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Sem falta na rádio Observador, Marítimo 1, Porto 2, oitava jornada do Campeonato Nacional. E o fato é que João Gonçalves teve aqui uma arbitragem, Pedro Henriques, que vamos avaliar desde já, apenas dois amarelos, alguns lances e ao minuto 20, na tua opinião, faltou um amarelo para Frold, do Futebol Clube do Porto.
Sim, é talvez o único momento menos correto por parte da equipe de arbitragem, porque realmente há mesmo motivo para cartão amarelo, é um pisão, é uma entrada fora de tempo do Frold sobre o Paulo Henrique. E na ocasião, o jogador dinamarquês do Futebol Clube do Porto, com o pé direito e já sem a bola no local, acaba por pisar o pé esquerdo por cima, portanto o peito do pé esquerdo do jogador do Marítimo, entrada negligente, passível de cartão amarelo, o árbitro não mostrou, mas ficou por mostrar este cartão.
Temos depois, ao minuto 35, amarelo para Alan Varela, do Porto.
Sim, aqui cartão amarelo bem mostrado. Neste caso, Alan Varela, como disseste, é uma entrada sobre o Terron, o Martin Terron, quando ele saía da sua área e, portanto, uma saída talvez em ataque rápido. E digo talvez porque a jogada foi logo travada ali. Portanto, é um misto de falta tática e que corta, portanto, e anula e destrói ali a jogada. E, portanto, a entrada em si, que também gera um bocadinho ali no limite, meia tesoura, depois com o facto de parar esta possível transição, no meio disto tudo está, digamos, a mostragem do cartão amarelo e foi uma boa decisão.
Ao minuto 41, na tua opinião, sem pênalti sobre Alberto Costa na área do Marítimo, apesar de algumas reclamações do lado do Futebol Clube do Porto.
Sim, o árbitro nesse aspeto nas áreas esteve sempre bem. Os jogadores, normalmente, sobretudo quem ataca e cai normalmente na área, reclama sempre, mas uma boa decisão. O lance entre o Zalae e o Alberto Costa, a bola ainda está a ser cruzada para a área, os jogadores, e na imagem por trás da baliza percebe-se bem, estão com os olhos postos na bola. Há ali um contato lateral, chamada carga legal, ombro esquerdo do Zalae contra o ombro direito do Alberto Costa. O Alberto Costa acaba por cair, mas não há empurrão ou puxão, ou uma carga incorreta, como às vezes acontece nas costas. Não, tudo certo, ombro com ombro, carga correta, disputa lateral.
E Pedro, perdemos-te quando falavas em disputa lateral, aqui, mas acredito que fosse já perto do final da análise.
Foi já perto. É uma disputa, é um contato lateral, é uma carga que existe, mas é legal, ombro com ombro. Não há qualquer tipo de outra infração, como às vezes cargas nas costas ou empurrões e, portanto, tudo certo, tudo correto e sem motivo para ponto e pé de pênalti.
Ao minuto 49, agora já na segunda parte, também sem pênalti na área do Marítimo sobre o William Gomes, apesar de algumas reclamações do lado do Futebol Clube do Porto.
Sim, é uma jogada mesmo sobre a linha de baliza, em que o William Gomes está a correr sobre a linha de baliza, também lateralmente com o Paulo Henrique, muito parecido com o outro lance, só que em posição diferente da área, o outro que nós falamos anteriormente. Aqui com este pormenor é que o Paulo Henrique tem o seu braço direito ali sobre o ombro do William Gomes e o William Gomes, que está do seu lado direito, obviamente, tem o seu braço esquerdo ali na frente da barriga do Paulo Henrique e portanto é aquela utilização de braço um sobre o outro, não a fazerem falta, não estão a empurrar, nem a agarrar, é controlar digamos a posição de um e de outro e a tentar ganhar ali espaço, conquista de espaço para ver quem consegue ficar com a bola. É só isto. Depois, normalmente, quem ataca cai sempre, é o normal. Normalmente não é quem defende cai, quem ataca normalmente cai, porque de alguma maneira, empiricamente, subconscientemente, está sempre aquela ideia de tentar ganhar qualquer coisa. Isto não significa que haja simulação, obviamente, bem entendido. Mas o mais importante é que é um contato apenas lateral, não há motivo, uma vez mais, para qualquer infração, que seria, uma vez mais, a questão do ponto e pé de pênalti.
