pra primeira parte, poderíamos escusar a fazer a segunda, foi um jogo sem gols e também sem grande ação. Isso porque o Sporting, Felipe Coelho, entrou mais uma vez no ponto máximo de eficácia.
Sim, uma entrada fortíssima do Sporting. Essa é a primeira nota a retirar. Três gols em 26 minutos, basicamente selou a vitória na fase inaugural da partida, com destaque para a titularidade do Gonçalo Inácio. Foi a única mexida do Rui Borges em relação à equipe que tinha enfrentado o Alverca. O Inácio ocupou o lugar do Bah e foi por aí que o Sporting começou a construir a vitória, precisamente, porque com Zeno Debast e com Gonçalo Inácio, e perante a forma como o Rio Ave foi à procura de pressionar o Sporting, havia sempre uns centrais a ficarem soltos. Portanto, sobretudo o Inácio teve alguma margem para avançar no terreno, para criar jogo desde trás, e foi precisamente por aí que o Sporting chegou ao 1 x 0. O Sporting focou-se, sobretudo, a criar pela esquerda. Há que mencionar não só o Gonçalo Inácio, mas também o Flávio Gonçalves nos movimentos típicos de fora para dentro, e também o bom arranque de partida do Doumbia, que teve intervenção nos dois primeiros gols, desde logo no 1 x 0, da autoria do Flávio Gonçalves, com um passe formidável do Doumbia a rasgar a linha defensiva do Rio Ave, e depois o 2 x 0, já num formato de contra-ataque, com o Doumbia a carregar a bola pra frente e depois o Flávio excelente na definição a assistir o Gianni Katamo para esse segundo gol. O Sporting ficou com a vida muito facilitada, por mérito próprio, diga-se, pela forma impositiva como entrou na partida, pela forma como se mostrou capaz de construir jogo desde trás e das vantagens que foi conquistando o meio-campo ofensivo, também contando com a mobilidade do Luís Soares, que cresceu a nível posicional muito consideravelmente em relação à partida frente ao Alverca. E o mesmo se pode dizer do Zalazar. Enfim, um esforço abaixo em relação ao Flávio e ao Soares, mas foi também um jogador nuclear para o Sporting rapidamente atingir um score muito interessante na partida.
E a verdade é que nesta primeira parte, e reconheceu também o Silaidopoulos, treinador do Rio Ave, o Rio Ave acabou por entrar até corajoso no jogo. Fomos mencionando isso. Nos primeiros cinco minutos, até quase nem deu bola ao Sporting, mas como disseste, com muitas dificuldades para parar a transição, o treinador do Rio Ave reconheceu erros graves na maneira como a equipe se protegeu destes avanços do Sporting.
Sim, exatamente. O Rio Ave, perdendo o Diogo Nascimento, acabou por perder o motor cerebral da equipe, o jogador de maior critério, de maior discernimento no centro do terreno. E a inclusão do Nikica, ao lado do Netó, em um duplo pivô do 4-2-3-1 do Rio Ave, acabou por fragilizar bastante a equipe, porque o Rio Ave perdeu a bola com muita facilidade, perdeu a bola muitas vezes na zona intermédia do terreno, ficou desposicionada. Isso está muito ligado ao perfil do Nikica e do Netó, que não têm, de todo, características ideais de construção. São médios que não se perfilam da melhor forma, têm algumas dificuldades a nível de agilidade, nem sempre sabem por onde rodar. E o Sporting atacou muito bem esses dois elementos do Rio Ave, que acabou por ser uma equipe que ficou constantemente exposta. Além disso, pela forma como o Rio Ave tentava pressionar o Sporting, abriu sempre a possibilidade, nomeadamente o Inácio, sair com a bola. Mas mais do que isso, é que o Tambwe de Monteiro com a ponta-lança, o Bezerra e o Spicic dos dois extremos e o Belessa, que é uma espécie de segundo avançado, rapidamente ficaram longe dos restantes companheiros. Isso levava que o Rio Ave muitas vezes fosse uma equipe que estava partida no terreno de jogo. Isso abriu muitos espaços para o Sporting entrar no bloco vila-condense, sendo que a linha defensiva também não teve grande capacidade de correção e, portanto, o Sporting acabou por acumular gols com certa facilidade, fruto dessa inoperância coletiva, diria, mas ligada também aos perfis individuais que o Rio Ave evidenciou, meramente na primeira parte.
