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Sem Falta, da Rádio Observador, o podcast onde analisamos os vários lances dos jogos que aqui acompanhamos. Hoje, terceira jornada do Campeonato Nacional, Porto 2, Alverca 0, num jogo com dois gols anulados ao Futebol Clube do Porto e com arbitragem de João Pinheiro, o nosso mundialista Pedro Henriques.
Boa noite. Vamos lá então à análise dos lances.
Vamos a isso. Ao minuto 31, Barbero, havia pênalti deste jogador do Arouca a favor do Futebol Clube do Porto?
Minuto 31, sem pênalti. Após a marcação de um bote a pé de canto, a bola acaba por ser tocada no corpo, peito, mais ao nível do peito do Ivan Barbero, e resvala depois para o seu braço esquerdo. Esse braço esquerdo está junto, encostado ao longo do tronco e não há, portanto, qualquer voluntariedade nem movimento deliberado, tudo legal.
Temos depois, já só na segunda parte, o segundo lance deste encontro, ao minuto 53, é o gol anulado a Alberto Costa, que gerou enorme contestação. Mas, Pedro, fomos vendo aqui ao longo que havia um jogador em posição irregular. Vamos já tua análise também do contra-ataque.
Não, essa não, essa é do Alberto Costa.
Ah, é uma falta. É um gol anulado.
Exatamente.
Exatamente. Pois é, uma falta sobre o guarda-redes.
Esse é o outro a seguir. Exatamente, são os dois gols anulados. Bem, neste caso aqui concreto, duas explicações. Em primeiro lugar, a explicação de que já não existe a chamada pequena área, que se chama área de baliza, como zona de proteção do guarda-redes, em que dantes, no texto da lei e na prática, não podia haver qualquer tipo de carga sobre o guarda-redes. Os guarda-redes passaram a ser tratados, entre aspas, como qualquer outro jogador, no sentido das cargas. Se for carregado de forma correta, está tudo legal, se for carregado de forma incorreta, é penalizado. E, portanto, aquela situação em que qualquer toque no guarda-redes era penalizado, deixou de ser assim. À parte disto, o que acontece é que os jogadores quando saltam, e neste caso, quem está a atacar, e neste caso foi o Alberto Costa, ao saltar e ao ir disputar a bola com os guarda-redes, o que acontece normalmente é que os jogadores vão de cabeça onde os guarda-redes vão com os braços e mãos. E o jogador ao ir de cabeça disputar essa bola, a única coisa que pode fazer pra ser legal é tocar na bola, porque normalmente o que acontece é que muitas vezes utilizam a própria cabeça ou muitas vezes utilizam o corpo ou os próprios braços, e neste caso, entenda-se aqui quem está a atacar, para tocar nas luvas, nas mãos, com as luvas, obviamente, e nos braços do guarda-redes. E este contato acaba por ser uma carga incorreta, porque tu ao saltares e ao tocares, tiras os braços e as mãos da posição em que o guarda-redes está, e por isso se torna falta. Isto para dar a explicação em termos genéricos. O gol é bem anulado porque o Alberto Costa salta, é na pequena área, na área de baliza, acaba por, com o braço direito e com o corpo, para já carregar a Rua Barrena, em termos de corpo, tocando-lhe também nos braços e inclusivamente com a cabeça na luva esquerda. E portanto, é esta carga, este contato de cabeça na luva e esta utilização do braço e do corpo, que no fundo toca e desvia os braços do guarda-redes, que é punida com uma infração. E por isso, bem o árbitro, foi decisão do árbitro, o VAR só se limitou a confirmar ou anular este primeiro gol ao Futebol Clube do Porto.
O VAR interveio, aliás, no lance seguinte ao minuto 63. Mais um gol anulado ao Futebol Clube do Porto. Agora sim, o VAR a descobrir aqui um fora de jogo que escapou ao árbitro assistente em campo.
Sim, e a nós também ia escapando, porque nós focamos na parte final da jogada. A nós, a mim, mais concretamente.
A nós também, mas também cá estamos.
