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Foi um caso noticiado pela RTP de um bebê que terá nascido no chão, à entrada das urgências no Hospital Santos Silva, em Gaia. O pai disse que chegou com a mãe a explicar que já era o terceiro filho, que costumava ter partos bastante rápidos, que pediu assistência, que não a receberam, que foram mandados para casa e que depois, quando regressaram, a equipa médica não agiu rápido o suficiente e que a criança acabou por nascer à entrada das urgências. Antes de mais, Ana Margarida Fernandes, muito obrigada por ter aceitado prestar-nos esclarecimentos sobre esta situação. Foi assim que a situação aconteceu, assim como explicou o pai do bebê, Frederico Fernandes?

Após a consulta do processo clínico da senhora em questão e a auscultação dos intervenientes naquele dia, o que aconteceu foi que a senhora, por uma primeira vez, dirige-se à nossa ULS, ao serviço de urgência de obstetrícia, faz a admissão administrativa às 16h20, às 16h33 é triada pela enfermeira e às 16h40 já estava a ser avaliada pela equipa de obstetrícia de urgência. Como é que ela foi avaliada? Fez o registo cardiotocográfico e fez a avaliação do colo do útero por uma médica que estava de urgência de obstetrícia. Houve uma avaliação e uma assistência à grávida. A avaliação médica concluiu que a grávida, na altura, não estava em fase ativa de parto. E considerando que a senhora residia em Vila Nova de Gaia, a uma curta distância do serviço de urgência de obstetrícia de Vila Nova de Gaia, e de acordo com as recomendações da especialidade de obstetrícia, foi explicado à grávida, foi explicado ao marido, os sinais de alerta e que, como não estava em fase ativa de parto, que regressava para casa e ao mínimo sinal de alerta que lhe foi explicado, que deveria recorrer novamente àquele serviço de urgência. Eu entendo que terá sido isso que aconteceu na segunda vez que a grávida recorre. O que acontece é que à entrada do serviço de urgência, efetivamente, acontece o nascimento do bebê, que é prontamente assistido pelo pai e por um bombeiro que estava ao lado, e a equipa de emergência médica da ULS Gaia Espinho, que estava também próxima, em poucos segundos aproximou-se, prestou os primeiros cuidados ao bebê e à mãe, nomeadamente o aquecimento do bebê, foram transportados para a sala de emergência, que fica ao lado da admissão, e após a verificação que não havia nenhuma intercorrência grave, nem com a mãe, nem com o bebê, mãe e criança foram transportados, acompanhados pela equipa de obstetrícia de urgência, para a sala de parto, para depois se desenvolver todo o resto do parto normalmente.

Isso depois já da criança ter nascido à entrada das urgências, correto?

Há aqui as situações que nós não conseguimos controlar, que foi a criança ter nascido à entrada do serviço de urgência, mas mal a equipa que estava apercebeu-se do que estava a acontecer, mãe e criança foram prontamente assistidas.

E confirma que a criança, no momento do nascimento, nasceu e bateu com a cabeça no chão?

Eu não posso confirmar porque eu não estava lá, mas aquilo que me foi transmitido foi que efetivamente houve uma preocupação por parte da equipa de emergência que foi assistir à grávida e à criança se poderia ter acontecido isso, mas foi o próprio pai da criança que desmentiu e que disse que conseguiu segurar a criança para a criança não cair no chão.

E portanto, estava a me explicar que a partir daí, tanto a mãe como a criança foram encaminhadas para a sala de parto, correto?

Inicialmente, para a sala de emergência, que fica mesmo à frente da entrada do serviço de urgência, que tem uma comunicação direta, que é para recebermos as situações emergentes que vêm da rua, nomeadamente situações como esta, e depois de haver uma avaliação inicial e de se justificar que a criança e que a mãe estavam bem, é que pela equipa médica que estava de serviço, é que foram encaminhados para a sala de parto para a mãe fazer o processo normal do resto do parto, nomeadamente a expulsão da placenta, tudo já em ambiente controlado. A criança foi imediatamente avaliada, ainda na sala de emergência, por um neonatologista, que garantiu que a criança tinha nascido bem, que sem nenhuma complicação, tanto que grávida e criança, neste caso agora mãe e criança, tiveram alta hoje do hospital. Voltaram para casa.

Tiveram hoje alta. Então encontram-se as duas bem, principalmente a criança, que os exames não revelaram nenhum problema.

Nenhum problema, nenhuma complicação.

Alguma coisa que o hospital, que a equipa médica poderia ter feito diferente para que esta situação não tivesse acontecido, para que a mãe não tivesse que dar à luz a criança à entrada das urgências?

Não. A grávida foi avaliada, os colegas médicos seguiram as recomendações da especialidade de obstetrícia e agora nós sabemos que nas gravidezes existem uma série de fatores que, às vezes, não são de todo controlados, nem controláveis, e que estas situações podem acontecer. Tudo o que podia ser feito da equipa que estava na urgência da ULS Gaia Espinho foi feito de forma muito célere e de forma praticamente imediata, que foi garantir que mãe e bebê estavam bem e sem nenhuma complicação, tanto que já tiveram alta hoje.

Claro. O pai, pelo menos daquilo que indicou à RTP, que foi quem avançou esta notícia, disse que ia apresentar queixa ao hospital e também à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e também à Ordem dos Médicos. O hospital já recebeu esta queixa por parte do pai?

Não, que nós tenhamos conhecimento, não, mas está tudo registado, nomeadamente afirmações em que não há avaliação nem assistência. A senhora tem um processo clínico no hospital em que está tudo registado, nomeadamente os exames que a senhora fez, que são compatíveis com um trabalho de parto, ou melhor, neste caso, que a grávida não estava em trabalho de parto ativo. Ela fez exames, estão registados no processo clínico da grávida.

Muito bem, Ana Margarida Fernandes, muito obrigada pela disponibilidade para falar conosco.

Obrigada eu. Muito bom trabalho. Boa tarde para o senhor.

Igualmente, com licença.

Obrigada, boa tarde para o senhor.