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Isto começou no jogo do passado sábado. Sou adepto do Moreirense há muitos anos e sábado foi o jogo em que o Moreira decidia se ia ficar na primeira divisão ou ficar na segunda, dependendo do resultado entre o Boavista e Tondela. A Sport TV estava a transmitir o jogo e nessa altura toda a gente estava bastante emocionada. Posso dizer que me emocionei bastante, chorei, e a Sport TV filmou-me mais a mim do que as imagens que andam por aí nas internets, no Facebook, etc. A partir daí, a direcção de Moreira e o treinador, jogadores, queriam conhecer a pessoa que era eu. Andaram, andaram até que chegaram até mim. Convidaram-me para hoje às 9h15 da manhã estar no estádio para eu conhecer os jogadores, para os jogadores me conhecerem, o Sá Pinto, o treinador, etc. Ofereceram-me uma camisola do Moreirense com o meu nome, com a minha idade, etc. Isto foi tudo derivado àquelas emoções que eu tive, que os jogadores ficaram a saber e por aquelas imagens que andam a circular nas internets, nos Facebook, nos e-mails, etc. Tenho a agradecer bastante à direcção de Moreira e a todos os jogadores, com quem eu estive hoje de manhã. Cumprimentei-os um a um, o treinador Sá Pinto, e convidaram-me agora outra vez para que eu vá com eles ao jogo a Chaves, que é no próximo sábado. O resumo desta história, que foi bastante emocionante, pois eu vou ao futebol há muitos anos.

Era isso que eu ia perguntar: há quantos anos acompanha o Moreirense e há quantos anos vai ao estádio?

Eu tenho 72 anos feitos ontem.

Muitos parabéns.

Até eles ofereceram-me uma camisola com o meu nome e com o número da minha idade. Eu acompanho o futebol e acompanho o Moreirense desde muito novo. Gosto muito de futebol e posso dizer que há tanto ano que vou ao futebol e nunca passei por uma coisa destas. A emoção foi de tal maneira, porque as imagens que se vê, parece que eu estou com o rádio, que estava a ouvir mais o relato do Boavista-Tondela do que o Moreira, que já estava a ganhar por 4x0. O estádio estava cheio, as pessoas que estavam todas em cima de mim, por causa de eu estar a ouvir o relato em directo no rádio. Foi uma emoção que eu, com esta idade, nunca tive uma emoção tão grande. Nunca fui falado em quase todo o país, porque para todo lado que vou, as pessoas identificam-me logo e vêm logo ter comigo dar parabéns. Foi coisa que não se pode controlar e que num momento daqueles não há quem controle uma emoção daquelas, uma pessoa que viva mesmo o futebol como eu vivo. É isto que lhe posso dizer.

Consegue-me descrever essa emoção final? Imagine que o Moreirense, que as coisas correram até relativamente bem ao clube, mas imagine que não tinham corrido assim tão bem. Como é que encarava a descida de divisão do Moreirense? Tinha medo dessa descida e era daí que vinha aquela emoção?

Exatamente, porque quando nós vimos por duas vezes o Tondela que esteve a ganhar por duas vezes ao Boavista, posso dizer que do barulho e da emoção, nesses dois momentos o estádio parecia quase um velório. Só os adeptos de Vizela é que faziam barulho, porque são dois clubes rivais e só se ouvia o barulho dos adeptos de Vizela. Mas quando foi, principalmente, o segundo golo do Boavista àquela hora, aos 90 minutos, aquilo foi um autêntico vulcão de emoções e de alegrias. Até os próprios jogadores sentiram isso, se atiraram para o chão, pensando que o jogo já tinha acabado para eles. É como eu costumo dizer: não tenho palavras para descrever uma coisa dessas.

O senhor estava a ver o jogo e a ouvir o relato na rádio. Isto é um hábito que tem ou era só por este jogo em específico, porque estava muito em disputa no outro jogo? Isto de estar a ver o jogo e ouvir o relato na rádio é comum ou foi só para este jogo?

Não, foi exatamente só mesmo para este jogo, porque eu vou ao futebol e vejo o jogo, porque até pelo barulho que se faz, muitas das vezes ouve-se mal e percebe-se mal, porque o barulho é tanto. Foi só mesmo para este jogo.

E agora para o playoff. Está confiante? O Chaves parece-lhe um bom adversário, preferia que fosse o Rio Ave ou o Casa Pia? Ou está confiante na manutenção do Moreirense?

Sim, eu estou confiante. Ainda hoje estive com os jogadores e com o Sá Pinto, o treinador. Hoje de manhã, quando estive lá, que ele me convidou para ir lá, estive a assistir aos treinos, estive a falar com eles, com os jogadores, com o treinador e disse: "Estou confiante que vamos ganhar os dois jogos ao Chaves e que o Moreirense vai permanecer na Primeira Divisão".

E fale-me sobre esta visita hoje. Como é que foi conhecer os jogadores e o treinador? Houve alguém que se tenha destacado, alguém que o senhor tenha achado especialmente simpático consigo?

Isto foi de uma simpatia espetacular. O jogador que eu me identifico melhor, que é o jogador mais antigo, é o Rafael Martins. E o resto são jogadores mais novos, jogadores que não estão há tanto tempo no Moreirense. Mas foi tudo de uma espetacularidade. Por isso é que eles pediram mesmo para que eu me identificasse e chegasse até mim, que me queriam conhecer, queriam estar comigo, fizeram-me uma visita guiada a todas as instalações do Moreirense. Toda a gente me dava comigo. E posso dizer que adorei, porque há tanto ano que ando no futebol e nunca tive uma recepção desta maneira