Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começo precisamente por lhe perguntar que história conta este documentário, "Ninguém Fica para Trás", que entretanto já estreou em Lisboa e está numa tour pelo resto do país até ao final do mês.

Este documentário foi uma ideia do Ricardo Cabuz e do nosso realizador, Nuno. Como nós fizemos já há um ano, queriam que em abril, fizemos dia 11 de abril um ano de existência, eles decidiram explicar como é que a União nasceu, como é que se foi fortalecendo, os voluntários que foram entrando, as ideias e as faltas de noção que existiram de como a União Audiovisual iria crescer tanto e no que resultou. E no que realmente, para além do resultado final na casa dos técnicos e dos artistas, que a União Audiovisual realmente fez uma grande diferença, também na família que a União criou. Isto pode parecer clichê, sermos uma família, mas acabamos por ser mesmo, porque falamos praticamente diariamente, temos que discutir ideias entre todos. A União Audiovisual é uma união onde cada um tem as suas opiniões e no final, realmente conseguimos chegar a um consenso. Portanto, este documentário é mostrar-nos um pouco a nós e como resultou neste trabalho a nível nacional. É esta a história deste documentário, são as nossas vozes, são as nossas imagens, são os nossos sentimentos e a força que nos uniu foi esta união e no resultado final que se concretizou, que é realmente estes alimentos distribuídos em nossa solo do país. Este documentário arrancou em Lisboa, no São Jorge, e ainda vai estar no dia 14 de outubro no Rabida Shopping, em Gaia, dia 15 no Salão Brasil, em Coimbra, dia 22 no Auditório Municipal de Ourém, no dia 23 na Cave Avenida, em Viana do Castelo, e no dia 27 de outubro estaremos novamente no Doc Lisboa com este documentário. É esta a tour que temos por agora em outubro.

Queria lhe perguntar o porquê dos bens alimentares. É evidente que há aqui uma carga muito simbólica também que está relacionada diretamente com o vosso trabalho, mas por que optaram por não vender bilhetes e, portanto, esta entrada ser através da doação?

Primeiro, porque nós não queríamos fazer deste documentário um objeto comercial. Nós queríamos, primeiro, que todas as pessoas tivessem acesso a ele. Portanto, em vez de nós estarmos a pôr um bilhete de €5, €10, €2,5. Não, quando nós dizemos um saco, por exemplo, se um técnico que está a passar por uma dificuldade, chegar ao pé de nós com um saco, com uma lata de atum, com algo lá dentro, terá todo o acesso. E mesmo que não tenha capacidade para ter essa lata de atum para nos dar, também terá acesso. Mas aqui há o lado também simbólico de que toda a gente poderá ter acesso, tenha o que tenha dentro desse saco. E por que os alimentos? Porque o que nós queremos realmente são alimentos. No início, nós só aceitávamos mesmo bens alimentares, porque nós nascemos como um grupo informal e de repente percebemos que só os alimentos não dava, porque as pessoas entretanto, após o final do primeiro confinamento, já algumas pessoas tinham começado a trabalhar, porque quem nos dava apoio alimentar não era só o pessoal da nossa área artística, eram também pessoas de todas as outras áreas. E as pessoas começaram a trabalhar e deixaram ter tempo de nos levar os alimentos e deixaram ter tempo de ir aos postos fixos que nós tínhamos espalhados pelo país entregar alimentos. Então começaram a perguntar onde é que nós podíamos levar os nossos donativos monetários, vocês conseguem recebê-los? E foi aí que nasceu a nossa associação, para recebermos doações a nível monetário. Nós com este documentário não queríamos esse lado monetário, queríamos mesmo chamar a atenção das pessoas que a União Audiovisual ainda está cá e que o que realmente precisa são alimentos, porque nós agora olhamos para as nossas prateleiras, os nossos armazéns, e vemo-las muito mais vazias do que no confinamento. Nós antes olhávamos e víamos, por exemplo, esparguete nas prateleiras, várias marcas de vários supermercados. E neste momento não, o que nós temos são o que nós compramos em bolo grande e é tudo da mesma marca. E o que nós queremos é chamar a atenção para as pessoas que nós estamos aqui, nós queremos os vossos alimentos. Não interessa o valor monetário que está dentro de cada saco de supermercado, mas sim os alimentos que continuam a ser a nossa força e a nossa necessidade para casa de todos os artistas e técnicos deste país.