Sim, na altura estávamos todos focados naquilo que era o remate que dava o gol e num jogador do Futebol Clube do Porto que se tinha abaixado e que estava na zona de carreira de tiro e estávamos todos a focar que realmente esse jogador estava em fora de jogo de posição, até que ponto é que tinha impacto ou não na ação do guarda-redes, nomeadamente na visão. Mas não é aí que o VAR está. O VAR está, e bem, antes. Está na posição de fora de jogo ao André Silva. Ou seja, na construção da jogada, um bocadinho antes, o André Silva, que sai da posição de fora de jogo, como a gente costuma dizer, da frente pra trás, está em fora de jogo por 45 centímetros, isso depois é a cidade do futebol que injeta esse sinal e que nos mostra que é 45 centímetros, e vai disputar a bola com o Javier Sanches, que é ele que cabeceia a bola pra frente e depois na sequência que dá o gol do Futebol Clube do Porto. Ora, uma das situações, Play 11, fora de jogo, página 103, em que um jogador não toca na bola, e aqui entenda-se o André Silva que nunca tocou na bola, e mesmo assim pode ser penalizado por fora de jogo, é quando ele interfere com o adversário. E no interferir com o adversário, estão várias coisas descritas. E uma delas é quando vais disputar a bola com o adversário. Ok? E essa disputa da bola, quanto mais próxima tiveres desse jogador, maior é a probabilidade de seres penalizado. Neste caso, é muito simples de analisar, porque a disputa dele é com contato físico, eles chocam um com o outro. Portanto, aqui não há dúvida. Se ele tivesse afastado meio metro, um metro, dois, poderíamos estar a colocar a situação até que ponto é que ele estaria a disputar e isso teria impacto no adversário, entenda-se no Javier Sanches. Neste caso, o André Silva sai fora de jogo, 45 centímetros, choca, sem falta, entra em contato com o Javier Sanches e por causa desse entrar em contato, acaba por ser penalizado fora de jogo. Segunda situação, pra terminar, porque é um lance que merece essa explicação. Por que o árbitro recebe informação do VAR e não vai ao monitor? Nas situações factuais em que o jogador toca na bola, o VAR só se limita a dizer fora de jogo, sim ou fora de jogo, não. E sendo fora de jogo, o árbitro não tem que ir ao monitor porque o VAR viu e é factual que o jogador toca na bola. Quando o jogador não toca na bola, normalmente, tem que se interpretar a tal interferência. E aí, mesmo que o fora de jogo seja a decisão que o VAR considera correta, o árbitro tem que ir sempre ao monitor por protocolo. Mas neste caso, pelo fato de ele ter tocado no seu adversário, isto é, a disputa de bola é com contato, torna-se claramente factual essa disputa de bola. E, portanto, por isso, já não é de interpretação, é mesmo factual. E nesta perspectiva, bem o vídeo árbitro a dar a informação ao árbitro e o árbitro a perceber o que é que estava a acontecer, não ter que ir ao monitor. Portanto, dupla decisão correta. Há fora de jogo Do André Silva, os tais 45 centímetros, e bem no sentido do protocolo de o VAR ter dado a informação e o árbitro ter ido ao monitor, porque acaba por se tornar não de interpretação, mas factual, porque houve realmente disputa de bola com o tal contacto.
Temos depois, Pedro, ao minuto 80, um lance que creio que na área do Foco do Porto, envolveu o jogador Nandín, do Arouca. Resta saber se tinha adjetivos para penálti. É sem penálti.
Sem penálti. O Nandín esboça aquele protesto. Ele faz um gesto, é sidado, neste caso, pelo Jacob Kiør, mas depois as três ou quatro repetições que deram e uma por trás da baliza, percebe-se que há contacto, mas não há infração. Ou seja, o Kiør não empurra, não carrega, não agarra o avançado uruguaio do Arouca e, portanto, o Nandín, ao sentir esse contacto, eu digo isto na perspetiva que ele tentou cavar a falta, mas deixa-se cair de forma fácil. Portanto, tudo legal, sem infração e sem motivo para apontar penálti.
Temos ao minuto 83, amarelo para Wang, o único amarelo do jogo, Pedro Henriques. Talvez tenha faltado um outro, mas já vamos falar disso.
Certo.
Vamos falar deste amarelo do Wang, que não te deixou qualquer dúvida. Foi daqueles movimentos de pé com sola para baixo, não é?
