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Feira de São Mateus, edição 633. É uma das feiras mais antigas a nível europeu, a mais antiga a nível da Península Ibérica. Começa neste dia 7 de agosto e vai durar mais de um mês. Vai durar até 21 de setembro, sendo que tem também, desde há pouco tempo, um festival inserido dentro desta própria feira, um festival já dedicado aos mais jovens, o Mateus Fest, que vai ter mais uma edição este ano. Conto, na Rádio Observador, com Pedro Alves, presidente da Viseu Marca, entidade que organiza a Feira de São Mateus. Muito boa tarde, Pedro. O que podemos esperar desta Feira de São Mateus, esta edição 633?
Muito obrigado, também. E boa tarde a todos. Antes de mais, agradecer também a disponibilidade para falarmos um pouco sobre a feira mais antiga do país. São 633 edições e esta, desde logo, por ser uma das mais longas, provavelmente a segunda mais longa, com 46 dias de período de feira. Esta feira vai ser o que normalmente é, embora com a capacidade que temos tido também de encontrar aqui alguma inovação. É uma feira, em primeiro lugar, para todos. Uma feira de encontro de famílias, um ponto de encontro para todos do país, mas fundamentalmente aqui para a nossa região. É uma feira que todos nos habituamos a visitar desde pequeninos, em família, como disse, com os pais, com os avós, depois mais tarde com os amigos, com as namoradas e seguidamente com as mulheres, com os maridos, com os filhos, e fazer esse encontro geracional. Isto por quê? Porque temos uma diversidade também de ofertas que vão ao nível da programação cultural, com um cartaz apelativo do ponto de vista dos espetáculos musicais, onde temos artistas consagrados, internacionais e nacionais. E aqui iria destacar o Lukas Graham, que é um artista consagrado internacional com o maior relevo, mas também temos aqueles consagrados nacionais, alguns com alguma longevidade. Nós temos os Calema, temos os Taxi, temos o GNR, mas também artistas de uma música mais ligeira, por ser uma oferta variadíssima, como o Matias Damásio, o Miguel Araújo. Ou seja, há uma diversidade de espetáculos em função dos gostos musicais e das diferentes gerações. E a aposta também, como a feira tem tantos anos de existência, temos também que programar em função das novas gerações. E temos sentido que as novas gerações também já vão marcando aqui encontro regular e forte na Feira de São Mateus. Temos o Dillaz, temos o Bispo, temos depois o tal festival que aqui falámos, que é o Mateus Fest, que o ano passado teve a sua primeira edição e com o sucesso que nós pretendíamos. Este ano o Mateus Fest vai ter como cabeça de cartaz o Matuê, estará também o Vanzy e um projeto também com o Prof Jam e o Lonar Johnny, que se apresentam aqui no dia 29 de agosto. Ou seja, do ponto de vista musical, há uma diversidade grande de espetáculos, mas a feira mantém também as tradições de sempre. Temos uma programação secundária também que nos permite trazer a palco, num palco secundário, as tradições populares, também das danças e cantares, e também tudo aquilo que, do ponto de vista cultural, se vai fazendo aqui na cidade e na região. Nós este ano também encontrámos como mote principal, acompanhámos o município de Viseu, a Câmara Municipal, no mote do ano, que é Viseu, uma cidade para ser feliz, e nós procurámos transmitir esta felicidade dizendo: se tu queres ser feliz, tens que vir também à melhor feira do país. É este o nosso objetivo. A par de tudo isto, a Feira de São Mateus tem mais atividade. A gastronómica também, que é daquelas que atrai também qualquer visitante a um certame destes, e aqui encontrar, seja ao nível da restauração de comida tradicional, seja também ao nível da tradição, as enguias da Murtosa, que têm aqui uma tradição também já praticamente de um século na Feira de Viseu. Curiosamente, houve tempos em que 50% da produção era consumida na Feira de Viseu e por isso ainda há também muita gente que se desloca à Feira de São Mateus para provar esta iguaria, que são as enguias. E procurámos, dentro deste tipo de atividade gastronómica, criar zonas específicas para aquilo que denominamos de street food, uma comida mais simples, mais rápida e também mais apelativa para as novas gerações. E temos um novo espaço também de restauração que criámos este ano. E depois, o que é normal: diversões com fartura, muitos divertimentos onde as famílias também se encontram, os mais jovens, os mais arrojados, nuns divertimentos também eles mais perigosos, por assim dizer, mais apelativos. Mas é esse o nosso objetivo do evento, ou seja, ter uma feira para todos. A par disto, e é mesmo muito importante agora, nós há dois anos, desta parte Procurámos também ter uma componente pedagógica em relação à sustentabilidade, seja do evento, seja do planeta, da nossa Terra, e procurámos ir ao encontro daquilo que eram os objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU. Somos hoje o primeiro evento sustentável de acordo com estes parâmetros. Somos um exemplo que procuramos, do ponto de vista pedagógico, transmitir a