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Sem falta, está na Rádio Observador, no programa em que analisamos o trabalho da equipa de arbitragem. Nos próximos minutos vamos falar do jogo entre Futebol Clube do Porto e Estoril. Este jogo contou com a arbitragem de André Narciso. No VAR estava João Malheiro Pinto. Pedro Henriques, vamos à análise. Boa noite mais uma vez. Começar aqui na primeira parte com o minuto sete e com um golo anulado ao Futebol Clube do Porto.
Sim, por fora de jogo. É aquele lance em que a bola é metida para o Samu. O Samu parte de posição irregular, o assistente percebeu logo isso, mas cumpriu o protocolo, bandeirola embaixo, deixou concluir o lance, o Samu fez um chapéu ao guarda-redes, depois ainda foi buscar a bola à frente e a seguir é que marcou. E só depois o árbitro assistente levantou a bandeirola. Discute-se muito hoje esta questão, quando os fora de jogo são claros, se é mesmo importante deixar finalizar, mas o importante é que o protocolo está a ser cumprido, porque se porventura o assistente tem uma visão errada e levanta a bandeirola e depois chega-se à conclusão que não era fora de jogo e o jogo é interrompido antes da bola entrar na baliza. Portanto, vale mais fazer assim e ser assim. O golo foi bem anulado, foi bem visto pelo assistente, foi confirmado depois pelas linhas, mostrou a imagem para se perceber que havia fora de jogo do Samu.
Vamos prosseguir para o minuto 12, cartão amarelo para Holsgrove.
Sim, é uma entrada com a perna direita a deslizar, um género de tackle sobre o Frau Enold. Para além da entrada em si negligente, é a chamada falta tática, porque o Frau Enold saía em contra-ataque, embora ainda no seu próprio meio-campo e, portanto, ao tentar destruir esta jogada, o tal contra-ataque, o jogador foi bem advertido.
Minuto 35, Ian Cathro advertido no banco de suplentes.
Sim, aqui não há muito a dizer, até porque nós estamos a ver, não estamos no estádio, e mesmo que estivéssemos, já também nos apercebíamos. Percebemos que este foi um jogo de muitos nervos em termos de bancos, por diversas vezes. O Ian Cathro, na ocasião, ficou descontente com uma infração que o árbitro assinalou contra o Estoril, num lance que até falámos aqui que os dois jogadores estavam se a agarrar mutuamente. Independentemente da razão que um treinador ou quem quer que seja esteja no banco, já sabemos que estes tipos de comportamentos, protestos, seja por palavras, seja por gestos, normalmente são punidos. Eu só queria dizer uma coisa que as pessoas talvez não saibam. Não foi a primeira vez, de certeza, que o Ian Cathro, neste caso concreto, como vamos falar mais à frente também mesmo a acabar, de um adjunto. Não foi a primeira vez que o treinador teve aquele comportamento e o árbitro a seguir dispara logo um cartão, porque o quarto árbitro chama. Normalmente, há muita paciência por parte dos quartos árbitros, árbitros assistentes, que levam sempre ao limite, que vão informando, vão avisando. Muitas vezes isto é o coroar de uma terceira ou quarta situação em que os bancos já tiveram esse tipo de comportamento.
Avançamos para o minuto 38. Há cartão amarelo para Ricardo.
É o chamado corta-ataque prometedor. O Ricardo Sanches acaba por empurrar sem bola e sem qualquer interesse em disputar a mesma o Borgensains. É aquele lance junto à linha lateral em que a bola é metida em profundidade, o Borgensains até ia a correr em cima da linha ou mesmo até já quase por fora do terreno de jogo e o Ricardo Sanches acaba por empurrar, desinteressa-se da bola e, portanto, além da atitude em si ser antidesportiva, do empurrão sem bola, é porque corta uma jogada de perigo, porque o Sanches ia ver ficar corredor esquerdo aberto e com possibilidades de percorrer esse corredor se não sofresse a falta.
Minuto 42, cartão amarelo para Francisco Moura.
Parecido, mas agora ao contrário, Francisco Moura, no corredor direito do ataque do Estoril, acaba por vir por trás do Rafik Guitane e neste caso não foi por empurrar, foi por agarrar e puxar o jogador do Estoril, quando ele também iria ficar com o corredor direito livre para correr e para ir buscar a bola que estava a ser colocada. E, portanto, também o agarrar em si antidesportivo e o corte também de um ataque já, de certa forma, prometedor. Amarelo.
Avançamos para a segunda parte. Minuto 53. Cartão amarelo.
Sim, depois é que eu fui tentar perceber, porque na altura nem percebi bem porque é que o guarda-redes do Estoril tinha sido advertido. Depois é que percebi, é o chamado complemento antidesportivo. Como nós sabemos, as bolas agora não estão nos apanha-bolas, isto é, os apanha-bolas têm as bolas, mas não podem dar aos jogadores, têm que as colocar naqueles cones que estão ao longo do campo. Para quê? Para quando a bola sai, os jogadores vêm buscar a bola para lançamento lateral, pontapé de baliza, pontapé de canto. E como o Robles tem ali uma bola perto, para impedir que o Futebol Clube do Porto fizesse ali um princípio de jogo rápido, eu depois na altura, ou ele se calhar estaria na dúvida naquilo que o árbitro iria assinalar, se era pontapé de baliza ou pontapé de canto, o fato é que ele correu numa bola e meteu-a para dentro do terreno de jogo, com o objetivo de, tendo uma bola dentro do terreno de jogo, ninguém pode recomeçar. No fundo, para respirar e para a equipa se reposicionar. E com isso, teve um complemento antidesportivo que o árbitro viu e puniu bem com cartão amarelo.