E antes de irmos à segunda parte, que pouco ou nada terá pra analisar, à parte também, sobretudo, das mexidas dos treinadores. Mas nesta primeira parte e também relativamente à equipe escolhida por Rui Borges pra começar o jogo, esta parceria defensiva entre Gonçalo Inácio e Debast, fomos dizendo aqui que poderia valer muito boas saídas de bola, mas temíamos aqui que pudesse comprometer o Sporting do ponto de vista físico, do ponto de vista defensivo. Acabaram por não ter muito trabalho ou foi mérito dos dois jogadores o pouco trabalho que tiveram?
Sim, o Inácio e o Debast, dentro do trabalho que tiveram, deram uma boa resposta, mas creio que aí há que salientar também a ideia estratégica que o Rui Borges trouxe para esta partida, sabendo de antemão que o Rio Ave, em alguns momentos, era uma equipe que esticava jogo à procura do Tambwe de Monteiro, que é um ponta de lança muito físico, muito possante e que poderia dar algum trabalho adicional ao Debast e ao Inácio. O Rui Borges, sabendo disso, acabou por proteger, de certa forma, os centrais e a própria equipe, porque o Sporting não foi uma equipe declaradamente pressionante. Fustiou-se num 4-4-2, aqui e ali com alguns saltos, nomeadamente do Zalazar, mas foi uma equipe que até esteve mais próxima da linha divisória e, com isso, protegeu não só os centrais, porque o Rio Ave ficou com menos margem para lançar diretamente a bola à procura do Tambwe, mas também o próprio Altimira e o Doumbia saíram beneficiados dessa ocupação, desse posicionamento, melhor dizendo, da equipe no terreno. Foram médios que estiveram um pouco mais protegidos. Portanto, diria que houve, sim, uma boa resposta individual, mas também houve aqui a intenção do Rui Borges em não expor tanto esses dois centrais a um jogo mais físico, porque, de fato, não iria ao encontro das características do Debast e do Inácio. Até pelo contrário, são jogadores que, do ponto de vista dos duelos, revelam algumas dificuldades, mas até nisso o Sporting foi inteligente na abordagem à partida dos Arcos.
Na segunda parte, o jogo perdeu muito em gols, também em intensidade. O jogo praticamente resolvido, os homens de Vila do Conde regressaram para cumprir os segundos 45 minutos. Parece que a sensação que deu é que os jogadores do Sporting vieram também só para cumprir calendário, sem nenhum gol nesta segunda parte, e um Sporting um pouco menos perigoso, um pouco menos intenso nas transições, e um Rio Ave que, apesar de ter tentado pegar no jogo, nunca teve grande capacidade para sequer assustar uma reação.
Sim, a segunda parte caiu claramente de interesse. Não era provável que o Sporting mantivesse o foco competitivo do primeiro tempo, depois de estar a vencer 4 x 0 ao intervalo. Acho que o chip da equipe foi muito mais no sentido de baixar o ritmo do jogo, ir tentando controlar através de uma circulação de bola a velocidade mais baixa, para não sofrer. Creio que essa era a intenção dos Leões para a segunda parte, depois também do encaixe de gols que foram fazendo ao longo das primeiras jornadas. Acho que havia essa ideia de manter uma folha limpa nesta partida.
E os jogadores mencionaram isso mesmo. Parece que também Flávio Gonçalves destacou a importância de não sofrer gols na zona de entrevistas rápidas.
Esse menor foco competitivo, ou pelo menos essa menor vontade de meter vertigem no jogo, acabou por trazer uma partida menos interessante na segunda parte e o Sporting teve, no início da segunda parte, dois, três erros a nível de passes, que permitiram algumas saídas ao Rio Ave, mas nada de muito relevante. O Rio Ave acaba por ter um lance do Spicic ao minuto 73, tem outro cabeceamento do Tambwe Monteiro, mas foram oásis numa partida controlada pelo Sporting, que depois até na reta final acabou por conseguir aumentar um pouco mais de velocidade, mediamente com a entrada do Hiran Cunda e do Jes Deri. O Sporting ainda criou dois, três lances, mas também não houve muito a realçar na segunda parte do Sporting, até porque o Salazar e o Suárez foram caindo um pouco de rendimento.
E Maxi Araújo esteve um pouco abaixo daquilo que costuma ser habitual.
Sim, menos preponderância ofensiva, apesar de tudo ainda faz a assistência para o Suárez, mas não esteve tão presente no jogo. Valha a verdade, o Sporting acabou por não precisar da melhor versão de Maxi Araújo, daquela versão que o Maxi apresentou, por exemplo, na última jornada contra o Alverca, na altura fazendo inclusivamente o 1 x 0. Esteve uns furos abaixo, é verdade, mas nada de muito preocupante para o Sporting, que acabou por ter o jogo no seu bolso, praticamente desde o início.