Certo. Foi bem advertido exatamente por entrada de sola de cima para baixo, pé direito no pé direito do Tiago Gajo e acabou por, desta forma, fazer uma coisa que é jogo perigoso. Normalmente, o jogo perigoso é punido com livre indireto, mas quando há contacto, deixa de ser livre indireto e passa a livre direto, é o chamado pé em risto com contacto. Portanto, o árbitro bem na punição do livre direto e também do cartão amarelo, porque no fundo esta entrada de sola acaba por ser enquadrada na negligência e, por isso, muito bem o livre direto e o cartão amarelo.
Temos mais dois lances para analisar antes de conhecermos a nota que merece esta equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro. Ao minuto 86, o segundo gol do Porto. Queres falar sobre ele para passar à legalidade?
Sim, fora de jogo. Exatamente. Dois momentos de análise que, curiosamente, fiquei à espera das repetições com centímetros, porque o primeiro momento, não sei se a 4th Wall tinha que injetar esse sinal. Porque pode gerar dúvidas nas pessoas, a câmera não está no enviamento e pode haver aquele erro paralaxe, na dúvida que é: há um passe para o corredor direito para o PP e depois há o passe do PP para o Borja Sánchez, que faz o gol. No primeiro momento de análise, que é o passe para o PP, ele no corredor direito, fica a ideia que não está em fora de jogo, mas fica muito ali no limite. E vou dar como boa decisão, porque o VAR, mesmo que não tenham injetado o sinal na transmissão, o VAR teve que analisar se estava fora de jogo ou não. Esse deixa-me mais dúvidas, mas com a imagem parece-me legal. E depois no passe para o Borja Sánchez, essa é mais fácil de ver, porque o Borja Sánchez está atrás da linha da bola e como nós sabemos, sempre que o jogador está em linha com a bola ou atrás da linha da bola no momento em que o seu colega lhe passa a bola, é uma das sete exceções da regra de fora de jogo, em que o jogador nunca está fora de jogo. E por isso, eu vou dar como boa decisão no gol do Foco do Porto, nestes dois momentos, nem PP, nem Borja Sánchez estar em fora de jogo.
Temos depois ao minuto 94, aquilo que na tua opinião faltou, um amarelo para Alberto Costa.
Certo. Sim, depois só se consegue ver com a repetição. O assistente dá o livre direto, há a falta e, portanto, porque percebe que realmente corre coisa de braços relativamente ao Fontán, que é o jogador que está a disputar a bola com ele. Mas há mais do que isso. O livre direto é correto, mas devia ter havido cartão amarelo. Por quê? Porque é aquela situação típica de abertura de braço deliberado, neste caso, o braço direito, e acertar com a mão na cara do José Fontán. E acertou mesmo. E estas situações, estamos aqui sempre a falar nisto, de mão, braço, cotovelo, ao nível da cabeça, pescoço, rosto dos adversários, além de negligentes na forma como abordam o lance, são normalmente antidesportivos. A não ser que haja agressão, que não foi o caso, aí seja vermelho. Portanto, pela negligência e pelo complemento antidesportivo, era cartão amarelo.
Resta saber que nota merece esta equipa de arbitragem, hoje liderada pelo nosso único árbitro mundialista, no último mundial, João Pinheiro. Que nota merece?
Eu vou dar nota 7. Não obstante, ter havido esta questão do cartão amarelo, que ficou por mostrar, eu vou olhar aqui para o global, para a intervenção do vídeo-árbitro também. Um gol anulado pelo árbitro, um gol anulado pelo vídeo-árbitro, os outros dois gols foram corretos. O cartão amarelo que foi mostrado também foi correto. Uma vez mais, por exemplo, o árbitro assistente naquela dupla situação do segundo gol do Porto, o que foi válido, também um lance difícil. Portanto, eu vou dar como muito boa arbitragem, ou boa arbitragem, e vou dar nota 7, sobretudo com estes donos, que é os dois gols ao Foco do Porto, e podia ter tido impacto até no resultado, foram bem anulados e no momento em que estava tudo 0 x 0.
Pedro Henriques, está feito e entregue. Mais um "Sem Falta", avaliação à equipa liderada por João Pinheiro no Porto 2, Arouca 0. Nota 7, uma positiva bem simpática no fecho desta terceira jornada do campeonato. Pedro Henriques, cá estaremos para a próxima jornada, também para os compromissos europeus do Benfica frente ao Horus, para tentar chegar à Liga Europa. E podemos também sempre ouvir o Pedro Henriques em sede de "O Campeão É", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto, aqui na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro, bom descanso.