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E chamamos agora Simone de Oliveira, que está connosco em directo. Bom dia, Simone. Uma notícia que seguramente-

Fui apanhada.

Claro, foi apanhada de surpresa.

Fui apanhada com um soco na alta cabeça. Há algumas coisas que nós sabemos que nos acontece a todos. Eu estou a ter um tempo para acreditar, estou a ter um tempo para aceitar. Vou ter a maior saudade dele. Gostávamos muito, era um homem divertido. Não vou pôr apelidos, nem vocábulos, não me apetece. Apetece-me falar das pessoas e não só do cantor. É uma pessoa, é um actor, é um cantor, é um amigo. Que Deus o tenha em bom lugar e que eu vou levá-lo no meu coração até a vida me deixar, porque eu também já tenho 88 anos. Então também são vocês a telefonar para colegas a perguntar o que é que pensam de mim.

Simone.

Diga.

Estava aqui a recordar o tema que fez com Luiz Represas, chama-se "Desencontro". Como é que foi esse trabalho? Como era trabalhar com Luiz Represas?

Acha que eu aos 88 anos me vou lembrar dessas coisas? Isso para aí é uma vida. Há 30, há 40. Não tenho ideia. Ele era um homem tranquilo, era um homem sereno. Fui muitas vezes cantar lá a casa que eles tinham, muitas vezes lá beber um copo. Toda a gente sabe que eu gostava do uísque e de fumar. Continuo a fumar e quando posso bebo um uísquezinho com três pedras de gelo. Continuo igual a mim própria. Os meus amigos são os meus amigos e os meus inimigos são os meus inimigos.

Estava aqui a ser enganado pela internet, que me aparece a Simone no desencontro, mas é a brasileira que canta com o Luiz Represas.

Era bom que não se lembrasse.

Ainda bem. É sinal que a Simone de Oliveira está ótima de memória, porque não se recordava desse momento. Mas havia essa ponte, de facto, com o Brasil. Luiz Represas sempre abraçou muito a lusofonia nas suas composições e no seu gênero de cantar e compor.

Peço imensa desculpa, mas eu tenho uma marcação no hospital, onde vou fazer uma coisa que tenho que fazer.

E vá mesmo fazer, Simone de Oliveira. Queremos continuar a ouvi-la muito tempo. Muito obrigada por nesta altura não escolher adjetivos para falar de Luiz Represas, lembrar-se apenas do homem.