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Nova edição do Relatório do Jogo, desta vez com o Gabriel Alves, comentador do Observador. Gabriel, começamos pelo bom de bola. Quem é que vais eleger nesta partida entre Benfica 2, Estoril 1?

Eu dou ao Langlé, porque de facto é um gol extraordinário. É um gol empolgante e é um gol importante para aquela que era a estratégia do Benfica, portanto, aumentar o resultado para 2 x 0, quando a formação do Estoril se organizava para poder fazer um assalto à desvantagem de 0 x 1. Mas esse assalto era complicado e complexo, porque quando uma equipa só tem dois remates entre paus e só faz um gol, por um lado, mostra que tem eficácia, mas por outro, demonstra que dois só é muito curto. Tem que ter mais remates à baliza para poder, obviamente, acalentar poder desequilibrar o adversário. Essa é a minha nota. Para Langlé, a minha força da técnica.

Muito bem. Um a menos, o pior jogador da equipa e por quê? O João Pinto elegeu aqui o Sheldrum.

Vou dizer que o Sheldrum esteve aquém daquilo que naturalmente é esperado dele. Mas o Lukebakio também não entrou bem na partida. O Duran também não entrou bem na partida. A verdade é que este Benfica, que tem estado imparável e que naturalmente os seus adeptos anseiam sempre 3x4, porque isto tem acontecido, vão ter que se adaptar ao fato de que vencer é o mais importante e, obviamente, ter essa capacidade, porque os seus adversários são adversários que conhecem e têm treinadores, aquela que é a estratégia, aquele que é o trabalho da formação e obviamente vão tentar anular e vão pôr a sua estratégia em campo, como hoje bem, em termos defensivos, fez a equipa do Estoril, fazendo um 5-4-1 ou um 6-2+2.

Vamos ao urro do bandido, neste caso, o melhor jogador do lado do Estoril.

Eu diria que é o guarda-redes, porque obviamente o Benfica tem sete remates entre paus e desses sete remates entre paus, tem dois lá dentro. Ficam cinco. Robles esteve praticamente neles todos. E de fato, este guarda-redes é um excelente guarda-redes. Já é um guarda-redes de 36 anos, 1,96 metro, é um guarda-redes espanhol que tem alguma escola em Espanha. Ele esteve na escola do Atlético, jogou no Betis, esteve no Leganés, também passou pelo futebol inglês, pelo Everton.

Ele começou no Atlético de Madrid.

Exatamente. A escola é o Atlético de Madrid, aliás, tem disso. Portanto, é um guarda-redes que mostrou que dentro daquilo que é organização defensiva, uma boa estratégia, com bom desempenho. Atenção, porque o Estoril teve um bom desempenho defensivo, completamente de acordo com o Marco Silva, quando fala dos 5-4-1 e dos seis defesas, que é 6-2+2 em diferido dentro do campo, para travar aquela que era a envolvência, que é muito forte do Benfica nas tais triangulações. Falámos isso durante a partida, sobre a direita, Bá, Leandro e Rafa, sobre a esquerda, Dal, Pestiani e Sudakov, que é uma ação muito forte que o Benfica tem tido com estes futbolistas, uma dinâmica muito agressiva. A verdade é que o Estoril estudou bem o adversário e a verdade é que todos os treinadores, em função das unidades que tem cada um e daquilo que é o seu pensar de jogo, vão tentar travar o Benfica, como vão tentar travar o Porto, estas equipas menores. Quando forem jogos de equipas para equipas, se for um Benfica-Sporting ou um Porto-Benfica, até um Braga-Benfica, como é um Porto-Sporting ou um Braga-Sporting ou um Porto-Braga, obviamente que as coisas tornam-se muito mais densas, porque são equipas, todas elas, com melhores jogadores, melhores artistas e naturalmente que os treinadores tiram maior índice de qualidade do seu futebol, tentando impor o seu e anular o do adversário.

Muito bem. Vamos avançar aqui para o querido "mister", no fundo, analisar a estratégia e também as substituições de cada um dos treinadores. Neste caso, Marco Silva fez aqui algumas dessas alterações com pouco destaque em campo. Nem se destacou propriamente.

Praticamente não houve produtividade. Falou-se do Sheldrum, mas não foi só o Sheldrum, o Lukebakio, o próprio ponta de lança também que entrou. Aliás, hoje é uma noite em que o Pavlídis teve pouco, porque Pavlídis é um jogador muito associativo e ele esteve muito travado, plateia onde o meteram. E ele ali não pode ser associativo. Agora, é verdade, é ponta de lança. Teve um espaço, mordeu. Isto é o melhor abono que se lhe pode dar enquanto posição de ponta de lança. De resto, as substituições hoje não trouxeram, a não ser momentos para o próprio treinador tirar ilações.