quem nos visita, um conjunto de boas práticas, porque essas práticas que metem em cada um de nós não são algo intangível, é algo que cada um pode fazer no seu dia a dia. E daí criarmos dentro da Feira de São Mateus uma rota da sustentabilidade com um conjunto de pontos onde tornamos mais visível e consciente esta necessidade de todos darmos um contributo para a melhoria do nosso planeta. Mas se a feira tem esta componente pedagógica, nós também, como disse, queremos a feira para todos. E uma feira para todos é mesmo todos, todos, todos, como diria o Papa Francisco. Já no passado tínhamos uma zona específica para o bebê, para amamentação do bebê, para criar aqui um espaço de maior conforto para a mãe e para o bebê ter os seus cuidados. Este ano, vamos criar aqui, em parceria também com um operador, um espaço que é de inclusão, ou seja, essa sustentabilidade também numa perspectiva de inclusão. E queremos, por isso, criar um espaço para que os autistas e as famílias que têm pessoas que tenham esta diferença, se sintam também confortáveis em vir à Feira de São Mateus e para que em qualquer momento possam socorrer deste espaço, onde estão técnicos e profissionais especializados que garantam que podem estar tranquilos, dá para acalmar, é uma zona de recuperação onde eles podem ter a certeza que são devidamente acompanhados. Ou seja, é uma feira mesmo para todos. Queremos que a Feira de São Mateus seja um espaço de felicidade, onde quem vem todos os anos crie memórias felizes e que essas memórias felizes sejam suficientemente boas para que a cada ano que passa nós consigamos ter esse público de visita, o tal ponto de encontro de gerações, sejam dos que estão aqui, que vivem cá, sejam muito o encontro de gerações da diáspora, mas que, sobretudo, a Feira de São Mateus consiga, dentro da sua longevidade, ser a referência que nós pretendemos como evento que é a nível nacional. Já fomos, inclusive, através do nosso público, eleitos como a melhor festividade ibérica ainda o ano passado. Quer dizer que temos cumprido com o nosso dever de fazer com que o público se aproxime e cresça de ano para ano, superamos mais de 1.200.000 visitantes por ano.
Pedro Alves, vou-lhe pedir aqui um exercício mais complicado. Explique-me em menos de um minuto, para quem nunca visitou a Feira de São Mateus, o que é diferente de outras feiras, por que razão deve visitar esta que é a mais antiga feira em Portugal e uma das mais antigas da Europa?
Desde logo porque a Feira de São Mateus, para além de ser a mais antiga, é aquela que tem tido a capacidade de se renovar e de se ajustar ao longo dos anos, em função daquilo que são também os desafios e os gostos de cada uma das gerações. É um espaço que, do ponto de vista do conforto para quem nos visita, não temos nenhum espaço comparável no país inteiro e daquilo que tenho de experiência, não é menosprezando o trabalho dos outros, é mesmo a nossa capacidade de organização, é há 633 anos organizarmos nestes 75 mil metros quadrados dentro da cidade, ou seja, é uma cidade dentro da cidade. É o cartão de visitas da cidade de Viseu e sendo Viseu a cidade melhor para viver do país, como muitas das vezes fomos classificados por estudos diversos que são feitos, nada melhor, como disse, se queres ser feliz, tens que vir visitar a melhor feira do país.
Há aqui uma outra questão que tem marcado os últimos dias e acredito que possa vir a marcar ainda em mais ocasiões durante este mês, a utilização de pirotecnia. A Feira de São Mateus costuma ter, salvo erro, na abertura, a utilização de fogo de artifício. Perceber se isso vai acontecer este ano, se foi adiado, se vai acontecer ao longo da feira, o que está previsto também nesse aspeto?
Temos uma sessão de fogo de artifício na abertura da feira. Nós antecipámos todo este problema e adiámos este exercício de lançamento de fogo. E já o teríamos de acordo com aquilo que é a informação do governo, à hora que lançamos o fogo, já estaríamos libertos, à meia-noite. No entanto, não achamos que é um minuto depois que as coisas deixam de acontecer. E por isso, pelo respeito da situação em que se encontra e pelo aquilo que as autoridades nos pediram, mas sobretudo também por aquilo que os bombeiros estão a fazer, nós entendemos por bem adiar essa sessão para uma data a anunciar, porque é mais importante qualquer situação destas do que desrespeitar e podermos criar aqui qualquer tipo de incidente. Mesmo assim, nós para substituirmos esta sessão de fogo, criámos aqui um espetáculo de luzes, contratámos para que também haja brilho na inauguração, luzes e música, para também brindar quem nos visita neste dia com algo de diferente. Uma vez que também queremos alguma solenidade, algum divertimento, durante esta sessão de inauguração que acontecerá amanhã a partir das 21h, e convido toda a gente a estar presente e que também se vão divertir mesmo sem foguetes.
Muito bem, Pedro Alves, muito obrigado por esta explicação e por este detalhar daquilo que vai acontecer na Feira de São Mateus. Começa neste dia 7 de agosto, termina a 21 de setembro.