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Desde já obrigada pela disponibilidade. Estamos a falar com Bruno Vitorino, que é deputado do PSD e também coordenador do grupo parlamentar na Comissão de Defesa Nacional. Bruno Vitorino, hoje o PSD e o CDS pediram uma audição parlamentar do ministro da Defesa sobre as dúvidas expostas nas notícias e redes sociais acerca do suposto afastamento de uma empresa portuguesa do processo de aquisição de três fragatas. Querem que Nuno Melo esteja presente na Comissão de Defesa Nacional para esclarecer estas dúvidas. Pergunto-lhe que dúvidas são essas, quais são os esclarecimentos que pretendem obter?

Muito obrigado pela oportunidade. Mais do que dúvidas que foram colocadas, foram lançadas suspeições. O Chega já nos habituou a esta forma de estar na vida política, que eu lamento. Eu até me identifico com algumas das coisas que eles dizem, com alguns dos alertas que vão dando em algumas matérias, depois soluções é que não têm, mas eu, de facto, tenho uma grande diferença em relação a eles nestas matérias. Acho que a seriedade tem que estar acima de tudo. E não é por uma pessoa ser ministro ou ser um titular de um cargo público, seja ele qual for, que pode haver uma devassa sobre a sua vida e um levantamento totalmente infundado de suspeitas que são lançadas sem que se perceba sequer o porquê. Os deputados do Chega em questão nem sequer são membros da Comissão de Defesa Nacional. Todas as vezes que este assunto foi discutido na Comissão de Defesa, nem o deputado André Ventura, nem o deputado Pedro Frazão lá estavam. Não estiveram presentes na audição do senhor ministro que já tivemos sobre este assunto do SEIF, em termos genéricos, não especificamente sobre estas alegadas dúvidas que agora têm. Nós também já tivemos a audição do chefe do Estado-Maior da Armada, onde tivemos a oportunidade também de esclarecer muito sobre o processo, a forma como ele foi feito, e foram esclarecidas todas as dúvidas que foram levantadas na altura por deputados também do Chega, de todos os partidos, mas também do Chega. Agora há mais dúvidas. Agora, sob a capa de dúvidas, levantam suspeições. As coisas estão a correr bem ao senhor ministro, ao governo, na área da Defesa Nacional. Nós estamos a conseguir sair de um poço muito fundo que o Partido Socialista tinha deixado a área da Defesa Nacional, valorizando os efetivos, os homens e mulheres que servem nas Forças Armadas, dando mais dignidade aos antigos combatentes, com medidas muito concretas, agora dos transportes, mas antes dos medicamentos gratuitos, como um conjunto também de aquisições para modernização daquilo que são os nossos equipamentos militares nos diferentes ramos. E eu acho que é isso que custa ao Chega. Quando as coisas estão a correr bem, nada como mandar umas atoardas, umas bocas, como se costuma dizer, cá para fora, com o objetivo de lançar a lama e com isto estragamos o trabalho que está a ser feito. É esta a lógica, mas nem as Forças Armadas merecem isto, nem o ministro merece isto. O que nós queremos é o esclarecimento integral de tudo, mas ali onde há confronto, onde o senhor ministro se pode defender, onde as questões são colocadas e depois há uma dialética parlamentar que permitirá esclarecer tudo e mais alguma coisa. Agora, era preciso era que os deputados que normalmente mandam essas atoardas nas redes sociais, depois apareçam nas comissões, porque neste caso nem sequer fazem parte da comissão onde isto já foi várias vezes discutido.

Portanto, o objetivo é ao levar Nuno Melo à Comissão de Defesa, deixá-lo mostrar as provas que tem de que tudo isto foi feito da forma correta e que as acusações que estão a ser feitas não fazem sentido, é isso?

O grupo parlamentar do PSD e do CDS igual também quer que o processo seja o mais claro, o mais transparente possível. A transparência do processo é com o esclarecimento das dúvidas verdadeiras, legítimas, e algumas já foram feitas até por escrito por vários grupos parlamentares e outras foram colocadas nas audições que já tivemos, quer ao ministro, quer ao chefe da Armada. Isso é legítimo, isso faz parte daquilo que é o trabalho parlamentar dos deputados. O que não é legítimo é levantar esta suspeição generalizada, que eu acho que fere naturalmente o bom nome das pessoas, mas fere também as próprias instituições e, neste caso, as próprias Forças Armadas, em particular a Marinha. Porque repare, eu também sou cliente assíduo de redes sociais. Vou ver os comentários que depois são feitos por baixo de muitas destas declarações absurdas que são proferidas. E os comentários não são, muitas vezes bons para os políticos, mas não são para as Forças Armadas. Acho que as Forças Armadas também não merecem isto. Há que esclarecer muito bem. Então é no local próprio que se vai esclarecer. Com quem? Em primeira instância, com o senhor ministro e outras entidades, naturalmente até mais envolvidas no processo, havendo dúvidas. Agora, isto tem a ver com o SEIF. Acho que ninguém põe em causa a necessidade que nós temos de reforçar os equipamentos da nossa Marinha, nomeadamente ao nível de fragatas, com tudo o que representa naturalmente com a costa que nós temos, com a nossa zona econômica exclusiva. Tudo aquilo que a Marinha faz e que representa ao nível do nosso país, mas também dentro dos acordos que nós temos com os nossos aliados, de defesa de infraestruturas críticas, de busca e salvamento, enfim, do conjunto alargado de matérias que estão a cargo da Marinha e que desempenha com brio. Eu acho que ninguém põe em causa a necessidade de nós adquirirmos as fragatas. A forma como foi feita. Nós já tivemos com outros governos, principalmente o Partido Socialista, durante muitos anos, os problemas que era adquiríamos os equipamentos e depois a seguir não havia dotação financeira para a sua modernização, muitas vezes para a sua manutenção. O que este governo optou? Eu acho que bem. Optou por dizer assim: "Isto é uma relação Estado a Estado, temos aqui o SEIF, que é o mecanismo da União Europeia, que obriga naturalmente que a negociação seja feita Estado a Estado e seja feito o investimento em pelo menos 65% dentro dos países da União Europeia. E portanto, vamos aproveitar para ter aqui mais do que só a compra das fragatas, vamos aproveitar também para garantir que elas têm aqui o seu ciclo de vida garantido do ponto de vista financeiro. Esta sustentabilidade financeira para termos as fragatas com a respectiva manutenção e modernização dentro do seu ciclo de vida." Isto não é positivo? Eu acho que isto é positivo do que estarmos daqui a 10, 15 anos, depois de as adquirirmos, já com problemas. Vem outro governo: "Ah, agora não há dinheiro, isto já não é prioridade." Não, estamos a fazer as coisas bem feitas e estamos de facto a modernizar as nossas Forças Armadas e a dignificar naturalmente quem nelas serve. Eu acho que isso é o mais importante. Dentro desta questão da aquisição das fragatas, também realçar isto. Se nós neste negócio que fazemos com o Estado italiano conseguimos também garantir os postos de trabalho, modernizando o Arsenal do Alfeite, investindo no Arsenal do Alfeite, garantindo os postos de trabalho de centenas de trabalhadores que nós lá temos e fazer com que o Arsenal do Alfeite volte a ser uma referência naquilo que é a manutenção e a reparação naval, então isto não é importante. Há coisas que evoluíram nos meses passados e que é preciso esclarecimentos ou uma atualização dos esclarecimentos. Então muito bem, vamos ouvir o ministro, não há nada a esconder. Nós somos os primeiros interessados em querer tudo esclarecido.