Falamos aqui dos jogadores que até estão na iminência de poder sair ou não do Benfica. Sabemos bem como é que é o mercado.

Isto é o mercado. Nesta altura, é tudo ainda muito subjetivo e muito surreal.

Faltam quatro dias.

Faltam quatro dias, portanto ainda vamos esperar. Não é só com o Benfica, é com todos. Não só cá, como lá fora.

Exato. Quanto ao Estoril, alguma nota para Vasco Matos ou nem para isso?

A nota que eu tenho para Vasco Matos é que trouxe, de facto, uma boa estratégia, um desempenho defensivo bom, defendeu bem. Teve um golo sofrido, a equipa não se desarmou, teve em Roberts, como já dissemos, o guarda-redes à altura destes acontecimentos, daquilo que era a maior potência atacante do adversário. E a verdade é que Vasco Matos alertou Benfica neste momento, é um jogo difícil, salientando o futebol forte, uma equipa com bola muito agressiva nos seus deslocamentos atacantes. E a verdade é que o Estoril conseguiu travar essa agressividade e só o golo do Pavlidis e depois aquela exceção do Lenglet é que acabaram por destruir. Agora, há aqui um fator: marcou um golo. A verdade é esta, e o Benfica tem que ter alguma atenção aqui. Atenção que o Benfica já sofreu três golos neste campeonato e não tem quatro jogos, tem três jogos. Portanto, isto é algo para reflexão.

E é algo que Marco Silva não gosta.

Não, nenhum treinador. Não é o Marco Silva, é todos os treinadores. Há equipas que podem ganhar por quatro, cinco a zero.

Ainda hoje o Barcelona venceu cinco, dois.

Claro, e sofreu. E é isso que eu digo, esta questão. Mas eu acho bem que os adeptos gostem, todos, os de encarnado, os de verde e branco, os de azul e branco, todos os adeptos querem que a sua equipa ganhe, por isso é que vão ao estádio, por isso é que há esta força da multidão, que é fantástica, mas esta imparabilidade não vai acontecer todos os dias. A verdade é que o Barcelona sofreu, e sofreu bem, muito, mas sofreu muito, e depois acaba por ganhar por cinco, dois. Mas aquilo teve muito mais tempo em dois, um e três, dois, e ainda por cima teve que fazer remontada na fase inicial. Portanto, o que mostra que as equipas têm que ter essa capacidade e essa qualidade, e esse estofo. Não é só serem bons jogadores, não é só serem boas estratégias, não é só serem bons desempenhos, tem que ser acima de tudo caráter, força, determinação, atitude. E isto para todos. No caso circunstante desta altura, Benfica que é candidato a títulos, obviamente tem que ter. Quanto ao Estoril, se pretende mais, tem que ter mais bola no último terço, tem que arriscar mais. Foi muito curto, porque só fazer dois remates e marcar um golo. Marcou o golo, ótimo, mas é muito curto para aquilo que são as aspirações de poder tentar ganhar um ponto e isso obviamente que não se deu. Quero só deixar aqui a técnica do discurso, porque é importante.

Sim. Depois passamos às notas.

Não só pelas palavras de Marco Silva em relação ao Palhinha, muito bem. Portanto, uma boa palavra para o exterior e também para dentro. Palhinha está a fazer o trabalho do conhecimento. E também o discurso do Rafinha esteve muito bem na flash interview e aquela chamada de atenção aos garotos da escola do Benfica. Tocou bem.

Muito bem. Vamos avançar para as notas finais, Gabriel. A quem é que vais dar nota de zero a 20?

Eu vou dar uma nota forte ao Lenglet, já falei disso. A técnica hoje foi a força da técnica. Portanto, é aquele golo. Não por mais, mas aquele golo bastou levantar o estádio, porque levanta um estádio qualquer, em qualquer sítio do mundo. Portanto, eu dou-lhe 16.

E ficamos assim com esta nota 16.

Eu só tenho aqui algo mais para dizer, mesmo no âmbito deste jogo, digamos, no fórum deste jogo, que é de facto um jogo importante do campeonato. Eu já falei disto hoje, mas quero arrematar. É muito simples, nem tanto. Quer dizer a Leon Messi, que se despediu e disse que já não vai mais à seleção. Já falei dele hoje. Agora, muito simples, como adepto do futebol, como comentador e narrador durante muitos anos de Messi, que eu conheço desde 2006 num jogo Nápoles-Angola, que tive o privilégio de comentar, narrado pelo meu amigo e grande narrador da TPA, Luiz Caetano. Messi, pelo que nos ofereceste, obrigado.

E obrigado, Gabriel Alves, neste relatório de jogo Benfica 2, Estoril 1.