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Boa noite. Sem falta hoje para analisar o encontro entre Portugal e o Catar, já temos em linha o Pedro Henriques. Pedro Henriques, boa noite.

Boa noite.

Desde há bocadinho. Pedro Henriques, vamos começar por analisar três lances em que, pelo que percebo, o protagonista é o defesa do Catar, Hassan. Vamos começar pelo minuto seis, uma entrada sobre André Silva. Há ou não há pênalti aqui?

Não. Realmente o Hassan esteve muito em jogo, com vários lances. Aqui é uma disputa de bola com o André Silva. Há, efetivamente, um contacto no ombro do jogador português, mas é isso mesmo, é um contacto, não tem qualquer tipo de infração, nem esse contacto ou essa carga tem intensidade para que fosse motivo para o pé de pênalti. Portanto, boa decisão da equipa de arbitragem, do árbitro suíço, em não assinalar para o pé de pênalti.

Aos 14 minutos, novamente esse protagonismo para o defesa do Catar. Desta vez uma falta sobre Matheus Nunes. Neste caso, há ou não razão para pênalti? Pedro Henriques?

Também não há falta. O Matheus Nunes efetivamente caiu na área. Foi um lance bem estranho. Estou a ouvir. O Matheus Nunes tem uma disputa de bola com o Hassan. Efetivamente, o Matheus Nunes acaba também por cair na área. Foi um lance relativamente estranho, porque o Hassan acaba por tentar baixar-se para jogar a bola, acaba por promover na parte final um contacto com a cabeça, ao nível já a parte de baixo do tronco do jogador português. Há contacto, uma vez mais, mas não há nenhum empurrão, nenhuma carga, nenhuma rasteira. Ambos os jogadores vão disputar a bola e por isso é que ambos caem no chão. Mas uma vez mais, bem a equipa de arbitragem, não havendo motivo para o pé de pênalti. E relembrar que este jogo tinha vídeo-árbitro e, portanto, estes dois lances que acabamos de falar, minuto 6, minuto 14, para além da decisão do árbitro em campo, foram sempre vistos pelo vídeo-árbitro, que acabou por dar razão à decisão inicial. Exatamente.

Aos 28 minutos, mais uma vez voltamos a falar sobre Hassan. Desta vez levou mesmo amarelo. Foi merecido nestes 28 minutos da partida?

Sim, bem mostrado. Uma vez mais com Matheus Nunes. O jogador português está no corredor direito e vai entrar com algum perigo na área. E o Hassan faz um chamado carrinho, um tackle deslizante, acabando por rasteirar o jogador português e portanto cortou um ataque prometedor. A entrada em si é muito dura, negligente, que é o termo técnico, e por isso cartão amarelo bem mostrado também.

Vamos seguir para os 32 minutos, agora a equipa portuguesa em xeque. Amarelo para William, foi ou não bem mostrado pelo árbitro?

Sim, bem mostrado. William tentou chegar à bola e no seu momento descendente acaba por acertar com os pitons do seu pé direito no joelho do seu adversário. Um adversário, curiosamente, que é do Catar, mas que é português, nasceu ali na zona do Barreiro, que é o Pedro Miguel Correia.

O Roró, sim.

O Roró, exatamente, está naturalizado. De qualquer maneira, cartão amarelo bem mostrado pela entrada bastante dura, negligente e, portanto, cartão amarelo correto.

Uma curiosidade, Pedro Henriques, que o Pedro Roró Correia e o Danilo são muito amigos, são ambos de Meio Martins. Já fizemos aqui até um trabalho no Observador em que conversamos com o Pedro Roró Correia, esse jogador do Catar. Meio Martins tem um campeão europeu, Danilo, e tem um campeão asiático também do Catar, o Pedro Roró Correia. Mas seguimos com aquilo que interessa. O primeiro gol chegou pouco depois, aos 37 minutos, por Cristiano Ronaldo, aí sem dúvidas, mas já depois na segunda parte, aos 48, houve gol de José Fonte que deixou algumas dúvidas e a equipa adversária protestou. Havia ou não razão para assinalar fora de jogo?