E antes de irmos ao melhor e ao pior, só olhando para as mexidas de Rui Borges, entraram Deri e Luís Guilherme, que acabou por ocupar uma posição mais central, com alguma surpresa nossa. Também Silas Anderson e ainda Foti Ioannidis, que entrou para jogar na frente e partilhar algum tempo de campo com o Luís Suárez. Que análise fazes também destes testes feitos pelo Sporting do Rui Borges, quando já vencia por 4 x 0 e tinha o jogo na mão?
Sim, muito tempo de jogo para Luís Guilherme, para o Silas e para o Ioannidis, cerca de 25 minutos de utilização, com essa tal junção do Ioannidis ao Suárez, à semelhança do que já tinha acontecido contra o Vitória. Não creio que tenha melhorado propriamente o jogo do Sporting, até porque implicou a saída do Flávio Gonçalves, que voltou a ser um dos jogadores de maior discernimento, maior clarividência nos Leões. O Luís Guilherme, sim, entrou primeiro para extremos direito, para o lugar do Catamo e depois acabou na fase final por ocupar uma posição mais interior, quando o Hiran Cunda passou para a direita. Mas só mesmo nessa reta final, com o Deri à esquerda, o Hiran Cunda na direita e o Ioannidis já no centro do ataque, é que o Sporting foi capaz de criar perigo, mas diria que não foi propriamente um teste de maior exigência para estes jogadores. O Silas ocupou o lugar ao lado do Altimira. Creio que é um jogador mais cerebral e mais criterioso do que o Doumbia, que pese embora tenha estado ligado aos dois primeiros gols do Sporting, acabou por revelar novamente alguns problemas em termos de passe, de continuidade, de concentração. É um jogador que ainda revela dificuldades de adaptação a esta posição de número oito, de segundo médio, nem sempre sabe para onde rodar e o Sporting ainda perdeu algumas bolas à custa destas dores de crescimento que o Doumbia está a revelar. Mas apesar tudo, foi um jogo que esteve sempre controlado pela equipe do Rui Borges.
Felipe Coelho, para fecharmos este relatório do jogo da quarta jornada de jogo entre Sporting e Rio Ave, 4 x 0, vitória dos Leões no Estádio dos Arcos. O que foi o pior esta noite em Vila do Conde?
O pior é a inoperância coletiva do Rio Ave ao longo de toda a primeira parte. A equipa não teve qualquer capacidade de correção depois de 1 x 0, de 2 x 0, 3 x 0. Não, deixou realmente o resultado avolumar-se. Nesse sentido, foi uma equipa bastante espaçada no terreno, que se desposicionou com muita facilidade, que se expôs no corredor central. Parece-me que Nikic e Netoi não pode ser uma dupla a considerar por Silas da Ponte para as próximas partidas, mesmo com as ausências do Diogo Nascimento, do Aguilera, do Ryan Guilherme, enfim, são jogadores que a sua ausência pesa nesta equipa do Rio Ave. Mas de facto, este meio-campo faltou muito acompanhamento e depois a questão dos quatro homens da frente, que eu creio que também não juntaram como deviam na linha intermédia e isso levou a que o Rio Ave fosse uma equipa muito desconjuntada e que abriu muitos espaços para o Sporting.
Vamos, para fechar este relatório de jogo, Felipe Coelho, saber o que foi o melhor desta noite de Rio Ave-Sporting, 4 x 0 para os Leões.
Foi a entrada do Sporting, que avançou para uma exibição convincente, exibição mais completa deste início de campeonato. Diria mesmo que foi o melhor período do Sporting nesta edição da Liga 26/27, com criação à esquerda, com muita mobilidade do Luís Suárez e de facto, com Suárez neste patamar, o Sporting já é uma equipa mais reconhecível, mais capaz de criar jogo associativo. Suárez cresceu muito a nível exibiicional em comparação com o jogo com o Alverca. Depois, Flávio Gonçalves continua a dar muito boa resposta. É um jogador fundamental nas ligações do último terço. O Zalazar também é importante num dos gols. Catamo com sentido prático habitual. Portanto, estes quatro da frente, com o Altimira, que também está a crescer a nível da ocupação do meio-campo, são o melhor do Sporting e que leva essa entrada muito poderosa da equipa do Rui Borges, que permitiu chegar a um resultado muito convincente desde o início, que depois também deu essa possibilidade de gerir e de agarrar os três pontos.
Felipe Coelho, está feito e entregue o relatório de jogo deste Rio Ave 0, Sporting 4, o jogo a contar para a quarta jornada do Campeonato 2026/2027. Um grande abraço, Felipe.
Um grande abraço, Vicente.