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Marco Silva, o novo treinador do Benfica, na apresentação no museu do Estádio da Luz, a falar sobre os objetivos para a próxima época e para este mandato de dois anos, com mais um de extensão automática, caso seja campeão pelos encarnados. Chamo agora à nossa emissão o João Pinto, comentador do Observador, membro do painel de E o Campeão?, é adepto dos encarnados. João, que primeiros sinais te deu este discurso de Marco Silva? Pareceu-me um discurso de cabeça baixa, humildade, necessidade de trabalhar. É isso que o Benfica precisa?
É isso mesmo. Boa tarde. É um Marco Silva ansioso, que percebe que vai ter uma missão muito complicada, que tem um clube que acabou o ano em terceiro e, portanto, começa tarde, que tem que trabalhar muito, tem que trabalhar forte e eu acho que é melhor começar no desconforto, é melhor começar com essa vontade toda, com essa humildade, como tu lhe chamaste, do que começar com soberba, do que começar a pensar que por estar no Benfica, as camisolas ganham sozinhas. E, portanto, gosto desta atitude, desta vontade e especialmente deste receio de se não tiver 100% de entrega, as coisas podem não correr bem.
Esta experiência de Marco Silva na Premier League pode ser útil para este Benfica? Ou seja, esta questão de saber que em qualquer jornada é preciso ir atrás da vitória e ninguém ganha só pela cor da camisola?
Sim, é isso mesmo. O Benfica tem que se habituar a isso, que é preciso correr o mesmo ou mais do que os adversários, sejam eles quais forem, se for o Real Madrid, o Porto, o Sporting ou os clubes pequenos com os quais o Benfica empatou tantas vezes no ano passado. E, portanto, sim, qualquer jogo é para entrar e para ganhar, mas o que interessa é ganhar o próximo. Portanto, não interessa olhar e pensar: "Vamos para ser campeões", interessa entrar e pensar: "Vamos para o primeiro treino, vamos dar tudo o que tivermos no primeiro treino, depois no segundo, depois no terceiro e depois no primeiro jogo". O que é importante agora é ganhar o primeiro jogo da preliminar para a Liga Europa, esse é o que vem aí.
Marco Silva falou aqui ligeiramente de mercado, diz que conta com Sudakov, que precisa de alguém para substituir Otamendi, como é óbvio. O que te parecem estes primeiros sinais?
Gostei muito quando se começou a passar a mensagem de que não ia haver uma revolução, que o Benfica não ia mais uma vez, mais um ano, deixar sair 15 e fazer entrar 15. Acho que o Benfica tem uma base muito boa, com imensa qualidade. É preciso um central, é talvez preciso um ponta de lança de pinheiro, um daqueles calmeirões que metem a bola lá dentro. Talvez seja preciso ter um segundo extremo esquerdo, porque o Bruma saiu. Mas tirando alguns retoques que o Benfica precisa, temos um plantel com imensa qualidade. Portanto, se não sair ninguém, é fazer estes retoques de duas, três posições, investir forte em poucos jogadores e com essa qualidade, aumentar a qualidade da equipa.
Deixa-me só também perguntar-te ainda se Marco Silva ultrapassou bem esta questão da segunda opção, depois da longa conferência de imprensa do Rui Costa ontem, em que disse que José Mourinho era a prioridade para esta época, se passou bem por cima desse assunto.
Sim, eu acho que sim. Não havia muitas respostas a dar. Se fosse eu ou tu, dávamos a mesma resposta. Acho que estava no livro das respostas a dar quando se faz essa pergunta. Era fácil. Portanto, sim, acho que sim. Acho que ele lidou bem, lidou da única maneira possível. Não lhe interessa se ele foi o primeiro ou segundo, é ele que lá está agora, a responsabilidade é dele. E portanto, não há nada que lhe retirem ou acrescentem pelo fato de ter sido convidado depois de José Mourinho.