Não. Gol legal, é um pontapé livre batido pelo João Mário. Há um remate do José Fontes e depois o Rafael Leão primeiro a fazer o cabeceamento, o guarda-redes a defender e a bola depois sobra para o José Fonte. Aquilo que conta é o momento em que o Rafael Leão faz o cabeceamento. E nesse momento, o José Fonte está em posição legal, tem dois adversários entre a linha de baliza, ou seja, não está em fora de jogo. E depois faz a recarga e faz gol, mas realmente ele aparece ali na cara do guarda-redes isolado e os jogadores do Catar levantaram o braço a pedir fora de jogo. O árbitro assistente bem validou o gol e depois, tratando-se de um gol e o gol faz parte do protocolo de vídeo-árbitro, o vídeo-árbitro confirmou, nem colocou as linhas, depois nem vimos as linhas porque o lance é em movimento corrido e visto de lado, sob a posição que é analisada. A câmera fora de jogo é muito clara e, portanto, gol legal sem motivo para fora de jogo.

Neste momento já estava 2 x 0 esta partida. Aos 55 minutos, nova intervenção do árbitro amarelo para Akram Afif, do lado do Catar. Foi bem mostrado?

Sim, o jogador tem uma infração sobre o Gonçalo Guedes. O que ele faz? Ele tenta chegar à bola para discuti-la, falha e de cima para baixo acaba por acertar, felizmente para ele, senão o cartão podia ser de outra cor, no peito do pé do jogador português. E portanto, esse pisão, que é uma entrada negligente, acaba por ser punida com o cartão amarelo. A mesma entrada, por exemplo, na zona do calcanhar, tendão de Aquiles, ou frontalmente num pé de apoio que estivesse fixo no chão, teria outro desenlace em termos de cartão. Mas neste caso concreto, o cartão amarelo e a advertência foi o cartão correto exibido.

Aos 82 minutos, destaque para um dos jogadores que foi protagonista em campo, Diogo Dalot. A exibição tem sido bastante elogiada, mas teve um gol anulado aqui aos 82 minutos. Foi bem anulado?

Sim, embora as repetições tenham sido relativamente estranhas, nomeadamente a câmara atrás da baliza, que é aquela que se vê melhor, para ver se o Dalot tinha tocado na bola com o seu braço direito. O braço direito está no enfamento oposto e portanto essa imagem acabou por nos ser ocultada. Mas depois há uma outra câmara que realmente mostra que o Dalot toca a bola com o braço direito. E é bom relembrar que nesta circunstância, em que o jogador toca a bola com a mão/braço e ele próprio obtém o golo, portanto imediatamente a seguir, como foi o caso, não interessa se ele tocou de forma deliberada, se foi sem querer, ou seja, mesmo que esse toque seja sem querer, a lei diz que não pode ser validado um golo nessa circunstância. E portanto, depois há uma câmara que mostra que a bola tocou no braço direito. Também me pareceu ter sido sem querer, mas neste caso, de acordo com a alteração da lei, sem querer ou não, o golo tem que ser invalidado e, portanto, boa decisão da equipa de arbitragem que viu isso em terreno de jogo. Isto é, o vídeo-árbitro só foi depois confirmar. E estes lances muitas vezes são muito difíceis de analisar, mas uma vez mais, muito assertivo o árbitro.

Aos 84 minutos, quase no final da partida e ainda antes desse 3-0, desse fechar do pano, amarelo a Madibo, da equipa adversária. Este também foi bem mostrado pela equipa de arbitragem?

