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Miguel Raimundo, os trabalhadores das Misericórdias estão hoje a cumprir uma greve, a começar para já em frente ao Ministério do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social. Mais tarde, vão se encontrar perto da sede da União das Misericórdias. Eu começo por lhe perguntar qual é o impacto que esta greve está a ter hoje.

Em primeiro lugar, deixe-me dizer-lhe que a União das Misericórdias Portuguesas já chegou a acordo quanto às tabelas salariais para 2025 com a frente sindical da UGT e também já chegou a acordo com as tabelas para o ano em curso, para o ano de 2025, com a comissão negociadora sindical da CGTP. O sindicato que promove hoje essa greve é designado por CESP. Eu considero ser o único com quem nós ainda não chegamos a consenso. Relativamente à questão que me colocou, penso que o impacto não é muito forte. É diminuto, mas eu não estou na posse de números e elementos que lhe possa dar neste momento. Também posso adiantar que a União das Misericórdias continua a negociar com essa força sindical, com esse sindicato. A mesa negocial está aberta. As negociações continuam a desenrolar-se. Nunca nos furtamos a reunir e a tentar chegar a consenso com este sindicato, como já chegámos com os outros todos, como lhe disse, representativos dos nossos funcionários. O que lhe posso dizer também é que decidiram fazer greva, greve é um direito dos trabalhadores, mas de qualquer forma, nós cá estamos para continuar a negociar e a tentar chegar a acordo.

Estando essas negociações a decorrerem, qual é que foi a razão avançada por este sindicato para avançar com esta greve que está a decorrer hoje?

Essa questão será melhor colocar aos representantes do sindicato.

Mas da parte do sindicato não lhe disseram, à União não comunicaram diretamente uma razão pela qual, apesar de as negociações estarem a decorrer.

Nós temos um conjunto reivindicativo de questões que são colocadas pelos sindicatos. E nós vamos tentando discutir e negociar aquelas que têm expressão pecuniária para chegarmos a consenso quanto a estas matérias. Tal como os outros sindicatos, este, o CESP, também nos apresentou uma pretensa tabela salarial, quanto aos montantes que o sindicato acharia justos para esta matéria. De qualquer forma, nós dissemos desde logo que os montantes constantes dessa tabela, para nós eram exagerados, uma vez que nós não temos disponibilidade financeira para chegar aos números propostos pelo sindicato. Como tal, nós temos que atender à sustentabilidade financeira das nossas instituições, temos que atender também aos montantes que nos são comparticipados pelo Estado e aos montantes que são pagos pelos utentes e pelas respectivas famílias. E isto é como tudo na vida. Se nós temos 10 de receita, não podemos gastar 11, sob pena de deixarmos as nossas instituições e o setor social entrar em insolvência, que é isso que não se pretende. Tem que haver colaboração e bom senso de todos. É o que posso adiantar sobre isso.

Miguel Raimundo, muito obrigada.

Ora essa.