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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta, da Rádio Observador, como sempre, com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques. Vitória do Benfica em casa frente ao Celtic por quatro bolas a uma, segunda jornada da fase de liga da Liga Europa. O árbitro foi Nikola Dabanović, do Montenegro. Pedro Henriques, aqui também um árbitro, como disseste no início da emissão, de boa memória para os clubes portugueses. Hoje não fez exceção.

Sim, neste caso, mais uma vitória. Só para termos uma ideia, ele já tinha apitado três jogos do Sport, três vitórias do Sport, uma vitória do Porto e um empate, e do Benfica, aquele jogo que o Benfica fez contra uma equipa polaca, em que o Darwin fez um hat trick numa vitória de 4 a 2. Portanto, é um árbitro de boa memória e continua.

E continua para já. O Benfica venceu por 4 a 1, mas o que nos interessa aqui é logo ao minuto três, se o pênalti marcado sobre Duran foi bem assinalado pelo árbitro da partida.

Sim, bem assinalado. Nem sempre os árbitros têm a capacidade de ver este lance, porque há ali uma molhada, há muitos jogadores na área, mas é uma das situações típicas em que um jogador se antecipa, chega primeiro, e falo do João Duran, do Benfica, e o adversário que arma o pé para supostamente tentar pontapear a bola e depois o que acontece é que pontapeia a perna do adversário. Portanto, o Murray acaba por pontapear com o seu pé direito na parte de trás da zona do aquiles e já a subir ligeiramente para o gémeo da perna esquerda do João Duran, que tinha se antecipado à bola. Portanto, pontapé de pênalti claríssimo. O VAR limitou-se a confirmar. Boa decisão.

Ao minuto 23, tivemos o segundo gol do Benfica, uma assistência de Presterin para Bá. Resta saber se tudo legal, tudo em jogo, sem falta. Tu é que sabes.

Sim, a questão dos gols que eu coloco aqui hoje no nosso Sem Falta tem tudo a ver com a questão do fora de jogo e, já pela antecipação, dizer pela preciosa ou boa prestação dos árbitros assistentes que não precisaram de VAR. E portanto, neste caso concreto, o segundo gol, como disseste, Presterin coloca a bola em Bá, está em jogo, tem mais dois adversários entre a linha de baliza adversária, não há irregularidade e bem o assistente a validar o gol, portanto, gol legal.

Temos depois, no plano de lance deste jogo, ao minuto 36, o terceiro gol do Benfica, também tudo legal com o gol apontado mais uma vez por Duran.

Exatamente. E mais uma assistência do Presterin. O Presterin a fazer o passe para o Duran, e o Duran a finalizar, e uma vez mais também a sair de posição correta e também bem. Estamos a analisar a parte da arbitragem e o árbitro assistente a validar, o VAR limitou-se a confirmar.

Temos depois, ao minuto 40, na tua opinião, sem pênalti por uma alegada mão de Donovan, da equipe do Celtic, reclamaram os homens do Benfica um eventual pênalti. Resta saber se havia motivos para isso.

Sim, é uma bola que ressalta no Murray e que depois vai bater, aparentemente teria batido na mão do Donovan, mas depois percebemos pela repetição que não bateu sequer na mão, mas na perna, já na parte superior, na coxa esquerda do Donovan. E portanto, ao tocar na coxa, coxa é um dos sítios em que a bola pode tocar e não há sequer discussão. Mas aquilo que ficou ali no ar foi que alguns jogadores do Benfica protestaram o pênalti, o público também reclamou. O árbitro foi muito perentório e depois as repetições dão razão ao árbitro. Portanto, não há pênalti porque a bola bateu na coxa.

Para fecharmos os lances em análise nesta primeira parte, ao minuto 44, o amarelo para Dalot, se bem me recordo, Pedro, na tua opinião, algo exagerado por parte do árbitro.