Avançamos nesta segunda parte para o minuto 79. Discutiu-se grande penalidade sobre Boma.
Sim, é um lance que passa um bocadinho despercebido, até porque o Boma praticamente não protestou. E não quer dizer que os jogadores por protestar haja falta ou por não protestar, mas às vezes também isso é um sinal. É um lance em que o Boma vai a passar, e para já é fora da área e, portanto, há a ver infração, que para mim houve fora da área. O Boma vai a passar entre dois jogadores do Futebol Clube do Porto e um desses jogadores, que é o Kyori, estica as mãos e empurra, e como ele vai em velocidade e já está a passar por ele, acaba por o desequilibrar. Portanto, para mim, a queda e o desequilíbrio resulta desse empurrão. O Boma acaba pois por cair já dentro da área, porque aquilo é ali no limite, mas a infração ocorreu fora da área. Seria livre direto e apenas cartão amarelo, porque o Boma não estava isolado. Havia um jogador do Futebol Clube do Porto que já estava na dobra mais à frente. E, portanto, para mim, não sendo dos lances mais relevantes e importantes, era lance à entrada da área, livre direto e ficou aqui o cartão amarelo para mostrar.
Minuto 90. Cartão amarelo por mostrar a William Gomes, é a tua análise?
É aquele lance que depois dá o pontapé livre para entrar e que depois até o jogador do Porto corta de cabeça para canto. Portanto, o William Gomes ao saltar acaba por levar o braço esquerdo bem no ar. Os jogadores estão a utilizar cada vez mais este expediente, que é irem saltar, muitas vezes não têm a possibilidade de chegar lá de cabeça e esticam os braços e com isso atingem aquilo que é a zona da cabeça, de cara, de rosto, nuca dos seus adversários. Foi o que aconteceu em relação ao Pedro Carvalho. O árbitro assinalou bem o livre direto, mas faltou claramente cartão amarelo, porque as indicações são muito claras. Para tentar acabar com este flagelo que são o uso de mãos, braços e cotovelos na cabeça, cara dos adversários, há que punir amarelo. Obviamente, amarelo, se for má agressão, naturalmente, está a subir o tom. Não foi o caso, aqui era só cartão amarelo, mas faltou o cartão amarelo.
Ao minuto 92, discutiu-se a possibilidade de um cartão amarelo para Ferro. Faltou esse cartão?
Faltou, porque é um lance parecido, mas ao contrário. Não foi em salto, mas foi o Eustáquio e o Ferro que estavam a marcar-se mutuamente, na sequência do tal canto. Portanto, deste livre nasce o canto e nessa sequência do canto, o Ferro ao desembaraçar-se, depois de já ter fugido a ele, claramente, de forma deliberada, deixou o bracinho para trás para acertar em cheio na cara do Eustáquio. Portanto, é a mesma conversa que tive no lance anterior, faltou aqui cartão amarelo. E o árbitro viu bem as infrações, só que, no meu ponto de vista, em ambas as situações devia ter mostrado cartão amarelo.
Há ainda um cartão amarelo para o adjunto do Futebol Clube do Porto.
Como foi aqui descrito, saiu do banco, estamos a falar do último minuto de jogo, praticamente sai do banco e vai junto à bandeira de canto e quase linha lateral, linha de baliza, para dar instruções e indicações, para corrigir alguma coisa. Não podem sair do banco para ir dar instruções, as instruções têm que ser dadas do banco e só um elemento é que pode dar. E neste caso concreto, o árbitro viu isso e mostrou o respectivo cartão amarelo.
Vamos então à nota para esta equipa de arbitragem, que neste caso foi liderada por André Narciso.
Eu vou dar nota positiva, nota seis, porque embora tenha aqui focado, sobretudo dois lances de cartão amarelo, do William Gomes e do Ferro, que para mim são cartão amarelo, ou seja, eu diria que a gestão disciplinar foi regular, mas é mesmo a acabar o jogo. Não é uma situação que foi recorrente durante o jogo, até porque ele na primeira parte controlou bem o jogo disciplinarmente. Acertou naquilo que é essencial. Não houve grandes lances de área, mas acertou, marcou poucas faltas, 25, para a nossa liga é muito bom. O tempo útil de jogo foi muito alto em relação à média portuguesa dos outros jogos. Isso também há que bonificar e depois não tem qualquer impacto, um jogo de 1x0 não tem qualquer impacto ou influência no resultado do jogo. Portanto, não há aqui lances de um pênalti ou de um vermelho direto e, portanto, aquilo que é essencial, eu diria que acertou no essencial, irregular na disciplina, mas acaba por sair por cima, nota seis.
Está feita esta edição do "Sem Falta".