Sim, bem mostrado. Madibo tem uma entrada a pés juntos sobre o Bruno Fernandes. Para sorte para o Bruno Fernandes e também para o próprio jogador do Catar, e este só entre aspas, que foi só com o pé direito que acabou por pisar o pé direito também do seu adversário, porque a maneira como ele entrou, se é daqueles lances que entra com os dois pés juntos e é com os dois pés juntos que acerta em cheio no seu adversário, podíamos também estar a falar de um cartão de outra cor. Neste caso concreto, e uma vez mais, como referi há pouco no outro lance, o cartão amarelo foi o correto e adequado.

Fechamos com esta intervenção da arbitragem. Pedro Henriques, peço-lhe que dê uma nota de 0 a 10, como habitual, à arbitragem do suíço Fezaisan.

Só para relembrar duas coisas antes de dar a nota, porque muitas vezes isso passa na comunicação social e eu vi em termos de televisão, dos jornais, etc., muito esta ideia de que isto é um jogo, entre aspas, de feijões, um jogo amigável. Não é verdade. Isto é um jogo de preparação, que faz parte do ranking FIFA e existe um chamado método, que agora foi trazido do xadrez para cá, que é o chamado método ELO, que tem um algoritmo, oM, o algoritmo M, a partir do qual se faz uma avaliação de todos os jogos das equipas, neste caso das seleções, e que são atribuídos pontos. Portanto, ganhar é diferente de empatar ou perder, e ganhando, depois vai-se buscar a uma série de coisas. Que tipo de jogo é que é. No topo estão os jogos do Campeonato do Mundo, sobretudo a partir dos quartos-final, porque também tem uma avaliação diferente dos jogos antes dos quartos-final, até este, que é o jogo que tem menos pontos, ou que são atribuídos menos pontos, que são os jogos ditos de preparação. Depois tem a ver com o ranking da equipa opositora, a própria expectativa de jogo. Há ali uma série de fatores, mas este conta para pontos do ranking. Quando nós vemos que Portugal está, ou neste caso concreto, a Bélgica é primeira, Portugal está em quinto.

Sim, precisamente, era exatamente isso que ia dizer. Nós temos esse exemplo da Bélgica que, na verdade, não ganha muitas competições, mas está no ranking porque de facto mostra essa-

Tem a ver com todos os jogos.

Exatamente.

Exatamente. E daí que o árbitro também está a ser avaliado de 0 a 10, e com isto termino, e a nota é muito importante porque os árbitros dependem dessas notas para depois a seguir continuarem a ter mais jogos no plano internacional. E, portanto, o árbitro não pode não dar um cartão amarelo porque isto é um jogo de preparação. Não, tem que fazer exatamente uma arbitragem como se no jogo, aliás, porque é como um jogo absolutamente normal. Posto isto, com esta explicação, que acho que é relevante também para quem nos ouve e quem nos segue, dizer o seguinte: vou dar nota 7 ao árbitro. Não teve grandes dificuldades do ponto de vista de lances muito difíceis. É um fato que estes jogos têm uma intensidade relativamente mais baixa. Óbvio que sim, os jogadores têm sempre o receio de lesão, têm sempre também o receio de um cartão, porque estes cartões também contam. E, portanto, o grau de dificuldade do jogo foi menor, é um fato, e até pela diferença entre as duas equipas e o valor de Portugal em relação ao adversário, o próprio formato do resultado, mas esteve assertivo, decidiu-se sempre bem. O VAR só lá esteve para confirmar as suas boas decisões e teve alguns lances de área como referimos aqui, portanto, nota positiva, nota 7 para o árbitro suíço.

Pedro Henriques, muito obrigada mais uma vez pela análise. Nós temos encontro marcado, penso que para terça-feira. Acho que é o próximo jogo que temos aqui na calha.

Exatamente.

Pedro, muito obrigada. Uma boa noite para si. A noite já vai longa.

Obrigado. Boa noite a todos. Obrigado.

Nós vamos obviamente continuar aqui também a olhar para o desporto nessa eleição do Benfica. Despeço-me de si e do Sem Falta. Até terça-feira.

Obrigado.

Rádio Observador.