Exatamente. São dois cartões amarelos que eu não considero corretos e um deles foi exatamente para o Dalot, porque o árbitro é enganado pelo jogador. O Duran, o jogador colombiano, fica-se a queixar que tinha sido atingido na cara e depois com a repetição percebe-se que há um ligeiro e inconsequente toque com o antebraço direito do Dalot no peito. Portanto, nem sequer é falta. E o cartão amarelo foi muito mal exibido. O árbitro é ludibriado. Já sabemos que o VAR não pode intervir em situações de cartão amarelo e aqui o cartão amarelo foi mal mostrado.

Ao minuto 69, no outro lado do lateral do Benfica, mais um amarelo. Depois de Dalot, foi Bá.

E também mal mostrado, portanto, são os dois. Realmente, aqui o árbitro é um pouquinho iludido pela maneira como o Bá entra, porque salta a pés juntos. E nós sabemos que um jogador quando salta a pés juntos, às vezes ou faz tesoura ou acerta com os dois pés, às vezes sola no adversário. E isso levou o árbitro a mostrar o cartão amarelo. Na prática, o Bá salta a pés juntos, não toca no adversário e é o Tierney que chega primeiro à bola, até pontapeia com o pé esquerdo, mas ele próprio é que tem uma entrada bastante desabrida e intensa. E depois, fruto dessa entrada, acaba por ele próprio se chocar contra o Bá e daí aquele espetáculo dele ter caído e ficar a sensação que tinha sido entrada a pés juntos. É lógico que no sofá é mais fácil, com as repetições ainda mais fácil se torna para o árbitro em movimento, tudo isto é muito complicado. O árbitro mostrou o cartão amarelo ao Bá, mas uma vez mais, mal mostrado.

E depois, Pedro, temos ao minuto 85 o amarelo para João Palhinha, do Benfica, aqui acredito que bem mostrado.

Sim, bem mostrado. Este não há dúvidas, é uma entrada, estava aqui a ver por acaso, nem tirei o número. Tenho o número que é o 63 e esqueci-me de colocar aqui o nome. De qualquer maneira, é uma entrada negligente, pois com a perna esquerda acaba por entrar a perna esquerda do jogador escocês, que é o 63.

É o Tierney.

Ok, não tinha tirado o nome dele, pus aqui o número e depois esqueci-me de verificar. De qualquer maneira, é uma entrada dura, negligente e portanto cartão amarelo bem mostrado.

Temos ainda, Pedro, depois do amarelo Palhinha, ao minuto 39, o quarto gol do Benfica, aqui acredito que também tudo em jogo.

Sim, tudo legal e uma vez mais pela questão do fora de jogo, que não houve. Mazariuz agora faz a assistência, digamos, um passe longo para o Pavlídis e ele também uma vez mais a ver a sua posição validada porque partiu de trás, ou seja, tinha mais dois adversários entre a linha de baliza e portanto, dos quatro gols que o Benfica marcou, três deles tiveram esta análise e os três corretos por parte do árbitro assistente.

E ao minuto 92, a bola ainda entrou na baliza do Benfica, não contou, Pedro, resta saber se é justo.

A bola vem de um pontapé de canto e é o próprio jogador que vai fazer o remate à baliza e acabar por marcar o golo que participa na jogada, estando em fora de jogo. É o Chamberlain.

É o Oxlade-Chamberlain.

Exatamente. Há aqui um pormenor. Eu fico com a ideia que a decisão é correta, porque praticamente o jogo termina a seguir. O assistente foi perentório a levantar, o árbitro confirmou. Obviamente que o árbitro tem que receber a confirmação do VAR para dizer: "Podes seguir o jogo", porque realmente a bola entrou na baliza e havia mesmo fora de jogo, mas o fato é que não tivemos nenhuma repetição de jeito para perceber, porque seria ali um fora de jogo, se calhar até um bocadinho mais do que o que parece, mas se calhar um bocadinho à queima e depois termina o jogo, não há qualquer tipo de repetição e por isso, nesse aspeto ficamos um bocadinho às escuras. Mas quero acreditar, por aquilo que parece e por aquilo que foi também a indicação do assistente e obviamente com a função do VAR, que está tudo certo. Esse lance foi bem validado ou foi bem ajuizado e digamos que a bola quando entra, o golo é bem anulado.

