Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Agora em linha contamos com o doutor Hélder Pereira. É diretor de cardiologia do Hospital Garcia de Orta, ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e está conosco em linha para nos ajudar também a perceber esta questão de saúde. Sabemos que há muitos sintomas a que devemos estar atentos. Sabemos também que há muitas recomendações, mas um ataque ou problema cardiorrespiratório pode acontecer a qualquer momento e a qualquer pessoa. Neste caso, doutor Hélder Pereira, Jorge Costa tinha tido um infarto, recuperou após ser submetido a um cateterismo em 2022. Isto era um sinal de problemas cardiorrespiratórios com Jorge Costa. Não sabemos ao certo muita informação. Hoje o hospital comunica apenas que sofreu uma paragem cardiorrespiratória, que foi transportado pela viatura médica de emergência em Gaia, em manobra de reanimação cardiopulmonar ao Hospital de São João e verificou-se o óbito na sala de emergência às 14h17. Não havia muito mais a fazer num caso destes.
Olá, boa tarde. De facto, eu não conheço em concreto o caso do Paulo Costa, mas quem já teve um infarto significa que já tem doença aterosclerótica, portanto, que é a doença das artérias, neste caso, do coração. Mas enfim, a aterosclerose afeta todas as artérias, pode ser se for no cérebro, é um AVC. Portanto, quando já há antecedentes de infarto, significa que o risco é maior do que quando não há. Portanto, perguntou-se se todos nós podemos estar sujeitos a infarto. Sim, todos nós podemos estar sujeitos, quanto mais idosos somos, maior é o risco. No entanto, há fatores de risco que são muito importantes e que aumentam muito a probabilidade de termos um evento desses, que é o tabagismo, o colesterol elevado, a diabetes, a tensão não controlada, a obesidade, o sedentarismo. Tudo isso são fatores de risco que quando existem mais que um, aumentam ainda mais o risco. Portanto, perante os doentes que já tiveram infarto, é muito importante nós transmitirmos sempre isto: atenção, que, por exemplo, o doente teve um infarto, fez um cateterismo, abriu-se a artéria que é causa do infarto do miocárdio, é uma artéria do coração, ou coísse com um coágulo. Nós demos atenção, nós tratamos aquela artéria que estava ocluída, mas a partir de agora é muito importante estarmos focados em tratar muito bem o colesterol. O colesterol tem que estar baixo. Há o que é chamado colesterol mau, que é o LDL. Para os doentes em infarto, devem ter um LDL abaixo de 55, tomarem os medicamentos que são necessários para atingir esse alvo, tratar diabetes, tratar a tensão e evidentemente, quem fuma, nunca mais fumar, porque isso tudo aumenta o risco.
Neste caso, há esta ligação ao infarto sofrido em 2022. Uma pessoa que acaba por ter um infarto deve ter outro tipo de preocupações a partir daí. É certo que muitas pessoas que possam ter um infarto, podem viver muitos anos depois dessa situação, mas há alguma recomendação a quem passa por uma experiência dessas?
Há um aspeto muito importante, para quem nos está a ouvir, na suspeita de infarto. E qual é a suspeita de infarto? Infarto é um peso, uma dor forte no peito, que pode ir para o pescoço, para os braços, para as costas. Face a estas queixas, ligar imediatamente para o 112. Isso é importantíssimo. Por quê? Aparentemente, pelo que me acabou de descrever, provavelmente o Jorge Costa fez isso, porque foi através da VEMER. Por quê? Porque quando fazemos isso, o INEM vai imediatamente ter com a pessoa em casa, onde ela está, e a partir daí, se houver uma paragem cardíaca, eles reanimam imediatamente e a pessoa sobrevive. Se a pessoa for pelos seus próprios meios ou se atrasar, se tiver uma paragem cardíaca, dificilmente conseguirá sobreviver. Portanto, isso é um aspeto logo muito importante e quem já teve um infarto deve estar muito alerta para isso. Assim que começar com dor, imediatamente pedir socorro. E depois, se isso for feito muito precocemente, o coração praticamente fica sem sequelas. O infarto, como eu disse há pouco, resulta da oclusão, do entupimento de uma artéria do coração com um coágulo, que se forma dentro da artéria, faz um cateterismo de emergência, abre-se a artéria, o fluxo de sangue restabelece e habitualmente não fica praticamente nenhuma cicatriz. E se a pessoa a partir daí tiver cuidado em controlar esses fatores de risco todos que eu nomeei, em princípio, faz uma vida completamente normal e tem longos anos de vida à sua frente. Evidentemente, se uma pessoa tem um infarto, não tem cuidado com o colesterol, fica sedentária, continua a fumar, o risco de voltar a ter o evento é muitíssimo elevado. Mas, em conclusão, os doentes que têm infarto, se forem tratados convenientemente, precocemente, fazem uma vida normal como qualquer uma pessoa que não tinha tido infarto.
Doutor Hélder Pereira, falar aqui também desta situação ligada ao desporto. Jorge Costa, desportista, uma longa carreira ligada ao futebol, mantinha-se ligado ao desporto. Às vezes existe esta ideia de que os atletas não correm riscos, são situações que podem acontecer a qualquer um. Mas há preocupações que se devem ter no caso de desportistas diferentes, não? Como é que é essa situação?
É assim, mesmo sem ser desportista, eu vejo muitos doentes que por vezes não têm cuidado, por exemplo, fumadores, mas que consideram que fazendo exercício, que isso, de alguma maneira, vem reduzir o risco. Não é verdade. Nós, apesar de fazer desporto, e desporto é muito positivo, é muito importante, mas se não controlarmos outros fatores de risco, continuamos a ser indivíduos de elevado risco. Agora, em relação aos desportistas profissionais, eles precisam, de facto, de ser acompanhados, porque são esforços muito intensos, muito prolongados e há uma série de protocolos para se observar e seguir, que habitualmente não se aplicam às pessoas que fazem exercício de forma amadora. Mas fazer exercício não é um passaporte para não ter infarto. É preciso fazer exercício e, ao mesmo tempo, ter cuidado com todas as outras medidas que nomeei.