E queria lhe perguntar precisamente nestas datas em que já houve a visualização do documentário, como é que correu? Conseguiram recolher muitos bens? Houve essa disponibilidade, essa solidariedade?

Sim, completamente. Nós tivemos sítios onde tivemos mais público e onde realmente foram recolhas extraordinárias. Nos locais que tivemos menos público, claro, refletiu-se no número de sacos, mas as pessoas chegam muitas vezes não com saco, chegam com dois, com três sacos de alimentos e vê-se que as pessoas realmente saem do documentário conscientes de que os alimentos que levaram naquela noite ou os alimentos que têm trazido e têm dado desde o início desta pandemia, há um trabalho prático que resultam realmente num resultado de uma necessidade que muitos portugueses têm passado. As pessoas têm trazido sacos e muitos dizem: "Era bom que houvesse uma segunda noite, porque eu assim trazia ainda mais comida". Tem resultado, temos tido um ótimo feedback e temos feito bonitas recolhas nestes dias de documentário.

Inês, não sei se me consegue fazer um balanço da evolução do número de pessoas que entretanto foram sendo ajudadas. Eu imagino que agora a situação seja menos crítica do que foi a certa altura, mas é possível fazer alguma estimativa?

Estimativa no global, deste tempo todo, não lhe consigo dizer o número concreto de pessoas. O que eu lhe consigo dizer é que nós, neste momento, ainda estamos a preparar a nível nacional, porque nós temos a UA de Portogaia, de Coimbra, Oeste, Lisboa, Margem Sul, Alentejo, Faro e ainda nos Açores, em São Jorge. Nós a nível nacional ainda estamos a fazer 290 cabazes e estamos a apoiar cerca de 800 pessoas. Houve realmente um recuo. Nós já estivemos a apoiar mais de 1000 pessoas, já estivemos a fazer mais de 300 cabazes. Realmente há pessoas que estão a voltar a trabalhar, mas ainda há muitas famílias em dificuldades. Famílias que estão a trabalhar, mas que se endividaram, que continuam com o ordenado que estão a ganhar para pagar contas em atraso, para normalizar as suas vidas, e nós continuamos aqui. Mas já temos muitas pessoas a dizerem-nos: "Obrigada por tudo, por este percurso, mas neste momento eu já não vou precisar da vossa ajuda por agora". Está a decrescer mensalmente o nosso apoio às famílias, mas há pessoas que continuam a passar por grandes dificuldades e há muitas pessoas que não sabem realmente se conseguirão equilibrar as suas vidas até ao ano de 2022, até após o início do arranque de 2022, porque isto foi um ano e tal sem trabalho para muitas pessoas. Quando nós falávamos em abril e que há pessoas sem trabalho desde março, já havia pessoas nessa altura sem trabalho desde outubro, já tinham sido os finais dos festivais e que iam arrancar a trabalhar então em março, quando há os grandes festivais a nível nacional. Portanto, há pessoas que estão há quase dois anos, muitos deles ainda com muito pouco trabalho.

Inês, uma última questão. Nós ainda não podemos, obviamente, falar do pós-pandemia, ainda não estamos aí, mas já estamos a ver essa abertura. O que eu quero perceber é se o trabalho da União Audiovisual é para continuar, sendo que nasceu com a pandemia. O que é que têm planeado para o futuro? Diz-me que os cabazes vão diminuindo ao longo do tempo. A ideia é eventualmente já não ser preciso, mas acha que vai ser assim?

A nossa esperança é mesmo que os cabazes diminuam muito. Que haverá sempre técnicos com dificuldades, haverá. E nós estamos a criar uma união audiovisual. A nossa ideia agora é estabilizarmo-nos e ficarmos. Ficarmos de que forma? Continuar a apoiar com os alimentos qualquer técnico e qualquer artista que continue com problemas monetários e com problemas de saúde e que não possa trabalhar. Estamos a criar uma iniciativa, que será para dezembro, de uma exposição de pintura. Estamos também com outras situações de preparação para outros eventos que ainda estamos aqui a preparar, não vos vou dizer já. Mas realmente, o grande objetivo da União Audiovisual nos próximos anos, que estamos a começar a estruturar esse tipo de proposta, é que gostaríamos muito de conseguir criar uma Casa do Técnico, como há a Casa do Artista, criarmos futuramente uma Casa do Técnico. E é este o nosso grande objetivo para realmente haver aqui um grande apoio a todos os níveis, aos técnicos e aos artistas de Portugal.