Resta saber que nota merece esta equipa de arbitragem, hoje liderada pelo montenegrino Nikola Dabanović.

Vou dar nota seis, sobretudo porque há ali dois pormenores, que não tendo grande impacto no jogo, tem a ver com a gestão disciplinar. O Dalot e o Bah foram mal advertidos, no meu ponto de vista. Depois, um pormenor que eu também referi, que tem a ver com o tempo adicional, o tempo que os árbitros dão no final da primeira parte. Deu zero minutos e o jogo na primeira parte, só para relembrar, tinha três gols e um cartão amarelo. E depois na segunda parte deu dois minutos, com o jogo a ter, como nós sabemos, por exemplo, seis substituições, onde entraram 10 jogadores. Tínhamos também dois amarelos, tivemos também dois gols, o 1 x 3 e depois o 4 x 1. E eu quero relembrar que uma vez mais nesta competição, o jogo já estava resolvido. Ou seja, ninguém tinha dúvidas que o Benfica ia ficar com os três pontos. O problema é que as equipas não vão jogar todas contra todos, como nós sabemos, só jogam contra oito adversários. E no final das contas, mais do que às vezes a relação direta entre as equipas, é a questão da diferença de gols marcados e sofridos. Claro que os pontos são o mais importante.

Tanto que o Benfica, neste momento, é terceiro classificado com os mesmos seis pontos que os dois que estão na frente e a principal diferença é precisamente a diferença de gols.

Gols marcados e sofridos. O João Pinto estava a dizer que o Benfica, quando estava 3 x 0, estava ou em primeiro ou em segundo, não sei quem é que referiu isso. E se calhar, se ficasse 4 x 0, agora só olhando para a classificação, se calhar até saltava. Para nós percebemos a importância que isso pode ter.

É, o Benfica tem cinco gols de diferença, as duas equipas que estão na frente têm ambas mais seis, portanto é um gol de diferença.

Lá está, o Benfica se faz mais um gol ou se sofre mais um gol, isto agora pode dar para os dois lados, pode fazer a diferença para subir ou descer na classificação, não obstante os pontos serem os mesmos. E é por isso que eu digo que os árbitros nesta competição, mesmo com o jogo resolvido, que isto não é dos maus, se fosse os oitavos de final, uma coisa assim, em que no segundo jogo já está resolvido, obviamente que faz todo sentido. Aqui, não. Eu critico muito esta displicência por parte dos árbitros, que é dar zero minutos e depois dar dois minutos. Qualquer maneira, isso é o menor. O bom, o positivo, o pênalti, porque realmente o mais importante do jogo, porque é isso que abre o jogo. E muitas vezes os árbitros quando erram um lance destes, ficam condicionados para o resto do jogo, e às vezes é decisivo. E nós sabemos como às vezes o mais difícil é marcar o primeiro gol. E o primeiro gol, muito cedo, minuto três, o árbitro viu, nem foi preciso o do VAR e podia ter errado. Eu acho que isso é o destaque. A gestão disciplinar, o menos correto. Só para relembrar, foi um jogo com 16 faltas e portanto muito poucas faltas, e o árbitro deixou fluir o jogar. Mas o mais importante pra mim foi a boa decisão no pênalti, assinalada a favor do Benfica.

E por isso, nota seis para Nikola Dabanović. Já tinhas dado, Pedro, a nota seis ao início e também agora aqui a fechar. É o ciclo sempre redondo. Este fim de semana não vamos ter Campeonato Português. Vamos fazer uma breve pausa porque vai haver eliminatórias da Taça de Portugal, mas depois estamos de regresso para mais uma jornada europeia a partir de terça e depois também quarta e ainda quinta, com o nosso Áudio Árbitro. Pedro Henriques, pode sempre ir ouvindo de segunda a sexta e também ao sábado e ao domingo, com notas e comentários aos protagonistas do dia no mundo do desporto. No "O Campeão" é aqui da Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.