Temos depois, na sequência, Pedro Henriques, de análise aos lances deste encontro. Ao minuto 57, um amarelo para Pepê, acredito aqui também que bem mostrado. Foi aquilo que falámos, que é a chamada falta útil, tática, como quiseres chamar.
Exatamente. Agora é sobre o Martin Terron, que ia com alguma velocidade, está a meio do seu meio-campo, mas na zona defensiva, conforme estava a sair. Acelerou e o Pepê, para não haver dúvidas, até porque o Futebol Clube do Porto estava ali um bocadinho em contrapé, pelas costas, empurrou com ambas as mãos o Terron e, portanto, destruindo a jogada. Como disseste, e bem, falta tática, o termo correto, falta útil, o termo mais popular, mas que as pessoas entendem melhor e, portanto, o árbitro a puxar o cartão amarelo e a puxar bem.
Temos ainda, Pedro, ao minuto 84, o segundo gol do Porto, que depois de ter sido marcado, acaba por ser invalidado pelo fiscal de linha, pelo árbitro assistente, mas depois validado pelo VAR, depois da colocação das linhas, e aqui com 1 cm. Não sei se concordas com aquela ideia de que certos gols, pela beleza que têm, deviam ter uma cláusula para deixar dois ou três centímetros, uma tolerância.
Não, mas eu percebo a ideia das pessoas. Primeiro, o importante era que sempre que vão acontecendo estes lances, quem está no futebol, aqueles que têm poder de decisão e nós que temos poder, pelo menos de comunicar e de falar e dar a nossa opinião, é para quando o SAOT, Semi-Automatic Offside Technology. Isto traduzido assim à letra em meio português. Porque é uma tecnologia tridimensional em relação às imagens que dão dos jogadores, é uma tecnologia que tem de 28 a 32 câmaras normalmente de alta resolução, é uma tecnologia que vai mapear os pontos do corpo do jogador, tem inteligência artificial, como foi no mundial Que permite até alertar a cabine do árbitro e, no caso do mundial, até foi o próprio árbitro assistente que era alertado do possível fora de jogo. Portanto, há aqui toda uma tecnologia que faz o quê? Por que é semiautomático? Só não é automático porque quem decide no fim é sempre o árbitro. Mas é semiautomático porque toda a análise do fora de jogo, o momento em que a bola parte, o momento em que a posição do jogador, quem ataca em relação a quem defende, é toda feita pelo algoritmo, pelo computador e com precisão. E, portanto, não há hipótese de erro, pois podemos não concordar se um pé tiver uma biqueira à frente ou tiver um nariz atrás. Isso é a lei, mas a lei como está, diz que um jogador está em fora de jogo quando se encontra mais perto da linha de baliza adversária do que, neste caso, o penúltimo adversário. Portanto, o centímetro à frente ou atrás, no SAWOT, que não é por centímetros, é por linhas e é sobretudo por cortes longitudinais, nas imagens 3D que são mostradas, são muito mais seguras. Aqui corremos sempre o risco da parte, como é mais manual, a colocação do momento do passe. Neste caso, até foi o Kior que fez o passe. Para que não haja dúvidas qual o momento do passe, já não é o algoritmo, é o humano que está ali com um botãozinho a ver o momento em que o jogador Kior tocou na bola e fez o passe. Depois a colocação de ombros, que aqui até foi por ombros, ombro esquerdo ou ombro direito do jogador que está a atacar, neste caso o Petar Živković. O jogador que invalidou a posição por um centímetro, o Romário Correia. Portanto, essa parte aí é que pode haver sempre algum erro humano no momento em que estás a dar ao computador: é o ombro direito, é o joelho esquerdo, é o que quer que seja. Mas a partir do momento que dás esses pontos de referência, o momento de passe e os dois pontos, o ponto de quem ataca e o ponto de quem defende, ponto corporal, entenda-se, já é o computador que coloca as linhas. Portanto, ao contrário do que as pessoas pensam, não há linhas tortas. Linhas tortas são