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Como é que reage a esta tentativa de boicote por parte de, pelo menos três editoras, à conversa com Jaime Nogueira Pinto?
Reajo desta maneira muito simples: nunca me passou pela cabeça eu deixar de vir. Eu devo ser, talvez, a única pessoa desta sala que teve livros e artigos censurados. E eu conheço o Jaime Nogueira Pinto há muitos anos, sou amigo dele e conheço bem as ideias dele. Aliás, devo conhecê-las melhor do que a maioria das pessoas que fizeram este protesto, mas sou completamente contra qualquer tentativa de censura que se tente fazer com um ou outro pretexto. Acho que quando se discute, discute-se com toda a gente e não tenho nenhuma razão para não participar neste debate e apoio vivamente a iniciativa da Junta de Freguesia.
Acha que estamos a escalar para um mundo com mais política de cancelamento, também com estes protestos que têm acontecido contra ministros? Como é que olha para esta situação?
Há um incremento de radicalização na vida política portuguesa, à direita e à esquerda. E uma parte do processo dessa radicalização é criar uma espécie de guerra cultural. E nós sabemos, entre outras coisas, pela experiência dos Estados Unidos, que a guerra cultural resulta sempre numa guerra política mais dura e, portanto, a função das pessoas que têm uma posição moderada na vida política é combater todas as formas de radicalização.
Qual é a melhor forma de combater esta radicalização?
Olha, é na prática, vindo aqui discutir, é atacando as tentativas absurdas de censura. Como insisto, é preciso ter cuidado que elas são à direita e à esquerda. Radicalização implica o banimento de livros e implica a tentativa de pessoas que possam falar em público. E é denunciar