as pessoas que acham que conseguem fazer linhas no telemóvel. Não, esses é que estão tortos. O computador nunca se engana em termos de linhas. Onde pode haver um engano é quando tu dás esses pontos, essas referências, o momento do passe ao algoritmo, ao computador. Eu prefiro uma tecnologia como esta do que não haver tecnologia, porque estaremos sempre mais próximos da verdade desportiva. Claro que vai haver discussão, porque ainda por cima o gol inicialmente é anulado, e por que se vai validar por um centímetro, por que não se dá tal margem. Mas para mim o que me chocava era estarmos a dar margens e a dizer: "Olha, o gol foi em fora de jogo, mas como temos aqui uma margem de 5 cm, então estamos a validar gols em fora de jogo". O que eu quero? Uma tecnologia melhor, SAWOT, ou então ver se em fevereiro deste ano sempre vai ser aprovada a alteração da lei do fora de jogo, a chamada lei do senhor Arsène Wenger, e se isso for modificado, então toda esta discussão depois deixa de ter sentido como estamos agora a fazer. Vamos ver. De qualquer maneira, decisão final do vídeo-árbitro, porque eu acredito na tecnologia que é utilizada para todos os jogos e da mesma maneira, é uma decisão que diz que o gol do Porto é legal, porque o Petar Živković está por um centímetro a ser colocado em jogo pelo Romário Correia.
Pedro Henriques, temos para fechar a análise destes lances, deste jogo. Ao minuto 87, um amarelo, o último amarelo deste encontro e o segundo também apenas para Igor Julião. Antes de conhecermos a nota do João Gonçalves.
Sim, e cartão amarelo bem mostrado. O Igor Julião até tinha a posse de bola, a bola vai-lhe na frente e vai-lhe a escapar e ele lança e diz buscar a bola que lhe estava a fugir, tudo isto em velocidade muito rápida, estica claramente a perna direita para tentá-la chegar. Só que enquanto estica a perna direita, vira completamente, e o termo não é muito bonito, mas é para as pessoas perceberem, vira completamente o Pablo Rosario, que dá ali quase uma pirueta no ar e cai de forma muito desamparada. E, portanto, é uma entrada dura, negligente, e por isso bem sancionado com o cartão amarelo.
Resta saber que nota merece a equipa de arbitragem esta tarde, noite liderada por João Gonçalves na Madeira nesta derrota do Marítimo em casa frente ao Porto por duas bolas a uma.
Eu vou dar nota sete. Estava aqui hesitante em nota seis, porque houve um amarelo por mostrar e porque, na prática, o assistente acaba por falhar a decisão, mas eu vou dar nota sete para valorizar, em vez do seis, este valor a mais é para o VAR. Portanto, vou valorizar muito a intervenção do vídeo-árbitro, porque mesmo que as pessoas em Portugal e em todo o mundo desconfiem de tudo e mais alguma coisa, eu sei, mas eu não desconfio de tecnologias. Eu aceito as tecnologias e mesmo que possa haver erro na aplicação, eventualmente, a tecnologia, esse erro será sempre igual para todas as circunstâncias, porque é a mesma tecnologia aplicada para todos os jogos do futebol profissional. E, portanto, eu confio na tecnologia. Este jogo é decidido por um centímetro, é decidido por uma tecnologia, e nós que tantos anos andámos a pedir tecnologia e pedimos sistematicamente tecnologias para ajudar a tomada de decisão das equipas de arbitragem, quando as temos, pois mesmo assim ainda desconfiamos delas. E por isso eu vou dar nota sete. O árbitro acaba por estar globalmente bem. O VAR dá uma ajuda preciosa no momento decisivo. E eu prefiro assim, com tecnologia. Portanto, eu diria que VAR e tecnologia hoje foram claramente decisivos naquilo que foi o desfecho do jogo.
Feito. E deste sem falta estamos de regresso para fechar esta oitava jornada. Amanhã, também às 18h, para acompanhar o Benfica x Vitória Sport Clube, com a audioarbitragem, claro está, do nosso audioárbitro Pedro Henriques. Um abraço, Pedro.